O livro da cunhada

Quando o livro da Lílian chegou às minhas mãos eu não estava em condições de apreciá-lo. Tinha acabado de me despedir de minha mãe, interrompido a leitura d'A Ilha Sob o Mar, mergulhado em tristeza. É uma pena que eu não tenha tido o espírito pronto para parabenizar minha cunhada pela publicação de seu (primeiro) livro.

O Histórias de "Mulherzinha" foi ficando por ali, entre malas, por algumas semanas. Lembro de ter dado uma espiada em um ou dois textos quando ainda estava no Nordeste, de ter adiado a leitura para dias de clima mais suave, de ter gostado da capa, da apresentação do livro. Quando voltei a Florianópolis, retomei minha leitura da Allende e, aqui e ali, lia alguns trechos do Histórias...; depois emendei uma leitura atrás da outra, sempre intercalando com o exemplar do livro que o Ulisses estava lendo; e esse foi meu jeito de ir avançando em seus textos.  Histórias de "Mulherzinha" é uma coletânea de textos que narram episódios vividos pela Lílian ou, nas palavras dela, "crônicas e metáforas para a vida real de mulheres que são - ou pretendem ser - felizes". É também uma exposição de seu estilo de vida, suas crenças, seus gostos e amores.

Para mim, a leitura está inevitavelmente contaminada pela "convivência" com a autora. Moramos em cidades diferentes, mas nossos laços familiares nos mantêm ora mais, ora menos conectadas - mas sempre ali. O resultado é a voz da Lílian em minha cabeça à medida que leio os textos. É também a familiaridade com personagens reais que passeiam por suas crônicas: todos os textos do livro são relatos pessoais em ocasiões variadas, quadros cotidianos, como em um blog. E, portanto, viro a página e lá está meu marido; ou a minha sogra; ou aquela prima; ou o meu blog! Percebam, pessoas, que não tenho meios de emitir uma opinião minimamente isenta do livro da minha cunhada! Mas, né, tentemos:

A Lílian tem uma escrita fluente, gostosa de ler. Ela tem sensibilidade e enxerga o detalhe, a referência, a sutileza. E tem um monte de história pra contar. Então imagino que, para quem não a conhece, ler seu livro seja uma experiência relaxante, pontilhada de momentos emocionantes e de risadas também. Para mim, é um pouquinho mais: é o reconhecimento da mãe dedicada quando a Lílian se refere à minha sogra; é o derretimento pelo sobrinho grandão do meu marido quando ela fala do próprio filho; é achar graça das ideias, algumas inusitadas, que povoam sua cabeça; é perceber boas sacadas através de seu olhar. As "crônicas ou metáforas" estão agrupadas em cinco capítulos, que mais ou menos se moldam pelo tema, ou pelas "mulherzinhas", que permeiam os grupos de textos: a mãe, a turista, a amiga, etc.

Minhas ressalvas em relação ao Histórias... passam mais pela visão de mundo que a Lílian adota do que pelo livro em si. Lílian é uma pessoa muito religiosa e muitas de suas ideias e atitudes são pautadas por sua fé. Eu, por outro lado, passeio pelo questionamento constante diante de um mundo cujo funcionamento me intriga e para o qual não consigo encontrar respostas plausíveis em nenhum fundamento religioso. Então quando me deparo com alguns textos, especialmente os do último capítulo ("Amando e Sendo Amada"), torço o nariz como se estivesse diante dela, numa mesa de um sushibar qualquer, perguntando-lhe: "você realmente acredita que isso explica tudo?" - ao que ela certamente responderia, com um sorriso lindo, "mas é lógico!".:-) Então, para os que compartilham da fé da Lílian, seu livro tem sabores especiais e, onde eu vejo poréns, esses leitores encontrarão um motivo a mais para se agarrar às suas páginas.

Mas nenhuma ressalva muda o fato de que minha cunhada é escritora, ora! (E que me diverti entrando na livraria e perguntando "vocês têm o Histórias de 'Mulherzinha' aí?" só para ter o prazer de espiar por sobre o ombro do moço enquanto ele consultava a maquininha e ver o nome do livro lá. É, eu faço essas coisas, deixa.)

Lílian, querida, parabéns. Devo dizer que minha parte favorita é a página 97, quando você fala da sobrinha, também conhecida como minha filha, hahaha! [Aff, minha cara de pau não tem limites.] Desejo sucesso ao seu livro, que ele seja o primeiro de muitos e que traga alegrias ainda insuspeitas - a você e a quem se dedicar a lê-lo.

***

Noventa dias. Amor eterno.

5 comentários:

Danielle Martins disse...

Boa dica!Adoro crônicas e falando de felicidade então!

Borboletas nos Olhos disse...

Ahá, eu vou ganhar um! Uhu! Tá, eu tô eufórica mesmo, é o monte de coisas boas e gente linda por perto...

PS. Você VIU que linda a Glorinha? Tõ que nem caibo!

Rogério disse...

É duro falar sobre um livro escrito por parente, né? Pode ser a oitava maravilha, que ainda assim carregamos a suspeição, feito um estigma. Sei bem do que você fala, porque tenho uma cunhada escritora, com um romance já lançado, um de contos impresso mas estrategicamente guardado, e um outro romance, este com base em episódio da história do Brasil (a coitada debruçou sobre uma pilha de livros em sua pesquisa), que será lançado até o final do mês. Tive a honra de revisar os três e, confesso, sou tiete demais para fazer resenha ou crítica. Se você me permitir, gostaria de lhe enviar um exemplar autografado.

Angela disse...

Saudades.

Lilian disse...

Oh, bonitinha... tô vendo seu post com um atraso horroroso, né?

Por partes- Gostei DEMAIS quando vc disse que torceria o nariz, faria uma pergunta e eu diria... Mas eh logico...kkk...Muito legal, se Deus quiser tem muito sushi pela frente...

Bem, outra hora falo mais, ta, de repente o computador resolveu engolir todos os acentos, as aspas, ate o ponto de interrogaçao. Nem o truque que aprendi para resolver isso ta resolvendo.

E, como disse antes, a dor na coluna ta me deixando meio impaciente. E mentalmente limitada...rs...

Bjus, querida, fica bem!

P.s. Avisa la para a borboleta que gostei da animaçao dela, tomara que ela nao torça taaaanto o nariz... kkkkkk... Nem passei pelo espaço vermelhinho esses dias, tenho que seguir as recomendaçoes orientais de ficar espichada! Xauzinho, amada!

 
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