O que ele via


Houve um momento em que achamos que tínhamos entrado no trem errado.

 
Mas estava tudo certo.


E era isso que ele via quando abria a janela de seu quarto:


E hoje, quem me via caminhar entre os canteiros dos Jardins de Monet, fotografando florzinhas e chorões, nem suspeitava o tamanho da minha emoção de menina boba e deslumbrada. Encantada, foi assim que me senti. E nem é mais primavera, um ótimo motivo para voltar lá qualquer abril ou maio futuro; não importa. Foi bom, muito bom circular um pouquinho por ali, por onde ele certamente se detinha por horas para produzir algumas das telas que mais amo no mundo das artes. Foi emocionante entrar em sua casa...


... bisbilhotar um tiquinho seu atelier, olhar de sua janela, ver telas que não chegaram aos museus. Foi bom ver sua caligrafia em notas curtas, ver seus pertences, imaginar seu olhar - olha a ousadia. Foi engraçado entrar na vasta sala de jantar e pensar que, quem sabe, outros impressionistas tenham circulado por ali em reuniões cheias de papos que eu pagaria uns euros para ouvir; foi muito bom ver a cozinha do Monet (!) cheia de panelas enormes, gente, e com um quintal que se eternizou em telas lindas, lindas, lindas. Foi tão, tão bom, que hoje estou com uma cara ainda mais boba. Não era permitido fotografar o interior da casa, mas quem se importa: os jardins estão lá, chamando por nós.


Oh, my...


A water lily pond é sem dúvida a estrela do jardim. É engraçado, porque seria só uma lagoazinha com florzinhas e chorões. Mas... né? A gente olha e entra nas telas. 


Eu olho e fotografo. Ele fazia assim:


 E num cantinho escondido do quintal, as cocoronetas de Monet ainda ciscam, olha que legal!

:-D

Acho que depois do almoço ele descia por essa escadinha da cozinha pra pintar umas três ou quatro obras de arte, o que vocês acham?


Uma florzinha que plantei e que tô regando todo dia:



Buttes-Chaumont


- Rita, como você dá conta de viajar com duas crianças tão pequenas ainda?
- Ora, não são mais tão pequenas. E eu sou a supermãe...


... e boto todo mundo pra ralar. Pronto, é assim.


***

E eis que hoje Paris se lembrou de que é verão. O sol apareceu, a temperatura subiu e o céu amanheceu azuuuuul como há dias eu não via. Passamos o protetor solar, metemos lanches na mochila e fomos conhecer o Buttes-Chaumont, um parque ao norte de Paris lindo de doer.


Ao contrário de todos os outros parques que tínhamos visitado até aqui, Buttes-Chaumont não é plano. O lugar já seria lindo mesmo se o fosse, já que conta com suas árvores imensas de copas generosas, seu lago e seus gramados verdinhos, mas é óbvio que as subidas e alturas dão um charme a mais. E ao contrário do que disse meu guia de viagem, não é muito difícil caminhar pelo parque, já que suas subidas não são muito íngremes, o que torna um passeio por lá ainda melhor: é fácil subir láááá no altão e admirar a vista que não é de se jogar fora. Isso depois de cruzar a ponte gracinha que há bem no centro do parque.

Lá em cima.

Nós já iríamos ao Buttes-Chaumont de qualquer jeito, mas hoje tivemos outro motivo para o passeio. Era o aniversário da Maitê, uma brasileira queridíssima que conheci por intermédio da Amanda, e ela teve a feliz ideia de comemorar o dia com um picnic no parque. Então juntamos dia lindo com lugar lindo com gente linda e pronto. Arthur e Amanda também curtiram do jeito deles, Arthur comendo um monte a Amanda desbravando a grama do parque à cata de joaninhas. A Carol também foi e levou frutinhas para as crianças que eu adorei e comi um monte. Aproveitei para me despedir da Amanda e já senti uma pontinha de tristeza por estar tão próxima nossa despedida da cidade. Mas não vamos iniciar a choradeira, ainda temos quase uma semana inteira que, inclusive, deve ser de sol.

Ulisses com a mamãe...

... e com os filhotes.

Vovó Berna adoraria ver essas carinhas aí. Pensei muito nela hoje, talvez por ter visto vários idosos caminhando pelo parque: pensei na terceira idade cheia de saúde que ela não teve. Pensei no quanto ela curtiria nossa viagem, mesmo que não estivesse aqui com a gente. Essa semana Amandinha conversou com ela um pouco, do jeito dela: olha para o próprio peito, chama "vovó Beeerna!" e fala qualquer coisa (olha para o peito porque vovó Berna mora no coração). Também ando chamando por ela esses dias, tanta coisa que gostaria de dividir com ela que sempre me ouvia cheia de paciência, tanta foto para mostrar, tanto caso para contar. Nossa viagem tem sido perfeitinha, não fosse esse pedaço que falta do lado de lá.

Resultado estético bacana*

Vou colocar umas fotos aqui pra ver se vocês adivinham onde fomos ontem. Todos prontos? Ó:

(A foto não está fora de foco, é assim mesmo)

Hehehe... fomos ao Museu de Arte Moderna de Paris, obviamente. A loucura é grande, mas o passeio foi muito divertido. O barato de se visitar o Museu de Arte Moderna aqui já começa pelo prédio onde ele está alojado, o famoso (não era famoso para mim até a Amanda me apresentar a ele) Pompidou, um prédio todinho do avesso. Toda a estrutura que normalmente fica escondida nas construções está à mostra no Pompidou e o visual é composto por um emaranhado de canos.



Fico devendo uma foto da fachada frontal do prédio (a que mostro aqui é a dos fundos), mas dá para se ter uma ideia. As cores dos canos indicam suas funções: os de ar são azuis, os de eletricidade são amarelos, etc. Segundo a Amanda, os parisienses torcem o nariz para esse prédio, hum, diferente. Nós achamos estranho em um primeiro momento, mas adoramos circular pelos espaços internos dedicados ao museu (os três primeiros pisos são ocupados pela biblioteca) e às exposições temporárias. Há um restaurante no topo e a vista que se tem da cidade é excelente. Foi uma ótima opção para a gente fugir da chuva (Paris só que ser Florianópolis, viu, vou te contar).

Sacré Coeur, vista de lá.


O acervo é muito interessante e tem de tudo para quase todos os gostos. Arte Moderna não é exatamente meu cenário preferido no mundo das belezas, mas há algumas coisas de que gosto, sim, ainda que não entenda nunca exatamente onde o moço ou a moça que pintou o quadro quis chegar, hehe. O acervo do museu inclui inúmeras obras de muitos pintores consagrados e outros nem tanto, vale a pena uma espiada.


Gosto do efeito 3D desse quadro... doido, né?

Picasso deveria ter batizado essa obra de D.R.. :-) (Há um tantão de Picassos lá, mas - não joguem pedras - são muitos os que não gosto... e aí gosto de outros, sem crises.)

O Arthur gostou do quadro negro que ganha cores quando a gente se posiciona em frente a ele.

As esculturas são um capítulo à parte e aí, olha, o mundo é grande.

Perguntem à Amandinha, que entendeu tudinho.

Cá pra nós: o conceito de arte é mesmo uma coisa louquíssima.


Ou é intriga minha? Hein? ;-)

***

* Um link, caso você não saiba de onde veio o título do post. :-)

 
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