Dias 02 e 03 - Como me fazer largar um livro / Na Grécia com a Emília


Ontem não teve post, então hoje seguem dois itens do meme dos livros.
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Seguindo com o meme dos 30 livros, devo dizer que o segundo dia (a book you don't like) por si só daria uma lista bem grande. Já li coisa ruim nessa vida, viu. Já li um livro daquela autora de Melancia cujo nome me esqueci, já li um do Paulo Coelho (ARGH!), já li aquele da Agatha Christie (mágoa), já li até um do Gabriel García Marquez para o qual torci o nariz (Memórias de Minhas Putas Tristes - tudo bem, não desgosto totalmente, mas, comparado às outras obras do autor, perde feio em minhas preferências), dentre muitos outros; mas livro ruim que se preza é aquele que a gente nem consegue acabar de ler, certo? Então anote aí e passe bem longe: A Cabana.


Tenho implicância com o tom de "você também pode enxergar a luz" ou algo parecido. Sorry, mas não rola. Larguei antes da metade e acho que fui longe demais.

"Mackenzie, meus propósitos não existem para o meu conforto nem para o seu. Meus propósitos são sempre e somente uma expressão de amor. Eu me proponho a trabalhar a vida a partir da morte, a trazer liberdade de dentro do que está partido, a transformar a escuridão em luz. O que você vê como caos, eu vejo como desdobramento. Todas as coisas devem se desdobrar, ainda que isso ponha todos os que eu amo no meio de um mundo de tragédias horríveis..." (Tradução de Alves Calado)

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Day 03 - favorite book as a child


Procurei na rede o título de um livrinho que li inúmeras vezes em minha infância, mas não encontrei nada. Era a história de um grilo que tocava o terror na floresta escondido dentro do tronco de uma velha árvore morta. O tronco oco reverberava sua voz e ele amedrontava os grandões das redondezas com ameaças horrorosas. Até que alguém descobre o segredo do grilo e acaba com a festa. Lembro-me direitinho de que todas as vezes eu sentia um medinho até a página que revelava a farsa. Aí eu relaxava. Toda vez.

Além desse e outros tesourinhos que chegavam às minhas mãos, meu grande parceiro na infância no quesito imaginação sem limites era mesmo Os Doze Trabalhos de Hércules, do Monteiro Lobato. Nele, Pedrinho, Emília e Visconde (e sempre me perguntei por que cargas d'água a Narizinho não foi  junto) tomam pó de pirlimpimpim e visitam a Grécia Antiga para ajudar o Hércules em cada um dos famosos doze trabalhos. Sempre a Emília com soluções espertíssimas, sempre o Pedrinho com a maior coragem do mundo, sempre o Visconde explicando tudo. Apaixonante, inesquecível, para fazer a gente amar mitologia para o resto da vida. Até hoje, quando vejo pinturas ou esculturas de figuras mitológicas, esse livro me volta à memória: foi com ele que tudo começou (e continuou, claro, com a primeira versão do filme Fúria de Titãs, que assisti 5.639 vezes e meia).


"No terceiro dia pela manhã já tudo estava pronto para a partida.
Pedrinho deu uma pitada de pó a cada um e contou: Um… dois e … TRÊS! Na voz de Três, todos levaram ao nariz as pitadinhas e aspiraram-nas a um tempo. Sobreveio o fiun e pronto.
Instantes depois Pedrinho, o Visconde e Emília acordavam na Grécia Heróica, nas proximidades da Neméia. Era para onde haviam calculado o pó, pois a primeira façanha de Hércules ia ser a luta do herói contra o leão da lua que havia caído lá."


Séculos depois, lendo sobre as ideias eugenistas de Monteiro Lobato, sinto uma dorzinha no peito. Sinto mesmo. Mas não posso negar o papel desse livro em minha vida.


14 comentários:

Grazi disse...

Rita, eu também não gostei de Melancia e nem perdi meu tempo em tentar ler qualquer outro dessa escritora. E pensar que tem gente que adora ela, que morre de rir com os livros dela.
Agora esse que vc fala nunca li mas tb não tenho vontade de ler.

Luciana Nepomuceno disse...

Rá, posso dizer que nunca li nada da mulher da melancia. E que sempre vou ter mágoa da sua mágoa com minha Agatha. E que essa tal Cabana num tem perigo de eu passar por ela, prefiro um bom quarto de Hotel (piadinha infame que só quem leu Arthur Haley poderia vagamente entender).
Bom, eu amei os 12 trabalhos de hercules e sinto o mesmo pelo Monteiro Lobato que você.

Tina Lopes disse...

Eu não li Monteiro Lobato quando era criança, incrível, né? Foi só na adolescência e agora que comprei Reinações de Narizinho pra Nina. Aí desisti de ler para ela (que ainda não tinha sido alfabetizada) por causa do tratamento dispensado à tia Nastácia. Mas se as tais ideias eugenistas não estão no livro e se você não as adquiriu, tá tudo tranqs. =)

Maia disse...

