O gênio, o livrinho e as recomendações médicas


Não reparem, mas ainda estou um pouco mergulhada lá nas bandas de cima. Logo passa, volto ao trabalho na quinta e a rotina me engole sem deixar tempo para "ai, foi tão bom quando...". Saí de Florença com esse livrinho embaixo do braço e assim, convenhamos, fica difícil desgarrar:


Terminei de ler ontem, mas esse é um daqueles que a gente visita de vez em quando. O livro traça um breve retrato dos cenários políticos em Florença e Roma na época em que Michelangelo transitava pelos dois grandes centros artísticos do final do século XV e início do XVI. É útil para entender os temas escolhidos para as esculturas e afrescos do artista e nos dá uma ideia da intensidade impressionante de sua produção; é útil também para entender a força das várias gerações da família Medici que bancava muitos artistas e criava o cenário propício ao que ficou conhecido como Renascimento. Transitando entre Florença e Roma, de acordo com as marés políticas e tensões sociais de seu tempo, Michelangelo trabalhou incessantemente esculpindo e pintando algumas das obras mais impressionantes de todos os tempos. Ainda que eu considere meu analfabetismo artístico, quanto mais observo detalhes de suas obras, mais entendo que sua fama (felizmente gozada ainda quando vivo) não veio à toa.

Ao contrário do que eu pensava, Michelangelo morreu velho,  com mais de setenta anos, e esculpiu até a véspera de sua morte (uma outra pietá, inacabada, muito mais dramática que a mais famosa do Vaticano). Algumas curiosidades mencionadas no livro me deixam ainda mais impressionada ao imaginar o contexto que cercava as grandes obras deixadas por ele, em um tempo em que os artistas fabricavam suas tintas... Michelangelo trabalhava sozinho, geralmente dispensava auxílio de alunos ou assistentes; passou quatro anos dependurado nos andaimes que o permitiam pintar o teto da Capela Sistina e escreveu a seu pai quando terminou, algo como "acabei aquela capela; o papa gostou", assim, básico. Muitos anos antes, o bloco de mármore extraído para esculpir a Pietá precisou de nove meses para ser levado de Carrara a Roma. Nove meses. Um ano depois, era isso:

Michelangelo tinha 24 anos.

Não há praticamente nenhum dado sobre a vida pessoal de Michelangelo nesse livro, há apenas indícios de que ele levou uma vida solitária, amargurado com sua solidão, tinha humores difíceis e deixava de comer para não interromper a confecção de uma obra. Há relatos escritos por ele, em cartas para os poucos com quem se relacionava socialmente, lamentando-se de sua sorte com trabalhos intensos e pouco tempo. Enfim, um estressado, igualzinho a mim, an-han.

***

Falando em livrinhos, durante minha viagem li o primeiro volume da série Millenium e devo confessar que não compartilho do entusiasmo das multidões. Achei bom, no máximo. Sou chata? Antes de passar para o segundo volume, vou ler Mrs. Dalloway que anda me chamando faz tempo.

***

Os médicos recomendam uma taça de vinho tinto na hora do almoço. Sempre torci o nariz, preferia vinho branco e, né, todo dia não dá. Não dava. Porque agora não só dá, como adoro. Não vou dizer que me viciei em vinho tinto porque a palavra "viciar" nesse contexto pode gerar interpretações indesejadas, mas posso afirmar que virei fã dessa historinha. Uma taça de vinho tinto (às vezes branco, por que não) na hora do almoço foi rotina em nossa última viagem e acho bom continuar atendendo as recomendações médicas, o que vocês acham? Só por obediência. Reza a lenda que o vinho tinto ajuda a evitar obstruções nas artérias. Outra lenda reza que ajuda o humor também. O paladar. O prazer. O bom. Hum, bom demais. Tim tim.

Em Versailles...



Em Veneza...



Em Florença...



Ou em Milão, para se despedir...


