"Ao cair da tarde de um início de julho..."

Day 09: Saddest book you’ve ever read

Pensei em Drácula, de Bram Stoker, que nunca achei ser um  livro de terror, mas uma triste história de amor e saudade; pensei em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que me lembrava de histórias reais que eu via na TV; até que olhei para a estante e vi Crime e Castigo, de Dostoiévski, e me lembrei da profunda solidão de Raskólnikov, de sua angústia, sua insegurança, sua baixa auto-estima, seu pesado destino. A ambientação da história é algo tão distante de mim que houve certo estranhamento durante boa parte de minha leitura; mas, a partir de certo ponto, as tormentas do protagonista também me fizeram lembrar de histórias reais e me mostraram o porquê dessa obra ter seu lugar no mundo dos clássicos: sofrimento, dúvidas, insegurança, medo, quem  não os tem? E julgar, quem pode? (Só avancei na leitura quando peguei a tradução publicada pela Ed. 34. Tinha tentado antes, em outra edição bem mais antiga, e desistido. Valeu a pena ter voltado.)
 
 
"Para ele era terrivelmente doloroso. Se fosse possível ir para algum lugar nesse instante e ficar totalmente só, ainda que fosse para toda a vida, ele se consideraria feliz. O problema é que ultimamente, embora estivesse quase sempre só, não havia como sentir que estava só. Acontecia-lhe de sair da cidade, tomar a estrada real, uma vez até chegou a um bosque; no entanto, quanto mais isolado era o lugar, mais fortemente ele se dava conta de algo como a presença próxima e inquietante de alguém, não é que ela fosse terrível mas de certo modo era muito agastante, de sorte que ele voltava o mais rápido para a cidade, misturava-se com a multidão, entrava nas tabernas, nos bares..." (Tradução de Paulo Bezerra)


***

Quem também está seguindo o meme: Suzana, Renata, Mari, Grazi, Lu, Niara e Tina (e quem mais?)

11 comentários:

Juliana disse...

Rita, depois que vc me contou que tb teve dificuldades com as traduções de CC, me senti até mais leve. kkkkk

ainda não comprei a minha edição da 34, mas estou trabalhando nisso.

sabrina disse...

Olha só como são legais essas listas, porque eu não colocaria Crime e Castigo como o livro mais triste que eu já li.

Eu li uma edição da folha e essa da 34. E na edição da folha era uma tradução da versão francesa acho, que tinha uma frase muito bonita, quando o cara que queria casar com a Dunia (não lembro o nome dele) vai "viajar". Na tradução direto do russo, essa frase que eu gostava não apareceu.

Caminhante disse...

Eu poderia colocar esse livro como meu livro animal, porque foi daí que tirei o nome da minha cadela =D

Tina Lopes disse...

Super certeira a categoria na qual vc o inseriu. Adorei quando li, me senti super adulta e angustiada. Preciso reler.

caso me esquecam disse...

camilo ta lendo agora. quer dizer... ta querendo desistir porque pegou uma traducao de merda, mas eu fico louca pra que ele continue! eu nao lembro direito do que senti, mas sei que eh um livro do caralho e se camilo nao ler esse merda, casamento acabou. eu ainda nao avisei a ele, mas... eh isso aê.

Deise Luz disse...

Boa dica essa da editora 34. Vou lembrar disso! Também tentei a leitura uma vez e acabei desistindo.

Anônimo disse...

Oi Rita,

Pra variar, ando sem tempo, mas sempre passando por aqui. Queria aproveitar a questão das traduções de "Преступление и наказание" pra lembrar que várias das obras que você mencionou foram escritas em uma língua estrangeira e só se tornaram acessíveis pelo árduo trabalho de um/a tradutor/a, que só recebe atenção quando o seu trabalho é mal feito. Se as pessoas imaginassem as condições impostas aos tradutores...e nem estou falando de preços...Este ano ainda, eu disse não para a tradução do livro sobre o Michael Jackson. 275 páginas em 11 dias!! Depois ainda querem uma obra prima, sem falar na qualidade do original. Acho curioso a pessoa dizer "um livro tão bem escrito". Eu costumo corrigir: "tão bem traduzido". Se o original foi bem escrito, é claro, deve ter facilitado a tradução.
Ainda sobre Crime e Castigo, imagino que traduzir uma língua que praticamente não tem verbo de ligação já deve ser meio complicado. Agora, imagina um livro como esse que o próprio título já apresenta problema. No original, há um jogo de palavras com "crime" e "pecado". Os nomes da maioria dos personagens têm sentido duplo em russo. Isso é perdido na tradução na maioria das línguas.
Tô gostando da brincadeira.

Beijos,

Nakereba Naranai

Murilo S Romeiro disse...

O comentário de "caso me esqueçam" tá muito literal.
Se Camilo desistir de ler (crime) não tem casamento (castigo).
Muito triste.

Rapha, mãe da Alice disse...

Já leu "Enquanto Agonizo", do Willian Faulkner?

Tô aqui lendo o blog e adorando!

Beijos de quem também é de Floripa,

Rapha, mãe da Alice

Filhote de Humano

Maternar Consciente

disse...

Faz tempo que li Crime e Castigo, mas lembro que gostei bastante na época, embora o começo tivesse sido um pouco duro para me habituar ao estilo do autor.

Os irmaos Karamazov esta' mais fresco na memoria, uma otima leitura, apesar dos trocentos personagens com nomes russos complicados. :)

Rita disse...

Gente, esse meme tã tãããão divertido!!

Eu gosto muito de Crime e Castigo, mas quando penso na história sinto até um aperto no peito. O texto é pesado mesmo, ou pelo menos eu senti assim, mas vale a pena até porque a segunda metade é, na minha opinião, onde o bicho pega mesmo e a gente se envolve pra valer. Já Os Irmãos Karamazov... fui fisgada já na orelha do livro! Tô amando!!!

Quanto às traduções, o excelente comentário do Nakereba mereceu destaque e me refiro a ele no post de hoje.

Luci, isso mesmo, mostra quem manda.

Rapha, não li Agonizo, mas vou procurar.

Valeu gente, conversa boa demais!

Rita

 
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