Uma noite no meio

Ontem ficou escuro e choveu em mim. Como um personagem azarado de uma história em quadrinhos, andei por aí com uma nuvem sobre a cabeça e o aguaceiro não me deixava enxergar muito longe. O peito apertou, o sorriso não veio e as lágrimas se apressaram. A amiga faltou, não consegui alcançar a força que busquei e o plano desandou. Foi difícil fazer coisas que normalmente fluem tão naturalmente e cheguei a ficar um tantinho perdida. Ontem eu fiquei muito triste, simples assim. Desapontada, apesar de não necessariamente surpresa. Não há muito mistério, certamente é um tanto bom de insegurança acrescido de uma porção indesejada de intempéries. Há dias em que nossas imperfeições saem da casca e esfregam na nossa cara que, ei, nem sempre é assim que a banda toca, fique esperta.

Houve uma noite no meio. Um ombro, ouvidos bons e pacientes.

Amanheci na ressaca, com o peito cansado e com vontade e ser de noite, ainda. Outras notícias desgostosas chegaram atrasadas, como se ainda fosse ontem. Mas o relógio andou e ao longo do dia a nuvem secou e pude ver mais longe, nem que fosse um palminho só. E como sou pessoa de ser mais alegre que triste, porque adoro que digam que alegria é a melhor coisa que existe, as coisas melhoraram. Um papo aqui, outro ali; e pessoas boas perto de mim; e a vontade de ter coisas boas para dar; mais ouvidos e outros ombros e assim, bem sutil, um gesto carinhoso, um beijo na testa e uma palavrinha vinda com sinceridade. E porque sou assim, de acreditar, melhorei.

Ainda há tristeza aqui, ainda há desapontamento e outras dores bem maiores. Mas acho válido comemorar a pequena melhora. Não é ali, nas pequenas coisas, que a vida acontece? O mundo é grande, o universo é vasto e a vida pode ser longa, mas ninguém vê tudo ou vive tudo de uma vez. É tudo soma e passinhos dados um por vez. Hoje dei alguns, bem confortáveis. Sou grata.

***

Entre outras coisas, de ontem pra cá mudei de setor no trabalho. Parecia que seria assim assim. Mas hoje vi que tende a ser muito melhor. Há uma dose boa de imprevisibilidade, é verdade, mas há umas almas boas na sala ao lado e uma janela larga com vista pro mar. Queria mesmo dizer uma coisinha: que é muito bom quando o primeiro passo é dado em meio a tanto aconchego. E recebi o carinho com muita gratidão. Vumbora, dominar o mundo. Ou pelo menos ter uma hora do cafezinho bem legal, o que já faz diferença.

7 comentários:

Angela disse...

Ai querida nesses dias queria estar ai para levar um sol. Fiquei um pouco preocupada. Talvez nos falemos em breve. Um beijo!

Lílian disse...

Oi, Rita!

Ai, como é bom mudar... E olha que legal, mudar pra melhor, mudar para junto de boas almas, mudar "com vista pro mar"!

Como você sabe, sou bem mais fã do capuccino. Mas com vista pro mar, vá lá, tá valendo até água em copo de plástico.

Beijos, querida, fica na paz e muito boa sorte em todas as suas novidades!

Anônimo disse...

Gostaria de poder segurar sua mão e passar um pouco de boas energia. Quem sabe um oi, e que estou te acompanhando todos os dias aqui.Pode até não fazer diferença ,mas tenho acompanhado seus dias com muito pensamento positivo.
A credite vc é demais. bjs
C léa

Borboletas nos Olhos disse...

Eu sempre achei que sim, que é na alegria miudinha que a vida se faz, mais do que nas grandes felicidades. Mas tem dias, né, tudo cinza. Nesses dias, meu carinho mais colorido e zoadento, tá?

Rita disse...

Anginha, esquenta não, linda. Tá tudo bem. Obrigada, viu.

Lílian, obrigada, querida.

Clea, sua linda, muito obrigada, viu. Tão bom saber que você caminha por aqui agoar. Bom demais. Muito obrigada pelo carinho, um beijo grande.

Luciana, muito obrigadinha, viu. Beijo procê.

Rita

TemDeTudo disse...

Olá, Rita.
Há anos busco o nome deste personagem azarado de quadrinhos, que sempre tinha uma nuvem escura sobre a cabeça. Nas minhas lembranças da infância, era o PINDUCA.
E, nas suas lembranças, quem era?
Teria alguma imagem deste personagem?

Rita disse...

Oi "TemdeTudo".
Não, a imagem se repete em vários desenhos, acho. Nenhum especificamente em minha memória.
Abç.

 
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