Como réveillon




Faz dezessete anos que conheço você. Já aprendi que contar assim, em números, mal toca a superfície do que realmente significa ter você em minha vida há tanto tempo. Deixemos os números de lado então. Quero medir em aprendizado. E em ternura. Quero medir em generosidade, em grandeza de espírito. Quero medir assim, de braços totalmente abertos esperando seu abraço quente, e, então, minha cabeça em seu peito: ali, onde a vida é calma porque seu amor me preenche. Posso brincar disso a vida inteira só para redescobrir com um sorriso tranquilo o que já sei desde o dia em que vi você pela primeira vez: não há como marcar exatamente o espaço que um amor assim ocupa. Não há. Porque começou com um susto, um salto no peito, uma reviravolta na alma, uma respiração suspensa, a Terra em dúvida: como seguir? E se não? Depois veio a tempestade boa, a chuva grossa caindo na minha cara e eu olhando pro céu e me encharcando inteira de você: sempre. E aí tudo se misturou, susto, tempestade e toda a bonança, o amor semeando um tanto de cada, todo dia, e nossa vida se faz. E te amo mais. E mais. E sonho com você, mesmo tendo você dormindo ao meu lado, porque o amor faz assim, exagera. E fica isso, essa festa, essa alegria de toda hora se lembrar e pensar, ai, que bom, ele está aqui. Eu pensava, lá atrás, como seria bom seguir junto; como seria bom descobrir o mundo com você, construir nossos castelos, lutar nossas batalhas. Pensava, imaginava, mas, no fundo, não fazia ideia. Não poderia jamais imaginar essa alegria constante, esse prazer sem fim que é dividir a vida com você. O que desejo para você em seu aniversário não difere muito do que desejo todo dia, você sabe. Nossas festas na alma ignoram o calendário. Mas é tão bom ter um pretexto oficial para paparicar você, quem resiste? Desejo um dia de amigos e abraços, de telefonemas doces e palavras boas, de criança em seu pescoço beijando suas bochechas e gritando rá ti bum papai papai, de bolo e tim tim. Desejo saúde, mais e mais, luz, amor imenso e alegrias infinitas. Desejo que eu tenha a honra de celebrar ao seu lado cada um dos muitos aniversários que virão. Desejo que você se sinta tão amado que lhe faltem as palavras - naqueles momentos em que seus olhos dizem tudo. E meu mundo parece um céu de réveillon. 


Feliz aniversário, meu amor, minha vida, Ulisses.


Te amo.
Rita


29/11 - dia de festa

Pula!!


O final de semana tem sido emocionante. O momento mais light do sábado já foi uma manhã cheia de emoções daquelas que ninguém suporta. Ninguém, salvo pais e mães babões que se deslocam para a escola do filho em plena manhã de sol para ver os pimpolhos cantar e exibir os trabalhos feitos em sala de aula ao longo do ano. Depois de uma manhã de óóós e áááás entusiasmados, acabou-se a tranquilidade.

Passamos boa parte da tarde e da noite descendo corredeiras alucinantes em um botinho sem qualquer segurança e sequer colete salva-vidas. Pulamos de cachoeiras impressionantes e, olha, nos saltos mais ousados chegamos a surfar nas nuvens. Entre uma corredeira e outra, experimentamos um carrinho rapidão que nos conduz por um trilho cheio de obstáculos. Para não perder a cabeça ou um pé, toda atenção é pouca. Quem escapa ileso pode experimentar alguns minutos em uma cela de vidro posicionada no fundo do mar e se defender de tubarões que a toda hora ameaçam quebrar o vidro... etc etc etc etc. Todos molhados de suor, ofegantes, gargalhando. Uma família inteira e mais uma porção de amigos viciados no fabuloso kinect. Acho que nunca mais vou pegar num controle remoto de videogame na vida. (Pra quem ainda não conhece - eu mesma só conheci o troço na semana passada - o kinect é um jogo que dispensa o uso de controles; todos os movimentos dos jogadores são captados por uma câmera que nos lê e, assim, os personagens na tela somos nós. Olha, delícia.)




Não sei voar, mas...


Minha filha adora bichos, plantas, terra. As flores são suas cúmplices e os cachorros seus amigões. A natureza é o reino onde ela saracoteia absolutamente à vontade. Então uma declaração de amor dessas tem muito peso e me sinto muito honrada:

- Mãe, eu amo você, as borboletas e as abelhas. 
<3




Quando o melhor é perder a piada


É tremendamente fácil, no meio em que vivo - na minha família, no trabalho, entre amigos - esquecer por completo a questão da violência contra a mulher. Não vivo em uma família com histórico de violência. Sou casada com um marido feminista (né, mô?), não convivo atualmente com nenhum casal que tenha enfrentado qualquer conflito desse tipo, não falo sobre o assunto no trabalho, não testemunho casos de agressão. A violência contra a mulher é praticamente invisível, parece mesmo que inexistente, nos espaços por onde normalmente circulo. Não fosse a internet, a mídia em geral, eu poderia apostar que o troço é coisa do passado. É só me manter desatenta.

