Um ano na Estrada


E no meio de tanta muvuca por causa da volta para casa, o coitado do blog ficou à deriva. Tão à deriva que nem registrei aqui seu primeiro aniversário, coitado. No dia 26 de maio essa criança completou um aninho. Já sabe falar, caminha bem, mas com tropeços, e seu futuro é tão desconhecido quanto o é o de cada um de nós. Ou seja, acho que está tudo certo. 

O pior do blog? O vício que ele traz (blogar com sono é vício, certo?), os erros de português que só percebemos depois que o post foi publicado há três dias e que nos matam de vergonha, a sensação de que ele poderia ser melhor, muito melhor.

O melhor do blog? O exercício despreocupado da escrita, os registros que visitarei daqui a anos e me farão rir, chorar ou dar de ombros, a participação no mar de democracia que é a blogosfera. Mas, de longe, o melhor mesmo é a interação com os amigos, todos eles: os que moram perto, os que estão longe, os novos amigos virtuais por quem tenho um carinho especial - eles, que passaram a fazer parte do meu mundo por causa do blog. Curto e sou grata por cada comentário, cada visita, cada espiadela silenciosa. Com tanta coisa no mundo para se ler, saber que um punhado de gente passa um segundo que seja por aqui, de vez em quando, já me basta. E é verdade que alguns posts são tão pessoais que somente fazem sentido para mim mesma; e também é verdade que tanta babação em cima dos filhos deve beirar o insuportável para muita gente; mas é claro que são os leitores que, em grande parte, fazem desse bloguito algo tão gostoso e tão caro para mim. Muito obrigada, então. Caminhar já é bom, mas caminhar tagarelando é muito melhor.  

Fica aqui



Arthur e Gabriel (ambos com 5 anos), brincando na sala pela primeira vez depois de dois meses.


G: - Não quero mais que você vá pra Londres.
A: - Por quê?
G: - Porque eu fiquei com muita saudade. Demorou muito, não quero mais ficar separado.


Arthur, para mim (eu ouvia tudo da cozinha, com cara de quem não está prestando atenção):


A: - Mãe, não vou mais pra Londres, tá?
Eu: - É, filho?
A: - O Gabriel não quer, disse que ficou com muita saudade. Não vou mais, tá?
Eu: Tudo bem. (Como se houvesse algum plano do tipo, assim, pra semana que vem, sabe?)


Momentos depois:


Eu (em momento megera): Criançada, junta esse brinquedo antes de ligar o DVD.
A: Vem Gabriel, ajuda aqui!
G: ...
Eu: É, Gabi, ajuda também.
A: Se você não ajudar, eu vou pra Londres!


***


Não falei no post anterior que tudo era só alegria? (Em tempo: corrigi o Arthur na hora e falei  que não é legal falar assim bla bla bla.)


Bom, mas tá combinado, semana que vem não vou pra Londres, hohoho. ;-P

Back home


Olá, pessoas, espero que vocês ainda estejam aí. Acima, o motivo de minha ausência nos últimos dias. Volumes e volumes da bagagem que trouxemos conosco no retorno da melhor viagem de nossas vidas (que venham muitas outras, ainda melhores). O arruma/desarruma de bagagens me deixou cansada e o peso dos volumes detonou as costas do Ulisses, mas estamos profundamente felizes por tudo ter corrido tão bem e, principalmente, por estarmos de volta à nossa casa. Adoramos ir. E adoramos voltar. Aqui ou lá, somos só alegria. Adoramos nosso curso, nossos passeios e acima de tudo abandonamos para sempre qualquer ressalva que tivéssemos em relação a viajar com as crianças. Vimos que, com certo planejamento e disposição (de titãs), tudo é possível. Temos histórias para relembrar por muitos anos, mas foi maravilhoso rever nosso cantinho, nosso cachorro, nossas coisinhas e sentir o cheiro do café fresquinho enchendo a casa. 


Nosso último passeio na cidade verde e florida que vimos foi ao Natural History Museum (é, de novo, again, novamente) para que o Arthur pudesse se despedir de seu "museu favorito". Ele foi, curtiu, despediu-se e, na saída, chorou como quem quebra um brinquedo. Tive de abraçar bem forte meu menino e assegurar que ele certamente voltará lá um dia para ver tudo de novo e que os dinos estarão lá esperando por ele. Hoje, já em casa, ele me disse que voltaremos lá no "final do mês". :-)

O "amigo" do Arthur (Amanda sempre nos garantia: "não é de verdade, papai"). 

