Tchau, Tia Neia


Pé de tomate do Arthur, plantado pelas crianças e pela Tia Neia.

Tia Neia vai embora, vai morar em outra cidade. As crianças dizem que sentirão saudades, mas desconfio que elas ainda nem sabem o quanto.

Eu preferia escolinhas a babás. Quer dizer, preferia ser duas e fazer tudo sozinha, mas essa opção não estava disponível. Quando o pediatra me falou que a pneumonia exigiria da Amanda três meses de "reclusão" em casa, precisei rever algumas decisões. Ela tinha onze meses e uma lesão grande no pulmão que levaria tempo para cicatrizar; gripar antes disso era risco alto demais. Então era preciso diminuir as chances de isso acontecer e quando dei por mim estava ligando para uma agência. Tirei uma licença curta para os dias que se seguiram à internação da Amanda e comecei a entrevistar as babás. Neia foi a primeira: veio, chegou e ficou. E agora, mais de dois anos depois, vai dar outros passos bons por outras estradas. Nós ficaremos aqui, torcendo por ela. Assim, meio bicudos e chorosos, mas querendo muito que ela siga seu coração.

Os pequenos vão sentir uma falta danada que vai ser um pouquinho maior cada vez que se lembrarem das caminhadas pelo bairro para curtir o sol da manhã, das plantinhas cultivadas nos vasos do jardim, dos DVDs disputados aos berros, dos desenhos e cartinhas colocados na caixa de correio para mim e Ulisses, das mil brincadeiras compartilhadas no tapete da sala, dos incomparáveis bolinhos de chuva no café da tarde, né, Amanda? Mas a gente está bem feliz. A vida faz essas coisas, ensina a gente a se separar sem lamentar, agradecendo o que teve e vibrando com a caminhada do outro. A falta que ela fará não nos impede de torcer muito para que suas escolhas a levem sempre por um caminho bem floridão. A Neia será assunto por aqui durante muito tempo, será nossa amiga pelo tempo que ela quiser. E tenho uma leve desconfiança de que ela sempre se lembrará de nossa casa com carinho também.

Boa sorte, Neia. Muito, muito, muito obrigada. Pra você, toda a felicidade deste mundo.

***

Agora vou brincar de ser duas, o Ulisses vai brincar de ser dois; e a gente vai ver no que dá. o/

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Rita,

Saudades da época que podia ler blog e comentar:). Só pra te dizer que lendo o post, senti todo o carinho que vocês nutrem pela Tia Neia. Sortuda ela, sortudos vocês. A vida segue...

P. Marreca

Rita disse...

P. Marreca,

que saudades de seus comentários por aqui. Sempre fico feliz quando vejo que você tá na área. Vem tomar um café!!!

Beijo grande,

Rita

 
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