De dentes e pescoços e o primeiro grande susto


Para todos vocês que vibraram com a chegada do Floquinho, venho trazer as novidades do dia. Não pensem que esse será o único assunto deste blog a partir de agora, mas não há como não dividir com vocês o susto de hoje. Para que ninguém fique com o coração na boca, já adianto que todos estão bem. 

Relato resumido: Roque mordeu o Floquinho. Fez um furo no pescoço dele e alguns outros pequenos ferimentos. Floquinho já está medicado, ganhou um pontinho e passa bem. Deve levar uns dias até se recuperar totalmente, o pescoço pode inchar, deve sentir alguma dor nas próximas horas ou dias. Não corre riscos, não quebrou nada, está esperto e esperamos que a normalidade volte em breve. Já acordou do calmante que tomou para a sutura e está serelepe e saltitante. Respirem.

Relato dolorido: As crianças não tiveram aula hoje e vovó passou a tarde com elas. O Roque morre de medo de trovões. Sempre que o mundo escurece tememos pela porta de vidro da sala que ele só não derruba porque... não sei como. Hoje, como de costume, minha sogra foi lá prender o Roque para afastá-lo da porta pelo tempo que durasse a trovoada (o que costuma acalmá-lo consideravelmente e costuma salvar a porta também). Mas ela se esqueceu do Floquinho que estava na sala com as crianças. Hoje pela manhã, o Ulisses tinha colocado a focinheira no Roque e deixado que o Floquinho circulasse pelo quintal da casa, território do Roque. Mais tarde, ao ver a porta da sala aberta novamente, o pequeno foi lá ver qual era. Roque avançou e mordeu seu pescoço. Vovó Tereza fechou a porta da sala para manter as crianças afastadas e, pasmem, meteu a mão na boca do Roque para salvar o Floquinho. Salvou. Enquanto isso, Arthur ligou para o Ulisses, apavorado, morrendo de chorar. Faltava meia hora para o final do expediente, Ulisses me ligou e voltamos imediatamente para casa. No caminho liguei para o Arthur que, ainda chorando, disse que achava que o Floquinho não estava nada bem. Quando chegamos, encontramos o pobre coitado (que adotamos para cuidar e proteger, lembram?) escondido sob o móvel da cozinha. Minha sogra tentava estancar o sangue que saía de seu dedo mordido pelo Roque. Ulisses assumiu o cachorro, eu assumi o dedo da sogra. Ligamos para a veterinária (cuja visita estava agendada para as sete da noite, por conta das vacinas) e ela voou para nossa casa. Amor eterno pelos veterinários. Floquinho foi medicado, limpo, examinado, suturado (um pontinho só no furo mais fundo) e dormiu. Ulisses levou sua mãe para uma clínica para descartar qualquer complicação nos ferimentos (vários cortes pequenos e um corte maior no braço, algo em torno de quatro centímetros, superficial). Arthur ganhou muito colo porque ficou muito assustado. Amanda disse que ficou olhando e prestando atenção em "quem ia vencer a luta". 


Vovó venceu a luta. Do vacilo de abrir a porta sem verificar a localização dos cachorros ninguém está livre. Mas enfrentar o Roque para salvar o Floquinho foi um ato de muita coragem. Fosse eu no lugar dela, Floquinho teria se machucado bem mais. Ela ficou muito nervosa, temeu pelas crianças, pelo Floquinho. Eu temi por ela, poderia ter se ferido gravemente. Roque é um cachorro de cinco anos sem qualquer histórico de rosnadas para quem quer que seja. Mas com outros cachorros o negócio parece ser bem outro. Ele não a atacou, mas basta encostar em seus dentes para se cortar e foi o que aconteceu. Na muvuca para abocanhar o pobre Floquinho, Roque acabou mordendo o que estava em sua frene é uma sorte imensa que não tenha causado nenhuma ferida grave nela. Desconfio que houve respeito da parte dele em relação a ela porque não lhe falta força para disputar uma presa com ninguém (os dois "conversam" diariamente, ela o alimenta, etc.). Nunca vou saber de onde ela tirou tanta força. SuperSogra mora aqui. O médico disse que não houve nada muito sério, nenhum corte foi profundo. Foram tomadas algumas medidas antisépticas preventivas e tudo deve ficar bem. As vacinas estão em dia, não há motivos para maiores apreensões. 


