Não lembro nem onde guardei as chaves

Day 28: A book you can quote by heart


Vou contar uma coisa a vocês sobre a minha memória: é quase um milagre que eu saiba meu nome de cor.
 
Dito isso, eis o fenômeno:
 
"São Pedro manda avisar
Aos bichos deste sertão
A grande Festa no Céu
Na noite de São João!
 
Não deve faltar à mesma
Nenhum bicho voador
Do Mosquito à Borboleta
Do Colibri ao Condor.
 
E para bicho sem asa
Não fazer vestido à toa
Manda avisar que a festa
É só pra bicho que voa."
 
(Festa no Céu - recontado por Braguinha, ilustrado por Tatiana Paiva)
 
E por aí vai. :-) Mas não vai muito, porque minha memória não ajuda. Já falei desse livro em outro post, logo que o comprei. Lemos tanto, tantas vezes, nos dias que se seguiram que foi impossível não memorizá-lo, pelo menos em parte. O Arthur decorou quase todo e seguiu dias recitando a delícia.
 
Além da saga do sapo teimoso, guardo fácil na memória um mísero poema de Cecília Meireles (5º Motivo da Rosa - "Pus meu sonho num navio..."), alguns momentos de Shakespeare, por puro amor ("What's in a name? That which we call a rose. By any other name would smell as sweet...") e alguns poucos trechinhos de várias outras obras. Guardo os eventos, os sentimentos, mas as sequências preciosas esculpidas por seus escritores, essas preciso buscar nas páginas outra vez. Lembro-me de meus livros favoritos assim, numa nuvem de sensações. Agora, por exemplo, sei que vou guardar para sempre a vibração com que li, ontem à noite, um trecho d'Os Irmãos Karamazov, em que dois dos irmãos, Ivan e Aliocha, dialogam sobre a fé, a justiça, a caminhada absurda da humanidade sobre a Terra. De tirar o fôlego, mas até meus neurônios se excitam e aí não decoram nada (boa essa, hein!). É isso, gente, tudo culpa da emoção, cof, cof.

3 comentários:

Daniela disse...

"Porque um dia é preciso parar de sonhar, tirar os planos da gaveta e - de algum modo - começar"

Amyr Klink - Paratii, entre dois pólos.

Eu acho que a única citação de livro que eu sei de memória. Mudou a minha vida, esse livro.

Beijocas. Saudades de passear por aqui.

Angela disse...

Pesssoas de boa memoria me impressionam. Max aos tres anos e meio decorou Put Me in the Zoo inteiro, e alguns dialogos que ele gostava de Madagascar. E eu de queixo caido, com a minha memoria impotente.

Muito lindinho esse livro de Arthur!!!

Luciana Nepomuceno disse...

Ahahah, sinto um post alma gêmea chegando. Guardo mais as sensações do tempo que li do que trechos e frases.

Por exemplo, lembro bem que Os Irmãos... foi uma montanha-russa de sensações.

 
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