Na chegada desse 25 de novembro, mais um dia de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, quase desisto de escrever sobre o assunto, já que dezenas de ótimos textos vão pipocar internet afora nas próximas horas. Tanto será dito, muito melhor e mais embasado do que quaisquer dados que eu queira apontar aqui. Quase desisto. Até que me lembro: das sutilezas. Das piadinhas. Das falas carregadas de misoginia que escapam quase sem querer e, puf, arregalam meus olhos. E ainda que os piadistas jamais cometam um ato sequer de violência física, ainda assim contribuem para a banalização do tema e o conforto dos que vão além da agressão verbal. A violência não nasce do nada. Antes da mão erguida, do gatilho puxado, existe o discurso. Um homem que mata pela "honra" não inventou o motivo de seu crime sozinho, em sua cabeça desocupada e mal resolvida. Ele encontrou no meio social em que está inserido o suporte para levar seu machismo a limites insustentáveis. Ali, na aura que se mantém em torno de piadas e discursos machistas. Ali, numa sociedade que parece moldada para enxergar o corpo da mulher com uma única e insubstituível função: satisfazer os desejos masculinos. Ali, no mundo que ainda hoje, em 2011, celebra a virilidade dos garotos e julga com dedo cristão a sexualidade das meninas. Ali, na vida que diz ao agressor, todo dia, que ele detém os poderes sobre as escolhas de sua companheira. 

Não dá para fazer pouco caso do poder da palavra. Nossas falas moldam nossas vivências porque nos representam e disseminam nossas convicções, opiniões, acertos, equívocos. Indo mais longe, posso cometer um crime com minha boca ao proferir uma fala racista; posso caluniar; posso ferir; posso humilhar. Ou posso ser mais sutil e "apenas" preparar o terreno para que as assertivas mais violentas encontrem espaço e se consolidem. Assim, posso fazer piadinhas misóginas e, literalmente, rir da desgraça alheia. Porque a misoginia muitas vezes está na base de muitos casos de agressão à mulher. Posso difundir piadas de cunho machista, pseudomoralistas, e perpetuar o controle social sobre o corpo da mulher, sobre sua sexualidade, tolhendo seu direito inalienável de vivenciá-la como bem lhe aprouver. Posso oprimir com piadas. Posso quase justificar agressões. 

Há alguns meses, não me lembro se através da lista de discussão das blogueiras feministas, ou se através da minha ótima timeline no twitter, conheci um site que divulga a articulação de um grupo de homens engajados em diminuir os índices de estupro e agressão doméstica. Acredito que esse é um momento mais do que oportuno para divulgar o site Men Can Stop Rape. É uma boa hora para difundir a ideia de que homens sensíveis ao tema têm um papel fundamental na diminuição da violência contra a mulher. Juntos, podemos avançar no combate ao discurso misógino e machista que, muitas vezes, alimenta a triste cadeia de agressões diárias que vitimam milhares de meninas e mulheres mundo afora. Quem se detém por um minuto a analisar os números horrorosos dos índices de agressão doméstica não tem dúvida: piada machista não tem a menor graça.  



Le coucher de soleil


Imagem: Le Petit Prince, online.

Sigo lendo Le Petit Prince em minhas aulas de francês. Já avisei ao meu professor que posso ser Miss Aluna, porque, né, toda miss que se preza adora o livro. À medida que avanço na história vou me lembrando porque gostei tanto nas vezes em que o li há zilhões de anos. E vou amando de uma maneira toda nova porque, mon dieu, que idioma lindo. O Pequeno Príncipe adora o crepúsculo. Mas Le Petit Prince ama le crépuscule. Crépuscule - muito amor por essa palavra já queridíssima em português, mas que, em francês, carrega todo o lirismo desse mundo. E dos pequenos mundos do petit prince

Então no capítulo seis ele fala de seu amor pelo pôr do sol. E de como o pôr do sol alivia sua tristeza. Fico imaginando a cara do Exupéry criando essa pequena passagem e sorrindo: "uau, fiz um troço lindo!". Quase levito: de repente, ele quer ver o pôr do sol. O aviador responde: é preciso esperar. Mas esperar o quê, pergunta o príncipe, intrigado. A hora do pôr do sol, ora. Ah, é que no pequeno planeta onde o pequeno mora não é preciso esperar. O planeta é minúsculo e, se você quer ver o pôr do sol de novo e de novo, basta mover a cadeira um tantinho mais pra lá. E mais pra lá. E assim ele segue amenizando sua tristeza.

E um dia, ele viu o pôr do sol quarenta e três vezes. (*suspiros*)

E não há dias em que veríamos mais e mais? Se pudéssemos? 


Cores de pele




Na escola onde meus filhos estudam o lápis de cor bege é conhecido com cor de pele. Eu estranhei a primeira vez que ouvi o termo, mas não dei muita bola. Achei esquisito, mas deixei pra lá. O tempo vai passando e o que nos incomoda cedo ou tarde se torna espinhoso e a gente verbaliza. Então num dia qualquer falei para os meus filhos que aquela denominação estava errada, o nome da cor é bege. Ou rosa clarinho, como quiser. Qualquer coisa, mas não é cor de pele. Porque pele pode ter várias cores, tanto mais num país arco-íris como o nosso. A pele pode ser vermelha, marrom, preta, branquela ou amarela. Pode ser bege também. E pode vir em muitas nuanças. E brinco e digo que o marciano é verde, olha aí, bege não serve. Nenhuma cor é colorida o suficiente para merecer o título de cor de pele. Não aqui, nesse país. E vou aí na campanha, porque acho que é importante. De vez em quando, eles repetem: cor de pele; vou lá e digo nananinanão, isso aí é bege. Tanta gente diria: "que bobagem".

