Como agir quando meu filho machuca um amigo?


O título deste post é uma pergunta mesmo, um convite a uma conversa sobre o assunto. Gostaria de compartilhar ideias, saber a opinião de mamães e papais que passam por aqui. Ninguém que ama seus filhos gosta de vê-los feridos ou assustados, seja por um acidente ou agressão, mas igualmente angustiante é ver um amiguinho ou amiguinha numa situação assim, causada por uma atitude de nossos próprios filhotes.

Ontem nos reunimos na casa de amigos para uma noite bem agradável com muita conversar, comilança e jogatina (uia). Enquanto os grandinhos se empanturravam de papo e comida, a criançada se esbaldava naquelas brincadeiras e correrias intermináveis. Tudo perfeito para aquecer a geladeira que abriram em Florianópolis ontem à noite, até que. Até que meu Arthur jogou uma caneta em direção ao rosto de sua amiga e por pouco não causa um ferimento muito grave. A caneta atingiu o supercílio da pequena, fez um pequeno furo que sangrou, assustou e machucou.

Eu não sei o que fazer. Toda reação, a partir do momento em que Amanda me deu a notícia ("mamãe, o Arthur jogou a caneta no olho da amiga"), foi regida pelo meu pânico de que alguma coisa grave tivesse acontecido com a pequena. Então pus o Arthur numa cadeira afastada do ambiente e me juntei à mãe da outra criança,  na tentativa de acalmá-la, examinar o ferimento, fazer parar o sangramento. Olha, gente, não é moleza. Eu sei, sei, sei, todos sabemos que faz parte da infância, que acidentes acontecem e que kids will be kids. Mas, sinceramente, a sensação de que estou deixando passar alguma coisa é inevitável. Eu gosto muito de ter dois filhos porque todos os dias tenho a chance de gerenciar pequenos e grandes conflitos entre eles, presenciar atitudes egocêntricas e imaturas tão comuns à idade e ajudá-los a lidar com as inseguranças e os rompantes de agressividade que devem ser moduladas todo dia. Eu entendo, ou acho que entendo, que tudo na primeira infância é uma grande ebulição de sensações que precisa de mãos adultas para encontrar o ponto certo. O que a gente nunca espera é que os "deslizes" atinjam outras crianças que não seus próprios filhos. Quando Amanda bate no Arthur, por exemplo, dói bem menos em mim do que quando um deles agride outra criança.

Depois de tentar ajudar minha amiga na tarefa de acalmar sua filhota, voltei para o Arthur, que, a essas alturas, já tinha levado bronca do pai, e dei outra bronca. Bronca mesmo. Eu não conversei com ele numa boa, com calma e tal, porque eu não estava calma. Eu estava com a péssima mania que tenho nessas horas de imaginar que poderia ter sido pior. Então ralhei com ele, repeti a ladainha de que não se pode resolver nada com agressões, que a amiga dele agora estava com dor e medo e que isso não é coisa que se faça e bla bla bla eterno. Ele pediu desculpas e eu nem respondi, falei que ele fosse lá se desculpar com a amiga. Ele foi, pediu desculpas e deu um abraço (delicadamente retribuído por ela, tadinha) e o pus de volta no cantinho do castigo. Deixei-o lá por cerca de dez minutos, tempo durante o qual ele só não ficou isolado porque a vovó se encarregou de fazer companhia, sabe como são as avós docinhas. Ele chorou muito, parecia assustado e eu agia como quem diz "tá reclamando do quê?". Depois retirei o Arthur do castigo, dei outra bronca e ele brincou mais um tempo com as outras crianças. Em determinado momento, fui verificar o que estavam fazendo e, de novo, porque eu sou chata, mandei que ele se desculpasse - o que não foi necessário porque a própria amiga machucada olhou pra mim e disse "já passou", assim como quem diz, "ai, deu".

Daí fiquei, toda envergonhada porque, né, aff. E eu não faço a menor ideia, a menor, gente, do que fiz de certo e errado nessa história. Deveria ter feito diferente? Considerando que ele já tem seis anos e já vai longe a tal fase que combina muito mais com a Amanda, de três, em que agressões são comuns e até esperadas, como agir? Ontem mesmo, pela manhã, os dois levaram uma chamada minha por atirar objetos no sofá da sala. Não é a primeira vez que a categoria "atirar objetos" esteve no centro do furacão. Mas ontem, infelizmente, chegou onde a gente sempre teme que chegue.

Help.

