Caixa de lenço


Segue o meme.

Day 04 - The first book that made you cry

Não sei qual foi o primeiro livro que me fez chorar. Pode ter sido Pollyanna, lá atrás, como não? Choro fácil, com filmes então... a lista seria infinita. No quesito caixa de lenço sou campeã, chega a ser meio ridículo. São muitos os livros que me comoveram com suas histórias, que me deixaram com aquele nó na garganta e aquela cara olhando através da janela, com o livro já fechado entre os braços, revivendo a história, grata por tê-la conhecido. Dois livros, no entanto, me levaram ao choro forte, a interromper a leitura, respirar e prosseguir. Nada que todo mundo já não tenha lido, nada que não carimbe minha testa com a marca "manteiga derretida", tudo bem óbvio, mas se é para ser sincera, vamos lá: o primeiro deles foi o bestseller O Caçador de Pipas, livro que deve ter deixado Khaled Hosseini e as próximas gerações de sua família milionários (seu outro romance, A Cidade do Sol é bom também). Chorei muito, foram muitos lenços. Mais tarde, chorei no trailler do filme. O filme é bom, mas foram menos lenços. Gosto da história, da narrativa, das imagens. Mergulhei na infância daquele menino. Mergulhei e saí de lá com olhos inchados.


"Depois disso, Hassan ficou circulando pelas beiradas da minha vida. Eu tomava todas as precauções para que os nossos caminhos se cruzassem o mínimo possível, planejando os meus dias nesse sentido. Porque, quando ele estava por perto, o oxigênio desaparecia do aposento. Sentia o peito apertado e tinha dificuldade para respirar; ficava ali, sufocando na minha bolhazinha de atmosfera absolutamente abafada. Mas mesmo quando ele não estava por perto, estava presente. Estava nas roupas lavadas e passadas sobre a cadeira de assento de palhinha, nos chinelos aquecidos deixados diante da porta do meu quarto, na lenha que já ardia no fogareiro quando eu descia para tomar o meu café da manhã. Para onde quer que eu me virasse, lá estavam os sinais da sua lealdade, da sua maldita lealdade inabalável." (Tradução de Maria Helena Rouanet)

***

E aí teve Paula, de Isabel Allende. Avisei que era óbvio. Chorei um rio inteiro.



"Água e mais água. Escorre como delgadas serpentes cristalinas pelas fissuras das pedras e pelas entranhas recônditas dos morros, unindo-se em riachinhos, em fragorosas cascatas. Súbito me sobressalta o grito de um pássaro perto de mim ou o choque de uma pedra que veio rolando do alto, mas em seguida volta a paz completa dessas vastidões e vejo que estou chorando de felicidade. Essa viagem cheia de obstáculos, de perigos ocultos, de solidão desejada e de beleza indescritível é como a viagem da minha própria vida. Para mim, essa lembrança é sagrada, é também a lembrança da minha pátria, quando digo Chile, é a isso que eu me refiro. Ao longo da vida procurei uma vez ou outra a emoção que o bosque desperta em mim, mais intensa que o orgasmo mais perfeito e o mais longo aplauso.” (Tradução de Irene Moltinho)


13 comentários:

Maite disse...

Idem!
Rita, chorei tanto com esse livro. NUNCAVOUMEESQUECER.
Decidi ir ao teatro (detalhe: sozinha) no dia em que terminei de lê-lo (#sôculta). Antes da peça sentei num barzinho, pedi uma cerveja e li as últimas páginas.
E chorei, e chorei e chorei.
Lenço?! Oi? Guardanapo mesmo. Juro.
Igual a uma retardada.
Beijo pr'oce!

disse...

Rita, acho que sou o unico ser (junto com a Tina Lopes, talvez) que nao chorou com o Caçador de Pipas. Eu ate gostei do livro (do filme, menos), mas eu achei que tinha tanta, mas tanta desgraça no livro, que começou a parecer novela mexicana de tão irreal e comecei a me irritar com isso. E nao chorei.

Chorei pacas foi com Meu pé de laranja lima. Afe! Rios e rios de lagrimas.

