Quando o carteiro chegou

Talvez ao ler este post você fique com a impressão de que não passo de uma criança. É por aí.


***



Então o dente caiu na escola, provavelmente na hora do lanche. O dono do dente nem percebeu; só se deu conta quando sentiu a boca "estranha". E contou que foi assim:

- Fulano, meu dente caiu?
- Dá uma risada pra eu ver.
- :-D
- Caiu!

E o rebuliço foi total, todo mundo procurando pelo chão. Daí surgiu a história de que só pode estar na barriga, porque ninguém encontrou. Teremos fada do dente.

***


Já faz alguns anos comprei O Carteiro Chegou (The Jolly Postman), de Janet & Allan Ahlberg. Na época, não sabia nada sobre o casal de autores ou sobre a obra. Não sabia que os dois passaram cinco anos preparando o livro (ele escreveu os textos, ela ilustrou), nem que eram ingleses ou que a primeira edição foi publicada em 1986. Eu não sabia que estava comprando uma obra premiada e badalada, que já vendeu milhões de cópias mundo afora, em várias línguas, porque eu nunca tinha ouvido falar do tal Carteiro. Mas comprei porque me apaixonei à primeira folheada. Apaixonei-me pelo formato, pelas gravuras e pela ideia da história - um carteiro que segue em sua bicicleta, com sua sacola cheia de cartas e cartões, distribuindo a correspondência de personagens de diversas histórias infantis - cartas e cartões que estão em envelopes dentro do livro, soltinhos para serem retirados e apreciados à moda antiga.


Li alguns trechos e gostei do texto levemente divertido, sem grandes pretensões, mas alegre e com muito combustível para a imaginação: Joãozinho mandando um cartão-postal para o Gigante, a Bruxa Malvada recebendo um panfleto do Empório da Bruxaria divulgando as últimas promoções imperdíveis (megavassourão, pó de sapo, etc.) ou Chapeuzinho Vermelho enviando um cartão de aniversário para Cachinhos Dourados, assim:

"Quem me dera ter agora
um cavalo de vento,
para dar um galopinho
onde está meu pensamento."

Comprei o livro e guardei lacradinho porque achei que Arthur ainda era muito novo para apreciá-lo. Ainda não lia nada de nada e não conhecia todas as histórias referenciadas pelos autores. E foi muito bom ter essa carta na manga hoje, no dia em que ele tanto vibrou com seu primeiro dente despencado. Presenteei meu banguelento com o pequeno tesouro, ele adorou e juntos nos esparramamos no sofá. Ele lia uma parte, eu lia outra; ele explorava todos os envelopes dentro do livro, abrindo cada correspondência como se fosse ele o destinatário; eu babava com as ilustrações fofíssimas (tô nem aí, pófalar). Gostei de tudo, mas adorei a carta dos advogados dos Três Porquinhos cobrando do Lobo Mau uma indenização por perdas e danos, hohoho.

O Lobo Mau recebendo, dentro de uma história, as más notícias vindas da outra.

Carta da editora para Cinderela, comunicando que vão publicar sua história! Go girl!

Arthur leu tudo de novo depois e acho que sua correspondência preferida é o grande panfleto com ofertas para bruxas, mas pode ser que mude de ideia nas próximas leituras que, desconfio, serão muitas. E eu estou muito orgulhosa por ter me comportado tão bem e nunca ter violado a embalagem do livro antes de dar para ele. Lutei bravamente contra as muitas tentações.


Detalhe da bicicleta do carteiro estacionada junto ao pé de feijão, enquanto o carteiro visita o gigante.


Fico viajando (ninguém me segura) na imagem do casal preparando o livro durante vários invernos ingleses, ele bolando as cartas, ela cuidando de cada detalhe das gravuras lindas e cheias de capricho. Se alguém souber de alguma história sobre a vida desse casal que possa destruir a imagem romantizada que criei, por favor, não me conte. Olho para cada pedacinho do livro e só vejo ternura - e tá bem bom assim... :-)

No Brasil o livro é publicado pela Companhia das Letrinhas, com tradução de Eduardo Brandão. Recomendadíssimo, não importa quantos dentes você tenha na boca.


10 comentários:

Juliana disse...

ai, que vontade que deu de ler.

tenho um fraco por livros infantis!

Isa disse...

Ai, amei a dica... deve ser lindo o livro mesmo...

Vivien Morgato : disse...

Adorei.

Borboletas nos Olhos disse...

E é assim que se fazem as lendas, com frases como essa:" Recomendadíssimo, não importa quantos dentes você tenha na boca." Sabe aqueles homens que compram Autorama dizendo que é pro filho de 1 anos. Sei não porque pensei neles agora...
Eu condeno demais quem compra livros pro filho e fica curtindo. Eu NUNCA fiz isso (só não pode confirmação pros meus familiares, tá).
E, quero dizer...amei a porteira! Tomara que já caiam outros, rsrsr.
Bjs
PS. Não ligo pra suas reticências lá, eu uso e abuso delas aqui.

Anônimo disse...

Ai, tb fiquei babando aqui de curiosidade de ver!!!

Rita, no último post vc falava do tempo e do Arthur...como assim ele tem 5 anos e está no primeiro ano da escola?! (se vc já explicou isso, peço desculpas - confesso q lí um punhado de post, mas, não tudo, tudo :)

Beijoca!
Ju Paiva



XXX

Amanda disse...

Que fofo esse livro! Super boa ideia. Quanto ao dente, que corajoso esse menino! Cada dente mole meu era um drama familiar. Eu não arrancava de jeito nenhum e minha mãe ja chegou até me levar pro dentista pra poder arrancar um dente de leite! Drama queen...

Danielle Martins disse...

Que encantador seu potst! Fiquei com vontade de comprar o livro mas a minha filhinha tem 17 anos... será que tem algum problema?! rsrs

satya disse...

Quero muito esse livro!

Rita disse...

Juliana, você iria adorar a fofice, tenho certeza.

Isa, você já sabe. :-)

Vivien, é bem lindinho mesmo.

Borboleta, sou bem cara-de-pau mesmo e vivo sugerindo joguinhos de tabuleiro "para as crianças". Quanto aos livros, só pra você saber, li aqueles todos que você mandou. :-) Bj (meu pensamento tá com você hoje, viu...)

Ju Paiva, é assim mesmo: a criança precisa completar seis anos até o meio do ano em que cursa o 1º ano. Isso por enquanto, porque, segundo uma amiga me explicou ontem, essa data vai mudar para março. Como o Arthur faz 6 anos em maio, já está no 1º ano. E acho que eu nunca falei disso no blog, não. Beijo!

Amanda, fofinho, né? E o dente foi zero drama, só festa. E a moeda trazida pela fada do dente ainda permitiu abertura de cofrinho recheado e loja de brinquedo depois. Quer dizer, acho que o Arthur está torcendo por outros dentes moles. Bj.

Danielle, muito obrigada, querida. Compra, copmpra sim, vocês duas vão curtir. :-)

Satya, não é? :-D Beijocas.

Valeu, pessoas.

Rita

Anônimo disse...

Lendo suas anotações fiquei encantada. Já conheço o livro, fui apresentada à ele por uma colega de curso de professores alfabetizadores. O livro virou o nome de um Projeto de Leitura que desenvolvemos com as crianças do Ensino Fundamental. Você já conhece O Natal do carteiro ? Obra dos mesmos autores.
Beijos Christinne Plinis

 
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