Daí a filha de 6 anos de minha amiga voltou para casa chorando porque ela estava "namorando" o (único) amiguinho negro da turma e suas amigas tinham dito que ela não podia fazer isso. As amiguinhas estavam pressionando. Não pode. Porque ele não é "cor de pele". Esse episódio, que gerou um nó no meu estômago e indignação na minha amiga (que conversou com a professora), é um grito pra mim. Um grito de que não, sinto muito, eu até gostaria que fosse bobagem, mas não é. É a bolha. A grande bolha opaca que nos impede de ver além dela. Meus filhos estão crescendo com o pé nessa bolha. Então o assunto me interessa demais e o dia da consciência negra é muito meu também. Porque a gente precisa, por muitas razões, passar aos nossos filhos um discurso que não exclua ninguém pela cor da pele. E, quase desnecessário dizer, não estou demonizando as crianças da turma - elas apenas reproduziram um lógica muito clara para elas. Estou, sim, salientando o que um episódio como esse evidencia: é muito mais do que ser politicamente correto. Muito mais. É da infância de qualquer cor que estou falando. (Eu ia falar do fato de o garoto ser o único negro na turma, mesmo levando em conta o fato de que moro no sul de maioria branca. É maioria, mas não é quase totalidade. Eu ia falar, mas vou só ecoar a Iara.)

Outros textos da blogagem coletiva pelo Dia da Consciência Negra aqui.

E, professores, atenção: é cores; no plural. ;-)





Para as montanhas


Não sei o que passa na cabeça de um criador de roupas infantis ao conceber uma blusa para meninas entre 6 e 10 anos com bojo na altura do peito. Simuladores de seios. Eu já tinha visto gente falando do assunto no twitter, mas nunca tinha visto uma peça dessas. Ontem vi. Fui comprar roupas para meus filhos e estava aguardando a moça do caixa fechar a conta. Daí fiquei com aquela cara que a gente faz enquanto faz contas mentais, tentando calcular se o vestido maravilhoso de florzinhas vermelhas tá num preço razoável. Enquanto fazia contas, olhava ao redor, espiava uma arara e outra. Aí vi as tais blusas. Minúsculas, em estilo tomara-que-caia, com bojo. A palavra freak me veio instantaneamente à cabeça e tenho certeza de que fiz uma careta. Fui até o cabide e examinei, tamanho 6. Peguei a blusa e perguntei à gerente, que estava ajudando a moça do caixa, se ela me permitiria fazer uma crítica, bem na boa. Ela disse um claro! bem animado. Então falei que achava um absurdo elas colocarem aquele tipo de roupa à venda. Que aquilo erotiza a infância, que uma menina de seis anos não tem seios (grandes!) e não há razão para que finja que tem. Ela me respondeu dizendo que eu estava com a razão, mas que outras mães gostam e compram e bla bla. Bom, eu não esperava grandes respostas dela, queria mesmo era registrar meu desconforto diante daquela coisa triste.

De lá para a loja de sapatos. Até a vendedora me oferecer uma sandália de salto para minha filha de 4 anos foram, no máximo, cinco minutos. Olha, Brasil, que saco.

Bem na semana em que minha filhota chorou porque ela não usa batom, mas a Fulaninha, a Cicraninha e a Beltraninha, todas de 4 anos, usam.

Vontade de sair correndo.


Beleza interior e meu piloro centrado


Daí que na semana passada tive maus momentos. Uma dor forte, na altura da garganta, resolveu me tirar o sossego. A suspeita inicial foi, como já falei, mais uma laringite para minha coleção. Eu havia acabado de curar uma, achei que tivesse voltado. A médica que me atendeu nessa última laringite tinha sugerido que eu procurasse um gastroenterologista, para dar uma conferida na extremidade do esôfago. É que, durante a laringoscopia, ela tinha percebido o senhor esôfago levemente irritado (laringoscopia: o nome é feio, mas o exame é tranquilo; o médico enfia um tubo láááá na sua garganta enquanto segura a ponta da sua língua para poder enxergar o âmago do seu ser - como falei, bem tranquilo). Bom, quando a dor pegou pra valer, fui a outro otorrino que confirmou o diagnóstico do primeiro: garganta okay, esôfago estranho. Tá bom, tá bom, vou ver um gastro.

