O dia em que Floquinho chegou


Nosso carnaval tem sido em casa, em família, mas nem por isso monótono ou livre de emoções. Para quem fugiu de filas e muvucas, até que temos tido uma boa dose de folia e barulho. Depois de um sábado de preguiça e um domingo de muito sol, nossa segunda-feira trouxe novidades. Hoje resolvemos fazer um bailinho de carnaval para as crianças em nossa garagem, coisa pouca de última hora que elas se encarregaram de transformar em festa. Uns pacotes de confete, um tanto bom de serpentina, fantasia, música e espuma, pronto. 

Pouco antes do "baile"começar, nosso vizinho disse ao Ulisses que havia um cachorro abandonado numa esquina de nosso bairro. Ele então me perguntou:

- Quer ir lá ver? 
- Hum... não.

Respondi que não com o coração meio truncado, sem querer muito pensar no assunto. Amanda vive nos pedindo um bichinho e acho bonitinho a forma como nos pede. É sempre "vamos adotar"? Nunca "vamos comprar"? Talvez ela ache que bichos não se compram, sei lá. Só sei que acho fofo. Nós já tínhamos cogitado um outro cachorrinho menor que o nosso Roque, um que vivesse mais próximo das crianças, dentro de casa; um bichinho com quem eles pudessem interagir mais, enquanto não são grandes o suficiente para brincar a valer com o Roque - que, mesmo sendo manso, tem boca grande e me deixa apreensiva. Fiquei por ali, pela cozinha, arrumando uma coisa e outra, pensando nas razões que levam alguém a largar um bichinho no meio da rua, à própria sorte, e nas razões que me levavam a dizer "não" quando a oportunidade de adoção surgira praticamente na esquina da minha casa. Meia hora depois, berrei para o Ulisses, que já estava "instalando" o som da "festa":

- Você vai querer ver o cachorro?
- Não.

Achei estranho, mas, né. Eu também tinha dito que não.

O "baile"de três foliões começou. Enquanto eu me juntava à pantera, ao rei e à fada, Ulisses subiu a rua com o vizinho. Menos de quinze minutos depois os dois voltaram, seguidos por um cãozinho cansado que nos pareceu ser um bichon frisé coberto de terra e carrapichos, magricela e extremamente dócil. Apaixonei-me instantaneamente, ele na calçada, eu na garagem. Amanda pediu para adotá-lo. Consultei o Arthur, que sei ter mais reservas com bichos. Ele disfarçou, relutou, examinou o cachorro e minutos depois tinha em mãos uma lista de possíveis nomes. Demos água e comida, Ulisses escovou o pelo para retirar parte dos carrapatos. Acho que ficamos com ele. Terminamos o baile, corri ao pet shop mais próximo onde agendei um banho e comprei potinhos, coleira, cama, bolinha de borracha. Momentos antes da saída para o banho, uma porta aberta por descuido levou o recém-batizado Floquinho à área do Roque e, consequentemente, sua primeira queda na piscina. Roque disparou rumo ao rabo do novato que, tchibum, refugiou-se onde deu. Uma vida cheia de emoções começou hoje, parece. Para todos os envolvidos. 






No pet shop descobrimos que nosso bichon frisé é, na verdade, um lhasa apso. Autorizamos a tosa sugerida e respirei aliviada ao ver que ninguém na loja reconheceu o cachorro. Essa sou eu, apegada, já. Temos um forte motivo para acreditar que ele foi abandonado, que não fugiu (mesmo assim temi que o reconhecessem como um fujão): o lugar onde foi encontrado, tradicionalmente escolhido por aqueles que decidem largar seus bichos por essas bandas. Infelizmente, a palavra "tradicionalmente" cabe aqui. Floquinho passa longe de ser exceção. 


Agora ele é assim e já correu muito com as crianças, brincando de pegar bolinha. 






A coisa mais engraçada da vida é ver Amanda, com um largo sorriso, dizer "que tristeza que ele foi abandonado, né?". Na versão dela, inclusive, ele foi "jogado pela janela". Ninguém falou isso pra ela, gente, juro. Pronto, é esse nosso carnaval. Minha mãe me mandaria para um manicômio, pelo tanto que reclamo da falta de tempo. Vou lá e adoto mais um cachorro, de pelo longo. Eu responderia, ah, mãe, quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? Hein? 


Bem vindo, Floquinho. 




13 comentários:

Caminhante disse...

Tempo pra cachorro a gente arruma. Não dava pra deixar escapar uma chance dessas. Tenho uma amiga que diz que não somos nós que escolhemos o cachorro e sim ele que nos escolhe. O Floquinho escolheu vocês.

Parabéns à nova família! \o/

Danielle disse...

Aiiii, de todos os seus posts maravilhosos, esse se tornou meu preferido: É que não há nada nessa vida que eu ame mais que histórias de animais com final feliz.
Boa vida pra você, Floquinho. (Na minha cabeça, ele se chama Confete. :D)

E que linda a Amanda, tomara que um dia seja militante da causa animal, tão precisada assim de gente boa como ela. ♥

Angela disse...

