Les petites choses, les grandes choses


Madame Eiffel, vista da Ponte Mirabeau - foto tirada a caminho do salão onde cortei o cabelo sem saber dizer como queria o corte.

O inverno de Paris, digo, o verão de Paris... ou seria o outono...olha, tanto faz. Na boa, tanto faz. Hoje fez 13 graus, uia! Que delícia... not. C'est pas bon. Je n'aime pas. Viram? Tô estudando, pelo menos. Mais umas duas aulas e Les Miserables vai ser facinho. Not. Enfim, vou me divertir muito se eu desenrolar essa língua; por ora o desafio tem nome: letra r; trois, catre... notre... meu r ainda não vem da garganta com aquele som maravilhoso que me faz revirar os olhos; nada, peço ao Arthur para falar trois e fico babando porque ele fala bem lindinho. Moi? Non.

Os vinhos: com exceção de um superdoce que levamos ao picnic (justamente o do picnic, que dureza), temos pulado de vinho bom em vinho bom. Uma taça por dia traz saúde? A gente acredita. Na verdade, já entendemos a lógica: o francês toma o vinho para limpar as veias de toda a manteiga do mundo que vai na receita de seus biscoitos maravilhosos. É isso.

Nosso apartamento: uma delícia. Gosto de tudo ou quase tudo. Menção honrosa para a cozinha bem equipadinha, com a melhor lava-louças do universo: grande, eficiente, rápida. Louça limpíssima e seca (toda a louça do mundo, ela é imensa mesmo) em pouco tempo. Parfait. E o melhor: há muita louça na cozinha, muita. Então posso juntar tudo sem medo de faltar nada; a cozinha está sempre limpa e organizada porque a louça suja vai direto para a máquina esperar a hora de ser lavada. Ou seja, parfait, já falei?

Gosto também de ver o cuidado nos detalhes: a dona do apartamento deixou mudas de roupas de cama e banho separadinhas por "kits", tudo bem bonitinho e alguns até novinhos. Coisa boa, viu. Sou assim gosto de pequenos mimos. :-) O que não gosto: o modelo europeu (é europeu só? é em toda a Europa?) de manter o vaso sanitário separado do banheiro "de banho"; então temos um microbanheiro com um vaso e uma pia e um outro banheiro com chuveiro, bancada e tal. A gente se acostuma, claro. Mas, né? Eu reclamo, nem que seja só pra praticar um pouquinho.

As roupas: não há varal para roupa e os aquecedores estão desligados, mas o ar em Paris anda TÃO seco que a roupa seca em meio dia, mesmo estendida umas sobre as outras no aquecedor (desligado) do banheiro. Incrível. Secam também minhas mãos, minha pele inteira e lá se foi meio vidro de hidratante em duas semanas. Secam também os cabelos que viram uma coisa horrorosa - Paris é o céu dos cabelos oleosos. Não é meu caso e já passei a tesoura nas pontas que já tinham vindo mais ou menos e aqui se despedaçaram de vez. Um horror. E todos vocês deveriam ter visto minha experiência no salão de beleza sem saber falar o que eu queria. Quem tem mãos não teme, no entanto, gestos e olhares resolveram tudo. Gostei do corte que foi feito parcialmente comigo em pé (nunca na história do meu país cortei o cabelo em pé, mas tá valendo); o que importa no entanto é que fiquei uma hora esperando para ser atendida em um salão com quatro pessoas trabalhando e cerca de 10 ou 12 clientes e ninguém, atenção, ninguém falava nada. Nada. Ninguém conversava no salão. Gente, que coisa maravilhosa. Um salão em silêncio. Já viram disso? Pois aqui tem.

As aulas: gosto bem. Minha professora é ótima e os papos são sempre bons, sinto o progresso vindo e só lamento não estar em um período mais avançado do aprendizado, caso em que eu certamente aproveitaria bem mais a chance de estudar aqui. Não há de ser nada. Quem mandou parar nas outras vezes, né. Nhá.

Vocês ainda não sabem, mas na noite de sexta-feira jantamos com a Dé e sua família. Foi delicioso, tudo. A comida preparada pelo respectivo da Dé, M. Roberto, uau: pizzas caseiras da melhor qualidade, seguidas por um crumble de morangos que ele fez assim, rapidinho, sem prestar muita atenção: uma humilhação. A casa da Dé é muito aconchegante e vocês podem imaginar o estado em que ela ficou depois de Arthur, Amanda e Rafael brincarem juntos, inteiramente à vontade, por algumas horas. Olha, fácil não. Nós amamos!

