Avanços ou quase isso



Um apartamento quase alugado;
Malas grandes compradas;
Casacos, thermals e luvas infantis a caminho (thank you Ângela).

Grau de ansiedade: mediano. Se não comprarmos as passagens amanhã e se o aluguel do apartamento não se confirmar até o próximo sábado, teremos mudanças. Digo, no grau de ansiedade.

Mudando de assunto: ...

Não consigo mudar de assunto: passei quase todo o final de semana tentando negociar aluguel de um lugar para nos acolher. Pontes não faltam em London London, mas com o frio que anda fazendo por lá, não é um boa considerar a hipótese. 

Funciona assim: preencho milhões de formulários online. Metade me ignora. A outra metade se divide em dois grupos: a primeira submetade cobra um fígado e dois rins por semana; no, thanks. A outra cobra menos, apenas um rim. Hum... no, thanks. Preencho novos formulários. Até que, 80 agências depois, surge um lugar viável. Mas precisamos esperar uma semana para que minha amiga visite o lugar e dê sua valiosa opinião. Aguardo, grata pela superajuda, torcendo para que ela adore e grite de lá "pronto, pode fechar"!

Ah, achei outro assunto: no finalzinho da tarde de hoje fomos ao cinema assistir Toy Story em 3D. E vamos combinar de uma vez que cinema 3D é tudo de bom? Bonitinho demais. Arthur adorou a neve caindo quase em cima dele e as coisas que pareciam sair da tela, né pai? Amanda gostou do chocolate, da jujuba e da pipoca que comeu. Ah, no filme? Acho que ela gostou do porquinho porque era o que estava na tela quando ela parou de mastigar. E acho um barato a criançada com aqueles óculos imensos e queixinhos semicaídos. 

Mas do que gostei mesmo foi o bolo de coco que comi na casa da minha amiga depois do cinema. Recomendo também. 

Vamos a março.

"Deixa eu te contar a novidade..."


Verônica e minha mãe

Minha mãe não tem internet em casa, desistiu desses temperamentais, os computadores. Deu o seu de presente para algum sobrinho e contenta-se com a televisão, o rádio e o telefone. É mais bem informada do que eu, que tenho blog, twitter, facebook e e-mail. É sempre a primeira a saber dos fatos mais noticiados do dia, está sempre por dentro dos resultados das últimas eleições, sejam as do Paraguai ou do Longequistão, e não raro me liga lá da Paraíba para me contar as últimas novidades daqui de Santa Catarina: 

- Nossa, filha, que vendaval, hein? Tá tudo bem por aí?
- Que vendaval, mãe?
- Ué, o que destelhou todas aquelas casas em Joinville e arrasou a zona rural de Jaraguá. 
- Ah, teve isso, foi? Quando?

Ou:

- Vocês vão ter segundo turno aí, né?
- É?!

Tudo bem que ela não tem dois filhos pequenos, mas ainda assim a diferença no grau de antenamento é absurdo. 

Mas vou contar um segredo: não é só a TV que conecta minha mãe com o resto do mundo. Este blog, por exemplo. Não pensem que ela não acompanha com assiduidade os posts publicados aqui. Ou vocês acharam que o simples fato de ela não ter internet em casa a impediria de ler meus relatos de blogueira? Lê, sim. É que mais do que laptop e modem, minha mãe tem amigas. Uma delas é a Verônica. 

Verônica é aquela parente que, a rigor, não é da família, sabe? Mas mantém conosco relação tão estreita que às vezes precisamos varrer a memória para lembrar que ela não, não é prima assim de verdade. Ou seja, é mais que uma prima: é a amiga que queríamos que fosse prima. Ainda bem que isso é fácil de resolver: decidimos que ela é família e pronto. 

Pois então, essa minha prima, a Verônica, acessa o Estrada Anil em casa, imprime os posts e leva para a minha mãe que, cheia de corujices, lê e coleciona. Eu posso com isso? Pode ser mais docinha? Quer dizer, docinhas, as duas. Essas duas, por sinal, são amigas desde que Noé construiu a arca e lembro da Verônica lá em casa na minha infância, cheia de conversas com minha mãe. São mais do que uma dupla, na verdade, são uma equipe. A boa amizade, contagiante, naturalmente, alongou-se, criou tentáculos e agora Verônica é amiga até do Arthur, meu filho de 4 anos. Eu olho pra isso e fico torcendo que as amizades que cultivo por aí afora sejam assim também, a la Verônica: longas, firmes, ternas e com desdobramentos. Porque no final das contas a vida às vezes nos tira a saúde, a beleza, as posses, os badulaques que colecionamos. Mas se a gente permanecer bem esperto, vai saber o que almejar, ali entre as prioridades: que os amigos permaneçam em nossas vidas e venham nos visitar de vez em quando para tomar café com pão, porque viver, de qualquer ângulo que se olhe, é compartilhar. 

Verônica, eu sei que você vai imprimir este post e levar lá para aquela sua amiga, minha mãe, então faz um favor? Pede a ela para transmitir meu abraço a você, um que seja bem firme porque não é só um abraço de feliz aniversário: é um abraço de alegria, do tipo de alegria que você dá cada vez que toca a campanhia e enche a casa com sua voz, anunciando sua presença calorosa. Depois pode sentar, tomar um café e contar as novidades do dia.