Arthur, Ulisses e D. Tereza, dando um "até breve" ao museu.

Eu queria muito ficar aqui de papo, mas meu corpo pede cama, meus olhos pesam. Aos poucos tudo vai reencontrando seu cantinho na rotina e espero em breve voltar aos posts quase diários. Assunto não vai faltar. Ouvi dizer que tem uma Copa vindo aí, né? Então. 

***

Obrigada por terem viajado conosco. Acreditem, adoramos a companhia de cada um de vocês. See you soon!

Time to go


Fonte, em Kew Gardens.

Talvez esse seja o último post antes de nossa volta ao Brasil, na próxima quinta-feira. Não por falta de vontade, mas por falta de tempo. Tenho malas a arrumar, um curso para terminar, coisinhas de última hora a fazer. Se der, escrevo antes da volta; caso contrário, darei notícias já de Floripa, algum dia do final de semana. 

***

Ontem foi dia de despedidas. Passamos a tarde com a Mila e sua família, dando às crianças um pouco de tempo para curtirem a companhia umas das outras. Umas das melhores coisas dessa viagem de tantas andanças deliciosas foi rever a Mila, vê-la toda linda e feliz com seus pimpolhos fofíssimos e seu maridão a tiracolo. É bom vê-los caminhando juntos, muito bom. 

Nós duas, cheias de motivos para sorrir.

Adoramos ver a sintonia das crianças! Ver o Enzo e o Arthur contando as horas para se encontrarem, ver a Maya gritando "Atur!, Atur!" e ver as meninas trocando abraços cheios de fofura são momentos que ficarão para sempre bem registradinhos em nossas memórias de mães babonas e amigas sortudas. 

Amigos.

Em um ato de afronta para lá de descabida, dona Mila presenteou meus pequenos com duas camisetas da Inglaterra "para torcer na Copa", vejam vocês! A-hã, pode deixar, Mila, claro, claro, vai esperando. #Not.

:-D

O cúmulo.

Amiga, muito obrigada, por tudo. Que não se passem outros doze anos antes de assistirmos nossos filhos brincando juntos outra vez. Já estou com saudades. P.S. Adorei as camisetas, mas sem chances. :-)

***

E como já estamos exaustos e com aquela vontade de voltar para casa, só queremos agora sombra e água fresca. Nada de passeios muito demanding. Hoje à tarde voltamos para Kew Gardens. Muitas das flores de abril não estavam mais lá e vimos o tamanho da nossa sorte de termos apreciado o auge da primavera no parque naquele dia. Sem as flores, hoje voltamos toda nossa atenção para as árvores imponentes à nossa volta. 



Escolhemos a nossa, puxamos nosso banquinho e armamos acampamento. Enquanto as crianças exploravam o playground nota dez do jardim (pra variar), curtimos o luxo de termos uma sombra de árvore para chamar de nossa. Fiquei um pouco ali, completamente estragada por tanta beleza. De vez em quando um avião cruzava o céu impossivelmente azul nos lembrando que estávamos em uma metrópole gigantesca. Nem assim. Paz, paz.



Minha sogra: o stress, o stress.

Cada vez que eu olhar para trás e lembrar desses últimos dois meses, vou lembrar de nossos passeios por Kew Gardens, embriagados de verde, flores e uma profunda admiração pela natureza. Como já falei, Kew é o mundo bonito.


Mas ainda é primavera.

Do rio


Ai, que calor.

Vamos pra sombra?

Tira a sandália, filho.

Quer mais água?

Ontem falamos todas essas frases, tá? E se eu quisesse ver uma nuvem no céu, teria de mudar de cidade.

Aproveitando tanto azul, fomos passear de barco pelo Tâmisa, ver as coisas por um outro ângulo. Eis o ângulo:


Legal, no máximo. Mas, assim, com esse céu, até ela estava linda.


Shakespeare's Globe.

Tower Bridge. Meu cartão postal favorito. 


Há pouco mais de uma semana, pensei que congelaria cruzando a Millenium Bridge, rumo à Tate Modern


***

Almoçamos no Jamie's Italian, em Canary Wharf. Saímos de lá com barrigas cheias e sorrisos largos. 