Update: depois de ler os primeiros comentários, vi que realmente não dei contexto nenhum. Não tenho muitos detalhes a contar, de qualquer maneira. O Arthur não gostou de um comentário que a amiga fez, só isso. Não estavam brigando, ninguém estava xingando, pelo que sabemos. Ela falou, ele não gostou e jogou a caneta.

Update 2: se você leu até aqui, sugiro que leia os ótimos comentários. Há uma resposta minha que também é um complemento ao post.

24 comentários:

mani disse...

Rita

A verdade é que vc exagerou sim. E era legal conversar com o pequeno e explicar isso, que vc exagerou pq se assustou muito com a possibilidade dele machucar alguém de forma grave, pq quando é grave, não dá pra voltar atrás e nem adianta pedir desculpas.O problema quando a gente exagera é que passa a mensagem pra eles de que a gente não consegue se controlar também. Mas tem o lado bom, de que eles tem que lidar com o fato de que os pais são humanos, erram também.
Enfim, equilíbrio é uma busca de todo dia. beijo

Liliane disse...

Rita,
não sei realmente se voce fez certo ou errado. Mas acho super importante os pais terem uma reação. Colocar no castigo e dar bronca, mostrar as consequencias da agressão. E acho que é por ai! Voce tirou o contexto da disputa o que houve para haver a agressão. Então fico receosa para julgar o que voce fez como castigo. O que acho grave é quando crianças agridem sem motivo, gratuitamente. E vivo nesse momento uma situação assim em que no parque diariamente encontramos uma criança que bate pelo prazer de ver outras crianças chorarem e para chamar atenção de pais relapsos que não lhe impõe limites. Vivo uma batalha para saber como instruir meus filhos a reagirem a essa criança. Que bate sempre e continua indo no parque, que bate sempre e não fica de castigo nem por um minuto, que bate sempre e mãe não interfere por que acha que crianças tem que se entenderem sozinhas... E que no fundo se orgulha do filho que bate em todo mundo.
E desculpa fiz um post nesse comentário aqui.

Juliana disse...

eu não sou mãe, então não sei dizer mesmo se é exagero ou não.
Talvez conversar agora que já passou, falar que você se assustou e também saber a versão dele da história. Ele tacou caneta pra agredir a menina ou fazia parte de alguma dessas brincadeiras non sense das crianças? Do modo como você contou, não ficou claro.

Juliana disse...

acabei de postar, mas vi o comentário da liliane, então voltei. hehehe

A liliane tem razão. Mesmo que vocÊ tenha exagerado, o importante é fazer alguma coisa mesmo. Agorinha mesmo, tá acontecendo um churrasco aqui em casa e uma das convidadas tem um filho que agride todo mundo, instiga brigas entre as outras crianças e a mulher não faz nada. Ela não se incomoda. Só briga com o menino quando alguém reclama, mas faz de um jeito que deixa bem claro que a criança tá levando bronca porque reclamaram e não porque o menino faz coisas erradas.

É melhor exagerar e depois levar um papo com o filho do que ser omisso e não reconhecer os erros da criança.

olha, eu não me importo com barulheira e bagunça de criança. Por mim, os pequenos podem revirar a casa ( menos os meus livros hehehe), mas criança mal-educada é difícil de engolir.

Amanda disse...

Eu acho mesmo é que as mães (e os responsaveis de crianças de forma geral) não tem que se culpar o tempo todo, sabe? Rita, vc fez o seu melhor, não fique botando caraminholas na cabeça. Acho que as vezes as mães mais dedicadas, aquelas que planejam tudo, que estudam as melhores formas de educar seus filhos, às vezes sentem uma culpa injustificada. Olha, eu fui me lembrar de algumas situações que passei quando era criança que hoje eu acho um ABSURDO, que se acontecesse com as crianças que tomo conta eu ia achar que traumatizei as criaturas para sempre e tal, mas e ai? To aqui inteirona, numa boa, mesmo com os tais acontecimentos hoje inadmissiveis pra mim como baba. E te conhecendo o pouco que te conheço, lendo seus relatos apaixonados diarios pela pequena familia, digo que é uma besteira ficar se questionando se agiu errado ou não. Você agiu com o coração, no impulso, na franqueza e isso é muito melhor que qualquer 'método de educação racional'. As crianças têm que aprender tbm que as vezes elas fazem umas merdas tão grandes que conseguem nos tirar da linha. Somos humanos, não? Arthur e Amanda têm uma sorte GIGANTESCA de ter uma mãe como você, eu te garanto! Beijão!!

kaka disse...