No domingo foi nossa vez de receber, tchan-ans, a Claudia!! Quem? Explico: Claudia é uma amiga das antigas, lá da época da faculdade em Campina Grande. Mas ela não é de lá, não. Claudia é chilena, só cresceu no Brasil. Só cresceu e apareceu. E se espalhou: veio pra França fazer um doutorado e aí conheceu o respectivo francês dela. Daí eles resolveram se espalhar mais e foram pro Japão. Lá encomendaram o Henri, um fofo, olha aí a foto, e voltaram pra França. E agora consegui me encontrar com ela de novo, mas, ufa, não foi fácil. :-) Houve um tempo em que toda vez que a gente se encontrava, a gente jogava: pôquer ou vôlei, dependendo da hora do dia. Ontem só papeamos e fomos almoçar (eu disse que tinha recebido, mas foi só pros petiscos; saímos para almoçar) em um restaurante italiano (hahaha) que estava fechado, pena. Acabamos em um restaurante francês que nos serviu pratos lindos - ninguém sabia o que tava comendo, mas tava tudo bem bom (mentira, a Claudia deu umas dicas e o respectivo dela também; eu comeria de qualquer jeito porque quando o prato foi servido eu não me lembrava mais do nome que estava no menu. O vinho, gente.).


O Henri, liiiiiiiindo!

Bla bla bla bla bla....

Aí embaixo, o que a gente comeu.




***

E hoje, adivinha, Louvre de novo. De novo? Oui, e quem dá conta daquilo tudo? Ufa. Bom, era o último dia de uma exposição do Rembrandt. Valeu a pena demais (no pictures), apesar da fila de vinte minutos (Ulisses foi um pouco mais tarde e pegou dois minutos de fila, esse mundo não é justo). O tema da exibição era a figura de Jesus pintada pelo artista: há várias cenas bíblicas e alguns quadros impressionam (a mim) pela luz: esse povo pintava a luz; fico sempre boba. Aproveitamos que estávamos lá e fomos ver as alas do museu que ainda não tínhamos visitado - e vi Vermeer, lindamente, além de outros Rembrandts por lá. Não nos demoramos muito, o museu fecha mais cedo às segundas.


Detalhe de A Rendeira, Vermeer.

O Astrônomo, Vermeer (adoro, adoro a luz que vem da janela, como pode?).

***

Quero o verão de volta e sei que ele volta já. Quero levar a lava-louças daqui comigo. Quero meus amigos todos aqui. Já. Anda, gente, vem.

11 comentários:

Tina Lopes disse...

E eu quero todos os dados do apê!

Angela disse...

Claudinhaaaa! Henriiii! Que presenca maravilhosa. Senti a vibe boa daqui, vendo voces duas. Ha uns 12 anos nao tenho a honra de sua presenca em pessoa. Da ultima vez meu pai estava na UTI, acho. Teve a vez do aeroporto de Sao Paulo, mas nao deu para parar e apreciar a sua presenca. Tao bom ve-las juntas, quisera eu estar ai, imagino a sessao de risos. Rita, olha que coisa louca, que conheci Claudinha aos 12 anos (inesquecivel, primeiro dia no colegio novo ela me contou a piada da maria-chiquinha na aula de fisica, nao consegui parar de rir e fui posta para fora da aula). Tu conhecesse ela na faculdade e Ju tambem (nao atravez de mim, acho que no volei). E olha que eu era grudada com Claudia ate a faculdade, contigo e com Ju. Que mundo pequeno nao eh? O Henri continua lindo, uma Claudia pequena de cabelos curtos, ou seja, um mini Dalton. Oh gens fortes! Agora, manda mais fotos, ta???

Dei risada sozinha aqui com o silencio do salao. Fiquei um pouco chocada com o corte do cabelo, pois o vi por muitos meses esse ano todos os dias antes de ir ao trabalho :O Uma quase-sintonia.

O verao se mudou para ca por uma semana, na quinta feira vai fazer 35 graus. Ate a paraiba aqui ta intimidada. Estou muito surpresa com o frio ai. 13 graus a noite acontece, mas isso foi durante o dia?

Por fim, tambem sofro de uma TREMENDA fascinacao com a luz nas pinturas.

Ai me perdoa o post email. Mas eh que ja tava aqui. Um dia tomo vergonha.

Beijaoo!

Claudia Serey Guerrero disse...

Rita!!! adoramos ver todos voces, Arthur e Amanda sao um show a parte, espertissimos... Henri apaixonou-se por Amanda.. era tanto abraço e agarrado que caiam no chao hihihi...sabado tem mais né? ;)
Com licenca Rita, :) Gelinha, nem me lembrava mais da historia da piada da maria chiquinha... eu hein? a gente tinha crises de riso enormes lembra? juntava com Aninha Cristina... tempo bom...
beijinhos
Claudia

disse...

