Escola, religião e amor



Vamos ver se consigo falar disso sem chocar muita gente: meus filhos estudam em uma escola católica, ainda que aqui em casa sejamos agnósticos (oops, alerta de possível choque para todos: para a parte religiosa da família e para os amigos agnósticos, mas vamos em frente). Fui criada em uma família católica, estudei em colégio católico, tenho parentes de outras religiões, mas, até onde sei, sou a única na família que se considera à margem da crença e da adoração. Respeito todas as vertentes da fé, sejam elas cristãs, islâmicas ou budistas, vejo nitidamente que a religião faz muito bem a várias pessoas que conheço e não tento convencer ninguém de que minha visão é mais ou menos certa do que essa ou aquela outra forma de enxergar a vida - até porque, né, ninguém sabe nada; a gente meramente acredita, não acredita, acha ou supõe. Mas, por ora, não compro o que nenhuma religião vende e cá comigo acho que ser “do bem” e alimentar o amor universal, o respeito pelo outro e a solidariedade, entre outros valores, não têm necessariamente algo a ver com religiosidade. Não quero amar o próximo porque espero benefícios eternos ou porque temo punições, mas porque não concebo nossa passagem por aqui se for para cuidar apenas do nosso umbigo. E obviamente essa conversa é infinita, de onde viemos, para onde vamos, essa coisa toda, mas o papo aqui agora é bem mais específico do que o sentido da vida: o lance da escola.

Participo de uma lista de discussões que, de ontem para cá, andou tocando no assunto. Algumas participantes trocaram ideias sobre matricular ou não filhos em escolas onde a religiosidade se faz presente, ainda que, em casa, pretendam passar para os filhos uma formação agnóstica. Mencionei que meus filhos estudam em uma escola católica, mas que, até agora, isso não gerou nenhum conflito, pelo menos nada muito evidente, e que acredito que seja assim por conta do enfoque multicultural dado ao ensino religioso por lá, como falei aqui nesse post do ano passado. (Pausa para vocês lerem o post, se quiserem.)

Disse lá e repito aqui que a questão religiosa é tratada na escola dos meus filhos muito mais como um fenômeno sócio-cultural do que como dogma a ser transmitido de forma inquestionável (o oposto do que ocorria na escola onde eu estudei, que tinha freiras como professoras e onde religião era sinônimo de catolicismo) e que isso também é conhecimento e cultura - e é bom. Acho mesmo que faz diferença: a partir do momento que a criança percebe que as manifestações religiosas variam profundamente de um contexto social para outro, ela tem a chance de desenvolver um olhar crítico sobre o assunto e, tchan-ans, questionar o fenômeno da religiosidade. Nada é natural, óbvio, intocável, mas construído socialmente. Bem diferente de termos rituais católicos ensinados como se fossem a forma oficial de ter contato com Deus, por exemplo. Então apesar do nome e das tradições que rondam a escola do meu filho, lá está em sua “concepção de escola”: “pensamento crítico, desmistificando a verdade única e imutável”.

O grande foco da conversa de ontem, contudo, foi um pouco além. Porque nos parece que aceitar manifestações variadas de fé no ambiente escolar tem se tornado relativamente comum - uma tendência em um mundo onde discursos pluralistas ganham cada vez mais espaço - desde que a fé esteja presente. Mas a discussão do grupo se voltou para o espaço dado à criança de formação familiar agnóstica e aí é quase consenso a noção de que o ideal é, afinal, uma escola laica. Bom, eu até concordo, mas infelizmente não encontrei esse ideal.

É claro que, acreditando que o Estado deva ser laico e sendo eu mesma agnóstica, e pretendendo deixar meus filhos inteiramente à vontade para seguirem na crença que melhor lhes convier (se alguma lhes convier, claro está), seria natural que eu mesma fizesse questão de matriculá-los em uma escola laica, onde ensino religioso não integrasse o currículo e onde questionar a existência de Deus não fosse encarado como heresia. Mas, honestamente, pelo menos no meu caso, o fator “religiosidade” não se sobrepôs a outros fatores que considero importantes na educação formal das minhas crianças. Naturalmente, se a escola onde estudam adotasse uma postura doutrinadora, exclusivamente católica, bla bla bla, eu dificilmente os manteria por lá, mas não é o caso.

