Dois pesos


Alerta: nunca fui, quis ser ou tive qualquer interesse em saber o que é uma mãe "modelo".

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Adiei ou cancelei metade dos compromissos do dia - o que não consegue um termômetro na axila da filha, hein? Em troca ganhei uma baleia laranja desenhada em papel rosa. E, depois, uma febre que foi embora, tchau.

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Na reunião da escola, a professora me olha e diz que a Amanda é superobediente. Super. Juro que dei uma olhadinha discreta na ficha para ter certeza de que estávamos falando da mesma criança. Porque, né? Super. Não é possível.

Aqui em casa Amanda põe nossa paciência à prova constantemente*. Reluta, insiste, teima, empaca, protesta, discorda, contesta, questiona, rejeita - escolha o verbo. Adulta, seria uma líder oposicionista top de linha. Criança, já viu. Não contem a ela, mas admiro muito sua personalidade forte e não são poucas as vezes em que me pergunto qual a maneira mais eficiente de se lidar com crianças, ahn, determinadas. Meu questionamento vem só da curiosidade mesmo; claro que estou aberta a estratégias eficientes, mas não tenho nenhuma pretensão de tentar ser uma mãe modelo (modelo pra quem, cara pálida? sei lá). Na real, faço o que sei fazer, combato suas birras, lanço mão de papos-cabeça (eu tenho longas conversas com minha filha de três anos, deixa), ponho de castigo (meu escudo está a postos), confisco brinquedos, olho para ela e falo "vai sonhando", olho para o teto e falo "ai, ai...". E há os momentos em que a paciência manda lembranças e levanto a voz mais do que gostaria. A professora dela não faz nada disso porque lá na escola, segundo consta, ela é... superobediente. Quer dizer. Quer dizer o quê, mesmo, gente? Sacanagem, né (comigo, não com a professora sortuda). Que coisa.

Eu sei (acho que sei) que tudo deve ter a ver com o fato de que a relação dela com os pais tem outros níveis que não estão presentes nas relações sociais que ela tem na escola, mas isso explica tudo? Ai, protesto.

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*É bem verdade que ela melhorou consideravelmente desde que escrevi o post linkado aí em cima. E, para ser justa com ela, preciso dizer que seus momentos de doçura e meiguice são cada vez mais abundantes; sem falar que, à medida que ela amadurece, responde bem melhor às nossas conversas. Mas não seria eu se não ficasse aqui de mimimi.

8 comentários:

Lílian disse...

Hahaha.Super.

Mais fofa que isso nem sei!

Beeeeeeeeeeeijo.

Tina Lopes disse...

A professora da Nina me veio com essa: eu queria ter 10 Ninas - obedientes, concentradas, atenciosas e eu OI? A Nina pra quem eu preciso dizer a mesma coisa 309484 vezes? Concentrada só em gibi e bagunça? Bem, ela tomava sopa de chuchu e comia pão com margarina na escola anterior. Pergunta se em casa... pois é.

Deborah Leão disse...

Pensem pelo lado bom, meninas: vocês estão criando filhos aptos ao convívio social, que sabem diferenciar a relação com os pais da relação com as outras pessoas com as quais não rola Édipo. E se comportam bem, e deixam vocês bem na foto.

Pode até rolar um ciuminho, mas o mérito pelo bom comportamento na escola não é da professora (embora, é claro, ela seja importante), é de vocês. =)

Ana Duarte disse...

Oi Rita!
Lendo seu post hoje me fez lembrar da minha irma! Ela sempre vai à reuniao da filha ( que em casa é super rebelde), e os professores sao so elogios: a Malu é linda, educada, inteligente, nossa quem dera termos 20 malus aqui na sala!!! hahaha e minha irma escuta tudo de boca aberta :-) vai entender né?

Vc recebeu meu e-mail de agradecimento? mto obrigada Rita e me desculpe mais uma vez pela demora, mas tenho ctz que você entendeu!
bjos

Anônimo disse...

Oi Rita,
Filhos são assim, sempre nos surpreendendo.Acredite. ter é bem mais facil que cria-los, mas é muito gratificante a maternidade.

Borboletas nos Olhos disse...

Fã-Clube da Amanda. Presidente? Eu.

Rogério disse...

Tenho um filho de oito anos. Em casa é bagunceiro, esculachado, fala pelos cotovelos, de vez em quando imita um ou outro personagem de TV, quando não tá a fim não tem quem o faça levar algo a sério. Na escola? Também.

Rita disse...

Gente, sei que não sou a única mãe "traída" e isso é um bom consolo, hehe.

Rogério, engraçadinho.

Lu, vice-presidente, tá? A presidência é meu cargo vitalício.

Ana, querida, tá tudo certo, linda, te escrevo depois. Bj.

Valeu, pessoas.

 
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