Caraminholas

Day 18: A book no one would expect you to love

Ser formada em Letras, ex-professora de inglês, ex-aspirante a tradutora, enamorada pela literatura, tudo isso pode sugerir um perfil de pessoa totalmente avessa às ciências exatas. Não é meu caso, mesmo que o setor de meu cérebro voltado a essa área esteja certamente atrofiado. Ainda que a matemática seja, para mim, uma linguagem abstrata e quase misteriosa, sei que minha relação distante com as exatas é, em parte, consequência de ter praticamente desperdiçado três anos de meus estudos em um curso de magistério, quando deveria ter ingressado no ensino médio regular (que naquele tempo era chamado de "científico"). Durante muito tempo tive absoluta certeza de que somente em um curso de Humanas ou Biológicas (cursei um semestre de Jornalismo e dois anos de Agronomia antes de me decidir por Letras) eu encontraria algo que de fato me manteria empolgada e com fome de mais. Até que de mansinho, meio por acaso, comecei a me interessar pela Física. Uma curiosidade discreta, sem muito alarde, mas suficiente para abaixar o volume do mantra que repeti praticamente sem pensar por muitos anos: não gosto de exatas, não tenho jeito pra matemática, não suporto cálculo. Há alguns poucos anos passei a lamentar não ter aproveitado melhor minha época de ensino médio. Sei lá, eu poderia estar no CERN. Hahahahahaha! Joking, people, joking. Os leitores mais antigos deste blog já me viram falar do livro Breve História de Quase Tudo, de Bill Bryson (tecnicamente, isso compromete o meme, mas ignoremos), uma espécie de manual do pensamento científico para leigos bem leiguinhos mesmo. É leve, divertido e deixa a gente com uma vontade danada de estudar ciência. 



"Mas o evento memorável - o limiar de uma nova era - adviria em 1905, quando a revista alemã de física Annalen der Physik publicou série de artigos de um jovem burocrata suíço* sem nenhum cargo acadêmico,  nenhum acesso a um laboratório e cuja única biblioteca consultada regularmente era a do escritório de patentes nacionais em Berna, onde estava empregado como perito técnico de terceira classe. (Um pedido para ser promovido a perito técnico de segunda classe fora indeferido havia pouco tempo.)
Seu nome era Albert Einstein, e naquele ano memorável ele submeteu à Annalen der Physik cinco artigos, dos quais três, de acordo com C. P. Snow, 'estavam entre os maiores da história da física': um examinando o efeito fotoelétrico através da nova teoria quântica de Planck, outro sobre o comportamento de partículas minúsculas em suspensão (...) e ainda outro delineando uma teoria da relatividade restrita.
O primeiro valeu ao autor um prêmio Nobel  e explicou a natureza da luz (além de ajudar a tornar possível a televisão, entre outras coisas). O segundo forneceu uma prova da existência dos átomos - fato que, surpreendentemente, era objeto de certa controvérsia. O terceiro simplesmente mudou o mundo." (Tradução de Ivo Korytowski)

*Einstein renunciou à cidadania alemã para evitar o serviço militar e se tornou cidadão suíço em 1901. Garoto esperto.

3 comentários:

Rogério disse...

Não sinto nenhum remorso por não gostar de exatas nem de Sidney Sheldon.

Rita disse...

Sem remorsos, sempre.

Lud disse...

Adoro esse livro! Também recomendo fortemente.

 
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