Yoga forever


Virabhadrasana 1, ou postura do guerreiro 1

Depois de quase dois meses de completo sedentarismo, Odisseus e eu retomamos nossas aulas de yoga. Coincidentemente, yoga foi o assunto de um rápido papo ontem no twitter com algumas @s queridas e também de um comentário que fiz no blog da Amanda, em um post muito interessante que ela escreveu. Basicamente, eu disse por lá que pratico Hatha yoga há alguns anos (já falei disso antes, talvez vocês se lembrem) e que o considero uma forma de exercício bem completa (para muitos praticantes yoga é bem mais que isso, mas para mim é basicamente uma maneira de cuidar da saúde), já que os benefícios da prática regular abrangem várias frentes.

"Conheço" duas linhas diferentes de yoga, da maneira como é praticada no Brasil (mas pode haver outras): a Swasthya Yoga e a Hatha Yoga. Eu não saberia apontar nem meia-dúzia das diferenças existentes entre as duas linhas, além do fato de que a primeira tem raízes bem mais antigas e que há limitações quanto ao seu público-alvo. Por outro lado, a Hatha, respeitando-se limitações físicas eventuais, acolhe qualquer pessoa interessada em praticá-la.

Na primeira vez em que me interessei por yoga, visitei uma escola de Swasthya e, honestamente, detestei o clima do lugar. Senti certa aura de superioridade do ser iluminado que me atendeu e que tratou logo de me explicar que, antes de praticar a maravilhosa Swasthya, eu teria de preparar meu corpo e minha mente para tal, através de aulas preliminares que me deixariam apta a buscar a luz. Ele se referia à yoga como algo muito especial, para poucos, sabe, e não deixou de ressaltar que aquele lugar era uma universidade e que eu faria um curso mesmo, algo para ser levado muito a sério e sei lá mais o quê porque me desconcentrei enquanto observava os quadros que decoravam o ambiente sublime: quadros e mais quadros de pessoas saradérrimas em posturas dificílimas. Quer dizer, encontrei em dez minutos de papo tudo que eu jamais procuraria na yoga, já que fui em busca dela para, entre outras coisas, fugir das academias e seus narcisos. Fui embora dizendo que voltaria no dia seguinte.

Por causa da bendita insistência de uma amiga, aceitei, tempos depois, experimentar aulas de Hatha. E aí, sim. Achei. Lembro-me até hoje de minha primeira impressão: uma aula tranquila, com posturas viáveis, exercícios interessantes de respiração e postura, dicas para manter o foco e a concentração. Um mantra no final da aula que não me disse muita coisa. Namasté. Saí de lá relaxada, animada com a possibilidade de evoluir no alongamento, algo que eu lamentava ter negligenciado depois de interromper as finadas aulas de dança, e de fortalecer a musculatura sem as famigeradas repetições da musculação. Voltei, experimentei aulas com professores e modalidades diferentes e nunca mais quis saber de outra forma de me exercitar.

Dentro da Hatha, há várias modalidades e eu gosto muito de Ashtanga, mas já fiz aula de Iyengar e Vinyasa e também adorei. É fácil perceber que muito depende do preparo da professora ou professor, já que é fundamental que as posturas sejam corrigidas, que a respiração seja mantida, que as contrações do abdome e do baixo ventre sejam observadas, etc. É muito fácil fazer yoga mal feito e aí perde-se a chance de evoluir na prática como normalmente se deseja. No caso específico do Ashtanga, o praticante segue uma série pré-estabelecida de posturas, sempre aliando o movimento à respiração: toda mudança de posição é feita em uniformidade com uma inspiração ou expiração (normalmente com a respiração "sussurrante", feita exclusivamente pelo nariz, mas com a glote levemente contraída, o que ajuda a manter o foco em nosso corpo). Como eu disse lá no blog da Amanda, as posturas do Ashtanga, feitas em sequência, ajudam a respirar melhor, controlar a ansiedade, melhorar o equilíbrio e a concentração e, de quebra, vão fundo na flexibilidade e ainda fortalecem a musculatura (algo que, antes de praticar, eu jamais suspeitava que o yoga fizesse).