Fui a uma médica que me ouviu atentamente e fez o que todos os gastroenterologistas fazem, pediu uma endoscopia. Enquanto isso, eu já tomava um remédio para controlar a acidez que, de acordo com a suspeita dos dois otorrinos e da gastro, seria a causa da tal irritação do esôfago. No final de semana a dor pegou pra valer. Na segunda-feira senti uma melhora considerável e fiz a tal endoscopia (zero stress, apaguei com a anestesia e acordei me sentindo ótima). Fiz um hemograma completão e hoje voltei à médica para saber da endoscopia. O resultado foi muito bom, mas não conclusivo. A endoscopia revelou uma gastrite levíssima, coisa tola que o remédio para controle da acidez já vai resolver. Revelou também que meu esôfago é lindo de morrer, todo preservadinho e tals, um fofo, nem sombra da irritação observada pelos otorrinos. De quebra, fiquei sabendo que tenho o piloro bem centrado - não me perguntem - além de outros detalhes legais, como não sei o quê preservado e não sei que lá sem alterações. Enfim, sou linda por dentro, coisa que o hemograma corrobora com meu colesterol bonitão. Mas. Tem um mas. A dor não veio do nada, segundo a médica. Eu até já tive uma dor que não era dor, mas não parece ser o caso dessa vez. Porque é possível ter a doença do refluxo sem que seu esôfago exiba as cicatrizes. E apesar do hemograma ser simpático, existe uma infecção mequetrefe na parada, cuja localização desconhecemos (sinusite ou qualquer coisa nas vias respiratórias descartadas). Então sigo tomando o tal remédio, evitando café e chocolate (oi?), tomando um antibiótico para a infecção e aguardando o desenrolar da tal dor que agora se resume a um leve incômodo. Essa sou eu, de piloro centrado, linda por dentro, com uma dor misteriosa na garganta.

Às vezes acho que já vi esse filme. Nossa cultura de tomar remédio talvez me impeça de ser mais paciente, esperar e não tomar o antibiótico, suspender o controle de acidez e ver qual é. Não ouso, sigo o fluxo. Em meio a tudo isso, uma médica com atendimento completamente acima da média (pelo menos para mim). Consulta detalhada, com atenção ao meu histórico e ao de minha família, papo olho no olho, paciência, pontualidade. O retorno manteve a qualidade da primeira consulta. Saí do consultório com o número de seu celular para avisar sobre o resultado do raio-x que ela pediu para descartar infecções no sistema respiratório. Tentei ligar, mas ela  não pôde atender; uma hora depois me ligou de volta e me pediu para mantê-la informada nas próximas semanas. :-) Olha, só em final de gravidez uma médica me pediu para  mantê-la informada. Enfim, sigamos.

Daí você descobre que toda fruta que você ama é ácida, que consegue viver bem com um café (com leite) por dia e com várias toneladas de chocolate a menos por semana. Não vou reclamar*, não enquanto tiver meu piloro bem centrado.

***

* Eu vou reclamar, sim. Quero meus cafezinhos no meio da tarde, buá. 

Giros




Como se tivesse nascido bailarina, seus passos sempre foram leves. Mesmo quando corre e perde o passo, ou salta do braço do sofá rumo ao chão frio, sabe cair como quem dança. Como se sempre tivesse usado saias esvoaçantes, desfila por aí com tanta naturalidade que ninguém sequer ousa imaginá-la em outros trajes. É de saias. Tudo leve, tule, seda. É certo que não escondem as manchas e arranhões da idade, mas quem vê suas pernas em plié não repara nos arranhões. Gosta de manter os cabelos soltos e causar efeitos de nuvens e plumas. Anda em giros, piruetas, saltos e molecagens. O gramado palco parece pequeno para tantas coreografias, a bailarina é espaçosa. A sala palco tem plateias imaginárias que ela cumprimenta com graça, na ponta do pé. E na ponta do pé ergue os braços, triunfante, à espera dos aplausos infinitos que sempre, sempre vêm. Nasceu bailarina e não pretende outra sina. De vez em quando se distrai e se senta, mas a natureza logo fala mais alto e a bailarina se curva, encosta a cabeça no chão e reverte tudo num salto grandioso, todo tortinho e perfeito. Às vezes é bailarina princesa, com vara de condão. Bailarina princesa fada dança seus dias em estradas de arco-íris. Da plateia, jogo flores. E se outra força falar mais alto ou se ela quiser mudar a brincadeira, tudo bem. Terei sempre seus passinhos de dança-menina marcando o tempo do meu peito.

Contos de fada para adultos



E se Branca de Neve não dependesse do príncipe para escrever seu destino? E se, sozinha, voltasse ao reino onde antes vivera para consertar os desmandos da Rainha vaidosa? E se o Lobo fosse um forte aliado da Chapeuzinho Vermelho? E se o sapo-príncipe tivesse um destino bem menos atraente do que ser resgatado de sua triste sina por um beijo esperançoso? Em Reino das Névoas (Tarja Editorial), Camila Fernandes cria e reinventa contos de fada e nos convida a conhecer outras faces possíveis de algumas histórias que nos acompanharam em nossa infância. O resultado são sete contos que, como adverte a autora, devem ser mantidos "fora do alcance das crianças". É que alguns dos elementos presentes nas histórias de Camila são um tanto mais, hum, picantes do que cavalos brancos e maçãs envenenadas. Cabeças rolam e nem toda princesa é uma fonte de inocência e "pureza". 

