The rest


Ando devagar porque meu casulo não é muito grande. Movo os membros com cuidado para não tropeçar em nada ou quebrar alguma peça mais delicada, sabe como são os cristais (e algumas taças de memória são muito valiosas). Olho pela janelinha minúscula e o que vejo até me interessa bastante, mas ainda não me fascina a ponto de me arrancar daqui. Daqui a pouco, só um pouco mais. A temperatura anda agradável, a melodia é da melhor qualidade e os cheiros, ah, os cheiros são inebriantes. Além disso, posso cochilar sem pressa, adormecendo devagar enquanto a página desliza sobre meu colo - ando ousada, lendo apenas coisas simples que sorvo preguiçosamente. Meu casulo tem cabelos com cheiro de morango, pés descalços e mãos dançarinas. Tem também uma tristeza que certamente não seria bem compreendida da calçada pra lá. Porque é uma tristeza bonita, então convém apreciá-la um pouco mais, quase em silêncio. Minha mente está assim, aos cochichos, prestando atenção e tentando ouvir o som que vem do peito. Enquanto ouço, vou pintando um mundo mais colorido, de traços simples e com menos barulho. Quando decidir abrir a porta é certamente para lá que vou.

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