O muquifo e as cuecas


Perto da minha casa tem um restaurante de comida caseira bem feitinha. Por ser recuado em relação à margem da rodovia, o lugar é meio escondido e é bem comum ouvir comentários de pessoas que tentam ir lá, mas não conseguem encontrar a entrada. Lembro de uma amiga ter comentado comigo uma vez que tentou ir várias vezes, mas ainda não tinha conseguido localizar placa ou qualquer outro sinal do restaurante. Pena. Eu mesma, depois de ter ido algumas vezes, já passei pela rodovia procurando uma referência bem óbvia para indicar aos amigos e, adivinhem, quando dei por mim, já tinha passado do restaurante sem ter visto nem sombra dele.

Toda essa muquifice (inventei agora) não deve ser problema para os proprietários. O lugar está sempre lotado, é raro não encarar uma filinha para conseguir uma mesa. Quando conseguimos (encontrar o restaurante, estacionar no estacionamento apertado, vencer a fila, servir e sentar), geralmente ficamos satisfeitos com o tempero da comida que pode não ter nada demais, mas é bem gostosinha sim. Hoje fomos lá e, mais uma vez, fiquei me perguntando de onde vem a quantidade infinita de badulaques e bugigangas que decoram o ambiente. A parte térrea do prédio é, na verdade, uma lojinha de... de... bem, eu não saberia dizer. De decoração, talvez, mas também de doces e brinquedos. E louça. E artesanato. E enfeites de Natal, Páscoa, o que for. E lamparinas. E flores artificiais. E coisas antigas, beeeem antigas, como espelhos com molduras da vovó e esculturinhas de porcelana. E rendas. E nécessaires. E jogos americanos. E o que mais houver nesse mundo para se vender. Os objetos (ah, tem gaiolas também!) estão dispostos em prateleiras ou móveis antigos com suas enormes gavetas abertas também cheias de coisas expostas. Ou descem pendurados do teto ou das paredes. O ambiente é pequeno e é no meio dessas, ah, coisas, que a fila se forma enquanto o proprietário do lugar se posiciona no pé da escada anotando o nome de quem quer uma mesa. Quando a senhora que está lá no topo da escada dá o sinal, ele chama os sortudos da vez que caminham com cuidado entre os badulaques quebráveis rumo ao almoço. Bem moderno.

Lá em cima, as mesas estão dispostas como dá, porque o ambiente também não é muito amplo. Mas nada que a boa vontade não nos permita olhar ao redor e dizer "bacana, né?". Daí cada um se serve à vontade, não há balança, nem cardápio. E aí você, que acha que já viu coloridos para o resto do mês, já que as paredes expõem quadros de todos os tipos, depara-se com os pratos dispostos junto ao buffet: cada prato de um tipo diferente. Ah, achei supercoerente com o lugar. Hoje comi em um prato branco decorado com flores, o Arthur usou um prato amarelo e a Amanda comeu num prato lilás. Fofo.

De barriga cheia, desci praticamente arrastando as crianças que param para ver cada um dos quadros que se acumulam na parede ao longo da escada, e saí pelo meio das bugigangas outra vez me perguntando, oh, céus, eles vendem alguma coisa disso tudo? E aí me lembrei que alguns ovos de nossa última Páscoa vieram de lá e que hoje mesmo eu e Ulisses ficamos de olho em um jogo de copos para cerveja bem gracinhas. Não compramos nada, mas o feijão estava bem bom e foi uma pena mesmo eu ter chegado depois que a banana à milanesa já tinha acabado.

***


Depois do almoço, voltei para a arrumação de malas. A foto acima foi tirada uns três minutos depois de eu ter aberto a primeira mala e saído do quarto das crianças para buscar alguma coisa. Quando voltei, vi que eles já tinham se encarregado de botar o essencial: pijama, chinelos e bonecos. Quase pronta, né? Algumas horas depois vi que preciso comprar cuecas para o Arthur. Será que vou almoçar no restaurante escondido amanhã outra vez? Eles devem ter cuecas para vender, não duvido.

9 comentários:

Anônimo disse...

Nossa! É bem capaz de ter! Com o perigo de ser o último grito! rsrsrs...
Beijos... VAL

Rita disse...

Oi, Val! Seja bem-vinda ao meu bloguito, espero vê-la sempre por aqui, viu? Saudades, minha linda!

Beijos
Rita

Angela disse...

Que delicia de post! De restaurante! De mala!

Anônimo disse...

Obrigada minha amiga! Por aqui, verá sim. Muitas saudades... Beijos
VAL

Claudia Serey Guerrero disse...

oi Rita!!
espero que tenhas visto meus votos de aniversario.. tenho a impressao que ele sumiu... ei adorei o conteudo da malinha.. hihihi ta pertinho ja hein????? ate loguissimo!
beijinhos, Claudia

Anônimo disse...

Fiquei curiosa, quero conhecer este restaurante. Vão viajar!?
Beijos,
Ju

Rita disse...

Claudinha, muito obrigada, querida. E até ja já!

Ju, vamos pra França. :-)

Beijo, Anginha!

Rita

Caso me esqueçam disse...

ai, eu ainda nao conheci ninguem que goste de fazer malas! pior que desfazer!

Rita disse...

Luci, eu até gosto, mas, olha, aqui é MUITA mala!!

 
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