Beijo grande, querida!

Hein?


O Arthur anda aos amores com a trilha sonora do Rei Leão: É Ratuna Matata pra cá, Quero Ser Rei pra lá. E canta, a plenos pulmões:

Letra: "E todo o reino vai vibrar... quando a boa nova se espalhaaaaar"
Arthur: "E todo o reino vai vibrar... quando a bola nova se espalhaaaar"

Letra: "... que nos guiaráááá nesse ciclo sem fiiim"
Arthur: "... que nos guiaráááá nesse circo sem fiiim"

Letra: " Quando eu for rei ninguém vai me vencer em  nenhum duelo!"
Arthur: "Quando eu for rei ninguém vai me vencer em um guelo (????)"

Letra: "No relatóóório matinaaaal, a cobertura é total!"
Arthur: "No relatóóóóóóóóório matinaaaaaaaaaaaal, a popetuuuura é total!"

Tal mãe, tal filho. Não sei se o mesmo acontece com vocês, mas vez por outra meus ouvidos me fazem de boba e confundo algumas palavras em letras de música.  E aí sigo anos a fio cantando algo que nunca passou pela cabeça do coitado ou coitada que escreveu a letra, até que uma alma boa me salve dos micos. 

Acho que o exemplo clássico é mesmo o eterno "na madrugada vitrola rolando um som, tocando de biquíni sem parar" que entoei por quase uma década ao invés do "tocando B. B. King sem parar", na inesquecível balada do Cláudio Zoli (e ainda ficava viajando na maionese, tentando entender a relação da vitrola com o biquíni; pelo menos sei que não estou sozinha, muita gente passou um tempo considerável fazendo a mesma indagação). Uma amiga muito querida, por sua vez, certo dia me perguntou o que queria dizer aquela frase naquela música da Marina (lembram da Marina, fulgás?): "um homem pra chamar Dirceu...": "Mas quem é esse Dirceu?", perguntou, intrigada. (Para quem não sabe, não tem Dirceu nenhum: é "um homem pra chamar de seu".)

Mas acho que no quesito pronúncias alternativas os pequenos são mesmo imbatíveis, ainda mais na fase em que a Amanda se encontra atualmente, falando pelos cotovelos o que já sabe e muito mais o que ainda não sabe, para nosso deleite::

- "Vamos, Amanda!"
- "Vando."

-"Mamãe, quero aba" 
- "É á-gua, Amanda." 
- "Tá, mamãe. *silêncio* "Me dá aba?"

"Mamãe, você vai no suquemetado?"

É, eu sei, gente. É só um post para me ajudar a lembrar depois, tá? Desculpa aí. Já parei.

Um dia grande

Alerta: nível de corujice deste post: 11 (escala de 1 a 10)


O grande dia de Ventania 

O grande dia de Ventania
Está prestes a começar

Porque o luminoso navio
Vai sair a navegar.

O pai de Ventania 
É um cargueiro aposentado

Sua mãe uma canoa 
De lindos remos dourados.

Os primeiros passageiros
já sobem em Ventania

Enquanto abanam contentes
Lá de dentro do navio.

Crianças alegres, curiosas,
De proa a popa vão brincando,

Saudando todas as pessoas
Com os braços balançando.

O capitão amavelmente 
Dá a ordem de zarpar.

Ventania, obediente,
Põe seu motor a funcionar.

Desde estibordo
Se vêem lenços saudando,

Enquanto o barco se orienta
Com rumo aberto ao mar.

Faz soar a sirene
O sinal de despedida

Se distancia da terra
E pelo mar sai a navegar.


Hoje não contamos a história da hora de dormir. Ao invés disso, ouvi maravilhada o Arthur ler, de capa a capa, sem qualquer ajuda, seu primeiro livro. Mais do que decifrar grupos de letras e identificar palavras isoladas, hoje ele viu sentido em frases completas. Tropeçou em palavrinhas traiçoeiras, como cargueiro e vêem, mas me surpreendeu ao passar suavemente por complicações como prestes e passageiros. Riu com a graça de crianças curiosas e se encantou com lindos remos dourados (que lindo, mãe!). 

Lindo? Lindo é você, filho, lendo seu primeiro livro, com quatro anos e nove meses de idade. E quase me senti uma intrusa, porque não é justo que, logo hoje, eu tenha substituído seu pai nessa hora que ele faz ser tão especial. Sua leitura nessa noite é fruto nascido de todas as outras noites em que, na mesma cama em que vi você percorrer as páginas de Ventania, seu pai vem e narra histórias de árvores generosas e bichos que falam. 

E eu achando que estava feliz ontem... 

Cursos, contas e escorregadores


Hyde Park, próximo à escola onde faremos o curso.

Ufa, parei. Man, it was a looooooooong day. 