Ja' Isabelle Allende, eu AMO! Mas tem poucos livros dela na biblioteca do bairro, acho que preciso deixar de ser pao dura e comprar alguns. Ainda nao li Paula, mas ta' anotadinho aqui.

=> se alguma amiga que mora na França tem Allende em casa, aceito emprestimos! JURO que devolvo!

caso.me.esqueçam disse...

pra chorar em livro: ou o livro eh muito bom. mesmo. ou a pessoa eh muito rita! quer dizer, muito chorona...

Palavras Vagabundas disse...

Rita, sempre que vejo Paula em minha estante lembro de seu post e do rio de lágrimas.
abs
Jussara

Lílian disse...

Logo quando comecei a ler o post pensei... Ah, "O caçador de Pipas". Então não foi surpresa para mim vê-lo ali.

A verdade é que os anos vão se passando e eu ainda não decidi se fico mais ou menos chorona. Sinceramente, não sei mesmo. E, assim de cara, tô me lembrando de um outro livro que me fez chorar bastante, em sua parte final. Mas sobre ele, vou preferir não falar.

Pelo menos não por hoje.
Post legal. Bjo grande!

Vivien Morgato : disse...

Eu comprei o Caçador em audio livro. Tive a brilhante ideia de escutar enquanto limpava a casa, assim, bem feliz da vida.
Parei NAQUELA cena, deprimi, nem ouvi o resto.;0(


Adoro a Allende, vou comprar pra chorar.;0)


beijos.

Luciana Nepomuceno disse...

Chorei em Paula.Quem nunca? Mas O Caçador de Pipas, não sei bem onde andava meu espírito chorador...Gostei do livro, menos do filme, mas o chororô não compareceu...

Rita disse...

Vocês aí que não choraram lendo O Caçador de Pipas: really? :-) Brincadeira, a reação diante de um livro, filme, quadro, etc., é sempre muito pessoal - é intransferível, ne. E às vezes as altas expectativas quebram tudo. Enfim, achei a história boa, nada piegas, viu, Dé, e me envolvi demais. Mas aceito tranquila que para muitos seja simplesmente uma história tristinha. Quanto à Paula, aí o troço foi mais forte: eu me colocava no lugar da Allende e afundava numa tristeza tão grande que sentia vontade de segurar a mão dela. Forte, o troço. Quando acabei o livro, fiquei um soluços, mesmo. E, além de tudo, é lindamente bem escrito.

Vale muito a pena, recomendo demais.

Beijos
Rita

Murilo S Romeiro disse...

Oi,
Ontem li e não comentei esse "post".
"O Caçador..." foi um livro que dei de presente para uma de minhas filhas e depois eu li ( presente com segundas intenções hehe ). Uma história comovente que me fez voltar no tempo de menino - também tinha uma espécie de "meu amigo Hassan" - que nunca mais vi depois que me mudei de minha cidade natal.
Preciso ler "Paula" ainda para comentar algo.
abraços.

Rogério disse...

Pelo menos conscientemente não trago comigo essa coisa besta de 'homem não chora', mas admito que tenho enorme dificuldade nesse quesito. Às vezes sinto os olhos marejarem, mas é uma situação quase exclusiva à arte que mais me toca, que é a música. Alguns livros, porém, me tocaram fundo, e o mais significativo deles foi Paula, talvez o livro mais denso, bem escrito e verdadeiro que tenha lido. Pesou, também, uma sucessão de coincidências com situações vividas, a começar pelo nome.

Rita disse...

Murilo, aqui em casa também adotamos a prática 'dar um livro de presente' e, muitas vezes, ler antes de quem ganhou, hahahhaa.

Paula é lindo, vale a pena.

Rogério, seu comentário me deixa meio muda. :-/

Abraços,
Rita

Cecy disse...

Rita o primeiro foi Tomates Verdes Fritos, eu tinha uns 12 anos e chorei de soluçar, abraçada com minha mãe.

Rita disse...

Cecy, eu chorei muuuuuuito com o filme, muito, alaguei o sofá. :-)

#drama

Rita

 
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