Cardápio infantil no Jamie's. Divertido. :-D

Calor mais barriga cheia igual a preguiça e nos jogamos na grama verdiiiinha da pracinha logo ali. Beautiful, peaceful, comfortable. Just like heaven, como dizem aqueles meninos daqui.




Da grama.

Richmond Park



22 graus, céu azul, mangas curtas.

Fomos, andamos muito mais do que planejamos, perdemos o caminho, achamos o caminho, comemos jacked potatoes no alto do morro, perdemos o caminho de novo, entramos no meio do mato, descemos a ribanceira, passamos calor.  

Tudo valeu a pena.











1,

2,

3.




***

Quando finalmente achamos a saída do parque, fomos para o aeroporto buscar a irmã do Ulisses. Agora somos seis. É bom ter mais gente pra conversar quando a gente se perde, né? Então. Bem vinda, querida. Aproveite!

It's green, not grey


A quem interessar possa: mudo de assunto já já, juro. Por enquanto, ainda London London.

***


Praça, em Canary Wharf, Londres.

Londres é uma cidade verde. Acho graça quando vejo algumas pessoas que moram aqui há séculos comentarem que gostariam de mudar para um lugar mais tranquilo, onde pudessem ter mais contato com a natureza e coisa e tal. Claro, deve haver muitos motivos por trás da vontade de mudar daqui - metrô lotado para ir ao trabalho todos os dias, país em crise (o conceito de "crise" é algo relativo, mas vá lá), clima temperamental. Mas quando vejo algum morador local reclamando que não tem contato com a natureza, sei que é um daqueles casos em que a beleza se torna invisível simplesmente por estar ali, ao alcance da mão. 

Segundo meu guia de viagem, a Grande Londres possui cerca de 1700 parques. Talvez esse número inclua também as muitas praças sempre bem cuidadas ("sempre" refere-se o que eu vi, mind you) que tornam qualquer bairro marrom ou cinzento um lugar mais acolhedor. 

É o que ocorre em Canary Wharf, aquela área supermoderna que vimos lá do observatório de Greenwich. Ontem demos um passeio por entre suas torres espelhadas e vimos um lado da cidade bem diferente dos muitos prédios Georgianos e Vitorianos tão comuns na maioria dos outros bairros. Canary Wharf é um empreendimento comercial inaugurado no início dos anos 90. Ainda em expansão, atualmente conta com diversas torres e alguns prédios menores, shopping centres e restaurantes. De tão moderna, a área tem um certo ar futurista e fico imaginando como os antigos moradores da região das famosas Docklands enxergam tanto desenvolvimento. 




A estrutura sobre nossas cabeças é o acesso do trem da Docklands Light Rail (aquele sem maquinista) à estação de Canary Wharf

Ponte parcialmente suspensa para novas obras.





                       

Mas nem aqui a velha Londres falha em sua tradição de ser uma das cidades com mais áreas verdes do mundo. O sujeito está lá, minúsculo no meio daqueles prédios enormes e, sem qualquer aviso prévio, ao dobrar a esquina, dá de cara com uma pequena praça que faz as vezes de oásis em meio a tanto espelho e concreto (vide primeira foto deste post). 


  Eu sei que já estão meio murchos, mas ainda assim...

Ulisses entrando na foto, quer dizer, na praça.


Quando penso no clima de Florianópolis, com as quatro estações bem distribuídas ao longo do ano, frio e calor para agradar a todos; quando penso no solzão que banha nossas praias e faz de nossa costa um sonho de consumo para pessoas do mundo inteiro; e quando penso em tantas outras coisas que nos conectam ao Brasil, desconfio que viver aqui me custaria muito caro (não estou falando de dinheiro, mas isso também seria verdade...). Mas, ah, eu adoraria ver tantos parques e praças bem cuidadas Brasil afora. É pedir muito? Um playground bacana, gratuito para qualquer família levar suas crianças no final de semana, com brinquedos bem projetados e estrutura decente em cada bairro. #inveja

Playground de Coram's Fields, no coração de Bloomsbury, bairro central de Londres.


Playground do Greenwich Park, favorito do Ulisses.

Não há bairro que a gente visite que não ofereça uma pracinha linda, um parque legal ou um playground seguro para as crianças. E às vezes tudo isso está junto, ali na esquina. Isso, sim, é luxo. 

Amanda, em Coram's Fields (chão fofinho para a criançada se esbaldar e a gente não se descabelar).


 
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