Então, vamos às novidades. Não sei se o que chamamos de Licença Capacitação existe em todos os órgãos da esfera federal no Brasil, mas existe no órgão onde eu e o Ulisses trabalhamos. A LC é disponibilizada a cada cinco anos de serviço e foi criada em substituição à antiga Licença Prêmio que os servidores podiam gozar ou "guardar" para antecipar a aposentadoria. No caso da LC, ou o sujeito goza, ou perde. Gozemos, então. 

Para usufruir da LC é preciso frequentar um dos cursos indicados em legislação específica e aí estão incluídos cursos de idiomas. Junta-se a fome com a vontade de comer, vamos para Londres. Pronto, expliquei. Simples, não? 

Nós já tínhamos dado entrada em nosso pedido no início deste mês, mas como ainda não tínhamos certeza de que seria deferido, eu não tinha falado nada aqui. Até que ontem ficamos sabendo que sim, podemos ir. 

Chegamos a considerar outras possibilidades, como fazer um curso de informática avançada para fins diversos.. hummm, não; talvez contabilidade elementar para fins ainda mais diversos... hummm, não; direito internacional penal legal... hummmm, não; ou simplesmente ir para um país onde se fala outro idioma já que, bem ou mal, já falamos inglês. Mas como vamos viajar em bando, quer dizer, com as crianças, pensamos que seria mais importante optar por um lugar que oferecesse vantagens para elas também. E mesmo que se fale inglês, sempre se pode falar melhor, right, Sir? Em Londres temos amigos com filhos na mesma idade que os nossos (oi, Mila, tudo bem?) e uma infinidade de programas que podemos fazer com eles. Eh... é... e... bem, na verdade também tem o fato de que.... eh... eu adoro Londres, pronto, falei. 

Em posts vindouros vou contar tudinho, tudinho, falar do curso que faremos, de onde vamos ficar hospedados, que passeios pretendemos fazer nos finais de semana, and so on. Prometo me esforçar para não transformar este blog em blog de um assunto só, mas a verdade é que estamos na maior empolgação. Na primeira vez em que fui a Londres, eu estava separada do Ulisses, éramos ex-namorados, olha que triste. Foi uma época maravilhosa, é verdade, mas lembro que em todos os meses que fiquei por lá eu lembrava dele em cada parque, cada pub, cada museu, cada rua; é claro que curti muito e aproveitei bem cada balada e passeio, mas lembro que enchia os ouvidos da Mila com um sem-fim de histórias sobre como era verde meu vale. Maaaaaaaaas o mundo girou e, tchan-ans, lá vou eu apresentar o Ulisses in person para minha amiga Mila (que vocês já conhecem desse outro post). Vocês podem não achar nada demais, mas eu acho o maior legal. :-)

Então, queridos leitores e amigos, cá estou eu navegando por vários sites de imobiliárias da terra da rainha para achar um apartamento que caiba em nossos bolsos e que comporte um casal, duas crianças e uma mãe-sogra-avó. Amanhã compraremos as passagens e pagaremos o curso, quer dizer, ficaremos bem mais pobres. Mas limpinhos e felizes.

***

Dois meses atrás, tentando já colocar meu filhote no clima:

Eu: - Arthur, quer ir para a Inglaterra?!
Ele:- Lá tem escorregador??


Nós vamos



Estou cheia de assunto, com novidades para contar e pitacos para dar. Mas dediquei a noite de hoje ao final da leitura do livro que andava pela minha mesinha de cabeceira há cerca de um mês. Então agora estou com sono e derretendo de calor, vou cozinhar as novidades até amanhã. Pelo menos terminei o livro, A História de Edgar Sawtelle. Mas apesar de eu ter acabado de ler o livro há apenas alguns minutos, o que passa pela minha cabeça agora é outra coisa: hoje a temperatura máxima em Florianópolis girou em torno dos 36 graus. Em Londres, foi 5.

Oh, dear.

Domingo mofado



Ontem o Arthur enfrentou com bravura (e algum chilique) a decepção de ver um passeio adiado. De início chorou de verdade, um choro sentido que logo evoluiu para um longo e falso lamento cheio de decibéis. O choro sentido curamos com carinho e a justificativa verdadeira para a mudança de planos. O piti curamos  com a velha e boa receita que aprendi com uma tia minha ("quer chorar? fique à vontade, mas chore longe de mim porque não quero ouvir"). Funciona que é uma beleza e logo o pranto desaparece como que por encanto e a casa volta ao normal (que é com barulho também, mas com sons mais agradáveis). 

Pois bem, não passeamos ontem, mas o fizemos hoje e, tão logo tomamos café da manhã, trocamos nossa cafofo pelo cafofo de amigos (daquele barman e sua respectiva). As crianças usufruíram de um sem fim de brinquedos e joguinhos e nós comemos, bebericamos (olha, como sou gentil, rapazes) e conversamos muuuuito.  