Algumas pessoas (como eu, antigamente) torcem o nariz para o clima de meditação, mantras e todo aquele papo em torno de imaginar um vale verde. Devo ter tido, nos últimos anos, seis ou sete professores e professoras de yoga e apenas um deles gostava de bancar o pregador, o que, em minha opinião, comprometia muito sua aula - eu considerava tempo jogado fora. Não fiz mais que duas aulas com ele. Não sou vegetariana, não quero ir meditar na Índia e não acho que yoga é o caminho da luz. Mas sinto em meu corpo o benefício da prática e por isso sou entusiasta e recomendo sem medo. Com uma boa professora ou bom professor e uma modalidade que se encaixe nas preferências do aluno, a coisa fica muito prazerosa. No local onde pratico, as aulas sempre se iniciam com o mantra ommm e geralmente são encerradas com outro mantra, seja o da paz ou outro qualquer. Não me importo, acho bonitos, entoo sem medo de virar faquir. São breves momentos de concentração e relaxamento que fazem parte do pacote no qual está o que realmente gosto, as posturas lindas do Ashtanga, sua fluidez, seu conjunto inteligente. Cada postura cuida do corpo todo: coluna, pernas, braços, pescoço, respiração, abdome, assoalho pélvico, ombros, pode imaginar. Nenhum professor me manda pensar no vale verde. E se mandar, desobedeço, ora. 

Dito isso, comunico que estou quebrada, hohoho, vejam só. A nossa nova professora não tem ossos no corpo, é toda de elástico. Então ela acha que nós também somos. E, né, como era a primeira aula depois de dois meses, ela pegou "leve". E eu tentei acompanhar tudo. Pronto. Hoje ela teve de pular algumas posturas porque eu não dava conta de fazer determinados movimentos com os braços... quer dizer, ao contrário do que prego por aí, forcei e exagerei. Mas eu sou humana, posso me contradizer à vontade. 

Virabhadrasana 2, ou postura do guerreiro 2 

Namasté.  


12 comentários:

Glória Maria Vieira disse...

QUE LEGAL! *----------*
Outro dia, meu professor de Teoria, com presepada, disse que ia fazer uma vaquinha com o pessoal da minha turma pra pagar uma aula de Yoga pra mim. kkkkkkkkkkkkk :D Adorei a ideia, mas ela não foi pra frente. ASUHAAHSUHAUHAHUSHAH
Sério... Eu super me interesso por Yoga. Acho que ia dar certinho pra mim. Ando precisando relaxar de verdade verdadeira. E com você agora indicando, pronto, Rita!=)

Beijo enorme!

Liliane Gusmao disse...

Ai Rita,
Amo yoga e sinto tanta falta mas depois da segunda gravidez ainda não consegui retomar... Que falta q faz...

Quem sabe esse ano eu consigo!
bjos

Angela disse...

Yoga eh mesmo tudo de bom. Nos encontramos ha dez anos, oito dos quais pratiquei Hatha. Assim como a Liliane, depois do nascimento numero dois (i.e. nos ultimos dois anos exatos) nao consegui achar tempo para retomar, e morro de sentir falta. Ultimamente tenho bolado planos de como retomar na primavera... A Yoga trouxe tantas coisas para mim, fisicamente, mentalmente e espiritualmente que nem consigo acreditar. Me fortaleceu em todos os aspectos, me segurou em momentos dificeis, me trouxe claridade quando foi preciso. E tambem estava ali para maximizar os momentos bons: foi um dos varios fatores que me possibilitaram dois partos naturais. A postura do guerreiro eh muito apoderadora (? empowering...), e era uma das principais que usava durante visualizacoes do nascimento de Max. Quando li o post da Amanda, foi a primeira coisa que me veio na cabeca: ela talvez iria gostar de uma boa Yoga... :) Beijinho e Namaste. /\

disse...

Fiz 4 anos de yoga Iyengar aqui em Paris e adorei! Nao tinha nada de vale verde, iluminacao, nem tinha que imitar rugido do leao (nao gosto desse tipo de yoga), nada disso. Toda a concentracao era na respiracao e nas partes do corpo, pela sua descricao parece com esse yoga que vc faz. E qualquer um podia fazer. Desde a jovem adolescente super elastica até o senhor de 80 anos.

Durante a gravidez fiz uma aula especial para gestantes. Até os 6 meses de gravidez eu fazia a postura de ponta cabeça e tudo! Depois passei a ficar com medo. Depois que o Rafael nasceu eu parei. Fiquei 1 ano amamentando e nao conseguia me ausentar para as aulas, que eram a noite. E meu prof, que era MARAVILHOSO, se mudou de Paris... ai' desanimei...

Caso me esqueçam disse...

definitivamente, eu vou fazer yoga. nao sei quando, mas com certeza vou. vou procurar aqui aulas, porque soh ouço falar bem da pratica e preciso me exercitar. exercitar a mente. "ajudam a respirar melhor, controlar a ansiedade, melhorar o equilíbrio e a concentração". tipo assim: perfeito. tudo o que eu preciso. quando tou estressada, minha respiracao eh dificil, fico tensa, eh horrivel. ai, fiquei empolgada! vou procurar as aulas! :D

Caso me esqueçam disse...

tah mal, viu! procurei escolas aqui em lyon e, ou os horarios nao sao bons, ou o preço eh salgado. mas vi duas escolas que poderiam me servir... vou ligar pra elas depois. nao tenho pressa porque nao tenho dinheiro hahaha mas vou me movimentando pra ver se da certo de eu fazer em algumas semanas.

post otimo! :D

Amanda disse...