Agora estamos todos calmos, Floquinho já tomou água, passeou pela casa nos seguindo, ensaiou corridinhas. Amanhã deve sentir muita dor depois que o efeito das primeiras doses de analgésicos passar, mas seguirá medicado por dez dias e a veterinária deve vê-lo novamente no final de semana. Arthur ainda choraminga ao falar no episódio, Amanda lamenta não poder brincar com ele. 


Tomamos um susto colossal hoje e agora duvido seriamente se veremos uma convivência pacífica de Roque e Floquinho no mesmo ambiente da casa. Até porque acho que o Floquinho não vai mais se interessar pelo assunto. (Será que ele não está se perguntando se estaria mais seguro no meio do mato? Espero que não.)


***


Agora, todos juntos: tadiiiiiiiiiiiinho. :-(







15 comentários:

Terla disse...

Rita, posso estar dizendo uma grande bobagem, mas acho que ainda é cedo pra dizer que eles nao serão amigos. O Floquinho ainda é novo em casa, o dia não era convidativo pro Roque...muita água ainda vai rolar... Espero. Torço, na verdade. Quem pode te dar um olhar mais profissional sobre isso é a Déborah leão! Beijos e bom descanso pra todos.. Essas coisas esgotam a gente. Beijo nessa sogra fofa!

Fernanda Reali disse...

Isa veio com 3 meses e atacava Gabi, que já tinha 8 anos. Foram 2 meses de ataques e provocações, pois isa era um bebê viralata grande e Gabi uma pincher pequena.

Aos poucos e com paciência, foram ficando amigas. Tem técnicas, como ensinar o mais novo que o antigo é o dono do pedaço. Chegar perto do antigo com o novo junto, sempre oferecendo uma guloseima para o cachorro antigo, mostando ao antigo que o cachorro novo vem com esses "brindes".

AS minahs nao sao castradas, mas eu acho que castração pode ajudar muito a acalmar ânimos.

bjs

Anônimo disse...

Rita,
Fiquei muito encantada com o floquinho, a chegada dele foi emocionante. Imagino que a casa ficou mais animada que nunca. Mas claro, fiquei com o coração aos pedacinhos quando li esse post. Se fosse eu, tinha ficado em estado de choque como o Arthur. O floquinho é uma criaturinha muito sofrida e que conquistou todos rapidamente, vamos torcer pra que ele conquiste a amizade do Roque também.
Bjos!
Larissa

Danielle disse...

Ai gente, to apaixonada pela vovó. ♥

Angela disse...

Sinto muito pelo episodio. Estou pra la de boba com a D. Tereza. Bom saber que a confianca na sua relacao com ele foi retribuida com uma indubitavel dose de respeito, fiquei surpresa que na sua adrenalina Roque conseguiu controlar sua potente mordida. Mas bom que estao bem, desejo melhoras rapidas para todos os feridos e desgostosos.

Tina Lopes disse...

Supervó, ativar! Vish, tomara que as coisas melhorem. (só eu fico com dó do Roque?)

Caminhante disse...

Eu tbm fico com dó do Roque.

Minha vontade sempre foi adotar outro cachorro, pra Dúnia ter com quem brincar. Sempre pensei em colocar um macho, pq dizem que de sexos diferentes fica mais fácil e a Dúnia não parece gostar de fêmeas. Pois bem. Um dia passou um macho fofo na rua, faminto e etc, e bateu aquela vontade de colocar ele para dentro de casa. A Dúnia parece ter lido meus pensamentos e hostilizou o cachorro e fez cenas de ciúmes horríveis. Ele acabou sendo adotado em regime semi-aberto por outra pessoa.

(Que saco essas letrinhas. Todos os bloggers ficaram assim)

Luciana Nepomuceno disse...

Ai, uma série:

a) super vovó foi incrível, presença de espírito e coragem <3

b) tadinho do Roque, se criança se sente escanteada quando tem bebê, imagine...especialmente quando o Floqueinho chega com tantas "regalias" que ele não tem

c) menina, altas emoções. um beijo procês todo, relacionamentos novos sempre demandam adaptações, né?

Dária disse...

Qual a raça do Roque??
Não gosto de cachorros grandes. Sempre tive medo! Fui criada com minha mãe dizendo que "tudo que tem dente, um dia morre, até gente" rss Então cresci com a certeza de que só tenho coragem de criar bichos se forem miudinhos, que numa briga - caso ele tente me atacas, maltratar é claro q não maltrato - eu venceria hahha
Paranóia né?

