Emoções eu vivi


Meu final de semana de vida social dos filhos teve festa junina na escola, cinema (o Panda que luta e tal) e hoje, para coroar, festa infantil da amiguinha do Arthur. Teve outras coisas menos legais, como arrombamento de nossa casa (tudo bem, tudo bem, nem quero mais falar disso) e um vírus que pegou o Ulisses de jeito (aquele meu marido que tá ali embaixo daquele monte de edredons no sofá). E eis que hoje tomei um susto bem maior que uma fechadura forçada e um alarme disparado, ou um vírus que derrubou meu parceiro. Perdi minha filha por dez minutos. Dez minutos, talvez menos, mas mesmo assim.

Estou aqui blogando enquanto ela dorme na cama dela e isso é uma alegria gigantesca. Penso nos milhares de pais que nunca encontram seus filhos perdidos e tudo na minha vida me parece pequeno. Mas que susto.

Eu não gosto do lugar onde a festinha de hoje foi realizada, nunca gostei. Sempre levo as crianças lá quando somos convidados, porque eles adoram e se divertem mui-to. O problema é que não é apenas uma casa de festas: é um salão/galpão imenso, com diversos brinquedos daqueles que toda casa de festas tem, bem grandes; uma miniboate para a garotada dançar; uma lanchonete; e dois salões menores, que são os ambientes destinados às festinhas infantis. Não gosto porque o grande salão está disponível para os convidados das duas festas (caso os dois ambientes estejam sendo utilizados), além das pessoas que pagam para usar os brinquedos do salão. Então o que acontece é que se você ficar no ambiente da festa, você não vê seus filhos brincando pelos brinquedos do salão, não vê com quem eles estão interagindo e tal. Em dias de duas festas no mesmo horário e muito movimento independente da festa, a casa fica lotada e, na minha cabeça neurótica, qualquer adulto pode sair dali com qualquer criança e ninguém vai ver nada. E tudo bem, não há necessidade de ficar de olho nas crianças o tempo todo, nem de ficar de papo com a galera da festa o tempo todo; mas com uma criança de dois ou três anos, é como se você nem tivesse ido à festa - e como esse seria o último lugar que eu escolheria para levá-los para simplesmente brincar, está explicado meu nariz torcido. Ulisses normalmente reveza comigo e a gente se vira bem - um papeia enquanto o outro vigia as crianças. Mas não gosto.

Hoje, por causa do resfriado, Ulisses ficou em casa e fui sozinha com as crianças. Já sabia que ficaria praticamente por conta da Amanda, que quer brincar em todos os brinquedos, naturalmente. Com seis anos, o Arthur já tem mais independência em ambientes assim, o nível de preocupação é diferente. No início da festa, Amanda integrou-se com a turma do Arthur e, num grupo de cinco crianças, brincou de pega-pega. Enquanto eles corriam, eu papeava lá dentro do salão da festa. Até que em certo momento Arthur e sua trupe passaram correndo pela porta, mas Amanda não passou atrás deles. Pedi licença, saí da mesa e fui lá perguntar ao Arthur onde estava a pequena. Diante do "não sei", dei uma circulada básica para assumir meu posto de sentinela. Como não encontrava a Amanda, perguntava por ela a todas as crianças da turma do Arthur com quem eu encontrava no meio do salão. Depois de uns dez "não vi", desliguei das crianças e comecei a vasculhar os brinquedos. Até aí, eu estava mais curiosa que preocupada. Mas depois da terceira volta pelo salão sem sinal da Amanda (detalhe: o ambiente não estava muito cheio, havia apenas uma festa rolando e os brinquedos estavam relativamente vazios, o que tornava a tarefa de encontrar alguém bem mais fácil), comecei a entrar em pânico. Voltei ao salão da festa e comentei com as mães que estavam conversando comigo e então voltei a circular. Daí me lembrei do trenzinho, um brinquedo externo, cujo acesso fica no piso superior. Subi as escadas, torcendo muito pelo trem, mas a porta fechada me fez crer que o brinquedo nem estava funcionando. Desci, já desesperada e com um nó na garganta, corri para a portaria. O moço me assegurou que ela não tinha saído, que o único adulto que tinha deixado o lugar na última meia hora era um senhor que ainda podia ser visto na entrada do lugar, pondo os sapatos numa criança. Agarrei-me ao que ele disse e comecei a descrever a Amanda para todos os recreadores que tomam conta dos brinquedos. Nada. Dei outra volta pelo salão, vasculhei os brinquedos mais uma vez. Nada. Voltei à portaria com medo de abrir a boca e cair no choro. Nem me lembro do que o moço falou, mas comecei outra volta pelo salão, quando o Arthur me apareceu e falou, lindamente, "tá ali, mamãe!". Olhei para o moço, fiz sinal de "ok" e corri para a Amanda que contava, nem lembro para quem, que estava no trem. No trem. Aquele, da porta de acesso fechada. Que estava fechada porque o trem estava em movimento lá fora, ora. Onde estava o monitor do trem na hora em que fui lá em cima, não faço ideia. E nem importa mais. Nada importava mais. Ufa.