È sempre importante conversar com a criança antes de começar a ladainha, não que tenha alguma desculpa para o episódio de machucar alguém,mas na conversa juntos chegarem a conclusão de que o ato não foi legal e não é o esperado...regra dos direitos e deveres...você fez certo de deixa-lo pensando no que fez, mas não conversou, não pensou muito nele neste momento e sim no que ele havia feito suas consequências e tal...ele errou mas não teve a intenção de ferir...revidou e teve azar ao lançar a caneta...o contexto a conversa e o entendimento da gravidade das coisas é muito mais importante do que a punição...foi um acidente!
Arthur deveria ter perdido o direito de brincar pois não cumpriu o dever básico, não machucar, não bater, não brigar....

Anônimo disse...

Rita,

Leio sempre seu blog e pelo que você escreve o Arthur não é uma criança agressiva, muito pelo contrário, é um menino muito doce. Então imagino que ele jogou a caneta num impulso, sem muita noção do estrago que poderia ter causado.

Um impulso agressivo, claro, mas nada terrível. Afinal, que jogue a primeira pedra quem nunca teve vontade de jogar algo em alguém. Adultos têm controle emocional pra não fazer (bem, a maioria pelo menos), crianças ainda estão desenvolvendo este controle.

Vendo por este ângulo, você exagerou sim. Imagino que ele entendeu o que fez de errado na primeira bronca e o resto deve tê-lo assustado bastante.

Mas, como alguém já disse, mãe é humana e também perde a calma. Eu conversaria com ele, com calma, e explicaria o porque da reação, o medo de que o que ele fez tivesse consequência muito grave. Que ele precisa pensar antes de fazer uma coisa assim. Mas que você entende que ele perdeu a calma e que isso de vez em quando acontece com todos.

Um beijo,
Aline (da Julia)

Tata disse...

Rita, querida.
pedido feito, pedido atendido! :-)
olha só. eu concordo bastante com o comentário da Aline, aí em cima.
minha segundinha é bem impulsiva, eu a vejo fazendo algo assim bem no impulso, sem pensar nas consequências. é claro que o fato dela não ter tido a intenção não faz com que deixe de ser errado agredir o outro. mas acho que eu - eu eu eu - tentaria tirar o foco do "você agrediu" para "você fez algo sem pensar, e com isso machucou outra pessoa, precisa estar mais atenta para não machucar os outros, mesmo sem querer".
é claro que há crianças que têm repetidamente atitudes violentas, aí o caso é outro. mas não sinto essa vibe do Arthur, pelo menos não do que leio aqui - corrija-me se eu estiver errada.
então, querida, eu acho q a reação talvez tenha sido um pouco exagerada sim. uma conversa com calma explicando que o que ele fez não foi nada legal, deixá-lo um pouco para pensar a respeito e depois levá-lo para, sem terrorismos, pedir desculpas à amiga, talvez tivesse sido suficiente. mas - e essa parte é importante - somos humanas, não acertamos sempre, temos direito a perder o controle de vez em quando. não se culpe nem martirize por isso, as crianças aprendem também com os nossos erros. acho que o importante é, se você chegar à conclusão de que exagerou mesmo, sentar para conversar com ele e explicar com toda sinceridade do mundo, que ficou muito preocupada com o machucado da amiga, e que por isso reagiu exageradamente. eu, com as meninas, não tenho medo de pedir desculpas quando acho que exagerei, passei da linha, fiz algo indevido ou desnecessário. acho que faz parte, e é também parte do aprendizado para eles, saber que não somos perfeitos, como ninguém é. e que quando a gente pisa na bola, tem mais é que reconhecer, e pedir desculpas.
ups! falei demais, sorry!
espero ter ajudado um bocadinho.
besitos

Tina Lopes disse...

Ai, Rita, ele jogou a caneta por motivo fútil, poderia sim ter machucado gravemente a menina, e o post é sobre VOCÊ ter exagerado? Claro que não. Gente, não dá pra passar a mão na cabeça toda hora. É pra ver que fez errado sim, pra ficar assustado sim que causou problema, que a mãe e o pai ficaram bravos. Não tem nada de exagero aí. Na boa, fosse a Nina, teria acabado com a noite dele ali, ido embora ou deixado muito mais tempo de castigo. Sim, todo mundo diz que sou rigorosa demais, sou mesmo. Mas aí não vejo motivo para você se culpar. Conversê sobre o que causou etc. etc. fica pra hora que estiver em casa. Arrependimento é um sentimento que precisa ficar gravado para que a situação não se repita.