Incomoda-me muito mais o fato de eu recorrer a um escola particular em detrimento de uma boa escola pública (e, aí sim, necessariamente laica) que nos garantisse a tranquilidade de fortalecer em nossos filhos a importância de um Estado presente da forma adequada em nossas vidas. Porque, de um jeito ou de outro, nunca vou obrigar que meus filhos concordem com minha visão agnóstica de mundo. Eles serão livres para manifestar seus questionamentos e suas crenças em nossa casa e não faltará diálogo para esclarecer o que pensamos acerca dos mais variados assuntos relacionados com transcendência, vida após a morte, criação do universo, o que for. Então entre uma escola “religiosa” com bom projeto pedagógico e boa estrutura e uma laica mal administrada, fico com a primeira e mantenho os olhos bem abertos às discussões em torno das religiões. Porque, no fim das contas, não somos religiosos, mas não nos importamos de conviver com pessoas que o sejam. Além disso, o fato de ter filhos matriculados em uma escola laica não é garantia de que eles estarão de todo livres de “ameaças” impostas por professoras carolas que, cedo ou tarde, saquem um “não faço isso que Deus castiga”. Claro que estou simplificando (e claro que rola aqui uma pequena dor de cotovelo por não ter encontrado a boa escola laica que eu gostaria), mas a verdade é que garantia é espécie em extinção.

Aposto no poder da conversa e em uma escola que amplie as chances de meus filhos desenvolverem aquela simpatia pelo pensamento científico, ao mesmo tempo em que percebem que o mundo é tão variado que ficamos tontos só de pensar. E que isso é muito bom.

***

- Mãe, quando a gente morre, nasce de novo?
- Ninguém sabe, filho. Mas muita gente acredita que sim.
- A minha amiga (vou preservar o nome da fofura) acredita. E eu acredito também.
- Tudo bem, filhote, pode ser. A ideia é bonita, seria bom, né?
- É, seria muito bom. Me dá água? Gelada, hein!
- Por favor, o quê?
- Por favoooor, me dá uma água geladinha...
- Seu pititico.
- :-)

***

Quando alguém que me conhece, e que acredita em Deus, tenta me consolar pela perda de minha mãe com palavras como "Deus te dará forças" e outras nesse sentido, sinto-me recebendo um carinho, um abraço. Sei que essa pessoa está me oferecendo o que ela tem de melhor para aquele momento: ela está usando sua fé para tentar me fazer bem e de forma alguma isso me incomoda. Não acho que sou dona da verdade. Sou só uma pessoa cheia de dúvidas, com a cabeça fervendo de questionamentos. Espero que, lendo este post, ninguém passe a achar que suas manifestações de religiosidade me incomodam. Muito pelo contrário, tenho recebido diversas manifestações de carinho desde que minha mãe foi embora e em muitas delas a ideia de Deus está muito presente. Recebo todas, com amor no coração e profunda gratidão. Sinto-me, digamos, abençoada por receber tanto carinho. Se eu tivesse o hábito de fazer orações, essas pessoas estariam em todas elas.

20 comentários:

Mari Moscou disse...

Rita, fiz questão de não ler esse post no meu Reader pra me obrigar a comentar! :) Como eu disse, gosto bastante das coisas que você escreve e acompanho sempre seu blog já faz mais ou menos um ano.

Me senti super representada por tua opinião aqui nesse post. Simplesmente não entendo as pessoas que odeiam qualquer coisa só porque é religiosa, assim, de imediato.

Por princípio não tenho religião e, mais, sou atéia. Meu marido é espírita e me ensina uma porrada de coisa sbre espiritismo. Discutimos, questionamos juntos e assim vamos aprendendo. Mas eu continuo atéia e ele continua espírita e nós nos amamos muito! :)

Acho que isso veio mesmo de uma educação que, além de voltada para o pensamento científico (after all, virei cientista né) foi muito forte na questão da tolerância e do respeito à crenças e opiniões. Mas sempre sabendo dentro do respeito questioná-las. :)

Beijao!

Juliana disse...

Oi, rita! Que discussão boa!

Ao ler o post, me lembrei do desconforto que surgia em toda reunião pedagógica na escola em que trabalhei . A diretora tinha por hábito iniciar as reuniões com uma leitura de cunho religioso e uma oração. O fato de estarmos numa escola pública não impedia que a diretora "sugerisse" que déssemos as mãos uns aos outros pra orar. Apesar de ter formação religiosa, aquilo me deixava incomodava muito, porque não via sentido que eu pedisse que Deus resolvesse os problemas que a escola se recusava a encarar. Eu engolia aquilo, porque era novata no sistema e ficava com medo das ameaças veladas que eram feitas.

Na escola em que estou agora, a direção mantém um claro distanciamento entre a religião e o funcionamento da escola.

Eu já me vi meio sem saber como agir, quando uma aluna apareceu n aula com a cabeça raspada , em virtude de um ritual do candomblé. Os alunos da turma imediatamente começaram a ofendê-la por conta disso. Nessa circunstância, acabei recorrendo ao sistema de regras que tínhamos na aula que punia quem ofendesse colegas, para acabar com as grosserias. Depois ao longo do ano, houve na escola palestra e trabalho sobre tolerância religiosa e o pessoal foi muito receptivo. Eu falhei na época, porque não soube lidar com assunto e percebi que deixei que meu desconhecimento e meu preconceito acerca da religião da menina me impediram de ter uma postura mais correta.

Olh, me lembrei agora de uma outra situação, só que essa vivi como aluna: lembro com clareza do dia em que perguntei pra minha professora da quarta série ( sempre estudei em escolas laicas) quem tinha dado nome aos planetas e recebi como resposta : " Adão". não foi exatamente a resposta que eu esperava. Peculiar! =)

Assunto bom! Já disse isso,né?

Rogério disse...

Oi, Rita, também sou agnóstico. Prazer. Conforme disse em comentário lá atrás, não sigo nenhuma religião, apesar de pertencer a uma família católica, boa parte praticante. Mas convivemos bem, em que pese minhas opiniões acerca de Deus causarem algum impacto. Não creio no Deus propagado pelas religiões, principalmente a católica, porque seria obrigado a achá-lo um tanto relaxado, avesso ao capricho e não raro distraído em suas funções de onipresente. Tá aí o Haiti e as recentes tragédias no Brasil. Há algum tempo participei de uma terapia em grupo, e a mediadora propôs que cada um de nós expusesse o que diria a Deus no memoento fatídico. Quando chegou minha vez, disse: 'Vai começar a se explicar agora, ou quer tomar uma kaiser antes?'. O tempo fechou, arrumei uma desculpa e me mandei.
Eu me sentiria muito honrado com uma visita sua em meu cafofo.
Um beijo.

Anônimo disse...

Particularmente, eu admiro muito quem consegue se desvincular totalmente de uma doutrina sob a qual foi criado em prol de suas próprias convicções. Apesar de não crer/valorizar ritos e sacramentos da igreja católica, na qual fui criada, eu acho que não conseguiria ter filhos e não batizá-los, por exemplo. Quanto a laicidade da escola, é uma tarefa difícil mesmo, pois até o próprio Estado, que se denomina laico, dá claras demonstrações de que não o é inteiramente.
Larissa

Borboletas nos Olhos disse...

Olha, seu eu quisesse escrever um post sobre este tema, bom, sairia bem parecido com esse (no conteúdo, tá, que na forma, sua delicadeza, lógica e abrangência são admiráveis). Eu sou uma pessoa legal (e modesta). E, eu vejo com clareza, grande parte disso (ser legal)deriva de uma educação em escola dirigida por freiras e participar de grupos organizados da Teologia da Libertação na juventude. Hoje tais eventos são pouco mais que memórias, mas estão em mim. Não quer dizer, obviamente, que apenas estas experiências possam contribuir. O certo, pra mim é, apenas: amar e respeitar. Foi o que ficou. Bjs

Isa disse...

Tenho sérias suspeitas sobre a identidade da amiga do Arthur que diz acreditar que nascemos de novo, hehe.
Lindo post, como sempre.
Gde bj,
Isa

lola aronovich disse...

Bom, Ritinha querida, fico na torcida pra que vc e seus filhos não se arrependam muito por escolherem uma escola católica. Não sei até que ponto acredito no multiculturalismo de uma escola religiosa. Acho que sempre vão puxar a brasa pra sua sardinha (ou é o contrário? 2:30 da manhã!). Particularmente eu acho arriscado escolher uma escola religiosa porque vc fica sem muito campo de manobra. Imagina, vc não vai poder reclamar da escola fazer mil e uma coisas religiosas, porque, pô, a escola É religiosa, isso está claro, e quem vai ter que se adaptar é vc, não a escola. Quero dizer, acho que uma escola religiosa deve ter a liberdade (dentro dos limites da lei) de impor o que quiser. E só aceita quem quer, ou seja, quem pôs os filhos pra estudar lá.
E tem aquele lado que a gente já discutiu de colocar os filhos numa escola pública. Mas sei que uma coisa é a teoria (o Estado deve providenciar educação de qualidade), e outra é a prática (não estou dando o melhor pros meus filhos). Eu acho que se eu tivesse filhos (e ainda bem que não os tenho!), eu colocaria em escola pública e faria um monte de homeschooling pra compensar. Claro que a criança seria meio fraquinha em matemática... Mas saberia xadrez que é uma beleza!
Abração.

Tina Lopes disse...

Uau, esse é um assunto deveras complicado pra mim. Gostaria muito de ter o pensamento e a sensibilidade evoluídas que você tem, sério. Porque eu sou ateia e tudo o mais me incomoda. Na prática, lido com a Nina como você o fez no diálogo com o piquitito. Quando ela veio me perguntar de Jesus eu já contei sobre Buda, saquei o livro dos Mitos Gregos, lembrei de espíritos de um filme, pra acabar com aquele - ninguém sabe, mas muita gente acredita em muitas coisas, e você acredita em fadas, então... E saí correndo. Quanto à escola, íamos colocá-la numa católica que DIZ ter a mesma postura da sua, que parece realmente ótima (nem cliquei no link pq lembro bem) - DIZ mas eu sei que não é bem assim. Enfim acabei achando uma outra, laica, que usa o método que esqueci o nome mas é tipo um Montessori modernizado, perto de casa! Dei graças a Deus! hahahahaah brinks (não sei como não peguei fogo no Vaticano). Porque ao contrário de você, que é uma pessoa mais aberta, sensível e ao mesmo tempo, racional, eu poderia ficar em pânico se ela me aparecesse em casa, rezando. Poderia. Não sei. Porque com crianças a gente vai mudando todo dia, né? É um tal de cair a pauta e mudar o roteiro. E vamos levar em conta também que as crianças são altamente adaptáveis: se e qd surgisse algum problema, mudaria de escola e pronto. Nada é tão definitivo nessa fase, então não há espaço para um "arrependimento" dramático. A gente erra, acerta, erra, acerta ad infinitum. Finalmente, quanto às escolas públicas, ah se elas ainda fossem aquilo que ficou no nosso imaginário dos anos 70-80! Eu tive educação pública laica, mas minha mãe e minha irmã professoras viveram, nos últimos anos, sufocadas por doutrinas católicas e espíritas aplicadas por diretoras e orientadoras pedagógicas. Enfim, não ajudei mas pitaquei.

Tina Lopes disse...

Faltaram aspas: pra acabar com aquele "- ninguém(...)fadas, então..."

Rita disse...

Ola´, pessoas variadas!

Mari, que bom que você veio comentar aqui! Obrigada pelas visitas, querida, honra, honra.
:-) Adorei seu “depoimento” (olha, que sério!) porque acredito mesmo que meus filhos podem frequentar escolas e conviver com crianças de quaisquer crenças, independentemente do que acreditamos ou deixamos de acreditar. Eu teria problemas com alguma escola muito doutrinadoras, certamente, mas não é o caso da que escolhi. Beijos!

Juliana, é engraçado como algumas pessoas realmente confundem as coisas, penso eu (eu também confundo de vez em quando, néam) e insistem em misturar alhos com bugalhos. O que você contou é típico disso: pessoas de formação religiosa tentando espalhar suas crenças em ambientes teoricamente neutros. Ora, uma escola pública, mantida pelo Estado, deveria se manter à margem de manifestações religiosas justamente para não constranger alunos e professores que sigam seja lá qual for a doutrina, né? Mas sabe que lendo seu comentário me lembrei de que nossa professora de inglês na 5ª série, em esocla pública, rezava antes das aulas? E sabia que no colégio católico do Arthur não se reza antes das aulas? (eu achei que rezavam, mas perguntei a ele ontem e ele disse que não). Uia, que doido, né? Mais doido do que isso só o Adão batizando os planetas... hilário. Bj!