Não sei me controlar nesses momentos, só penso no pior. Eu me programo para manter a calma e relaxar, que logo a coisa se explica, mas não consigo. Não foi a primeira vez, Arthur já sumiu em um parque por cerca de três minutos e tudo em que eu pensava era no lago à minha frente. Essa sou eu, fazer o quê.

E eu que ando apaixonada pela Jane Austen, lendo Persuasion com vontade de que não acabe; que ontem me deliciei com uma série de vídeos indicados pela Tina Lopes; eu que arrumarei malas na semana que vem para uma viagem que promete momentos de muita beleza; essa mesma eu, agora, acha que beleza mesmo são aqueles cabelos esparramados no travesseiro de peixinhos, o pé do urso de pelúcia cor-de-rosa roçando a bochecha dela e uma respiração suave de quem sonha com um passeio de trem. Ao alcance da minha mão.

Não desejo o mesmo susto a ninguém. Nem por um minuto.

***

-Amanda, meu amor, quando você quiser ir no trem de novo, chama a mamãe que eu vou com você, tá bom?
- Tá bom, mamãe! Pra você não achar que eu se perdi, né?
- É.

11 comentários:

Anônimo disse...

Minha amiga que susto! Mas que bom que nao passou de um susto.
Amandinha chama a mamãe da proxima vez! Combinado?
Beijos,
Ju

Angela disse...

Ai Rita, que sustao. Nunca perdi nenhum por tanto tempo (aqui acho que nao concentram tantas criancas quanto ai) e nem imagino a preocupacao. Vez ou outra chamo alguem que nao me atende, meu coracao vem a garganta. Julia agora comecou a abrir as portas e sair sozinha. So penso nas criancas que ja achei apos perdidas nesses 130 hectares por mais de 4 horas. Nos coiotes que supostamente tem medo de pessoas, mas de criancinhas? nao sei. Ai morro de medo que se percam, espero que nunca aconteca com nenhuma de nos. Que bom que foi so um susto.

E quanto ao arrombamento, ta tudo ok? Espero que o intruso tenha se assustado com o alarme e ido embora.

Um beijo.

Luciana Nepomuceno disse...

Um abraço. Enorme.

Lord Anderson disse...

Lembro quando meu sobrinho mais velho tinha 8 anos e moravamos numa chacara com piscina, lago e bastante espaço livre, ele resolveu brincar de esconde-esconde e acabou dormindo no lugar que tinha se escondido.

Como ele não aparecia mais, deu uma onda de desespero na familia toda que passou a procura-lo freneticamente...

Foi quase uma meia hora até o acharmos, dormindo sem se dar conta do rebu que tinha causado.