Angela disse...

Ai fia, nessas horas parece que somos muito parecidas. Tambem nao sei se eh certo ou errado, exagero ou nao... mas dou bronca estrondosa (de assustar mesmo), castigo (Max eh dificil de domar, entao sao 10 minutos no dia a dia, 30 minutos para assuntos graves), explicacao clara e completa do por que que foi errado, e do que poderia ter acontecido de pior. Uso sempre a frase que ele eh um menino legal, entao nao deve fazer coisas que nao sao legais. E sempre, horas depois ou no fim do dia, sempre tenho uma "urge" de explicar (novamente, claro e completamente) para ele a razao por que estava brava, e invariavelmente falo olhando nos olhos dele que eu o amo.

Hoje em dia tenho a forte impressao que ele sabe bem que em tempos de guerra ou em tempos de paz, meu amor eh incondicional. E por falar nisso, dica de livro, que enche meu coracao quando leio principalmente para ele que eh cheio da danacao. Lindo lindo: http://www.amazon.com/Always-Ann-Stott/dp/0763632325

beijo

mani disse...

rita

como depois eu disse no twitter, o fato de achar que você exagerou não significa achar que vc ERROU.é como quando o filho escapa de ser atropelado ou de cair de um lugar perigoso, o susto é tão grande que a gente acaba exagerando na reação.Outro dia, uma criança ia sendo atropelada, o susto e alívio foi tâo grande que a mãe sentou no meio fio e chorou. E o menininho do lado dizendo: eu zulo mamãe, não faço mais, zulo, não xole não.
bem já desviei do assunto.só queria dizer que examinar a sua reação é uma coisa legal, mas sem culpa.
porque acho que a pergunta era "o que fazer" então, em minha opinião, brigar sim, botar de castigo, sim, mas parar, respirar fundo e tentar se controlar. é importante que a criança saiba que fez uma coisa muito errada.

Luciana Nepomuceno disse...

Eu ia comentar, mas a Tina Lopes disse o essencial. É pra ficar assustado sim e, no caso, eu não acho que por ter sido sem intenção de ferir seja menos grave (maybe o contrário). Acho excelente que você o tenha feito refletir que ações tem consequência, baby. Seu tino materno é fantástico, minha linda.

E, agora, pode dar os beijinhos que você quiser nele que culpa de mãe nunca tem sentido mesmo, rs.

Ana Duarte disse...

é complicado dar pitaco neste caso, pois ainda nao sou mae. Mas nao acho que você tenha exagerado, você fez o que achava certo no momento. Pronto! E como ja foi dito acima, você mostra sempre aqui no blog a mae excepcional que é! é lindo de ver :-)
Bjos

Dária disse...

Acho difícil avaliar ou não se alguém exagerou assim pela história. Acho que eu precisava está lá pra entender realmente o tom em que você falou com ele e até mesmo o perfil do Arthur nestas situações.

Quando é com Otto (meu enteado, da idade do seu Arthur) Ricardo sempre tenta não gritar, conversar tranquilinho, e evitar dá bronca na frente de outras crianças. Mas acho que as regras variam até pelo comportamento das crianças. Otto em particular é um menino muiiito quieto e tímido, ser repreendido em público ou com gritos para ele acaba sendo muito forte, e tende a ficar envergonhado e chorar.

Enfim, dificilmente temos problemas por ele agredir alguem fisicamente... mas recentemente Ricardo foi chamado na escola porque, segundo a psicóloga de lá, ele estaria "manipulando" as outras crianças. É um pouco líder de seu pequeno grupo e convencia os outros meninos a fazerem coisas que não queriam ou a não brincar com outros amigos. Problema já devidamente conversado e resolvido ;)

No mais, como alguns disseram aí em cima: não se estressa, pelos teus posts e até mesmo pela preocupação se exagerou já dá para saber que és uma ótima mãe!

Beijos

Anônimo disse...

Bem, eu agiria da mesma forma...Faço minhas as palavras da Tina e da Luciana. Temos que considerar que eles não tem a verdadeira noção do que pode resultar dos seus atos.Nem pra eles mesmos e nem para os outros. Então, por exemplo, se cair de um determinado local pode matar eu disso isso mesmo: "Minha filha, se caíres dali tu podes morrer". Mesmo que a morte seja uma hipótese quase remota mas um grave machucado não. Exagero? Bem, ela terá tempo para saber, com mais maturidade, que a mãe estava exagerando e saberá que só exagerei pra que ela se protegesse.
Taise

Rita disse...