Nota: O dog alemão de uma amiga matou o coelhinho que ela tbm criava, qnd eu era criança. Até hoje a amiga em questão tem peninha é do cachorro... pois "o bichinho tava só brincando" e pode ter ficado traumatizado rss

Niemi Hyyrynen disse...

Nossa Rita! Torço muito pela recuperação do floquinho e da sua sogra!

realmente ela foi muito corajosa, não devemos nos arriscar quando animais se alteram, mas tambem é péssimo ver uma situação de perigo e não sentir que pode fazer algo.

Ela foi uma heroina com certeza!

Cães não são fáceis, principalmente os machinhos né?

Minha mãe ama cães e já chegou a ter 3 em casa, eram Skool, Thor e Fenrir, Skool era o mais velho, quando thor chegou ele ficou muito sentimental de inicio, depois passou a implicar com Thor passando para a "violencia".

Dai minha mãe teve a idéia de dividir as coisas entre eles, mesmo pote de água e comida, Skool fez greve de fome mas logo voltou a comer (a contra gosto um pouquinho), mas depois disso os dois ficaram amigos, tanto que quando Skool morreu de velhice Thor ficou muito mal. De verdade

Os animais, ao contrário de muitos de nós são capazes de nutrir um sentimento muito profundo.

Torço para que Roque só se sinta como um bebê mais crescido que não entende bem o fato que vai ganhar um irmãozinho, logo ele se adapta e passa a trata-lo bem :)

Desculpe o comentario longo! adoro cães tb!

Rita disse...

Gente, muito obrigada pelo carinho e por todos os pitacos. Se vocês conhecessem o Floquinho "pessoalmente" se derreteriam ainda mais. :-D

Para quem perguntou a raça do Roque, ele é um American Stafordshire. Parece um jacaré, mas é um cachorro. :-)

O Floquinho está excelente, nem inchado o pescoço ficou. Tá se alimentando e brincando normalmente. Mas, estranhamente, não mais se aproximou da porta do Roque... ;-) (tadinho!)

Beijos, pessoas, valeu demais, vocês são uns doces!

Rita

Murilo S Romeiro disse...

American Stafordshire Terrier, outro nome menos conhecido para um PitBull.
Sua sogra foi corajosa!!
Boa sorte aos tres :sogra, Floquinho e Roque.
:-)

Rita disse...

Oi, Murilo

na verdade existem diferenças reconhecidas entre as duas raças. A origem é a mesma, mas o Amstaf resultou de sucessivas linhagens cruzadas justamente com o intuito de gerar uma raça sem os traços de competição e agressividade. Deve ter funcionado, os exemplares de Amstaff de que temos notícia (familiares do nosso) são uns, digamos, "bobões". Tanto que o Roque cedeu na disputa. Duvido que,se ele quisesse, minha sogra teria tido condições de ganhar dele no braço. Ele obedeceu em uma situação muito crítica pra ele, de disputa de território. Parece-me um sinal evidente de boa índole. Ninguém facilita por aqui, com as crianças especialmente; também sei que há pitbulls dóceis. Mas são raças diferentes, apesar do parentesco.

Abraço
Rita

Murilo S Romeiro disse...

Rita,
sem querer esticar mais o assunto... desculpe-me.
minha admiração pela coragem de sua sogra foi resultado do que li e vi sobre a raça do Roque (que eu desconhecia totalmente antes de sua referência)
Mesmo sendo dócil Roque é um cão grande, muito parecido com o pit-bull, famoso pela força de sua mandíbula.A situação em que sua sogra foi obrigada a interferir era uma briga e os cães estavam exaltados.
Fui ler um pouco mais sobre a raça e encontrei isso (sei que nem tudo é confiável na net), mas reforça ainda mais minha admiração pela ação da sua sogra.
http://pt.wikipedia.org/wiki/American_staffordshire_terrier

Abraços

Tays Rocha disse...

Rita, só agora eu consegui vir... menina eu imagino teu susto. E sua sogra teve muita presença de spírito na hora. Uma vez minhas cachorras brigaram e quase morri do coração. Agora adotei um cachorrinho da rua, estava tudo bem por esses dias e ele mordeu o Leo, ficamos assustados, mas acho que estava estressado demais. Ach que tudo isso passa, é preciso paciência e esperar passar ese período de adaptação.

Beijos querida ♥

 
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