... o almoço sempre acabava levinho. ;-)

(Em Paris comprávamos vinhos deliciosos a preços excelentes no supermercado; eu, que não entendo bulhufas do babado, voltei a Floripa e fui toda feliz procurar um francês qualquer para recordar, sacumé; hahahahaha, os preços dos vinhos franceses!!!!!!!!!! Socorro! Deixa quieto. #classemediasofre campeão)

9 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Depois comento todo o resto...e há muito pra comentar. Mas parei só pra dar uma de chata e te dizer: eu te disso, eu te disse, pra não ler Millenium na viagem. Não é uma escrita refinada, não é de grande concepção artísitica..é um livro de aventura que se destaca se estamos (quase) parados. Em movimento ele perde o charme, entende?

Lílian disse...

Estão lindas, as fotos das taças, cunhada! E, devo dizer, que coisa, estamos de novo em sintonia - mas nada de ímas de geladeira!

1) Na aula que dei sábado, voltando da querida Itália de meus avós, também tive que colocar Michelangelo - estudioso da anatomia da infância à velhice (parece que morreu aos 89 anos)! Parece que Davi demorou três anos para ser esculpido (os quatro da Sistina eu sabia), e como não voltar inebriada de tudo aquilo)?

2)Hoje, quase agora, na historinha para a amiga que faz aniversário, disse: "Sou uma 'Gênia'. E realizo seu desejo".

;-)

LOVE,

LI.

P.S. LI PASCHOALIN: 50% de sangue italiano na veia...

P.S.² - Nunca mais fui lá, né, borboleta? Afff, falta de tempo para pousar!!!

:-)))

Mariana disse...

Pô Rita, Ms Dalloway é um dos livros na minha lista imaginaria de obras obrigatorias! Mas desde que comecei o mestrado e acho que até acabar meu doutorado, nada de ficção pra mim!
Ja o Millenium eu so vi o filme e confesso que amei amei amei a Lisbeth. Mas filme é filme, livro é livro... vai ver que foi a atriz e/ou o diretor que soube(ram) me conquistar!
bjus!

Anônimo disse...

Oi,
pensamento é, digamos, rápido. Ao ler o título do seu post pensei"... = recomendações médica = Rita deve ter levado as crianças ao médico..." que bom que me enganei. timtim.
Adorei conhecer mais um pouquinho de Michelangelo que eu adoooro. Realmente um gênio.
Beijos,
Ju

Angela disse...

YUMMMM!!!
red red wine
stay close to me...

Que bom que chegaram todos em paz!

Beijos

Rita disse...

Oi, Lu. Vou ler o segundo volume bem sentadinha.

Lilian, num entendi o papo da "Gênia"... onde me perdi??

Mariana, Lisbeth é uma boa personagem, sem dúvida, perfeita para o cinema, bien sûr! Talvez seja só muita expectativa em torno da história, todo mundo falando e tal, tava esperando um livrão, sabe. Enfim, quero muito ver o filme, de qualquer maneira.

Oi, Ju! Beijão procês!

Anginha, em nosso próximo encontra, já sabe...

beijocas
Rita

caso.me.esqueçam disse...

pois bem, tou pra acabar o primeiro livro da serie e... concordo contigo. depois de tanto "oh, meu deus, que livro fantastico", posso dizer que tou um pouco decepcionada. e pior: justamente com a personagem que todo mundo mais gosta, a lisbeth. mas nao vou comentar mais que isso, quero terminar os tres livros, depois dou meus pitacos pra nao atropelar as coisas ;)

Rita disse...

Ah, Luci, quando vc terminar me avisa pra gente trocar figurinhas.

Bj

Rita

Juliana disse...

ô, rita,, aproveitei uma promoção e comprei Os homens que não amavam as mulheres. Não paro de me lembrar do que vc disse nesse post. é bom, mas só. Tô gostando, mas não ando desesperada pra comprar o segundo.


tô fazendo um tour pelo seu blog, relendo todos os posts da frança. hehehehe Tudo lindo! =)

 
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