Sacré-Coeur


A Torre, vista do alto de Montmartre.

A previsão do tempo acha que pode com a gente, mas a gente dá de ombros e sai na chuva. Tudo bem, não é uma chuva a la Floripa que lava o mundo, é mais um chuvisco intermitente e é na intermitência que a gente se safa: entre um pingo e outro a gente se desloca. Hoje subimos a Montmartre e fomos visitar essa área da cidade que é antigo reduto de artistas, com seus ares de melancolia e ruelas que se cruzam em esquinas cheias de charme. A fama de Montmartre não era das melhores entre o povo de nariz mais empinado lá pelo final do século XIX - cabarés, bordéis e afins faziam do bairro um antro de coisas do mal, sabe como é. Hoje quem torce o nariz sou eu porque, ai, que tanto turista, por que esse povo não fica em casa, e olha a chuva, etc. ;-) Meu guia diz que há praças lindas em Montmartre, mas quem consegue ver, com toda essa galera, mon dieu? Tente fotografar uma praça e você terá em primeiro plano cinco alemães, três japoneses e sete italianos. E cinco brasileiros, o/. Eu fotografo as esquinas.





No entanto... lá no alto está ela, a basílica de Sacré-Coeur. Quem me conhece sabe e já falei aqui mais de uma vez que não sou uma pessoa religiosa; mas quem me conhece também sabe que fico espantada com o talento humano para erguer belezas como os templos espalhados mundo afora. Na primeira vez em que visitei Montmartre, há milênios,  não entrei na basílica, tinha pouco tempo e preferi circular pelo bairro. Pena. Hoje fiquei tão emocionada lá dentro que não segurei as lágrimas. É linda. Linda. Branca, inteirinha branca, com o contraste de seu mosaico imenso no interior da abóbada, cuja imagem não me diz muito, mas cuja beleza me cala. Não é permitido fotografar o interior da igreja, mas nem lamentei. Jamais vou me esquecer de suas alturas redondas, suas paredes alvas, seus vitrais. A basílica de Sacré-Coeur está no alto de Montmartre e para chegar lá é preciso subir escadarias que rejeitamos, obrigada (já tínhamos escalado os noventa degraus da estação de metrô), ou pegar carona no funiculaire, bem mais simpático. Subimos, admiramos a cidade aos nossos pés e então entramos na igreja. Se eu fosse religiosa, talvez ainda estivesse lá dentro. Mas meu pensamento vai para os artistas que desenharam, projetaram, calcularam, ergueram e acertaram. Um templo à arte. De novo: linda.

 A escadaria que não subimos.

O funiculaire que nos levou pro alto.

 Ela.




Nós, lá em cima.

Com as bocas cheias de elogios à basílica, encaramos o frio do verão, aff, dobramos três ou quatro esquinas e mergulhamos nos devaneios do pirado mais querido do mundo da arte. Montmartre abriga um pequeno museu com esculturas e gravuras de Salvador Dali. Além de diversas esculturas, a maioria em bronze, há algumas séries de gravuras inspiradas em obras que Dali considerava relevantes, como Alice no País das Maravilhas - agora imaginem Alice, obra que qualquer pessoa normal já acha, hum, inusitada, ilustrada sob a ótica dele! Surreal é pouco, né. :-)



Depois eu explico.





Almoçamos em um restaurante delicinha, comemos até bater a tristeza e descemos o morro. As crianças brincaram no carrossel (vejam a foto: as crianças) e voltamos pra casa. Desmaiei na cama numa soneca fora de hora cheia de sonhos malucos. Se meu sobrenome fosse Dali, faria umas gravuras bem legais.



9 comentários:

Anônimo disse...

Fiquei curiosa para conhecer o interior da basílica de Sacré-Coeur!
Adorei as fotos!!!
Ah, aguardando a explicação das esculturas.

Aproveita o final de semana com Claudecita!!! Até mês que vem Cláudia!!
Beijos,
Ju

Juliana disse...

ô, Rita, posso falar que teu cabelo é bonito pra caramba? #comentáriofútil
kkkkkk

Uma delícia acompanhar sua viagem.

Angela disse...

Ontem a noite nao sonhei com Claudinha mas sonhei com o nome dela. Estava sendo dito por alguem, o nome completo. E eu falei Ue! Eh Claudinha! Beijo grande nela e no fofissimo, fotos fotos por favor.

Proxima vez que for ao museu de Dali faca o favor de ser uma mae mais cuidadosa? O relogio prestes a pingar bem em cima do menino e voce nem ai, so pensando em sorrir para a camera.

Beijo

Lílian disse...

Pois não é que o tempo escoa mesmo entre nossos dedos? Sábio Dali...
Passo, olho, suspiro, comento, ou não. Volto, olho de novo, tudo tão gostoso! Beijos, Rita. Ulisses. Crianças. Mãaaaaaae! Aproveitem esse bom tempo bom - porque ele pinga mesmo em nossas cabeças (adorei, Ângela!).
LOVE,
LI.

Luciana Nepomuceno disse...

Eu me emociono muito com seus posts, que olhar delicado e generoso que você tem.

Pelos seus olhos, a beleza se torne concreta e próxima.

Bjs e mais belos passeios, please.

Ana Duarte disse...

Ai Rita, este é um dos meus lugares preferidos em Paris...tenho tantas saudades de Montmartre, das escadarias que eu subia e descia varias vezes, das ruazinhas estreitas, etc etc etc...sessao nostalgia agora!
:-(
Ahhh e amei suas fotos, vc e seus pequenos estao lindos!! :-)
bjossss e aproveitem cada minuto dessa cidade maravilhosa!

Anônimo disse...

Adorei a foto das 3 crianças no carrousel...dá até pra ouvir as gargalhadas...

bjs,

Paulo M.

Rita disse...

Oi, pessoas boas desse mundão! Saudades, que engraçado, ne? hhaha, como se a gente se visse todo dia no Brasil..

Ju, afofei o Henri!!

Juliana, querida, muito obrigada! Mas deixa eu dar a real: meu cabelo na foto desse post está recém-salão, ta? Eu tinha acabado de cortar porque a água dessa cidade DESTRUIU o meu cabelo. Aguarde cenas dos próximos capítulso. ;-) Bj!!

Anginha, o tempo escorre, mas não cai, hahaha. Beijitos - ai, faltou tanto você aqui com a Claudia!!

Lilian, o museu é pequeno, mas vale a visita. Um passeiozinho pelas loucuras do bigodudo. :-)

Lu,vem!

Ana, imagino que você sinta muita falta mesmo. Eu vou sentir, depois de um mês de nada... beijo!

Paulo, separa minha vaga, tô falando!!

Beijos
Rita

Claudia Serey Guerrero disse...

Ei, por incrivel que pareça a ultima vez subimos a pé todas as escadarias da Sacré Coeur , Henri incluso. E ele nao queria ir no braço... nem da para acreditar né? depois da cena que ele fez ali pertinho do AP de vcs, numa escadinha de nada ;) beijinhos, Claudia

 
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