Os embates (embates? eu disse embates? nãããão, expressei-me mal, eu quis dizer diálogos). Então, os diálogos mais acalorados giraram em torno do sensível tema "homens x mulheres": direitos iguais? tarefas iguais? liberdades iguais? educação igual para meninos e meninas? isso é natural? isso é biológico? aquilo é cultural? e um sem fim de outros desdobramentos que levaram a argumentações indignadas (presente!) e exemplos mais ou menos convincentes. Vou dar uma palhinha para vocês: em dado momento, a ala masculina argumentava sobre sua falta de jeito para arrumar os cabelos das filhas e como isso era evidência de que as mulheres têm mais jeito para a coisa, como se nascêssemos mestres em manipular presilhas e grampos. Ressaltei que é esperado que tenhamos mais destreza ao lidar com algo com o qual lidamos a vida inteira, desde meninas. Minha pequena tem dois anos de idade e já teve seu cabelo arrumado por mim ou pela babá centenas de vezes, com penduricalhos e minipresilhas que já fazem parte de seu cotidiano, ao passo que meu menino de quatro anos não passa mais que um minuto diante do espelho enquanto penteio seu cabelo e, puf, tá pronto. Quem terá mais facilidade em lidar com as presilhas no futuro, façam suas apostas. E a conversa foi looonge...

Mas nem era disso que eu queria falar aqui. O que marcou mesmo nosso domingo foi essa maravilha de site que nossos anfitriões nos apresentaram. Ai, pessoas com mais de trinta, socooorro. Que achado fantástico, que coisa mais deliciosa foi ouvir (e dançar ao som de) hinos dos anos oitenta, canções que eu provavelmente tinha ouvido há mais de vinte anos! É claro que aqui e ali a gente ressuscita algumas bandas sem as quais nem sabemos o que é música (Cure, Smiths...) e quem não saca aquele CD antigo e leva pro carro de vez em quando? Mas ouvir canções como as que ouvi hoje, que não estão nos CDs que temos em casa, que nem são de bandas favoritas e algumas até que eu nem lembrava mais que sequer tinham existido um dia, mas que embalaram nossa infância e adolescência na (ai desculpem, não resisto) melhor época musical de todos os tempos! Ah, tudo de bom. 

O cheiro de mofo subiu forte quando Patrícia Marques cantou "no livro de leitura que você me deixou...", Inimigos do Rei cantou "Adelaide" e o Dominó (é, o troço foi forte) cantou "companheiro" (tudo bem, esses não são os melhores exemplos da "melhor época musical de todos os tempos", mas acho que vocês entenderam o espírito). E quem nunca subiu no sofá para dançar "Mamama, mama mariiia, maa mamama, mama maria..." Ahhhhhh, adoooooro!! 


Bem, o site abençoado dos balzaquianos de plantão deve existir há muito tempo, mas só agora tomei conhecimento do cidadão, então só agora posso indicá-lo a vocês. De Balão Mágico a Ricky Astley, tá todo mundo lá. "Never gonna give you up, never gonna let you doooown...." Go, go, go!

Descoberta



Leeeite passsteurizaa-do inteee-gral. 

Pare!

Centro otorrinooooola-ringolóóógico?? Uau!

Ouvido, nariz, garrrr-ganta!

A-vi-so!

Venezueeeela - hehehe, que país de nome engraçado.

Seeeeven boys - seven boys?

Superpão!

***

:-)
Arthur, lendo.

Ângela






19/02 é aniversário da Ângela!!!!!! Fiiiiiuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!! Êêêêê!!! Parabéns, tchan tchan tchan, parabéns!...

Ahn? Oi? O quê? Ah, quem é a Ângela?? Ah, tá, vou apresentar:

A Anginha é minha amiga desde mil novecentos e noventa e uns. Nós nos conhecemos lá em Campinha Grande/PB, já colegas de trabalho. Éramos professoras de inglês na mesma escola e depois nos tornamos sócias (é, eu sei, vocês estão com a impressão de que já leram isso aqui, mas aquela é outra lambisgóia, sabem, eu tenho umas tantas amigas mesmo; e, sim, fui sócia de duas delas, mas isso é uma loooonga história, quem sabe um dia).

Como eu ia dizendo, eu e a Ângela trabalhamos juntas e logo percebemos que podíamos atrapalhar juntas também. Descobrimos certo dom para nos metermos em atropelos a ponto de, após alguns anos de amizade, a Ângela considerar que sua ida aos EUA era bem providencial porque já estava na hora de pararmos de nos meter em confusão. Eu discordei, mas fazer o quê.

Lá se foi Anginha para a terra do Obama viver o amor da vida dela. Bom, foi e foi ótimo que ela tenha ido, não só porque construiu uma família linda com o Pete, que, diga-se de passagem, esperou por ela durante cinco anos (vou escrever de novo: cinco anos), durante os quais o namoro se deu por telefonemas semanais e cartas (não, a internet ainda não era isso que é hoje), mas também porque se tornou profissional respeitadíssima. É claro que adorei: mulher latina trilha carreira brilhante em terras do norte, gerencia equipes e mais equipes de profissionais gabaritados e pode se dar ao luxo de escolher - eu disse es-co-lher - que empresa vai ter o privilégio de tê-la no quadro de funcionários, excuse me. Minha amiga, falei? E não estou falando de empresinhas, falo de empresonas. Uma delas pediu: Ângela, por favor, vai ali na China implementar um projeto gigantesco para a infraestrutura do país, vai? E ela: ah, eu adoraria, sabe, mas agora vou ter um bebê, tchau. Mudou de empresa, a Ângela.