Agora dá para dar risada, mas na hora foi um desespero.

Solidaridade Rita. :)

Claudia Serey Guerrero disse...

aiii.. sustão... beijinhos, Claudia

Anônimo disse...

Ai Rita, que susto! Eu sou meio neurótica e tenho que fazer um esforço imenso pra desgrudar da Julia (que já está com 9 anos!) em certos ambientes. Faço um esforço consciente para relaxar, ela já está grande, mas sou bem apavorada.

Já a perdi uma vez por uns 10 minutos também, na apresentação de balé que ela fez num teatro. Ela se separou da professora e para encontrá-la foi um horror, todas as meninas vestidas iguais e de capuz, o teatro imeeeeenso. Ela tinha 4 anos. Nem gosto de lembrar.

Aqui em SP quando passamos no pedágio a nota fiscal sempre tem retratos de crianças desaparecidas atrás e eu fico com o coração apertado, me dá uma angústia enorme.

Um beijo,
Aline (da Julia)

Rita disse...

Ai, pessoas, ninguém merece, né não??

Ainda bem que tudo acabou bem.

Obrigada pela solidariedade, vocês são uns amores.

Beijos!!!

Rita

Nilma disse...

Nossa Rita, que susto, a alguns meses atrás passei por um susto desse com Paulo, e imagine só, o tamanho de Paulo,rsrs, me senti igualzinho a vc, também tento me controlar, mas na hora esqueço de tudo que possa me manter calma, acho que mães são todas iguais,graças a deus acabou tudo bem.Bjssss, saudades!!!

RICA disse...

Oi, tudo bem? tenho um filho de 6 anos e, ano passado, perdi ele por alguns míseros 3 minutos, na rua XV, aqui em Curitiba (centro comercial agitadíssimo). Ele estava de mãos dadas com o pai, então não me preocupei em parar para olhar as bijus dos hippies...quando olho pro pai dele, que também estava olhando as bijus (sem comentários)perguntei, cadê o Rica? e sem ouvir resposta, comecei a chamar por ele, depois a gritar por ele e as pessoas em volta vendo minha aflição, começaram a chamar também, o desespero chegando e quando nos damos conta, lá está ele - ao lado do papai Noel, observando nossa atitude.Ele estava bem perto, mas tinha muita gente passando. chorei horrores e fomos pra casa naquela hora. acabou o passeio. Daí contei a história do homem do saco,:). By the way, sou irmã da tua amiga tina, que pra mim é cris. bj, te acompanho, claudia

Rita disse...

Nilma, você viu, menina, que sustão! Ui...

Claudia, falei pra Tina que estou me sentindo praticamente da família com a sua presença aqui! Seja bem-vinda, viu? Então, guria, na boa, como se aprende a manter o controle em situações assim, hein? Se eu tivesse demorado um pouco mais para encontrar a Amanda, acho que teria surtado completamente. aff.

Beijos!
Rita

Caso me esqueçam disse...

"como arrombamento de nossa casa (tudo bem, tudo bem, nem quero mais falar disso)" affy, isso eh o que da passar muito tempo sem ler os blogs, coisas horrorosas acontecem e voce nem sabe e, quando sabe, ja eh tarde demais pra se preocupar porque tudo ja foi resolvido. desculpa.

e menina, que susto! entendo total agora que sou baba . essa semana o guri fugiu e nao me avisou, segundo os pais ele ta com essa "mania" agora, sabe. e eu o perdi por somente um minuto, mas pareceu uma eternidade. ate acho que nem foi um minuto! horrivel! no na garganta!

mas acredite, perder os pais eh tao ruim quanto e meus pais tinham o talento de ir embora dos lugares sem mim! serio, acho que ja fiquei no clube que eramos associados umas duas vezes. hahaha eles ja me deixaram num forte em natal tbm... eh isso, quando tinha os primos, varias crianças juntas, era luciana que ficava pra tras. ng merece.

 
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