Eu gostaria de ser capaz de captar todas as referências presentes no livro. O mundo dos contos de fada é vasto e não faço ideia do quanto existe por aí que nunca li ou ouvi. Assim, não sei se todos os contos da Camila remetem a alguma história já existente. Talvez não, talvez alguns tenham sido inteiramente criados por ela. Reconheço alguns elementos, mas nem toda história me pareceu familiar. Isso nem de longe é um problema, no entanto. Lê-se com prazer cada um dos contos, conhecendo-se ou não as fontes que inspiraram a autora. 

São sete contos. Meu favorito é o último, que dá nome ao livro. É a história da Princesa Niev e do Príncipe Lobo, a mais longa da coletânea. Enquanto Branca de Neve dança com os passarinhos, a vida de Niev tem aventuras de gente grande. E como nenhum príncipe virá beijá-la, é melhor mesmo crescer e tomar as rédeas da história (nada contra os passarinhos da Branca de Neve, fofinhos). Também gostei do conto que abre o livro, "O Chifre Negro" - e agora também tenho um unicórnio pra chamar de meu, eu que vivo em meio aos unicórnios cor-de-rosa da minha filha. "A Torre Onde Ela Dorme" e "A Outra Margem do Rio" me fizeram lembrar de histórias que integravam um dos volumes das Obras Completas de Monteiro Lobato que tínhamos lá em casa, em minha infância. Além das histórias de Lobato, o livro trazia fábulas e alguns contos de fada. Lembro-me de algumas histórias bem trágicas, com princesas trancafiadas por anos e anos à espera de que algum guerreiro derrotasse um monstro terrível que as matinha prisioneiras; ou do pai que vendia as filhas para não morrer de fome. Os finais, contudo, eram invariavelmente mágicos e tudo consertavam. Já nos textos da Camila, a felicidade pode cobrar preços altos e irremediáveis, e não há garantias de que o sapo terá tempo de virar príncipe.

O título deste post é o subtítulo do livro. Dá a exata dimensão do que se esperar da leitura: uma viagem ao mundo do fantástico, da magia e dos amores improváveis. No caso de Reino das Névoas, com generosas pitadas de girl power - as princesas não estão para brincadeira. Cada história do livro é precedida por uma ilustração feita pela própria autora,  que também fez essa capa lindona aí. O livro é um mimo. Cheia de talentos essa Camila.


Nem tudo é perfeito


Amanda levemente decepcionada no banho. A embalagem do shampoo é rosa. O shampoo é rosa. Mas a espuma, que coisa, é branca.

- Meu cabelo tá ficando rosa, mãe??!
- Não, filha, acho que a espuma é branquinha...
- ...
- Hum, mas o perfume é tão bom, né?
- ... é... é bem cheiroso. :-(

(Logo ficou feliz de novo. O condicionador é rosa claro.)



Patches




Assisti nesse final de semana ao filme alemão A Vida dos Outros, de F. H. von Donnersmarck. Todo mundo já viu, foi lançado em 2006 e ganhou Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Só eu, com meus atrasos, não tinha visto. E é tão bom descobrir uma obra que nos apaixona. Melhor ainda saber que isso pode acontecer a qualquer tempo. Em determinado momento do filme, alguém dá de presente a outro alguém um livro. Para mim, uma daquelas cenas em que a gente se lembra porque gosta tanto dessa coisa chamada cinema.

***

Gosto de reescrever. De reler textos escritos há meses e que dormiam o sono necessário para que eu os veja sob nova luz. As alterações que faço dizem mais de mim que dos textos. Substituir palavras é só a ponta do iceberg. O desafio maior vem antes: redirecionar o olhar.

***

Dias nublados, contos de fadas, pés descalços. Meus filhos cantam e sambam no tapete, vou com eles. É preciso telefonar, selecionar, cobrar, reorganizar, dizer que se importa, mas procrastino. É preciso silêncio para tanta conversa em minha cabeça. Atraso leituras,  negligencio, esqueço, digo que não. Só na escrita me encontro. Palavras são meu mar, seguro por saber que posso me afundar sem me perder: mesmo quando não teço a teia que queria, o exercício me oxigena.

***

O cheiro que vem da cozinha me arranca da cadeira. Abraço você, que mexe o molho para seu manjar que nos alimenta de tantas maneiras. Enquanto abraço, digo o que você já sabe: conheço a felicidade da moça do conto.

***

Por causa das crianças, a árvore de Natal saiu da caixa. Mas é preciso comprar um novo pisca-pisca e, por enquanto, ela fica ali, sem enfeites. Achei simbólico: meus Natais nus, em dezembros melancólicos. Como se eu estivesse no hemisfério errado, há um outono em mim.


Se for dormir, não coma


Então a suspeita é refluxo, mas ainda é preciso fazer a endoscopia. Pode não ser, já que não tenho quase nenhum dos sintomas clássicos. Só tenho um nó na garganta, que eu achava que era mais uma laringite chegando. Ou dezembro chegando. Enfim, pode ser o esôfago, vamos ver.

