Fui, mas não muito


Uma das boas coisas que Campina Grande oferecia a seus moradores na década de noventa do século passado (aff...) era o ótimo Festival de Inverno da cidade. Não sei a quantas anda o festival atualmente, mas na época em que eu morava por lá, julho era mês de palco e era mês de coisa boa. Durante três semanas, o principal teatro da cidade recebia espetáculos de dança, música e artes cênicas, uma semana para cada modalidade. Lembro que foi lá que tive a chance de ver em cena grandes grupos de dança do país e do exterior, ver concertos de orquestras renomadas e, sempre na última semana do festival, curtir encenações de ótimos espetáculos teatrais. O festival se estendia a outras cidades do interior do estado e normalmente tinha casa cheia nas três semanas. Eu ia a tudo que podia e achava que a cidade ficava esquisita quando tudo acabava.

Fiquei toda feliz quando vim morar em Floripa e descobri que aqui também havia um festival de teatro, o Isnard Azevedo. Depois que meus filhos nasceram têm sido raras as vezes em que vou ao teatro, normalmente fico sabendo que alguma coisa interessante está em cartaz depois que a tal coisa já passou - oh, well. Mas esse ano, com parte dos espetáculos encenada em um teatro a cinco minutos da minha casa, decidi que iria nem que fosse uma noite só. Fucei o site, liguei para a bilheteria (para saber se ainda havia ingressos disponíveis), fui lá comprar os ingressos, botei as crianças pra dormir mais cedo e fui (sou dessas). 

O espetáculo escolhido foi O Buraco, encenado por um grupo de comédia que eu já conhecia de outra edição do Isnard Azevedo há alguns anos, o Centro Teatral Etc. e Tal, do Rio de Janeiro. Na época, sei lá, talvez em 2001, vi a peça Fulano & Sicrano e gostei bem. Gostei tanto que fui ver de novo, quando morava em Itajaí e eles se apresentaram por lá, acho que em 2003. Vi a mesma peça, ri tudo de novo. Então quando vi que o Etc. e Tal estava em cartaz ali na esquina com outra peça, fiz a maior propaganda da que eu já tinha visto pro Ulisses, consegui convencê-lo, liguei para bilheteria, etc.

Pois bem, saímos de casa a cinco minutos da hora prevista para o início do espetáculo, estacionamos sem qualquer dificuldade, pegamos ótimos lugares (o teatro não tem lugares marcados) e esperamos um pouquinho. Cerca de dez minutos depois, com leve atraso, a produção anuncia que, devido a um problema de saúde de uma das integrantes do grupo, eles encenariam outra peça, não O Buraco. Guess what? Isso mesmo, a mesma peça que eu já tinha visto. Oh, well. Ganhou o Ulisses que ainda não tinha visto e eu fiquei ali, né, rindo (não tanto) de novo.

Vou dizer diferente: a pessoa passa a vida sem ir ao tipo de evento que adora; quando consegue, vê pela ter-cei-ra vez a mesma peça. Ou seja, foi meio como se eu não tivesse ido.

Quem sabe amanhã ponho as crianças na cama mais cedo outra vez.   

2 comentários:

Renata Lins disse...

Uai, vc não é de Floripa não? Pensei... claro que sem nenhum motivo razoável: porque a gente vê onde a pessoa está, e deduz que ela seja tipo "móveis e utensilios" ali. Logo eu. Mas eu faço isso mesmo...
Ou vc é de Floripa e tinha passado um tempo em Campina Grande? (sei, isso não era o tema do post...mas me puxou esse fio...) ;-)

Rita disse...

Oi, Re. Estou em Floripa desde 1999, mas sou paraibana. :-)

Bj
Rita

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }