On canvas


An eye with a view, Dali.

Estou caminhando por uma passarela rente a um ancoradouro. Estou bem impressionada com o tamanho daqueles navios gigantescos, à minha direita. Caminho por um bom tempo, sempre mirando os navios. Alguns são brancos, outros são cor de chumbo. A certa altura, olho à minha frente e percebo que a passarela onde caminho se elevou e não estou mais no chão, como supunha, mas sobre uma estreita barra de ferro a muitos metros do chão. Como uma ponte quebrada, meu caminho se interrompe no meio do nada. Com muito medo, sentindo a barra oscilar levemente, evito olhar para baixo e me concentro em caminhar para trás até retomar o caminho seguro lá embaixo. Corta a cena. Estou de novo no chão, olho para os meus pés e me concentro em dar a partida, como se fossem um carro. Recomeço a andar, aliviada por ver que estou de novo em terra firme e que o caminho branco é aparentemente sem fim. Volto a olhar para os navios.

***

Um bingo. Não como os de cassinos, é mais uma feira, uma quermesse. Não sei quem são essas pessoas, o ambiente está bem apertado e tento me concentrar nos números sorteados. 03, 05, 06... eu não tenho o seis, mas estou indo bem. Tudo parou e um barulho esquisito chamou a atenção de todos que estão comigo. Começamos a olhar para os lados, movendo nossas cabeças em câmera lenta; é uma sirene? E no melhor estilo A Origem, percebo que é a centrífuga na cozinha. Acordo, atrasada.

***

Meu pai está com medo das velas. Há velas pela casa, mas eu não dou muito bola para esse papo; nem minha tia. Mas quando nós duas entramos na despensa, vemos as duas velas se acenderem sozinhas, com uma lufada de calor. E meio segundo depois as chamas somem. Então nos entreolhamos e percebemos que ele está falando a verdade e, nesse momento, compartilhamos de seu pavor. No quadro seguinte, eu e ele tentamos controlar uma grande chama que flutua a nossa frente. Todo o ambiente é muito escuro, só há a luz da chama, muito parecida com uma grande tulipa, que ilumina o grande, nítido rosto de meu pai.

***

Ah, se eu fosse pintora. Rita Dali. Toda noite um quadro novo.

4 comentários:

Anônimo disse...

Meus sonhos também são surreais, mas não tão criativos. Meu subconsciente costuma misturar as coisas que vive durante o dia e as coisas que ouvi, ai vira um sonho bem maluco.
Outra coisa,eu acompanho o blog diariamente, viu? não perco um post, é que só as vezes faço comentários, você as vezes nos deixa sem palavras, como no post sobre o primeiro dia de aula da Amanda.
Bjos!
Larissa

Borboletas nos Olhos disse...

Não seja cobiçosa (pode-se dizer assim, moça pesquisadora da gramática?). Quer um talento a mais? Já pinta o sete com as palavras, né...

Patricia Scarpin disse...

Rita, vou mandar um email pro C. Nolan e te indicar de roteirista pro próximo filme dele. ;)

Rita disse...

Larissa, sei e adoro saber que você e sua mãe estão sempre por aqui. Você sabe o quanto isso importa pra mim. Beijo grande.

Borboleta, pinto nada. Mas sigo lendo uns blogs bons por aí pra ver se aprendo... ;-) Sacou?? Hein, hein, hein??? hehehe...

Patricia, liga, sim!!! ;-) Vai se chamar A Desmiolação. :-D

Bjs...

Rita

 
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