Ainda apresentando: a Anginha é inteligente, ponto final. Só que esse não é seu ponto mais forte e muita gente azeda é inteligente. Mas Anginha é doce. Ela é do bem, vocês me entendem? O coração da Anginha é enorme, sua inteligência caminha coladinha na sua imensa bondade. Ela é linda, pessoa que brilha e que faz a gente se sentir muito sortuda por tê-la no rol de amigos. Uma vez li em uma entrevista o Walter Salles falando que "é preciso acreditar que o mundo está cheio de amigos", acho que ele se referia à personagem Dora, no filme Central do Brasil. Eu adorei aquela frase e me lembro dela agora porque quero muito acreditar que o mundo está cheio de Anginhas por aí. Pensar nisso me faz bem, pensar que, apesar de tantas mazelas, as Anginhas caminham mundo afora fazendo felizes seus amigos e espalhando luz.

Mas não fiquemos sentimentais demais, ainda não acabei de apresentar a Ângela. A Anginha é divertida e generosa. Morremos de rir juntas, tantas vezes. O papo é sempre bom, as saídas eram sempre divertidas, fosse para bater cabeça ao som do Nirvana, fosse para pular carnaval atrás do trio. É claro que às vezes a vida prega peças e algumas coisas desandam. Mas se você tiver a sorte de ter uma boa amiga de verdade do seu lado, tudo se ajeita. E ela sabe de minha infinita gratidão pelo ombro em momentos absurdamente difíceis. É minha anginha mesmo.

Já vou parar a rasgação de seda merecida, mas antes quero registrar algo que já falei outras vezes sobre o funcionamento de uma boa amizade. É preciso confiar nos amigos. É preciso contar com a sinceridade deles. Sabe aqueles momentos em que estamos errados, em que pisamos na bola, temos reações exageradas, supervalorizamos nossas vontades ou nos envolvemos com pessoas que não nos fazem bem? Pois nessas horas menos glamorosas da vida eu espero sinceridade de meus amigos, sabe? Espero, sim, que eles me ajudem a enxergar que estou equivocada, se assim for. E a Ângela nunca me decepcionou com passadas de mão na cabeça ou meias palavras de falso apoio (vocês sabem, do tipo "não, você não fez nada demais", quando fiz, sim). Não. Ela sempre desceu o sarrafo no momento certo e suas bordoadas de razão e sensatez mais de uma vez me arrancaram de torpores arriscados. Por isso também sou verdadeiramente grata. Sua amizade na linha "quem ama educa" não tem preço.

O resto vocês já perceberam, Anginha está longe, lá nas terras geladas da Pensilvânia, mas continuamos grudadas. Não conseguimos nos encontrar todos os anos, mas, sempre que dá, uma ou outra cruza três Américas por alguns dias de deliciosa convivência, agora em bando, do jeito que a gente gosta.

Anginha, eu quase sempre esqueço os aniversários, sempre atraso os presentes (às vezes por anos, né?), digo que telefono e não telefono, não retribuo os cartões de Natal, combino férias e depois desmarco, ou seja, eu não sei como você me aguenta. Mas eu fico muito feliz que você consiga e espero que nunca desista dessa amiga furona que você arrumou. Você está entre as pessoas que mais prezo nessa vida e ainda não entendi como posso ter tanta sorte em tê-la como amiga. Se eu pudesse, daria uma você de presente a todas as pessoas que amo. Mais ou menos como dei você de presente pro Arthur, nomeando-a madrinha dele. É uma tentativinha de fazer com que nossa amizade atravesse gerações e perdure por muitos, muitos séculos. Adoro você, menina.

***

Pronto? Então, agora que vocês já sabem de quem estou falando: para tudo!! Aniversário da Ângela!!!!!!!!! ÊÊÊÊ... fiu-fiiiiu!!! Parabéns, parabéns!!!




Salva pelo governo japonês



Assim, bem fininha.

Após o jantar, crianças brincando na sala. Na cozinha rolava um papo animadíssimo:

Ele: - Acho que sua percepção está um pouco equivocada: geralmente as pessoas fazem escolhas individuais; falham por falhas individuais ou têm mérito por boas escolhas pessoais.

Eu: - Sim, mas não podemos deixar de considerar o papel da sociedade em nossas escolhas. Muitas vezes achamos que nossas escolhas são individuais e não são, são meros reflexos de tradições sociais... e essas tais tradições, via de regra, pesam muito mais sobre as mulheres.

Ele: - Não acho, no meu grupo de amigos a visão sobre isso é bem definida: mulheres escolhem, mulheres rompem relações...

Eu: - O grupo de vocês não é parâmetro...

Ele: - Ora, na boa, o peso das tais expectativas sociais é igual para homens e mulheres...

Eu: - Não, não é, vai por mim. O lance do casamento, por exemplo... Mas podemos continuar esse papo depois? Quero ver o Jornal.

Ele: - Tá, tudo bem.

Chamada no Jornal: "A seguir: o governo japonês quer transformar em lei novo limite para o tamanho da cintura das mulheres japonesas."

