O bem pra mim


Em algum ponto da década de oitenta chegou às minhas mãos o álbum de figurinhas Bem Me Quer. Dez entre dez amigas colecionavam as figurinhas supostamente desenhadas por uma senhora australiana chamada Sarah Kay (que nunca cheguei a saber se existia de verdade ou se era só marketing para vender as figurinhas fofas: as informações davam conta de que Sarah vivia em algum lugar remoto no interior da Austrália, com seus filhos, um cachorro e três gatos, em uma casa no meio de um bosque, óin, e que sua vida bucólica era a fonte de inspiração para seus desenhos). Se Sarah existe/existiu de verdade, onde morava e quantos gatos tinha são coisas que continuo sem saber. Mas aquele álbum marcou minha infância e suspeito que suas estampas floridas e retrô estão por trás de meus suspiros quando ponho os olhos em certos temas vintage.

Outro dia, navegando em busca de só deus sabe o quê, enchi os olhos com as figurinhas que circulam pela web. Quase senti de novo o cheirinho do adesivo das minhas velhas figuras. Eu passava horas no meu quarto namorando aqueles desenhos cheios de curvas e daria um dedo da mão para passear pelos quintais e jardins que compunham os cenários com cheiro de terra e flor. Tinha adoração pelo meu álbum, que nunca cheguei a completar, e fico muito intrigada por não fazer a menor ideia do que aconteceu com ele.

No último final de semana resolvi fazer um desenho para minha filhota de quatro anos colorir. Como raramente consigo criar algum desenho minimamente interessante, optei por copiar alguma coisa de um livro ou site, ampliando a gravura para ela pintar à vontade. Voltei às páginas com os tais desenhos Bem Me Quer, escolhi uma que me pareceu mais simples e tentei reproduzi-la a lápis numa folha de papel A3. O exercício é uma delícia, desenhar é um troço relaxante demais. (Imagino o prazer de criar algo bonito e ver o resultado, hein, Joana?) Amanda adorou e coloriu toda animada. Eu achei que aquele foi o momento mais prazeroso que as figurinhas Bem Me Quer me trouxeram, assim, depois de tanto tempo. É que eu não sabia do que viria logo a seguir. Depois que acabou a pintura, Amanda abandonou o desenho em algum canto da sala, quis retribuir o "presente" e fez um outro pra mim. Quis desenhar a mesma menina colhendo flores. E fez, do jeito dela, reproduzindo detalhes como o chapéu e a tesoura na mão da menina, o desenho mais lindo que já ganhei. Ainda vou colorir, bem caprichado. (Ela fez o maior suspense, não me deixou ver enquanto desenhava e não consultou o primeiro desenho outra vez; fez "de cabeça". <3) 

Obrigadinha, minha flor.

De mim para ela:


E dela pra mim:


4 comentários:

Helena disse...

Que coisa linda!! Eu tinha essas imagens, não em figurinhas, mas em papel de carta. Adorava elas, eram muito delicadas (o que sera que fiz com a minha pastinha gigante de papéis de carta?) e nunca ousei escrever em nenhuma delas. Boas lembranças...

Angela disse...

Ficou lindo!!! E nao eh que ela fez a tesoura mesmo???

Tambem adorava e foi o unico album que quase completamos, ficou faltando so uma. Isso so por que eramos tres (c/ as manas) colecionando em um.

Ah, e Boo! Feliz Dia das Bruxas. Com criancas nessa idade nao eh nada assustador e sim encantador.

Beijo

Silvia disse...

Obrigada por colocar um sorriso no meu rosto! Estes desenhos também fizeram parte da minha infância..
beijinhos de Portugal!!!

caso.me.esquecam disse...

para tudo.

olha, nos anos 80 eu mal tinha nascido, neh, mas essas figurinhas tambem fizeram parte da minha infancia, porque minha tia tinha elas guardadas. um monte! entao, um dia, ela me deu. nao lembro se eu tinha o album, mas eu tinha as figurinhas. e eu lembro que eu as amava! adorava! era meu pequeno tesouro. mas eu tinha esquecido disso, ate esse semana, onde uma imagem me fez lembrar dessas figuras. dei risada. e agora, esse post! muita coincidencia hihihihihi ai, fiquei com lagrimas nos olhos quando vi a reproducao de uma das figuras aqui hihihi #coracaomole

 
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