Que surpresa!!! Que post tao engracadinho, o Floquinho eh lindo! Morri de rir com a primeira foto dele, e mais ainda com as duas apos. Mostrei para Pete e ele falou "oh nao, Roque vai come-lo", eu contei que ja tentou mas o Floqs pulou na piscina. Morremos de rir com tudo, bem vindo Floquinho!

Olha, uma vez um cachorro me escolheu, na entrada para a baba de Max, um pitbull quase branco e enorme. Abandonado, chegou de surpresa, quando vi ja tava do meu lado, cheirando Max com um ano e meio, meu coracao disparadissimo. Nao deixava meu lado e quando sai de volta para fora para ir embora quase entrou no meu carro comito. A baba deu comida para segura-lo ate o lar de adocao chegar. Contei tudo para Pete que imediatamente comecou a se aprontar para ir pega-lo mas nao deixei :(

Nem me fala da boca grande do Roque, Julia passa um dia com um Bernese gigante (http://www.sheknows.com/pets-and-animals/articles/808121/top-10-large-breed-dogs), que vive dentro de casa. Ele eh do tamanho de um sao bernardo, e quando Julia era ainda novinha ele vivia derrubando ela, sem querer, quando passava. O nome dele tambem eh Max, entao imagina a confusao quando Max ia para a mesma baba tambem!

Estou animadissima com o Carnaval aqui, no finde todas as criancas brasileiras da cidade (duas) vieram para a nossa casa. Mas o que para mim eh para la de delicioso sao as escolas de samba. Gravo todas no dvr e vou vendo aos pouquinhos. Max adora e Julia ta pegando gosto tambem. Visitamos a Bahia, a Africa e a Inglaterra essas noites. Demais! Um grande beijo e parabens pelo novo componente da familia!

Diana Souza disse...

Que liiiiiiiiiiiindo! *---*

Tina Lopes disse...

1) coitado do Roque! que raça é?; 2) lindo lindo Floquinho! 3) Amandinha é o máximo mesmo, que lindinha mais sensível e inteligente 4) evitem muito pet shop pq foi numa tosa que meu cocker pegou cinomose (mesmo vacinado) 5) Ê carnavalzão bom! Sò faltou foto das crianças fantasiadas, né? 6) tá duro enxergar as letrinhas pra provar que não sou robô, complicou ou tô véia mesmo? Bjk!

Luciana Nepomuceno disse...

Que beleza de post, de história e de momento. Que beleza de carnaval. Que bom ler uma coisa essencialmente boa, que deixa o coração leve e a alma em paz. Beijo.

PS. Tô com a Tina, que letrinhas difíceis de re-conhecer

leila disse...

ai que bom :)

Anônimo disse...

Ah que lindo, adorei seu totózinho.
Quando criança eu morava em um bairro que tb era o preferido para abandonos de animais, triste né ? Ainda bem que esses animaizinhos tem agente p/ regatá-los.

Anônimo disse...

Rita, não sei pq saiu como anônimo, mas sou eu a Grazi do http://novasideiasnovasconversas.blogspot.com/

Fernanda Reali disse...

Vocês são muito sortudos por Floquinho ter adotado vocês!!! Tenho uma Isa que me adotou há 2 anos...

bjs

Terla disse...

Eu disse que voltava depois de parar de chorar. Voltei. Quando tu me contou a história no twitter ela tinha sido muito mais objetiva e nós conversamos cobre aquelas coisas bem pontuais que precisam ser conversadas nas primeiras horas de um peludo novo em casa.
Quando o post ficou pronto eu fiquei tão emocionada. Tinha tanto recheio, tantos detalhes, tantas emoções.. A forma como cada um na família recebeu o novo membro, foi lindo. Me emocionei mesmo.
Fico pensando no passado do Floquinho como penso no passado da minha cachorrinha de raça. Será que ela foi roubada por alguém e depois abandonada? Será que ela foi comprada e abandonada? Será que ela se perdeu? Será? Será? Será? Muitas perguntas que possivelmente nao conseguiremos responder. Só podemos responder pelo futuro desses pequenos amados. E isso a gente sabe: amor não vai faltar.
Obrigada por compartilhar conosco.
Um beijo a todos vocês

Anônimo disse...

um belo dia do tipo maravilhoso, a noite voltando da igreja passei na ksa da minha mae. e ao encontra-la ela me disse que havia um cachorro perdido na rua,procuramos por ele e nao encontramos na hora de irmos embora..... derrepente surge um cachorrinho tao sujo com os pelos enrrolados com chicletes e mto mais mto carrapato.
meu esposo o pegou no colo e me deu pra levarmos pra ksa .
Era uma femea da raça lhasa apso,levamos no pet demos tds as vacinas e a batizamos de FOFA. hj sou mto feliz por nos encontrarmos.Deus nos presentiou tanto eu como ela estamos mto felizes ,ela é o shodó da familia tda.

Pam :D disse...

OOoi, eu estava vendo fotos de Lhasa apso no google e me deparei com uma desse cãozinho lindo... Ri muito ao ler o nome dele, porque é o mesmo nome do meu lhasa kkk Floquinho: pense num nome que quase não era aceito pelos amigos e namorado, porque diziam que era muito fofinho pra ele. Mas pense que eu gosto.

 
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