Então é isso: o verão foi para o Brasil. Sacanagem! Como se ja' não bastasse o longo e tenebroso inverno, ainda merecemos um verão desses. Humpf... por isso que digo que apesar de tudo não da' pra morar pra sempre por aqui. Eu PRECISO de calor para sobreviver!

A baguncinha de sexta foi uma delicia! Suas crianças são umas fofas e super educadas.

Beijos!

Juliana disse...

vc fala de apartamento, de aula, de amiga reencontrada, de Louvre e eu só fico tentando imaginar como é cortar o cabelo de pé... rsrsrsrsrrs

Anônimo disse...

Rita:

1. Tô adorando ler essas conversas de comadre de vcs. Eu já tinha lido essa história da Angela que cruzou com alguém chegando de Paris,etc...acho que foi naquele: "Eu já, eu nunca..." que vc promoveu aqui uma vez. Tenho boa memória.
2. Ri muito com o corte de cabelo de pé e do silêncio do salão. "C'est du jamais vu" por essas bandas (Unheard of). Meu sonho de consumo. O salão onde vou parece um mercado árabe.
3. Adorei ler o comentário-post-meu diário-e-mail da Angela.
4. O "r" é questão de técnica, mas se não conseguir, pede pra ela te ensinar o "r" de Marseille (du Midi). Se a profa for parisiense, ela provavelmente não vai gostar. Esses parisienses.
5. Estou adorando revisitar uma de minhas cidades favoritas através das suas "imagens e palavras".
6. Quanto à lingua, acho que dessa vez vai, né?

bjs,

Paulo

Rita disse...

Tina: e-mails.

Anginha e Claudia, tudo bem com vocês? :-)

Dé, já estamos com saudades de vocês! Vamos nos ver!!

Juliana, eu acho que ela pediu para eu me levantar porque o cabelo tava muito comprido e encostava na parte de trás da cadeira. Será? Se meu francês prestasse, eu teria perguntado: whaaat?
Beijão!

Paulo, boa memória! Foi isso mesmo, essas duas aí de cima se encontraram num aeroporto, vê se pode. Uma vinha da França, acho, e a outra tava indo pros EUA. Foi mais ou menos isso. // Olha, tô falando sério, agora vai mesmo. Reserva minha vaga, que vou continuar assim que chegar aí. o/

Abraços!!

Rita

Anônimo disse...

Menina, ola! Agora que vi voce e Claudia aumentou a saudade de todas voces: Rita, Claudia e Angela.

Passei o final de semana sempre pensando: que maravilha, Claudia foi visitar Rita!!!

Claudia e Rita, voces sabiam que eu e Angela outro dia estavamos combinando um encontro nosso!? pensamos ate que poderia ser na Praia do Forte. Gente, seja onde for precisa acontecer.

Angela, no volei me aproximei de Claudia, mas foi atraves de voce que conheci Claudia. Obrigada!

Claudia, mes que vem nos encontramos. certo?

Rita, como posso usar seu blog assim!? hihihi

Menina, bolei de rir com essa historia do cabelo. Tudo comigo aconteceu no Japao, ate uma tentativa de cortar o cabelo que nao deu certo. No Japao, todo mundo com cabelo lisissimo como pode chegar alguem com o cabelo cacheado para corta!? Isso eu tinha 01 mes de Japao. O cabelo la é cortado seco. Imagina meu cabelo super cacheado ser cortado seco, ja que o pente nem entra nele seco. Minha colega brasileira que estava comigo bolava de rir com a sena. Resultado: nao cortei meu cabelo, so fui cortar nas ferias na Australia, e passei o restante do ano sem cortar. Pode??

Saudades,
Ju

Anônimo disse...

Ah, seu cabelo ficou lindo Rita!
Ju

Luciana Nepomuceno disse...

eu cortei meu cabelo em pé, pertinho daí. ficou bom paca. affe, eu tenho até vergonha de sentir saudade lendo tanto texto bom e vendo tanta coisa linda. Vale sentir ciuminho de quem te encontra em abraços ao vivo?

Caso me esqueçam disse...

ai, o R pra mim em qualquer lingua eh uma tortura ("em qualquer lingua": quem me lê pensa que eu sou poliglota, neh? huauhauhahua). quando eu tava no brasil ainda e camilo tava tentando me ensinar frances, eu CHOREI tentando pronunciar "rat" certo. o R nao saia e eu, calma como sou, entrei em panico. e olha que a gente nem csonhava que eu vinha pra fr algum dia...

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }