A turma que nunca se separa


Eu não recebia mesada na infância. Com sorte, descolava algumas moedinhas aos sábados, quando meu pai voltava da feira ou minha mãe tinha alguma por ali, sobrando. Eram as moedinhas do gibi. Eu corria pra banca - que, na verdade, era uma vendinha de doces, picolés, revistas e cigarros - e comprava invariavelmente um exemplar de algum gibi da Turma da Mônica. Havia muitos gibis na minha casa, a maioria dos personagens da Disney (Tio Patinhas, Donald, Mickey, esse povo) e eu gostava desses também. Mas nada batia um Almanaque da Mônica. Como os Almanaques eram mais caros, normalmente eu comprava um mais fininho, do Cebolinha, da própria Mônica ou do Chico Bento, o que tivesse a capa mais atraente.

Eu era muito pequena quando tive meu primeiro contato com a Turma da Mônica. O que guardei na memória: o formato da revista (diferente das atuais, era mais larga que comprida, com duas tirinhas por página), as linhas dos personagens (eram mais esquálidos) e minha vontade de que existissem mais tirinhas quando a revista acabou. Nem sei se li a revista ou se só a folheei, porque desconfio seriamente que ainda não sabia ler naquela época. Também não sei se já se tratava de alguma edição comemorativa especial, porque não me lembro de ter lido outras com o mesmo formato. Depois minha memória dá um salto e só me recordo das outras, mais recentes, semelhantes às atuais. 

Quando eu estava grávida do Arthur, rolou uma promoção da editora de uma revista sobre pais, bebês, gravidez, essas "coisas": assinando a revista, ganhava-se a assinatura das revistinha da Turma da Mônica por um ano. \o/ Claro que assinamos e claro que eu lia também a revista sobre gravidez, mas só depois de ficar por dentro das últimas novidades do Bairro do Limoeiro. Ulisses nem disfarçava e só lia as da turminha, rindo de se acabar com o Chico Bento. Hoje em dia não assino mais revistas sobre gravidez, mas as revistinhas da Mônica podem ser encontradas em qualquer cômodo de nossa casa. Algumas vezes não leio as histórias, é verdade, mas sempre fico sabendo do que rola porque meu filho lê e me conta; ou lê pra mim; ou decora e sai recitando as historinhas pela casa. 

Aí hoje alguém no twitter comentou que Maurício de Souza está fazendo 76 anos. E fico pensando que coisa mais gratificante que deve ser olhar-se no espelho e reconhecer ali o idealizador de personagens que viraram parceiros de brincadeiras e da imaginação de milhões de crianças, geração após geração; saber que sua arte, sua criatividade e seu talento tocaram, e por isso transformaram, a infância e o mundo de tanta gente. Quando comentei com o Arthur que hoje era o aniversário do Maurício de Souza, ele abriu um sorrisão e perguntou se eu tinha o telefone dele. Não, Arthur, infelizmente não tenho. Mas a gente deixa um recadinho aqui: Maurício, seu fofo, obrigada demais, viu.  Parabéns de verdade. Porque, né, como se não bastasse, você ainda nos deu o Horácio (alguém não ama?).


(Em breve o Arthur passará a receber uma pequena mesada. Tem mais o intuito de ensiná-lo a programar, esperar, valorizar as coisas do que propriamente conferir-lhe poder de compra, portanto não deve ser muito. Mas desconfio que sei exatamente o que ele vai fazer com seu dinheirinho.)

6 comentários:

Rogério disse...

Além de seus personagens, que dispensam apresentações, Maurício de Sousa fez e faz muito mais. Subliminarmente ele oferece à garotada a oportunidade de conhecer a diversidade e, com isto, aprender a respeitar as diferenças. Tem o Jeremias, que é negro, o Luca (cadeirante), o Humberto (surdo), todos membros efetivos da turma, numa demonstração de inclusão. A personagem Dorinha, que é cega, foi inspirada em Dorina Nowill, que perdeu a visão aos 17 anos de idade e levou a vida normalmente como administradora e responsável por entidades pioneiras de inclusão de deficientes visuais. Enfim, a turma é completa e aqui em casa temos desde gibis até DVDs. Particularmente, não gosto dos personagens Disney, acho chatos e repetitivos. Parabéns ao Maurício!

Angela disse...

Os da turma da Monica eram um trato. La em casa so rolava Tio Patinhas e Cia, meu pai comprava no sebo e o que chegava era o que liamos. Adorava aqueles tambem, mas era meio privada da turma, entao me deliciava ao dobro.

Feliz Aniversario para o Mauricio ai. Ri alto aqui com a pergunta do telefone, Max recentemente perguntou de passagem se eu ja tinha ido ao "King Tut's death chamber". Isso mesmo. O sarcofago do Rei Tutankhamon. Nao, meu bem, ainda nao...

Felipe Rogério disse...

Sou fã da Turma Da Mônica desde pequeno, meu primo e minha mãe sempre me davam algum.
E ensinar a controlar o dinheiro é muito importante, graças a Deus eu sempre controlei o meu muito bem.
Abraços.

disse...

Quem não gosta da Turma da Monica, hein? Uma delicia! La' em casa tinha um monte de gibi espalhado pra tudo o que é canto.

Dai' q na semana passada meu sogro veio pra Paris e trouxe umas revistinhas. Pra quê? Tô devorando e me deliciando! E aproveitei para apresentar a turminha pro Rafael.

Agora quando ele nao quer ir pro banho, a gente fala que ele parece o Cascão. Ele diz: "Rafael nao é Cascao não!". E vai pro banho bonitinho. :)

Aline Mariane disse...

também adoro e minha mãe sempre me manda gibis. Leio e releio como antes! =)

Patricia Scarpin disse...

Nossa, Rita, como eu amo a Turma da Mônica. É algo tão enraizado em mim e não pensava nisso havia séculos - delícia de post. Ano passado eu e Pichuzinha estávamos na fila do cinema para comprar pipoca e vimos o Mauricio na fila ao lado. Acho que fiquei mais feliz em vê-lo de pertinho do que minha irmã... :)

Beijo!

 
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