Bolo de lobo



Há várias semanas, talvez meses, recebi um e-mail de um banco divulgando uma de suas Fundações. A dita Fundação estava distribuindo livros infantis (não me lembro se só para os clientes ou para qualquer pessoa). Se interessada, a pessoa deveria preencher um formulário disponibilizado na internet e só. Ora, fui lá e preenchi. Hoje, quando eu nem me lembrava mais da história, recebi pelo Correio três livros. Chegaram em boa hora, numa tarde em que o Arthur tinha visita. Foi meio esquisita a cena, mas tudo bem: as crianças voaram sobre os livros e eu, como uma tola, perguntando mas vocês não vão mais jogar videogame?? Aí ouvi minha própria voz e fiquei quieta. Agora à noite, fui lá ver os livros. Por enquanto vi um só: Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque (óin!), com ilustrações de Ziraldo (óin!). Gente. Que coisa fofa. Mais velho que a fome e eu nem sabia da existência: a primeira edição é de 1979! Vocês devem ter lido na infância! E ninguém me contou! Vocês, viu. Aff. Enfim, a edição que chegou aqui hoje ganhou Prêmio Jabuti de Ilustração em 1998 (Editora José Olympio). Tenho vontade de transcrever a história todinha porque, né, tem a graça das canções do Chico.


No enredo, uma menina medrosa que não brincava, não corria, não dormia, não fazia nada. Morria de medo de tudo. Principalmente do Lobo. Até que um dia se depara com o Lobo e percebe que ele não é de nada. E que, olhando bem, nem é um lo-bo. É um bo-lo. E vai-se o medo. E ela percebe que muitas vezes pintamos o bicho mais feio do que ele é. Mas não assim, como eu estou contando aqui. De outro jeito: bem lindo, como o Chico faz.

"E o lobo parado assim
do jeito que o lobo estava
já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo,
tremendo que nem pudim,
com medo da Chapeuzim.
Com medo de ser comido
com vela e tudo, inteirim." (óin, mil vezes

Fica a dica. Gostei muito das rimas rápidas e que fizeram a criançada gargalhar: 

"...e principalmente um bocão
tão grande que era capaz
de comer duas avós,
um caçador,
rei, princesa,
sete panelas de arroz
e um chapéu
de sobremesa."

Para quem passa por aqui à cata de dicas de livrinhos para a criançada, pode anotar. De agora em diante, vamos fazer como a Chapeuzinho Amarelo: todos os trosmons vão ter os nomes trocados. Tubarão virou Barão-Tu, o Dragão é o Gãodra e o Bicho Papão, que fofo, virou Pão Bichôpa. O lado em mim que nunca cresce se esbalda.  

9 comentários:

Juliana disse...

eu conheci depois de adulta.Lindezinha.

Mas o que esperar dessa dupla, né?

Iara disse...

As sobrinhas (não lembro mais qual delas) têm esse livro! E como estão numa fase de curtir a repetição, teve uma tarde em que eu o li umas 4 vezes seguidas, com uma debaixo de cada "asa". Foi uma coisinha delícia, Daniel até tirou foto. E como é fofa a história, hein?

Angela disse...

Nunca tinha ouvido falar. Anotei a dica, mas olha que a ida a livraria foi na semana passada viu? :) E por falar, comprei muitos livros do Menino Maluquinho o qual Max continua amando desde que comprei os das dicas do seu post, e nao tinha O Carteiro Chegou (um dos poucos que nao consegui online na epoca) mas comprei O Natal do Carteiro e entendi a lindeza do livro (imagino que seja o mesmo set up), as criancas enlouqueceram. Foi bom passar por aqui hoje, um dia cheio de monstros para nos, de volta a nossa casa: Pete esta depre devido ao choque cultural, Max so faltou beijar a cama mas na hora de dormir mesmo caiu no choro "I wish I could be back in Brazil", e Julia so chorou muito sem comunicar especificamente o problema, nao que fosse preciso.

Xa Saudadero.

anna v. disse...

Minha filha tb está amando. Ela ganhou de Natal e desde então é um sucesso toda noite na hora de dormir.
Ela adora a parte em que o lobo aparece falando "PÔ" ("O lobo ficou chateado").

Rita disse...

Lindinho, né. É o mais novo xodozinho daqui. Anna, meu filho também adorou o PÔ. :-)

Anginha, espero que a adaptação seja mais suave dessa vez... saudades, abraços e apertos afofantes nos pequenos.

bj
Rita

Débora Ramos disse...

Eu li esse livro quando era criança e ainda me lembro da sensação de ler.
Eu adorava a ilustração antiga. Não aparecia a menina toda, só parte dela, pois ela estava com medo.
Eu sei Ziraldo é um gênio, mas não consigo deixar de gostar mais da primeira ilustração. Faz parte da minha infância. O livro é maravilhoso mesmo.

caso.me.esqueçam disse...

ai, adorei a dica! nem sabia que ele tinha escrito um livro pros guris. o aniversario do "meu" guri eh em março, pensei em dar uns ddvs das turma da monica, gibis... mas nem sei se eles tem dvd, acho que sim, neh? mas agora eh certeza que eu vou procurar esse livrinho, adorei! :)

Anônimo disse...

Não entendi porque vc não mencionou que o Banco é o Itaú e a fundação é o Itaú Cultural. Boas idéias e ações (mesmo que de marketing) devem ser propagandeadas, até porque, a distribuição é gratuita (não precisa ser cliente)

Rita disse...

Anônimo,

Na medida do possível, evito mencionar nomes de empresas por aqui. Já fiz outros relatos elogiosos, sem citar nomes, em outros posts. Sinceramente, foi algo bem automatico mesmo, feito no embalo do que normalmente faço, contar sem citar nomes. A intenção do post foi registrar uma experiência legal com minhas crianças e divulgar um ótimo livro, coisa que adoro fazer. Só isso.

Abçs,
Rita

 
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