Eu: - HAHAHAHAHAHAHA!!!!! VIU?

Ele: - Putz, esse raio desse governo japonês tinha de acabar com meia hora de argumentação... é brincadeira, viu!

Eu: - Hihihihi!!

***

No fim, tratava-se de uma medida visando à saúde da população e à diminuição no já baixo índice de obesidade entre os japoneses. E há, sim, limites previstos para a cintura dos homens também. Mas são, pelo que a reportagem mostrou, recomendações médicas. No caso do novo índice para a cintura feminina, o governo quer transformar a coisa em lei. Ah, que seja, recomendação médica ou lei, eu já tinha dado boas gargalhadas e saído triunfante da discussão. Arigatô, Japon!!


Menos, menos...



Minhas impressões sobre o filme Noivas em Guerra: o maior objetivo da vida de uma mulher é achar um marido, sem o qual o valor dela tende a zero. A obsessão domina completamente nossas vidas a ponto de surtarmos se algo ameaça o andamento dos preparativos para o dia em que "nasceremos" (para usar os termos da organizadora de eventos retratada no filme, para quem uma mulher está morta até o dia em que se case). 

Para ser merecedora da sorte suprema de ser escolhida (veja bem, as pessoas não se conhecem e se apaixonam; as mulheres são escolhidas) por um, oh meu deus, homem, é preciso ser linda e acima de tudo magra. Se você quiser agredir uma "amiga" de maneira certeira, envie doces de presente nas semanas que antecedem a cerimônia. Não tem perdão. Aliás, interessante como o filme retrata as "amigas" das noivas: tão logo espalha-se a notícia de que fulana foi premiada com um anel de noivado, todas surtam e começam a comer enlouquecidamente, além de enviar todo tipo de energia negativa para a sortuda. Tipo assim, quem tem amigos é homem. Mulher tem concorrentes neuróticas. 

Segundo a perspectiva do filme, o casamento - veja bem, falo da cerimônia apenas, não da convivência com outra pessoa - é mesmo o ponto alto na vida de qualquer mulher, a ponto de a personagem menos favorecida financeiramente guardar suas economias ao longo de dezesseis anos para o dia de seu cas..., digo, nascimento. 

O engraçado é que os homens são meros coadjuvantes no filme, mas ainda assim tudo gira em torno deles! Não sei quanto a vocês, mas achei meio irritante ver aquelas mulheres agindo como se ser conduzida a um altar fosse a coisa mais importante desse mundo. É comédia, sei, mas não me fez rir. Argh, eca. 

A única coisa boa foi ter assistido ao filme ao lado do meu marido, hohoho.

Bloco dos sem-bloco


Tão boa quanto a morangorosca, essa tem ingredientes não revelados.
Barman que se preza, já viu, né... cheio dos segredos.

Não caímos na folia propriamente dita, mas mesmo assim nossa segunda-feira de carnaval passou longe de ser um dia tranquilo, dedicado a leituras e sonecas. Também não foi um feriado esplendoroso de sol e céu azul, mas isso não nos impediu de passar o dia ao ar livre, curtinho o pouco de sol que as nuvens nos permitiram, dando bons e merecidos mergulhos (ou, para ser mais sincera, bons e desengonçados saltos "ornamentais"), entupindo nossas veias de gordura, também conhecida como churrasco, e liberando a criançada de horários e regrinhas. Tudo ficou no seu devido lugar, ou seja, mulheres e crianças na piscina, homens na cozinha. Esquecemos os relógios e, se o telefone tocou, ninguém ouviu.

No quesito churrasco, particularmente, devo dizer que curto o ritual que reúne amigos, mas dispenso a comilança de carne. Não consigo comer tanto daquilo e churrasco que é churrasco, para mim, tem de ter muita salada. E dia de verão de verdade tem de ter chuvarada no final da tarde e nesse quesito Floripa não costuma falhar. No problem, hora de comer mais. Nada como uma massinha para fechar o dia e abrir espaço para mais sobremesas, nham! (afinal, a gente veio aqui pra comer ou pra conversar, né?)

Eu poderia dizer sem muita modéstia que o ponto alto do dia ficou por conta do meu elogiadíssimo bolo de chocolate, mas isso não seria justo com o nosso "barman" que fez lindezas como a da foto aí em cima (num tô falando que os homens estavam no lugar certo!). Então fica registrado que ontem tomei a melhor morangorosca do planeta. Na boa, gente, do céu.

Ao meu gatinho que conduziu a churrasqueira, parabéns, eu não saberia nem por onde começar. Às crianças que se comportaram brilhantemente, nadaram lindamente, comeram mais ou menosmente e baguçaram devidamente, parabéns também. E aos amigos que alegraram nossa casa sem precisar de confete e serpentina, agradecemos a companhia, os mergulhos, as biritas, as moscas eletrocutadas, os presentes, as risadas, o jogo de cartas, as sobremesas repetidas, o cafezinho na cozinha, a paciência com o cachorro surtado por causa da chuva, a soneca no sofá, o pilequinho mais classudo que já vi na vida e, principalmente, a promessa de que tudo se repetirá. Tenho dito.

