Minha memória continua ruim, mas as sobremesas ficaram ótimas



Receber amigos para a ceia de Natal é uma delícia. Curto tudo, desde a compra das lembrancinhas ou presentes, passando pela escolha das sobremesas à arrumação da casa. Há carinho em cada guardanapo dobrado. Passei  o dia de ontem em minha cozinha, entre açúcar refinado e raspas de casca de laranja, caramelo e flocos de aveia. Fiquei encarregada das sobremesas, da bandeja de frutas e da salada crua, o marido fez a farofa (delícia) com receita do pai dele, os amigos trouxeram os pratos principais da comilança. Cada família caprichou nos preparativos e nossa ceia ficou linda e muito, muito saborosa. Experimentei o melhor molho de laranja da Era Cristã, a farofa do meu marido poderia ser comida pura e não há beiço que não seja lambido depois de experimentar um bom crumble de maçã com maracujá - às favas com a modéstia. Seguindo a tradição que me persegue, mantive duas grandes bandejas de salada esquecidas na geladeira durante a ceia (já esqueci uma torta de morango durante uma reunião aqui em casa, no dia de meu aniversário) - sou dessas, passo longos minutos montando a salada que ficará ouvindo o burburinho da ceia lá fora enquanto ela mesma segue humilhada e desnecessária. O café programado para a madrugada também foi esquecido na cafeteira e nem pude estrear meu novo jogo de xícaras para cafezinho, ô, maldade.  

A passagem de Papai Noel foi ansiosamente esperada e barulhentamente "testemunhada" por todos. Arthur ainda está impressionado como os pacotes surgiram na sala, assim, do nada. Ele, que andava desconfiadíssimo desse papo todo de trenó e ho ho ho, aparentemente desistiu de questionar o mundo e mergulhou com gosto na fantasia. Com seis anos e meio, esse pode ter sido o último Natal em que ele de fato embarcou na lenda do Noel. Acompanhemos. 

A espera na janela.

Minha amiga está de mudança para Brasília, mas eu nem quis tocar no assunto. Só quis saber de papos leves e de aproveitar muito bem sua presença por aqui. Foi muito bom ter passado a noite de ontem com ela e sua família e pudemos ver que nossa sintonia segue firme e forte: compramos uma para a outra o mesmíssimo presente. \o/ Logo vamos trocar impressões sobre o novo livro do Veríssimo. 

Depois de uma semana para Saara nenhum botar defeito, a temperatura caiu um pouco e choveu durante a noite. Com exceção da chuva tamborilando lá fora, nenhum som vinha da rua, ou pelo menos nenhum som chamava nossa atenção. As luzes e a conversa solta da sala eram uma pequena ilha no meu quarteirão molhado e escuro. A noite foi boa. Passou pela minha cabeça agradecer aos amigos que estiveram aqui ontem pela presença de cada um deles. Talvez eles nem saibam da diferença que fizeram, do espaço que ajudaram a preencher. Deixei passar, no entanto. Eu não teria voz para concluir a primeira frase. Transformei minha gratidão em conversa fiada e atravessei o Natal com braçadas largas e firmes. Para meus filhos, sei que foi algo meio mágico e cheio de sorvete. Valeu muito.

7 comentários:

Angela disse...

Tinha tres ou quatro "besteiras" para comentar, dividir, falar do lado de ca, o de sempre. Mas uma so coisa importante: fiquei *muito* feliz de ler esse post. Parece que sua casa se encheu de anjos. Um beijo.

Ramon Porto disse...

olá Rita,
passei para desejar um Feliz Natal e pude acompanhar como foi sua festa.
Sei que desta vez foi uma comemoração diferente, como as próximas também serão, mas assim como as festividades passadas cada uma delas guardará uma lembrança especial.
Aproveito para desejar que 2012 venha repleto de grandes conquistas.
Leio seu blog há um tempo, e te digo que não é dificil se encantar com seus textos. Quando puder visite o meu espaço, Calculando Verbos, aguardo a sua visita.
abraço

Juliana disse...

meu primo de 5 anos e meio, tem uma teoria: existem adultos que se vestem de papai noel e o papai noel verdadeiro. Pra descobri quem é o verdadeiro, a gente tem que procurar as renas.

Acho que papai noel tá perdendo espaço por aqui.

Salada? Pra que salada, Rita? =p

Dária disse...

Feliz natal Rita!!!! =)
Festa, presentes, comida boa, boas companhias... nada melhor né?

Sobre Papai Noel, eu não me lembro de acreditar - meus pais sempre me entregaram meus presentes - e confesso que tbm não gosto muito de ensinar estas lendas.

A do Papai Noel particularmente me desagrada a coisa do "ganhar presente se se comportou direitinho". Sempre ficava imaginando crianças pobres, cujos pais não podiam comprar nada, ou não compravam o que elas pediam, trocavam por algo mais barato. Acho que acreditando em Papai Noel elas ficariam se questionando o que fizeram de errado, sentimento de culpa ou revolta. Prefiro ensinar o valor de todas as coisas e de onde realmente vem!

Enfim, divagações... acho que sou muito rigorosa com algumas coisas né? rss
Mas quando a coisa vem sem custos eu teria até dificuldade de limitar para a criança o que ela pode ou não pedir. Prefiro explicar que é uma lenda e sua origem histórica.

A Mina do cara! disse...

Natal é mesmo uma data especial para passar com a família e os amigos.

Dei de presente também o livro do Verissimo, só que para mim. Depois falemos sobre o livro.

Achei bem legal e muito beme escrito seu blog.

felicidades pra família toda!

caso.me.esqueçam disse...

nem lembro da idade em que deixei de acreditar em papai noel, mas foi bom enquanto durou, chuif.

e que dificil esta sendo ler os posts de natal, minha gente. a barriga RONCA a cada lembrança do cheiro das comidas... ta sendo fogo esse regime nessa epoca, acredite, aff...

caso.me.esqueçam disse...

falasse em farofa e eu sorri aqui ueheuheuehe

 
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