Rogério, acho que o segredo para a boa convivência com pessoas de crenças tão distintas é sempre o respeito. Basta querer, né. Eu amo demais meus tios e primos superreligiosos e tenho profundo respeito pela crença deles e toda vez que algum deles olha pra mim e diz “fique com Deus” acho lindo demais. Porque eles acreditam em Deus de verdade e creem que ficar com ele é uma coisa maravilhosa e eles desejam isso pra mim, como nesse mundo vou achar ruim, né??? Ora, agradeço de coração. E não ando por aí propagando minha falta de fé até porque não quero convencer ninguém de nada mesmo. Toquei no assunto nesse post porque o papo tava realmente muito bom lá na lista e não resisti.
:-) Abraços!

Rita

Rita disse...

Larissa, queridíssima, não batizei minhas crianças porque acho que cabe a eles a decisão de que doutrina seguir. Sinceramente, não me preocupo muito com isso, não tenho mesmo nenhuma identificação com a igreja católica ou com qualquer outra. Durante muito tempo acreditei em Deus e só, até que tantas perguntas ficaram no limbo que não deu mais. Sigamos. Um beijo grande.


Borboleta, pensando no que você escreveu: a escola das crianças tem um projeto que se define assim: “ bla bla bla busca resgatar valores que possibilitem aos alunos a reflexão sobre as condições de vida da comunidade, elaborando propostas de intervenção que visem à transformação social.” Quer dizer, tô dentro. :-)

Isa, você está tããão perspicaz... ;-)

Lola, quando você diz que não acredita no multiculturalismo da escola que descrevi, mesmo eu tendo dado um exemplo claro disso, a coisa fica meio... dogmática, hohoho. Não tenho argumentos para o seu “não acredito”. Ontem perguntei ao Arthur a que horas eles rezavam na escola, só para mencionar aqui e ele se surpreendeu com minha pergunta: “rezar? a gente não reza na escola...”. Não há qualquer pressão para que participemos de qualquer ritual de cunho religioso por lá, se houve alguma celebração no ano passado, nem fiquei sabendo. Mas foi lá que aprendi alguma coisa sobre Confucionismo e foi lá que vi um Buda na sala de aula pela primeira vez. A única adaptação que o Arthur precisou encarar foi deixar de ter a “tradicional” festa de Halloween, mas mesmo assim ele pode ir fantasiado de diabinho no dia das bruxas, se quiser. Mas se você não acredita, fica o dito pelo não dito. :-)

Tina, queridoca, gostei demais do seu comentário, mas confesso que ri com a imagem da Nina rezando e você fugindo para as montanhas. Não acho que o mesmo vá acontecer comigo. Acho que estou preparada para ver meus filhos se envolvendo com religiões por aí, há muito religiosos na família e tal e, se isso acontecer, quero proporcionar a eles a mesma aceitação que minha mãe católica me deu quando virei Rosa Cruz (passado o choque, claro - “uma seita?!”. :-) Enfim, ela teria ficado bem chocada com este post, certamente (eu teria preparado o terreno antes, de qualquer maneira...), mas eu acho que conseguirei encarar o Arthur falando em reencarnação numa boa - até porque a ideia é ótima, vamos combinar?? Agora se ele decidir virar padre, aí eu vou desmaiar feio (sou humana, relevem). Aff. Beijos.

Valeu, pessoas. Obrigadão!
Rita

Anônimo disse...

Sinceramente, ainda não cheguei a um nível de maturidade suficiente, que me possibilite ter uma opinião formada sobre o assunto. Mas, acho que aos filhos algo sempre vai ser imposto, seja a religião ou o ceticismo. Quando se insere a criança numa igreja, aquilo possivelmente entra na sua cabecinha e fica, o que mais tarde vai ser questionado por seu senso crítico e a possibilita fazer escolhas reais. Quando não se apresenta nenhuma forma de religião creio que dificilmente alguma vai lhe despertar interesse mais tarde, porque a racionalidade não nos permite acreditar nessas coisas.
Larissa

Anônimo disse...

Rita,

Gostei de comentar, olha eu aqui de novo :)

Larissa, o que acontece é que as crianças têm contato com a religiosidade, independentemente de ter pais ateus ou agnósticos. Meu marido é agnóstico, eu acredito em Deus mas não em religião (nem em seus dogmas). Mas a Julia, minha filha de 9 anos, reza antes de dormir. Mesmo estudando em escola laica. Aprendeu com a avó, que até hoje quase enfarta quando lembra que a neta não é batizada.

