Nojo


Às vezes reluto em escrever sobre algo que já foi tema de vários outros blogs, seja para não soar enfadonha, seja por não ter muito a acrescentar à discussão, etc. Mas hoje vou falar nem que seja por exercício terapêutico para, ao verbalizar, tentar organizar melhor o desconforto. Mas vou ser breve, porque não vou contar a história, vou só me posicionar sobre. Se você ainda não está por dentro do caso do abuso sofrido pela ex-escrivã da Polícia Civil de São Paulo, peço que se informe antes em outras fontes - há vários sites e blogs tratando do caso, para entender do que estou falando (você pode ler o post do Blogueiras Feministas, por exemplo). Peço desculpas, mas não quero mesmo descrever as cenas. 

Quero apenas expressar minha repulsa pelo ocorrido e pelo discurso que tenta justificar a ação dos policiais envolvidos. Desconheço outros detalhes do caso além dos apresentados pela reportagem do Jornal da Band, mas me parece que ela era mesmo culpada da corrupção de que lhe acusavam. Se assim for, isso a torna uma criminosa, um exemplo lamentável de agente público pago pelo Estado para defender a população de condutas criminosas e que, no entanto, age contra os cidadãos. Repudio sua conduta, supondo que assim seja - repito que só conheço os fatos sob a ótica exposta pela reportagem da Band. Mas isso não justifica, sob nenhum prisma, a atitude violenta e abusiva assumida pelos policiais que a expuseram à tamanha humilhação. Não justifica, tampouco, o silêncio de quem estava presente e não moveu um dedo para evitar o abuso. Ela não se recusou à revista, ela apenas pediu que o ato fosse feito como pede a lei. E se não havia policiais civis femininas presentes na sala, havia pelo menos uma militar e, certamente, muitas outras policiais civis no prédio onde eles se encontravam. O que se vê é um circo de horror e não sei se fico mais enojada diante do que aconteceu ou diante das tentativas de justificar o ato sob o argumento de "mas o dinheiro estava lá". Vê-la gritando para não ter suas roupas arrancadas por seus colegas diante de cerca de dez pessoas é revoltante. Inacreditável ver tantas pessoas insistindo de que foi tudo feito dentro da legalidade. Triste, muito triste.


9 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Eu não vou escrever sobre isso e em outros blogs sequer comentei. Porque não tenho palavras pra dizer como me sinto. Uma repulsa enorme da minha condição de humana porque é a mesma condição de quem fez a violência e de quem a legitima. Hoje, não consigo relativizações. Há dias em que me sinto uma estrangeira na terra. E dói.

Luciana disse...

Não somente humilhacão, mas violência também. Uma cena horrível e monstruosa. Nada que a gente já não pudesse imaginar sobre como a polícia brasileira age, mas ver o vídeo choca e revolta.
Não tenho tanta conviccão de que o dinheiro estava dentro da roupa dela, dá a impressão que ele surge na mão do delegado, não ficarei nem um pouco surpresa em saber que plantaram o dinheiro também, afinal não é novidade.

Nojo também.

Liliane Gusmao disse...

Li em algum lugar que se o que foi feito com essa mulher está certo do ponto de vista jurídico estaria mais do que na de modificar a lei. Achei tudo isso no mínimo ultrajante, vergonho e nojento. Um circo de horrores.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

E a gente acaba pensando: se fazem isso com uma colega de trabalho, conhecida deles, mesmo que suspeita de um crime, o que não são capazes de fazer nas ruas com pessoas desconhecidas deles, que não conhecem as leis, ao contrário da escrivã?
Enojada com a situação e com os comentários de quem apoiou, principalmente daqueles que pareceram ter adorado a cena de humilhação pelo fato de ter ocorrido com uma mulher.

Tina Lopes disse...

Um circo armado por homens que devem tê-la desejado muito, antes, pois são ex-colegas e a mulher é bonita. Fato é que no Brasil a Justiça é confundida com Vingança. Por isso não se faz nada contra prisões lotadas, tortura etc. Pesado.

Rita disse...

Meninas, obrigada pelos comentários. Queria esquecer aquelas cenas. Escrever aqui me fez bem, porque eu fiquei meio em choque quando vi o troço, viu. Fim do mundo define. Abraços procês, lindas.

Rita

Angela disse...

Compatrilhei sua indignacao com essa tentativa de impor-se uma lei, quebrando outras tao importantes. Que assustador o precedente de impunidade criado e seu potencial: mais mulheres despidas a forca, quando bem desejarem, sob acusacao de algo qualquer. Barbaridade, literalmente dita.

Luciane Curitiba disse...

Concordo com a Laurinha, vendo a cena é de ficar com medo do que possa acontecer com qualquer cidadão que "caia nas mãos" desses usurpadores do poder. Nessa hora é que desanimo de estudar para passar num concurso e ser colega de pessoas que cometem esse tipo de abuso. É nojento, asqueroso, vergonhoso, humilhante e sub-humano. Por mais que ela tenha cometido um crime - o de concussão - existem meios legais e decentes para apuração dos fatos. É lamentável!!!

Rita disse...

Anginha, esperamos que a coisa, agora que se tornou pública, caminhe para uma investigação correta. Há indícios de que muita coisa vai rolar. Veremos. Bj.

Luciane, é muito triste mesmo. Certamente há muitos policiais íntegros na Civil de SP, mas ver que ninguém na sala se mexeu para evitar aquilo é realmente desanimador.
Bj.

Rita

 
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