Caras, bocas e cabelos


Hihihihi...

Hohohoho!!

Tá bom, agora é sério:

Ai, gente, e isso é cara de festa? Dá um sorrisinho!

Isso! Não... espera, Amanda! Ah... já foi.


Ainda que distante

 
Cartão de aniversário, da Si para mim, em 2001. Os dizeres? Sempre em voga, Si. Sempre em voga.
 
Primeiro Sinara foi minha professora de inglês. Depois passou a ser minha colega de trabalho. Continuou minha professora, informalmente, claro. Aí virou amiga e também companheira de baladas eventuais. Com o tempo, tornou-se minha confidente, minha conselheira, muitas vezes meu ombro. Coitada da Sinara. Chegou a me hospedar em sua casa em momentos críticos! Subiu ladeira atrás de trio comigo, no maior sacrifício, vocês sabem. Também seguiu comigo os blocos de Olinda, torramos nas praias de Salvador diiiiias sem fim. Não restando mais nada, Sinara virou família, ganhei uma irmã. Mas um dia descobrimos que ainda podíamos fazer outra coisa: viramos sócias! Mas, passado um tempo, cansamos e decidimos ir embora.
 
Viemos juntas para Floripa, assim: tu vais? Vou também! Pronto. Fácil. Arrumamos malas juntas, migramos juntas, embarcamos com otimismo em uma aventura que tinha tudo para dar certo porque tínhamos apoio mútuo. Moramos, rimos e choramos juntas. Sinara estava comigo quando perdi meu pai, quando defendi minha tese, quando meu primeiro filho nasceu. Momentinhos básicos. Foi minha colega de mestrado e doutorado, estudamos, discutimos, fomos a congressos, aprendemos taaanto juntas.
 
Mais de uma década atrás, quando me vi em terras estrangeiras, eram as cartas da Sinara que chegavam pontualmente com todas as novidades de além-mar. Guardo-as até hoje. Até o mesmo livro já "lemos" juntas, ao mesmo tempo (veja o comentário dela nesse post). E no show do U2 em São Paulo, em 2006, vocês viram? Lá estávamos nós duas no meio daquela multidão, cantarolando juntas canções que embalaram nossa amizade durante anos. Ah, Si, o que ainda vamos experimentar nessa vida, hein?
 
Ultimamente moramos em cidades diferentes. Mas essa é toda a distância. Porque continuamos juntas. Quem caminha lado a lado o tanto que a gente já caminhou, não se separa nunca mais.
 
Si, você faz muita falta aqui em Floripa, mas fico muito feliz por suas conquistas de volta ao seu antigo lar, perto de sua família. E sinto muito orgulho do sucesso profissional que você tem alcançado e que sabemos que ainda a levará muito longe. Então não lamento nada de nada. Gostar de alguém também é isso, saber ficar distante. Eu só acho uma pena não poder dar aquele abração de aniversário. Mando os pensamentos, então. Um beijo grande e que seu dia seja cheio de luz.
 
FELIZ ANIVERSÁRIO, BRUXA!! Saudades...
 
Rita, Ulisses, Arthur e Amanda 
 

Do ziriguidum ao zzzzz....

 
Quem sabe em 2050? 
 
Houve um tempo em que a chegada do Carnaval significava fazer as malas (shorts, camisetas, tênis confiáveis), pegar a estrada, subir ladeiras, descer ladeiras, seguir o trio, seguir o bloco, perder a voz, dormir em colchões no chão, comer mal, beber bem. Em Salvador ainda havia uma história de ver a concentração dos trios no início de cada tarde e, na manhã da quarta-feira de cinzas, ver o encontro dos trios. Coisa de fanático, hoje me parece. Em Olinda, acrescento à lista: morrer de rir e dançar em janelas de casarões. Mais atraente.
 
Eu adorava Carnaval. Sempre foi minha festa favorita e vou sempre me lembrar dos meus três anos seguidos nas ladeiras soteropolitanas e dos inesquecíveis cinco dias em Olinda linda. Aqueles anos foram o auge dos meus carnavais. Houve outros, menos divertidos e bem mais contidos, mas Salvador e Olinda foram imbatíveis. Hoje, já velha (devo estar, leiam o que segue), prendo a respiração ao me lembrar dos perigos das ruas de Salvador, da violência que caminhava lado a lado com a folia... e também lembro sem saudades dos banhos tomados em Olinda: não havia água no bairro onde ficamos hospedados e tínhamos de caminhar um bom pedaço para entrar na fila de certo banheiro na parte baixa da cidade. Não me perguntem de quem era a casa, que esquema era aquele. Eu, hein.

Zzzzzuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmmmm! (o tempo)
 
Hoje o Arthur foi fantasiado para a escola. Amanhã vou levar meus pequenos a uma festinha infantil à fantasia. Só.
 
Vou ler, nadar, dormir, brincar, cozinhar, namorar, ver filmes, telefonar, blogar (eu sei, ninguém vai ler). Sem trânsito, sem ficar surda, sem calos. Ainda faltou conhecer o carnaval do Rio, o de Veneza, o de Ouro Preto. Quem sabe depois que eu descansar um pouco mais, né? Quem sabe. Ainda não tenho muita coisa programada para a aposentadoria. Quem sabe um dia não desfilo na Unidos da Bengala?
 
