A prova de natação


Ontem nós tivemos um daqueles dias em que a primeira coisa que faríamos ao voltar para casa, no início da noite, seria ligar para você. Seria difícil conversar por causa do barulho, da gritaria que a gente faz quando chega assim, todo mundo agitado porque alguma coisa legal aconteceu. Mas eu pegaria o telefone e seguiria para um canto mais quieto da casa para conseguir contar, do meu jeito, as aventuras do dia e deixá-la por dentro das últimas grandes novidades. E provavelmente já contaria fazendo piada e dizendo algo como "lá vai assunto pra senhora espalhar por aí, no telejornal da Vovó Berna" e você já abriria aquele sorrisão, antecipando o prazer da falação. E eu então contaria que tivemos um dia especial na natação, que o Arthur mandou muito bem na avaliação e mudou de touca - agora é touca vermelha e vai aprender umas paradas mais difíceis. Que a Amanda também mandou bem, mas não mudou de nível porque precisa prestar mais atenção nos tios... eu, na verdade, acho que ela precisa prestar mais atenção num monte de outras coisas também, mas foi muito bom ver que também foi bem avaliada - apesar do nado pipoca que ela executa durante noventa por cento do tempo de aula. E foi aquela presepada de tudo que é pai e mãe fotografando as crianças dentro d'água com as toucas coloridas e uns saltos desengonçados, braçadas tortas, um monte de caretas com cílios molhados e todo mundo achando tudo lindo. E Vovó Tereza foi, mas você não foi. E eu sei que você teria gostado. Voltamos para casa ostentando dois boletins cheios de "excelentes", uma menina faladeira como nunca e um garoto exultante. Eu quis muito ligar para você quando chegamos, de verdade, eu quis muito. Sei também que há quem espere que eu ligue, com desejo sincero de repartir comigo essas "notícias", mas eu não conseguiria falar muito, então deixei pra lá e vim aqui escrever alguma coisa sobre uns chiliques meus. Mas fica aqui o registro de que ontem seus netos estavam uma alegria só, que eu observei aquilo tudo com um desejo sincero de que, de alguma maneira, doida, improvável ou surpreendente, você partilhasse um pouco daqueles tantos sorrisos. Porque eles são frutos seus, são frutos seus.

6 comentários:

Angela disse...

Ah amiga, o doce amargo das conquistas durante esse longo periodo de slow surrender.

Parabens pelas conquistas das criancas.

Sinta-se abracada.

Fabiana disse...

Eu chorando, é óbvio. ¬¬

by Rapha C.M. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
by Rapha C.M. disse...

o que dizer... A não ser que o amor, o real amor, vai além do que conhecemos...
Um abç e outro afago!

seguindo........

Borboletas nos Olhos disse...

Eu pensei que já tinha deixado meu comentário ;-(

deixo então meu aplauso pras conquistas e meu abraço pelas saudades.

Rita disse...

Anginha, obrigada. Pelo e-mail também. Bj.

Aaaah, Fabi, faz isso não... :-/ O que posso dizer, obrigada, ne´. Você é um doce, menina. Beijo!

Rapha, obrigada, de verdade. Fique à vontade por aqui, viu. Abração!

Lu, linda, obrigada. Ando numa corujice sem fim, viu. Só avisando.

Beijocas
Rita

 
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