Casa grande

Olá, mundo virtual, tudo bem? 


Então ficamos, as crianças se apresentaram e valeu muito a pena ter adiado a viagem por um dia. Não só porque a apresentação foi bem boa mesmo, mas principalmente pela alegria das crianças. Amanda estava linda de Chapeuzinho Vermelho, seguiu a coreografia com graça e perfeição, e a fantasia é atualmente sua roupa preferida. Arthur foi uma entre as muitas araras azuis de sua turma num número inspirado no filme Rio e, olha, vê-los dançando com samba no pé (imaginem) foi a coisa mais divertida ever. No dia seguinte, embarcamos para o Nordeste.

Viajamos no dia 09, um ano depois de me despedir de minha mãe para sempre. Entrar em sua antiga casa, onde hoje moram meus tios, foi uma prova de força. Sua poltrona mudou de lugar, muitos móveis são diferentes, as plantas estão maiores e sua voz não ecoa mais aqui. Mas é ela em cada canto. Em cada lugarzinho. 

O cemitério agora faz parte de meus passeios e as crianças gostam muito de encher o túmulo de flores. Amanda leva flores "para ela não morrer mais". Arthur já entende que viramos pó e que o amor fica. 

Minhas crianças estão certamente passando as melhores férias de suas vidas, cercados de primos por todos os lados. Agora que a idade já os permite interagir nas brincadeiras mais elaboradas, a identificação aparece e o entrosamento da criançada (são seis ou sete crianças pela casa o dia inteiro) me traz ótimas lembranças de minhas próprias férias de infância - e sei que estão felizes.

A conexão anda lenta, não sei o que se passa no resto do mundo, nos outros blogs, na minha timeline do twitter. Minha conta de e-mail vai explodir. Sei que logo vou matar todas minhas curiosidades, mas, por ora, estou curtindo tios, primos, sombras de minha mãe pela casa, tapiocas, canjicas, jogos e muita conversa. Toda pequena alegria vem seguida de "ela adoraria". Todos dizem que Amanda é a minha cara, da mesma forma como diziam que eu era a cara dela. Gosto assim.


Minha saudade tem forma de vontade de conversar. Penso nela caminhando pela casa, como fazia antes de ficar tão doente a ponto de não poder fazê-lo. Penso nela dando ordens, guarde isso, calce o chinelo, feche a torneira, vá ao banco, venha cá. Penso nela babando os netos, feliz com minha chegada, lamentando minha despedida. Penso nela falando alto, chamando para o jantar, vendo o jornal e dizendo que o mundo está perdido. Penso nela logo ali naquela mesa, bebendo café com leite. Falando ao telefone, Ritalice chegou. Cheguei, mãe. E essa casa nunca foi tão grande.

7 comentários:

Mari Moscou disse...

Você só lerá isso em alguns dias. Mas vim contar que chorei, choro com esse post ainda. Choro porque a saudade da minha avó só faz crescer, e nem as casas existem mais... Choro porque sei que a vida passa.

Um beijo, amiga, obrigada pelo lindo post.

Angela disse...

Querida amiga, tambem chorei, por varias razoes, suas, da sua familia, minhas. Mas preciso te falar que celebrei a sua conexao ta lenta (me desculpa). O mundo virtual vai estar aqui, registrado. O mundo real seu na tua casa eh limitado por minutos, que podem ser contados. Experimente cada segundo da sua estadia ai.

Um abraco quase nao mais virtual.

Dária disse...

Textinho lindo como sempre! =*

E tu tá na Paraíba, beeeem pertinho aqui da minha terra. Devia estirar e vim turistas em Natal! Pega um carro e vem pra praia mulher rsrs

Beijos

Lilian disse...

Muito lindo teu texto Rita!

Chega dá um nózinho na garganta. Meu pai já se foi, agora só tem mãe. Fico pensando o dia que ela se for...

Luciana Nepomuceno disse...

Eu já vim ver esse post um montão de vezes. Suspeito que virei outras vezes mais. Ele é lindo, mas nem é por isso. É pela saudade. Aí releio e vou tendo impressões de tempo passando. Vou imaginando os dias aí e você nos dias. E torcendo que fique mais fácil. Um beijo, baby

lucieneteotonio disse...

Imagino q tenha sido dificil a volta na casa grande, como vc fala, mas ficamos felizes por vcs terem vindo e apesar da tristeza de tia Berna não está mais aqui ,foi muito bom o tempo juntos ,a alegria no jogo ,nos papos ,no arrumar de mesa rsrsrs ...
Um abraço Rita.

Débora Ramos disse...

Eu nem te conheço, mas eu também me emocionei. Acho tão bacana essa sua capacidade de falar da sua vida de forma tão natural, tão sincera.
Sem dúvida o mais legal disso tudo é que de repente você consegue traduzir uma dor que eu ainda nem senti. Parabéns e o obrigada por ser você.

 
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