Folia ou descanso, que seja bom.
 

O caminho e a canção



Durante a semana percebemos com prazer que o trânsito para a nova escola do Arthur até que não é assim tão tenebroso. Deve ter sido a síndrome do primeiro dia de aula somado ao fato de que a cidade ainda está bem lotada nesse período que antecede o carnaval. Sorte minha, porque hoje precisei ir à escola duas vezes no início da tarde já que eu não sabia (não podia adivinhar) que a criançada teria banho de mangueira como uma das atividades do dia. Por alguma razão o aviso não foi colocado na mochila do Arthur e então tive de voltar correndo em casa e retornar à escola com o "material" da "aula de mangueira": sunga, toalha e protetor. Tudo bem, acontece.

Então fui, voltei, fui de novo e voltei outra vez. E enquanto eu colocava o kit verão na mochila dele, num cantinho próximo à porta da sala para não atrapalhar a aula, observei meu menino na rodinha de alunos uniformizados formada no chão da sala. Foi uma olhadinha assim rapidinha, não esqueçamos a hora, e nós, eu e meu marido, não queríamos mesmo tirar a "concentração" da criançada. Então não nos demoramos quase nada. Mas foi o suficiente.

Foi o que bastou para eu comparar o Arthur de quase cinco anos de idade àquele menininho-bebê que eu já deixei na escolinha tantas vezes. A imagem colou na minha mente e, já no carro, com um suspiro profundo, percebi que ele, caramba, tá crescendo muito. Eu sei, dã. Mas alguma coisa na maneira como ele estava sentado naquela rodinha, algo na sua postura, no seu olhar, no seu meio sorriso; no fato de que ele não disparou para nossos braços como certamente o faria se chegássemos à sala em qualquer momento do dia quando ele tinha dois anos; alguma coisa na forma como os dedinhos de suas mãos se tocavam, braços apoiados sobre as pernas cruzadas em "perninha de índio"; um pouco de cada um desses pequenos sinais me mostrou num relance que meu filhote caminha saltitante por sua estrada, rumo ao mundo dele, ao muro do futuro.

Momentos antes, enquanto eu explicava à professora que eu iria voando em casa buscar o kit verão, ele já tinha entrado na sala de aula e pegado seu livrinho favorito desses dias. E o deixei lá, bem acomodado em uma mesinha, livrinho aberto, percorrendo as frases com os dedos-guias, desvendando essas tais misteriosas letrinhas. Seus amigos e coleguinhas também exploravam brinquedos e livrinhos pela sala e mais tarde todas essas fotografias mentais ficaram flutuando pela minha cabeça, enquanto um sorriso boboca repuxava minha boca. Eles são umas coisinhas. Às vezes pestes, claro, mas infância é hora de ser peste, nem que seja de vez em quando, é ou não é?

Bom, para embalar de vez meus devaneios corujófilos, o Jack Johnson (é, de novo, deixa), cujo CD colou para sempre em nosso carro, cantarolou uma cançãozinha delícia. Porque essa é uma das diferenças entre o Jack Johnson e a minha pessoa: diante de cenas ou lembranças cute-cute da infância, eu escrevo um post chocho; já ele, dá licença, compõe uma canção bacana. Mas aí pelo menos eu posso juntar os dois.

E aqui está, para Arthur, Gabriel e Helena, companheiros de "estudos" e, agora, de banhos de mangueira.
 

We're Going To Be Friends

Fall is here, hear the yell
Back to school, ring the bell
Brand new shoes, walking blues
Climb the fence, books and pens
I can tell that we are gonna be friends
Yes I can tell that we are gonna be friends

Walk with me, Suzy Lee
Through the park and by the tree
We can rest upon the ground
And look at all the bugs we've found
Safely walk to school without a sound
We safely walk to school without a sound

Well here we are no one else
We walk to school all by ourselves
There's dirt on our uniforms
From chasing all the ants and worms
We clean up and now it's time to learn
We clean up and now it's time to learn

Numbers letters, learn to spell
Nouns and books and show and tell
Play time we will throw the ball
Then back to class through the hall
The teacher marks our height against the wall
The teacher marks our height against the wall

     And we don't notice any time pass
     'cause we don't notice anything
     And we sit side by side in every class
     The teacher thinks that I sound funny
     But she likes it when you sing
     Tonight I'll dream in my bed
     While silly thoughts run through my head
     Of the bugs and alphabet
     And when I wake tomorrow I'll bet
     That you and I will walk together again
     'cause I can tell that we are gonna be friends
     Yes, I can tell that we are gonna be friends


     E a gente nem nota o tempo passar
     Porque a gente não percebe nada
     E sentamos lado a lado todo dia
     (...)
     À noite vou sonhar
     E pensamentos bobos vão passar pela minha cabeça
     Besouros e alfabeto
     E quando acordar amanhã
     Aposto que vamos caminhar juntos outra vez
     Porque eu sei que seremos amigos
     Sim, eu sei que seremos amigos


 
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