De frente (ou: melhor pensar na cenoura)
E há os dias em que a terapia me assusta. O mais engraçado é que o susto não vem de nada revelador que a terapeuta me diga. Vem de alguma coisa que eu digo, que eu mesma levei para a sessão. Hoje me vi falando daquele jeito que falo quando estou afobada. Acelero a voz na tentativa de acompanhar os pensamentos enquanto eles se multiplicam em mitoses apressadas. E vou verbalizando de forma mais ou menos clara, na medida que a afobação me permite, uma justificativa bem amarrada para aquele aperto no peito. E de repente começo a tomar consciência do que está acontecendo e me vejo, enquanto falo, explicando minha vida, tim-tim por tim-tim. E o nó que se forma na minha garganta é grande daquele jeito porque é proporcional ao espanto. É assustador perceber que a resposta está aqui dentro e apenas por não ser bonita é que não lhe dou muita bola. É assustador. Mas seu potencial libertador é igualmente gigantesco.
***
Arthur: Amanda, você devia comer cenoura.
Amanda: Hum-hum.
Ele: Sabia que comer cenoura é bom pra vista?
Ela: É? [pensa] O olho cresce?
Ele: Não... você vê melhor!
Ela: *silêncio * [pensa, pensa]
Ele: *silêncio* [come, come]
Ela: Arthur?
Ele: Hum?
Ela: Cenoura começa com "c".
Ele: *suspiro* [desiste]
Fim.
Li ontem, voltei hoje para tentar comentar. Mas primeira parte esta tao maravilhosa que ainda estou olhando para ela, sem conseguir dizer nada.
Sobre a cenoura so posso dizer que "o olho cresce" trouxe muitas risadas. Preciso contar para o Max hoje de manha, ele adora esses comentarios dos mais novos, unaware of his own ;)
tu parecesse tao mal no tt ontem. :/
ta mais animada da vida?
li esse post umas vinte vezes desde que vc postou e sempre parece que cai um tijolinho na minha cabeça.
A quem perguntou: tá tudo bem, sim. Obrigada, pessoas. <3
Beijos
Rita
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