Enquanto a confirmação não vem, a médica recomenda não comer antes de dormir. E eu, que lancho na cama e lamento muito ter de sair dela para escovar os dentes, agora não posso mais. Fico pensando no copão de leite morno que minha mãe me dava antes de dormir. Assim: a infância inteira. Aí acho que viver já foi mais simples.



Millenium e as linguiças


Segundo volume da trilogia Millenium: brincando com minha paciência.

Este post contém SPOILERS

Não tenho nenhum problema com tramas mirabolantes, gosto de histórias incríveis, cheias de tiradas inesperadas e personagens exóticos. Acho que a literatura é campo propício aos voos mais inusitados de nossa imaginação, o bom da coisa passa por aí. Então não é certa passagem absurda da trama que me incomoda mais no segundo livro da trilogia Milleninum, A Menina que Brincava com Fogo (Stieg Larsson, tradução de Dorothée de Bruchard). Não quero estragar a festa de quem ainda vai ler o livro, então não posso ser mais específica quando falo de "passagem absurda" (vou escrevendo e me lembrando de passagem semelhante em um filme que adoro - não posso falar, o spoiler seria imperdoável e tenho certeza de que quem leu o livro sabe do que estou falando [tudo bem, conto lá no terceiro parágrafo] - e fico me perguntando por que cargas d'água a coisa não me pegou nesse livro). Enfim. Não é a trama.

O que pega é a construção da história propriamente dita, os recursos utilizados pelo autor, o sueco Stieg Larsson. Usando as palavras do Ulisses: a história é bacana, mas poderia ter muitas páginas a menos. E concordo com ele. Larsson repete. À exaustão, testa nossa paciência. A gente já sabe, mas ele diz de novo. Seria legal se fosse um poema, mas num romance policial considero meio maçante ler a mesmíssima informação 57 vezes. Em um livro onde isso propositadamente acrescentasse algo à experiência do leitor, vá lá, que se justificasse em nome de algum efeito linguístico, sei lá eu. Não parece, contudo, ser o caso de Larsson, sua linguagem é clara, limpa, direta. Então é só repetição mesmo.

[SPOILERS AQUI] No caso específico do segundo volume da trilogia, outra coisa me intrigou deveras: a história se inicia com a protagonista, Lisbeth Salander, curtindo um merecido descanso (depois da correria do primeiro livro) em algum ponto do Caribe. Lá coisas estranhas acontecem e ela se vê envolvida com determinado evento, digamos, violento. O tal evento não se resolve, não se elucida, mas a gente já se prepara para ver que implicações isso terá para a já enrolada vida da moça. Corta. Pula para o capítulo seguinte. E o seguinte. E o seguinte e nunca mais ouvimos falar do tal evento. Mais de cinquenta páginas para nada. Nada. Nunca mais. (Consultei meu marido que já leu o terceiro livro: nada.) / O filme a que me refiro no primeiro parágrafo é Kill Bill. Né? ;-) [Fim dos spoilers]

Tudo pode ser intriga da oposição: criei expectativas altas demais. Todo mundo falava como se o livro fosse algo fantástico. E pode ser, obviamente, para muita gente, mas vocês me entendem. Às vezes a expectativa acaba com a festa. Mas eu desconfio mesmo que o problema está nas linguiças.

Do que gosto muito: da temática. É bom ler uma história com forte nuanças feministas. Com personagens que questionam certas tendências mais conservadoras do chamado senso comum e mostram que quem está preocupado em ditar regra para relacionamentos entre adultos deveria procurar mais o que fazer da vida. Gosto das mexidas nos estereótipos, gosto dos personagens masculinos (nem todos me convencem, mas tuuudo bem). Gosto do jornalista engajado e é bom saber que esse foi um traço forte também na carreira do próprio autor do livro, morto precocemente por problemas cardíacos, logo após o lançamento de sua trilogia. Anos antes, Larsson chegou a ser ameaçado de morte por denunciar organizações nazistas e neofascistas em seu país.

Ou seja, nem tudo é choradeira. Mas, olha, faltou pouca coisa para eu largar o livro no meio. E não faço ideia de quando, ou se, vou ler o terceiro. Mesmo admitindo que ele soube muito bem pendurar a história no alto do precipício esperando que a gente corra para abrir o terceiro livro e aparar a queda. Mas agora não. Quem sabe depois. De novo: o livro é um sucesso, todo mundo adora. Então, se você ainda não leu, não ligue muito para minhas mimimizices. Ou ligue e leia sem muitas expectativas. ;-)

Letra bonita



Hoje vi o que vou para sempre lembrar como sendo a primeira redação do Arthur. Pode não ter sido a primeiríssima, ele já fez outros textos na escola, mas esse tinha o status de redação. Com tema, título, essas coisas. Gostei muito do que vi e não falo só da dele; fiquei babando com os textos dos colegas de sua sala, todos expostos no corredor das salas de aula, ilustrados com desenhos que são a cara deles e caprichosamente escritos com letrinhas (de forma) que considerei firmes até demais para crianças com apenas seis ou sete anos de idade.

Tenho pensado nisso, na letra. A letra cursiva já aparece em parte dos textos dos livros escolares do Arthur, ele já consegue desenhá-la e aos poucos vai adquirindo confiança e dominando seus segredos - sem pressa, já acho demais que eles consigam escrever tanto em letra de forma! O que tem me deixado curiosa é que serventia terá a letra cursiva para a geração dos meus filhos.