Nossa, vou correndo procurar essa ioga! Mas acho que deve ser dificil encontrar um bom professor, não? Ja fiz algumas aulas no Rio e não gostei muito. Uma delas fui com a minha mãe e a gente ficava morrendo de vontade de rir quando olhava uma pra outra. Mas vou tentar de novo e sozinha, dessa vez.

Caminhante disse...

Eu fiz swasthya uma época, porque era o que ofereciam na minha academia. Eu tinha lido sobre a yoga durante toda a minha adolescencia e fiquei profundamente decepcionada. Não que eu esperasse um mestre, mas uma mocinha narcisista foi demais para mim. Ainda insisti mais alguns meses, achando que poderia abstrair aquele clima de "conversão", mas a coisa foi me irritando cada vez mais.

De certa forma, ficou aliviada em ler o teu texto e perceber que eu tinha apenas parado na yoga errada...

Borboletas nos Olhos disse...

Rita, não sei continuarei lendo seu blog. Você fica me colocando idéias subversivas na minha cabeça (sucos verdes, exercícios físicos e por aí vai). Sei não, sei não. Acho que devia ter algum tipo de anúncio nessa página, tipo, O Ministério da Saúde Adverte: Ler o Estrada Anil pode provocar desejos de uma vida saudável.

Rita disse...

Fala, Glorinha! Quando começar,me conte, quero saber se vai gostar. Beijo, sua noveleira. ;-)

Liliane, tomara que você cosiga voltar, sim. Senti a maior falta quando parei (várias vezes: gravidez, horários, etc...)

Anginha, tudo de bom, né? Não escolhi a postura do guerreiro á toa para ilustrar o post: adoro fazer, as três. Bj.

Dé, é bem isso que você falou: todo mundo pode fazer Hatha. Dá para se adaptar em casos de limitações e sempre dá para evoluir com o tempo. Bj!

Luci, vou torcer muito para você encontrar uma boa escola de Hatha. Suspeito que você se daria bem com Ashtanga ou Iyengar, mas vale experimentar outras também. Boa sorte!

Amanda, tomara que você comece! Viu a Dé falando que o superprofessor dela se mudou pra Paris? Beijão!

Caminhante, nossa, detesto o papo da Swasthya. Noooossa, só vi gente se achando, muita vaidade, o oposto do que tenho o centro onde pratico. O que mais ouço dos professores é: não compare, cada pessoa é única... Tudibom. Bj.

Luciana, em breve receita de salada com doze itens, só pra você. Beijoca.

Namasté, pessoas!

Ana disse...

Nossa, que legal q vc tbem gosta de Yoga Rita!
Mais uma coisa q temos em comum - alem do gosto pelo sucos verdes! rs!
Eu tbem adoro yoga, acho q me faz um bem tao grande. Sou como vc q nao me sinto um ser iluminado na aula, mas eh uma forma de exercicio q me faz bem, me traz uma sensacao tao boa e alem de tudo faz bem p/ o meu corpo.
Eu saio da aula camla, tranquila e energizada, e com um bom workout as a bonus!
Concordo com voce de que o professor faz toda a diferenca. Eu faco yoga no YMCA e la tem trocentas professoras, mas a maioria eu nao sou muito fa. Engracado como vc tem q testar e experimentar a aula de todas p/ achar uma com q vc identifique, que voce curta a sequencia de poses, nao eh?!
Esse mes to triste pois a professora preferida vai fazer hip surgery e nao vai dar aula por uns meses, ja me deu um desanimao, mas vou continuar indo pois tem mais duas q eu gosto bastante tbem.
Que bacana q vc tbem pratica yoga, muito joia mesmo! (eu nao tenho muitas amigas q share esse gosto p/ ioga - e p/ sucos verder tbem!)
Beijos!
Ana

Rita disse...

Ah, Ana, que legal! Bom demais saber que você também pratica! É mesmo muito bom ter com quem trocar figurinhas a respeito de algo que valorizamos muito. Meu marido tá fazendo junto e tem sido delicioso! Espero que você não desista por causa da professora. Mesmo que não seja com o melhor profissional, siga na prática para não enferrujar... e aí quando ela voltar você toca no pique total! Namasté!

 
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