Pessoas queridas do meu coração, muito obrigada por tantos comentários. Li todos com atenção e carinho, vocês são uns doces!

Então. Em primeiro lugar, vamos a um complemento necessário ao texto do post (e que já responde parte do que vocês disseram aqui): o Arthur é, via de regra, uma criança tranquila. Considero seus momentos-pitis como dentro do padrão da idade, nem anjo nem pivete. É um menino muito generoso, carinhoso e atencioso; tem seus momentos de frustração aos quais reage com choro ou impaciência, sempre seguidos de ponderação e, quando necessário, pedidos genuínos de desculpa, seguidos do bom humor de sempre. Não o considero, nem de longe, uma criança difícil. O episódio do final de semana foge ao padrão, completamente, normal é ver o Arthur distribuir doçura. Mas isso não diminui, para mim, a gravidade da coisa. Pensei muito sobre tudo que aconteceu e, quanto mais penso, mais me convenço de que faria tudo novamente, ou muito parecido.

(Também é justo que eu reforce que minhas crianças não "costumam" agredir outras crianças, como posso ter erroneamente deixado passar na última frase do terceiro parágrafo.)

Eu prestei muita atenção aos comentários que seguiram a linha da Tata e da Kaka, por exemplo, e com eles refleti sobre o momento em que deixei o Arthur sozinho enquanto tentava ajudar a mãe da amiguinha. Não posso dizer que faria diferente agora, porque me lembro da sensação de urgência que aquele momento teve, era essencial me certificar de que o olho da menina não tinha sido atingido. Então entre uma coisa e outra, ainda acho que eu não conseguiria sequer me concentrar no que falar para ele enquanto não estivesse certa de que tudo estava bem do lado de lá. A conversa mansa e ponderada veio depois. Falei para ele que fiquei muito assustada na hora porque não sabia se a amiga tinha se machucado seriamente.

Olho para mim mesma e me reconheço na linha dos comentários como os da Tina e Luciana, por exemplo: ainda acho que prefiro "pecar pelo excesso", sabe - é sempre um risco. Isso obviamente não implica em sair descendo a lenha em ninguém - acho que já está claro que sou meio linha-dura-com-crise. :-) Então volto ao post e vejo que escrevi que "não faço a menor ideia" se agi certo ou errado, mas no fundo, não é bem assim, preciso corrigir isso aqui: faço ideia, né. Faço ideia de que saco, quando necessário, meu kit-educação-como-acredito-que-funciona. Claro que ele vai falhar aqui e ali e por isso estou sempre aberta às conversas, não acho nem por um segundo que sou detentora da única forma correta de educar os filhos - tá bem óbvio, né. Mas acredito no amor que faz com que a gente deseje dar ao mundo pessoas ponderadas e generosas. E isso se ensina, também com limites. O Arthur passou dos limites quando agrediu gratuitamente alguém que simplesmente disse algo de que ele não gostou. Ele já tem seis anos, não mais três. E se ele ficou assustado o suficiente para se lembrar disso depois e deixar de repetir o gesto, acho bom. Penso também faz parte do amadurecimento lidar com os sustos.

Ontem conversei com ele de novo (bem baixinho, estava praticamente sem voz, laringite é meu nome do meio) e frisei algo que tinha deixado ainda muito vago: disse com todas as letras que se a caneta tivesse atingido o olho da amiga, ela poderia ter problemas para enxergar com aquele olhinho. Ele ficou nitidamente impressionado e aproveitei o momento e reforcei nosso pacto de que nunca mais ele jogará nada em ninguém. #tocandooterror

Não acho que o episódio deixará traumas no Arthur, mas poderia ter deixado traumas na amiga. Isso me convence da importância de deixar muito claro para ele que seu gesto foi muito infeliz.

Enfim, disse e repito, quero aprender todo dia. Acredito nos meus preceitos, mas não me acho dona da verdade. Quero sempre olhar em volta e refletir sobre possíveis passos que melhorem minha caminhada. Por isso agradeço muito a participação de vocês nessa conversa, adorei toda a atenção!

Beijos, queridas!
Vocês são tudo de bom, viu.
Rita

Livia disse...

Antes de comentar, esclareço: acabei de cair aqui de pára-quedas, não conhecia o blog e li apenas esta postagem (até agora, pois pretendo ler mais!).

