Pela estrada escura, To The Sea


Já falei aqui que foi meu filho quem me apresentou ao som do Jack Johnson e suas canções de guardar no coração. Já mostrei presentinho que amo muito, muito, muito. Também já falei por aí que saídas com o Ulisses costumam ter pitadinhas de emoção. Agora vou juntar tudo, olhem bem.

O show da turnê To The Sea estava marcado para as dez horas. Como sempre fazemos quando escapamos na calada da noite, colocamos antes as crianças na cama, deixamos minha sogra de plantão, tadiiinha, e zupt, tchau. Já sabíamos que pegaríamos trânsito, já tínhamos ligado para a casa de shows e tínhamos noção do que nos esperava. Então fomos de taxi, com receio de perder muito tempo procurando vaga bla bla bla. Mas se fosse simples não tinha graça, então quando chegamos a certo ponto do caminho, entendemos que o acesso ao local  estava fechado e que a única forma de chegar lá seria fazendo uma volta homérica. Faltavam 50 minutos para o início. Bom, em meio segundo, Ulisses me convenceu a descer do taxi e seguir caminhando pelo trecho interditado, aquecendo as pernas por cerca de quinze minutos e chegando lá sem sustos. Sem sustos. Como eu não fazia ideia de onde estava, nem como chegaria ao nosso destino, nem como cargas d'água se interdita a rodovia de acesso ao local do show na noite do espetáculo, obedeci. Bem assim mesmo, obedeci. Concordar não é a palavra mais adequada. Enfim. Descemos do taxi, cruzamos a avenida e descobrimos que nós éramos o único casal seguindo por aquele caminho. A pouco mais de meia hora de o Jack subir ao palco. Os únicos. As únicas pessoas. Ninguém mais seguia por lá. E aí, né, exercitei meu esporte favorito, reclamar. Como meudeusdocéu aquela poderia ser a melhor opção se não havia mais ninguém indo por lá? Onde estava o público do show? Como o povo estava chegando lá, porque era evidente que não era por ali. Ulisses argumentava que já estava tarde, que o povo já estava lá e muita gente chegaria atrasada. Eu andava e torcia para chegar e sair daquela estrada escura. Cerca de dez minutos depois, de fato, chegamos. E vimos, sim, que o Ulisses tinha certa razão, o povo já estava lá, o trânsito que vinha do lado oposto estava infernal e era evidente que muita gente ainda demoraria muito para chegar à pista. Não nós, que entramos no melhor estilo ufa ainda bem e, score!, escapamos da chuvarada que despencou logo depois que entramos na área coberta da pista. Aí parei de reclamar. Em minha defesa, digo que não foi sem sustos, porque estava escuro como breu e, né, é bem razoável duvidar que se esteja no caminho certo quando não há mais ninguém indo por lá. Né? Hein?

Bom, quando chegamos estava rolando o show de abertura, com o homem-banda G. Love. Canta, toca violão, gaita e percussão, tudo ao mesmo tempo, sapateia e agita sem suar. Fiquei só esperando ele sacar a harpa e o violino também, mas não rolou. Legal, legal, beleza, mas, né, cadê o Jack. Com meia hora de atraso, ele veio. Pronto. Tudo que eu esperava que fosse, só que muito mais gostoso. Porque adoro as canções, a voz e o estilo tranquilão, mas a energia dos músicos no palco é o que faz valer tudo. E o que vimos e curtimos vai ficar para nós como um dos shows mais legais que já vimos. Nada é grandioso e ou fantástico. O palco tem apenas músicos excelentes, um telão zen como o próprio Jack e aquele cara bacana que olha para o público como quem diz "gente, o que vocês tão fazendo aqui, eu nem sou tão legal, olha, obrigado, viu". Comentei com o Ulisses "olha, meu, o cara, que barato; bem assim, de jeans e a camiseta mais surrada do armário, dividindo com a gente sua simpatia". Esse era o clima, tipo, senta aí e conta mais. Delícia, gostei com força.

O set list é, obviamente, tudo de bom, mas ainda saímos falando de tantas outras que não foram tocadas. Curtimos todas as músicas, não há momento ruim. O G. Love voltou ao palco e desconfio que ele já integra a banda do Jack, porque voltou e não saiu mais, ficou por lá incendiando várias canções com sua gaita impossível.

Quando Jack cantou Upside Down, saquei o celular e filmei para mostrar para o Arthur. É a tal canção da trilha sonora do filme do macaquinho George, a canção que trouxe Jack aqui para casa. E quando eu nem achava que faltava mais nada, ele encerrou tudo com Better Together, com arranjos diferentes, mas com o mesmo charme. Pra ninguém esquecer que o bom é assim  mesmo, together, no taxi ou na estrada escura, com o arranjo que for.

Aí o show acabou e ninguém achava taxi. Sei lá quanto tempo depois, o mesmo taxista do início da noite nos enviou um socorro. E a gente fechou a noite comendo pão na cozinha.

7 comentários:

disse...

O show do Jack Johnson é uma delicia, né? A gente foi ha' uns anos atras aqui em Paris. Eu fechava os olhos e me sentia em um lual numa praia paridisiaca.

E a musica Upside Down é a musica que a gente coloca pro Rafael ir pro banho. E' so' ele ouvir os primeiros acordes que ele vai dançando pro banheiro. Uma fofura.

Rita, meu comentario no post anterior sumiu! ;( Vc chegou a receber o comment por email?

Juliana disse...

Gente, e eu que tenho preconceito contra o jack? =)

Rita disse...

Oi, Dé. Não, não recebi seu outro comentário por e-mail. Tenho tido problemas para comentar em vários blogs, o blogger tá testando nossa paciência. :-(

Juliana, que história é essa, menina? Hehehe, quero saber.


Beijocas
Rita

Angela disse...

Hhhhm delicia. Adoraria levar o Max num desses, ele eh muito musical, quando toca uma musica que ele gosta muito ele canta com o fundao da garganta e altas linguagens corporais. O que o Arthur achou do filme? Que noite gostosa!
Beijos!

larissa disse...

Ai que delícia que deve ser esse show! que inveja!

Rita disse...

Anginha, o Arthur não deu a mínima para o vídeo. :-( #fail

Larissa, foi delicioso mesmo. :-) Ele também tocou em Recife, vc viu?

bj
Rita

Lílian disse...

JJ esteve em Recife há uns 10 dias. Eu, que estava com taaaanta vontade de assistir, tinha plantão no dia. E na manhã seguinte. Sem chances de troca.

É, fia, quem manda não ter virado comerciante? Pelo menos a gente fecha a porta do estabelecimento e se manda...rs...

LOVE,
LI.

 
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