Hoje, para fazer uma tarefa do curso de francês, imprimi as questões que o professor me mandara por e-mail, peguei caneta e papel, abri dicionário de papel, instalei-me na mesa da sala e mandei ver. Depois, ó que ridículo, digitei tudo e mandei para ele. Funciono assim, quando estudo: quero escrever. A mão. Parece que percebo melhor as palavras quando faço assim. Caso contrário, elas se perdem mais rápido. Não funciona da mesma maneira quando escrevo um post ou conto, por exemplo. Mas é assim que gosto de estudar, talvez por condicionamento, vá saber. Eu poderia perfeitamente estudar sem escrever uma linha sequer, minhas aulas são feitas via skype e todos os textos e exercícios estão armazenados em meu computador. Além disso, há excelentes fontes de consulta na web, então meus dicionários e gramáticas poderiam muito bem se aposentar. Se. Se eu não sentisse necessidade de escrever de próprio punho para melhor apreender tanto vocabulário novo. E é nesses momentos que percebo como minha caligrafia sofreu alterações desastrosas nos últimos anos. Como minha mão se impacienta e quer logo terminar de escrever. A lista de compras semanal parece cada vez mais uma sequência ininteligível de hieróglifos. Feijão pode ser lido como fijo, manteiga como mantiz. São rabiscos impacientes onde deveriam estar palavras bem torneadas. Deveriam?

Que papel terá a caligrafia, a letra cursiva, nas gerações que estão crescendo com o I-Pad na mão? Que não anotam mais números de telefone, apenas os incluem na caixa postal do celular? Que vão à faculdade com laptops? Que mandam e-mails e torpedos ao invés de cartões postais e cartinhas de amor? Uma amiga hoje comentou que leu em algum lugar que alguns estados americanos tornaram facultativo o ensino da letra cursiva às crianças. Penso em meus diários com letras redondas e me pergunto quanto tempo falta para os diários digitais... nenhum, né.

Aprendi que o domínio da escrita, para além da alfabetização, desempenha uma função importante no desenvolvimento infantil. A chamada motricidade fina é reconhecida como competência fundamental para desenvolvimentos futuros no raciocínio lógico, por exemplo. Como pessoa idosa experiente nascida na década de setenta, que se emociona cada vez que escuta O Caderno, experimento certa melancolia diante de notícias como a que minha amiga comentou, mas me pergunto de verdade o quanto devo importunar meus filhos com o bom e velho "capricha na letra, hein". A resposta vem em seguida quando penso que eles têm pela frente longos anos de vida escolar nos quais, espero, lápis, pincéis e canetas terão papel central. Uma boa letra, apresentável e facilmente legível, só facilita a vida. Ainda assim, não acho absurdo questionar que espaço, fora da sala de aula, a letra cursiva ocupará em suas vidas.

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Off topic - Já viram que o meme tá pegando fogo? 


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O verão veio visitar. Abraçamos com alegria o calorzinho, ainda light, que nos brindou com um sábado azul e pedalamos com gosto. Depois de uma manhã ao ar livre, descabelados e cheios de expectativa pelos meses que virão e nos trarão muito dias com a cara ao vento, deixei que as crianças se esbaldassem no jardim, para tirar bem todo o mofo, e mergulhei na minha cozinha. Queria preparar algo gostoso para receber amigos queridos que viriam no domingo. Eu já tinha trocado umas ideias com a dona do blog de onde retiro 90% das receitas que experimento quando o assunto é doce e tinha selecionado dois bolos e uma sobremesa cremosa. Acrescentei outro bolo já famoso aqui em casa e pus a mão nas massas. Dei muitos pulos de alegria com todos os resultados. Três bolos fofinhos, gostosos e facílimos de fazer, e uma sobremesa saborosa, sucesso absoluto entre os amigos que nos deram uma tarde de domingo de muito papo bom.

Costumo fazer um bolo de coco bem competente, que já mostrei aqui, mas essa receita, que também leva limão e laranja, recebeu mais elogios. O sabor do coco misturado com o toque cítrico é mesmo uma boa combinação. Certamente farei outras vezes.


O bolo de chocolate já é quase tradição, receita impecável com cacau em pó, levíssimo, torna o "parar de comer" um desafio de respeito. Decoração by Arthur & Amanda.


O novo queridinho do Ulisses - que quase escondeu o bolo para que as visitas não vissem e mentiu descaradamente, dizendo que estava horrível - é um bolo de laranja. Olha, entrou pra lista dos favoritos dessa família de formigões. Ulisses disse que é igualzinho ao servido no café do Victoria & Albert, em Londres. Eu gostei do elogio, yes, sir. (Eu não tinha a quantidade necessária de açúcar de confeiteiro para fazer a cobertura igual à da Patricia, mas essa fininha ficou deliciosa também.)



Mas nenhum desses bolos, mesmo com tanto sucesso, foi devorado por inteiro no nosso café da tarde. Esse mérito é todo da sobremesa cítrica, cujo preparo é tão fácil que é um absurdo não experimentar. Tem de fazer, meu povo. Não sobrou na-da. Muita alegria, gente, adoro. 

Nham! (Servi gelada, mas a Patricia falou que pode ser servida quentinha também.)

O final de semana teve vários ingredientes que me renovam: amigos em casa, jantarzinho na casa de mais amigos (com direito a mais comilança desenfreada, jisuis), bikes, criança rolando na grama e até plástico bolha (né?). Internet? Tarefa do curso de francês? Só na pauta dos assuntos regados a bolo e café.

Esquecida do mundo, do bolo de chocolate, de tudo. Ploc, ploc, ploc...

Vruuuummmmmmm... (depois Amanda entrou na caixa de plástico e Arthur a empurrava com a motoca dele rampa abaixo. Quase no final da rampa, ele desviava, ela parava a um centímetro do portão de ferro e ele dava um giro de 180 graus. Radical. "Muita adrenalina, mãe!" Então.

Do conforto



Há certo conforto na minha sala que nada tem a ver com o sofá. Nada é novidade, já há tempos sei desse conforto, pois usufruo dele em doses que colho com a mão à medida da necessidade da vez - e, às vezes, com abundância, porém nunca com desperdício. Mas ontem o escurinho da sala fez tudo ficar muito nítido e me peguei ali, à margem do quadro, olhando e sorvendo. Havia uma tv ligada e nela um desenho animado repetido cujos diálogos povoam as cabecinhas cacheadas da minha casa. Havia mãos sujas de uma pipoca caseira que encheu a casa com aquele cheiro adorado mundialmente (menos por mim), um pai, uma avó.  Havia o silêncio preenchido pelas vozes da tv, havia olhos atentos, boquinhas que mastigavam de va gar. Na cozinha, eu. Que reneguei a pipoca e fiquei ali com meu pote de cereal marginal. O filme passando, além do da tv, e eu olhando minha vida. Minha vida ali no sofá me mostrando um retrato, quase todo preto, do meu caminho. Havia sido uma manhã de fotos antigas, outros retratos de outros trechos; uma manhã de lembranças ora espinhosas, ora ingênuas (já que tão boas). E à noite, na penumbra, em pé, na cozinha, eu segurava o pote de cereal que pesava nada porque eu só sentia o peso no peito que chegara de manhã. Acho que eu também mastigava devagar quando senti a fotografia do filme da sala se juntar ao volume do peito e me lembrar de que a vida é assim, com caminhos, filmes e lembranças confusas. E que é muito bom ter tanto conforto. Que não tem nada a ver com o sofá. 

 

Vai começar


Agosto/Setembro foram meses, entre outras coisas, do meme dos livros aqui no blog. E foi só questão de tempo até alguém sugerir um similar para filmes. A ideia é tão saborosa quanto e sei que vão rolar muitas dicas boas e papos suculentos. Não vou fazer o meme dessa vez. Preferi acompanhar as blogueiras que vão encher minha lista e garantir o movimento na locadora que frequento (sim, ainda sou dessas). Depois de trocar figurinhas sobre nossos livros favoritos, chegou a hora de celebrar nossos filmes queridos, atores e atrizes que admiramos, aquela fala, aquela cena, aquele diretor ou diretora genial. Quem quiser brincar é só seguir a lista que reproduzo aí embaixo. Eu vou seguir a Tina e a Verônica, que já começaram, e, quando der, vou pitacar (como convidada - ela é um doce) no blog da Lu. Algo me diz que terminarei o mês com, pelo menos, 90 novos filmes em minha lista.

Para quem quiser brincar:

MÊS, 31 FILMES

Dia 1 - Filme da Minha Vida
Dia 2 - Melhor sequência inicial e melhor sequência final
Dia 3 - Sessão da tarde Inesquecível
Dia 4 - Melhor diretor
Dia 5 - Atriz e ator preferidos
Dia 6 - Com o coração na boca (melhor suspense/terror)
Dia 7 - Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios
Dia 8 - Filme Cebola (mais triste de todos)
Dia 9 - Filme mais romântico
Dia 10 - Guilty pleasure
Dia 11 - Melhor drama
Dia 12 - Melhor Ano da História do Cinema
Dia 13 - Maior roubada cinematográfica
Dia 14 - Batendo Papo (melhor diálogo)
Dia 15 - Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível)
Dia 16 - Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole
Dia 17 - Brasileirão
Dia 18 - Melhor Animação
Dia 19 - O melhor Faroeste
Dia 20 - Melhor comédia romântica
Dia 21 - Preto no Branco (Melhor Noir)
Dia 22 - So you think you can dance (melhor musical)
Dia 23 - Melhor DR
Dia 24 - Melhor par romântico
Dia 25 - Meu Vilão Favorito nos Filmes
Dia 26 - Unha e Carne (Melhor Amizade)
Dia 27 - Porrada (melhor cena de violência)
Dia 28 - Quente e Úmido (melhor sequência de sexo)
Dia 29 - Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição)
Dia 30 - Nunca mais (filme mais traumático)
Dia 31 - Minha Vida em 3 sequências

 
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