Make it merry


Não tenho boas lembranças dos natais de minha infância. Nada traumático, simplesmente não era uma festa especial lá em casa. Minha mãe montava árvore, armava presépio, fazia cesta de Natal e tal, mas não tínhamos uma ceia festiva, troca de presentes com suspense, nada disso. O Natal virou um evento mesmo muitos anos mais tarde, quando ela passou a organizar uma baita ceia para as crianças que foram chegando na família, netos de seu irmão. Eu já era adulta e passei a curtir muito esses momentos que já marcavam, para nós duas, reencontros muito esperados, visto que eu já morava fora de casa nessa época. Foram meus melhores natais aqueles, com o pacote completo: comida gostosa, família reunida por vontade e saudades, criançada. Tudo mudou quando ela ficou doente demais para fazer as celebrações. Passei um Natal longe dela quando Amanda estava com 3 meses e adiamos a viagem que sempre fazemos no final de ano. Do ano passado nem me lembro, acho que estava anestesiada. Enfim, esse é o primeiro, de verdade, sem ela. 

Meus planos incluíam dormir cedo e pensar pouco. Mas uma amiga que está se mudando de Florianópolis sugeriu que passássemos juntas, as duas famílias, e achei uma ótima forma de me despedir dela, que vai deixar muitas saudades por aqui. Vai ser uma maneira de garantir que as crianças tenham uma noite divertida também, então vou fazer sobremesas docinhas e nossa árvore tá bem linda. Meu coração meio apagado se balança diante de tantos olhinhos brilhando por aqui, não posso negar que eles me resgatam com maestria. 

Teremos nosso Natal do jeito que for, com saudades e novas despedidas. Com barulho e luzinhas piscando. Com presentes e farofa. Sempre vou associar as noites de Natal às ceias que ela organizava, cheia de orgulho por abrir sua casa para aqueles que ela amava tanto. Sempre vou me lembrar assim, de sua casa bem cheia, da mesa grande da sala repleta de pratos pontualmente servidos, dos inevitáveis e infinitos amigos secretos, de seus comentários no dia seguinte "deu tudo certo". Sempre vai ser um pouco triste. E bonito também. 

No final das contas, o que mais quero, mesmo, é que meus filhos tenham boas lembranças da infância. Incluindo os natais, por que não?

***

Quero também que toda essa gente maravilhosa que passeia por essa estrada tenha um ótimo final de semana, curtindo o Natal na medida que interessa a cada um. Com mais ou menos simbolismo, mais ou menos significado, não importa. Que seja, sim, com alegria. Feliz Natal, gente. De coração. 

6 comentários:

Tina Lopes disse...

Agora você é ela, fazendo o Natal das crianças e indo no embalo.

disse...

Feliz Natal pra essa família linda!

Beijos em todos!! :)

Angela disse...

Ando meio silenciosa aqui, de admiracao e as vezes overwhelmed.

Que o deixe ser triste e bonito sim. Meu desejo eh que venham os dois balanceados.

Feliz Natal para todos ai!
Um grande beijo

p.s.: Nunca fui muito de Natal, mas as criancas andam me mudando. O Max aparentemente tirou curso de especializacao de festas de fim de ano mundiais la na escola, e nos deseja Feliz Hanukkah, Feliz Natal, Feliz Kwanzaa, e segue me explicando o que fazem nessa epoca no Mexico, e na Alemanha, e bla bla bla...

Daniela disse...

Pra você também, querida. Beijo enorme!

Murilo S Romeiro disse...

Feliz Natal!!
Engraçado como essa frase me faz sentir que o Natal é uma data triste e que as pessoas que nos gostam desejam que não seja assim prá gente.
Então, pra voce e toda a criançadinha aí, um Feliz Natal!!
Abração
:-)

caso.me.esqueçam disse...

posso dizer o mesmo dos meus natais. la em casa, nunca tinha nada previsto. a gente passava o natal na casa da minha avoh, mas eu nao lembro de muita coisa. agora, que toda a minha familia (toda mesmo) costuma se reunir no fim de ano, eu moro longe...
me restam as fotos...

 
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