Enfim, ter fé é o "mainstream", não ter religião é que é diferente. Então não acho que o ceticismo seja imposto não. Porque ao longo da vida eles têm muito contato com demosntrações de fé, que vão atrai-los ou não.

Eu não acho ruim que a Julia reze (eu também rezo), mas acho ruim quando vejo que ela acredita que certos dogmas são verdade absoluta. Então vamos plantando a sementinha da dúvida e ela está amadurecendo e também tendo questionamentos dela. Mas não pretendemos interferir na fé (ou falta de) dela.

Meu marido foi criado em família de ateus e estudou em escola religiosa. Dos 4 irmãos, 1 virou religioso, os outros 3 não.

Um beijo,
Aline

Rita disse...

Larissa, não acho que estou impondo o ceticismo, sabe. Sou sempre muito franca com o Arthur (e, em breve, encararei as perguntas da Amanda também) e respondo que não sei. Não saber é diferente de dizer que é ou não é assim. Quando ele disse que acreditava que nascemos de novo depois de morrer, deixei que ele seguisse com seu pensamento, ao mesmo tempo em que fui honesta e disse que ACHO que não é assim. E que ninguém sabe, de fato. Acho que estou sendo honesta com ele, ao mesmo tempo em que permito que ele siga caminhos diversos do meu. Claro que ele é muito pequeno ainda e é possível que, como eu, ele experimente várias crenças ao longo da vida - mas de forma alguma o fato de eu mantê-lo afastado das religiões o impedirá de conhecê-las, experimentá-las ou até identificar-se com elas. Tenho amigas filhas de pais ateus (e olhe que me considero agnóstica, aberta às dúvidas, não absolutamente e irreversivelmente ateia) que são espiritualizadas... Taí uma coisa que alguns filhos adoram fazer: contestar. :-) Beijocas.

Aline, é bem por aí, acho. Se dependesse da minha criação em casa, eu nunca teria sequer cogitado duvidar de nada. Não podemos achar que temos controle sobre as escolhas futuras de nossos filhos. Podemos orientá-los e apresentá-los aos princípios nos quais acreditamos. E torcer para que sejam felizes e generosos em seus caminhos. Beijocas!

Rita

Anônimo disse...

Acho que é melhor guardar esses conflitos pra hora certa, né? Quando eu tiver filhos eu penso nisso, agora não. rsrsrsrsrs
Larissa

Vivien Morgato : disse...

Trabalhei em uma escola católica durante anos, naquela época,apesar de acreditar em Deus, não tinha nenhuma religião.
Daniel era pequeno e um dia me avisou no carro:
- me matriculei na catequeze.
Beleza, vai fundo. Como sempre apoio o que ele decide, comprei Biblia pra crianças,etc e tal.
Tempos depois, pergunto pra profa da catequeze, que era minha amiga:
- e ai, como está o Daniel nas aulas?
- Vivien, cada vez que ele levanta a mão e pergunta algo eu gelo...
- heheheh ( toda orgulhosinha)

Durou pouco, ele saiu do grupo e virou um mini ateu.

Não acredito em "convencer" pessoas, respeito a opção dele, apesar de ser diferente da minha. Ele,agora com 18 anos, já foi algumas vezes na igreja que frequento. Curtiu as discussões, mas discorda diametralmente de tudo, não vai mais. Paciência.


Eu,particularmente, acho super reconfortante ter fé. ;0)
Mas acho um porre quem pretende enfiar um arremedo de fé goela abaixo de todo mundo.

Vivien Morgato : disse...

ah,quando fui publicar o comentário...a palavra era "foodess"...rsrs

resposta...

vixe, naaaaooo....

Rita disse...

Oi, Vivien.

Quero essa tranquilidade para ver meus filhos seguindo suas escolhas em relação a religiosidade, fé, espiritualidade... :-) Sabendo, claro, que nem sempre vou concordar com elas.

Beijos!
Rita

Rita disse...

Larissa, mas sempre que quiser trocar figurinhas, é só gritar.
:-) Bom, EU grito. Beijos.

Rita

Murilo S Romeiro disse...

adorei seu blog e suas dicussões e temas. e a visita ao Louvre também ( adoro pintura !! )
Também sou como voce e tantos que comentaram aqui, apesar de ter estudado e vivido toda infancia em uma cidade mineira onde a fé católica é muito grande.
Depois volto pra ler mais. Agora a janta me espera.
Boa sorte na França e para toda sua família!!
abração
:o)
Murilo

 
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