Eu também adorava Monteiro Lobato. Pelo que me lembro, a narizinho, a tia anastácia e a dona Benta também vão para a Grécia atrás dos outros, mas acabam parando na Grécia de Péricles, conhecendo Sócrates... Só que acho que essa parte esta em outro livro que agora não lembro o nome.
Sinceramente, não acho que a censura dos livros como um todo seja solução. Aprendi muito com eles e adorava as histórias, mas me incomodava com o modo como a tia Anastácia era retratada. Também não gostava de como ele falava das crianças inglesas de olhos azuis, e eu tinha 9 anos. Também sinto esse incomodo, mas acho que é possível criar leitores críticos desde pequenos.

Renata de Oliveira disse...

Ah, eu fiquei tão mas tão na dúvida, quanto ao meu livro da infância, porque, sem dúvida, Monteiro Lobato e toda a obra do Sítio estão entre minhas lembranças mais antigas...
Emília era minha inspiração, e meu sonho com a Grécia vem da leitura dos 12 Trabalhos de Hércules, na versão emiliana!
"Até hoje, quando vejo pinturas ou esculturas de figuras mitológicas, esse livro me volta à memória: foi com ele que tudo começou" [2]

Lendo o post da Tina, lembrei do Mark Twain, que também li na tenra juventude 9ui!). Lembro que detestava o Tom! rs

Estou adorando escrever em tão boa companhia!
Bjs!

Renata

Grazi disse...

Rita, também comecei minha listinha de livros lá no meu blog, depois vc passa lá p/ ver, ok?

caso.me.esqueçam disse...

ja ouvi papo de "nao me importo com a vida pessoal do artista, importante eh a obra". parabens pra quem consegue relevar. eu nao consigo.

Deise Luz disse...

amei encontrar aqui esse trechinho de Os 12 trabalhos, Rita! as histórias do sítio foram especiais na minha infância também, e esse aí foi dos meus preferidos (junto com "História do mundo para as crianças").

quanto as ideias eugenistas na obra de Lobato, compartilho a dorzinha no peito =/

Rita disse...

Oi, pessoas

tão boa essa brincadeira, ne? :-)

Olha, se meus filhos lerem Lobato, vou dizer que é muito bom, que eu também lia e amava, mas... mas... hum, não sei ainda quando vou tocar no assunto. Lendo correspondências do Lobato sobre a limpeza que ele gostaria de fazer na população fiquei de estômago embrulhado. Olha, difícil.

Beijos
Rita

disse...

Como muita gente, tb comecei a amar literatura com Monteiro Lobato... eu lia e relia a coleçao inteira, sempre na ordem (doida desde criança!). Quando criança, nunca tinha reparado no tratamento que recebia a tia Anastacia, eu estava mais preocupada com as aventuras da Narizinho, Pedrinho e Emilia.

Sabendo de tudo o que sei hoje, eu daria sim para o meu filho ler, quando ele for maiorzinho, e acompanhando de perto da leitura. De qualquer forma, o que vale é a criação que se tem em casa, a postura moral que os pais adotam em casa e com os outros.

Bjs!

Murilo S Romeiro disse...

Olá!
Estou contente depois de ler o que escreveu sobre "A Cabana" - também não consegui chegar ao fim do livro e olhe que adoro leitura!
Quanto a Monteiro Lobato, me lembro que um dos primeiros livros que ganhei, quando criança, foi "O Picapau Amarelo" - adorei! E sei que M. Lobato foi um grande incentivador de meu gosto pela leitura .Acho que, a despeito de suas idéias eugenistas, sua obra contribuiu positivamente para o futuro do país.
grande abraço
PS : sempre vejo seu blog - muito bom!

Rita disse...

Dé e Murilo,

eu acho que o grande ponto das referências racistas na obra de Lobato (mesmo que alguém desconheça sua agenda eugenista) é mesmo o uso dos livros em sala de aula, com crianças negras, por exemplo. Porque pra mim é fácil dizer que nem notava, ne. Mas se a criança é negra e todos os personagens negros das histórias são retratados por meio de termos questionáveis, aí é diferente. Não sei como eu teria me relacionado com as histórias se eu fosse negra, sinceramente não sei.

beijos
Rita

Renata Lins disse...

Rita, chega me arrepiei ao ver como é parecido o comentário. E que você pensou como eu, que não dá pra negar, que a gente tem que ser honesta com nossos encantamentos. Mesmo que nossos heróis tenham morrido de overdose. Um dia eles foram, e se a gente chegou até aqui foi por causa deles. Um beijo grande, querida!

Lu Francesa disse...

Eu li A Cabana, mas só realmente terminei de lê-lo pq questão de honra,rs, pq tb não gostei, pra dizer a verdade o inicinho eu gostei, o resto não e para terminar foi um horror! Mas pra vc ver, tem gente q adorou, existe gosto pra td! rs

Bjos,Lu.

 
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