Olha, não acho que devia ser uma preocupação se você exagerou ou não. Talvez a reação tenha sido exagerada, mas porque a consequência do ato de seu filho também foi exagerada. Óbvio que ele não fez de propósito, lógico que ele não esperava que a amiguinha ia se machucar, sangrar... Mas aconteceu, e ele teve uma repreensão à altura da consequência do seu ato, e não da intenção. E isso eu acho importantíssimo.

Também achei certíssimo você tê-lo deixado sozinho enquanto ajudava a mãe da amiguinha. A mensagem que passou para ele foi mais ou menos assim: "você está assustado, com medo, arrependido, merece umas broncas e precisa conversar - mas você não é o centro do universo. Se a situação da amiguinha é mais urgente, tudo isso pode esperar".

Enfim, desculpe a intromissão. Mas gostei do texto, e fiquei com vontade de falar também, apesar de não conhecer o blog ainda. Beijos.

Rita disse...

Oi, Livia

Seja bem vinda, passeie à vontade.

Não precisa se desculpar, você não se intrometeu: o post é um convite ao papo.

Obrigada pelo comentário, também acho, agora, que não errei a mão tanto assim. E houve muita conversa com ele depois, o que também é fundamental para garantir que toda a bronca e castigo funcionem.

Abraços!
Rita

Anônimo disse...

Rita,
tenho passado por problemas com Raquel no quesito broncas pesadas. Voce nao a conhece, mas ela é, digamos, bem danada. Nao é Angela!? Depois fico mal achando que peguei pesado. É bronca pesada, castigo, conversa, desculpas... A questão é que ela dispara no choro, um choro forte, dai fico achando que peguei pesado. Para voce me ajudar so eu exemplificando, nao eh!? Depois o faço. Porem ler seu post e comentarios ja me ajudou muito.
Beijos,
Ju

Rita disse...

Oi, Ju!

Precisamos papear por e-mail ou telefone, amiga.

beijocas!
Rita

Anônimo disse...

só queria agradecer pela oportunidade de constatar que não sou a única mãe a passar por isso. Estava fazendo pesquisas no google a respeito decomo lidar com a gressividade infantil e tive a felicidade de ler seu post. Meu filho tem apenas 1ano e 10 meses e ainda é filho único (e netoúnico, e sobrinho único...),mas todas as vezes que nos encontramos com outras crianças é um estado geral de pânico. Eu e meu marido ficamos tensos esperando a hora que ele irá beliscar ou puxar o cabelo da outra criança. e acredite ele sempre faz isso, sem que haja algum motivo (aparente).
Acredite, sou psicóloga e entendo muito bem as razões, mas quando é com o nosso filho a situação muda...sinto como se estivesse falhando como mãe

Anônimo disse...

Bom,meu filho se machucou na escola próximo ao olho também,estava tentando me acalmar pesquisando o assunto na internet,pois estou furiosa,mas vendo o post da Rita acabei me acalmando pois me coloquei no lugar da outra mãe,certo ou errado eu não sei se vc fez ,mas é melhor educar o seu filho como pode do que não fazer nada.Infelizmente para os jovens de hoje cair numa briga,basta um esbarrão, ou um achar q o outro olhou de cara feia e querer ir tirar satisfaçoes.Isso acontece por causa das mães omissas que veem seus filhos fazendo algo errado ou agredindo o amiguinho e acha normal,que não é nada de mais.
Eu prefiro me exceder com meus filhos, do que ve-los se tornarem adultos intolerantes que acham que tudo se resolve na base da agressividade.

patrick disse...

Oi.ou sou pai e lendo seu relato.fiquei muito satisfeito com toda sua atitude.voce agiu com justiça.voce demonstrou insatisfaçao e nao acobertou o erro de seu filho voce foi grande quando deu suporte a criança atingida e a mae desta.cada atitude com nossos filhos passa uma mensagem.e vc passou a mensagem correta.de que ele errou.e precisa entender que errou.vc foi justa com o filho de outro.a maes e pais que nao deciplinam seus filhos.e isso e um erro grave.acho que vc foi bem racional e justa parabens.vc esta educando seu filho coisas que muitos nao fazem.pois os pais desse mundo tenebroso perderam a noção.e os filhos fazem o que querem e nao dicernem o certo do errado.criança mal educada ninguem suporta como disseram no blogue.

Rita disse...


Oi, Patrick.

é aquela velha conversa: vamos pensar nos filhos que deixamos pro mundo, além de se preocupar com o mundo que deixamos pra eles, né? :-D
(não há garantias, mas a gente tenta)

Abçs!

 
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