A minha amiga e leitora Ju, lá de Salvador, pediu um post sobre a transição fraldas/troninho. Assim que li seu pedido, pensei: "putz, e agora? Não tem regra... cada criança tem seu ritmo". E é verdade, mas alguma coisa sempre pode ser dita para ajudar mamães de primeira viagem a passar por essa fase sem arrancar os cabelos. Que coisa é essa? A palavrinha mágica: paciência.
Eu tive duas experiências distintas aqui em casa e acho que se tivesse tido três filhos, seriam três histórias diferentes. Não sei se elas se explicam pelas características biológicas de meninos e meninas, nem sei se esse tipo de distinção se aplica nesse caso, provavelmente não. Tenho amigas mães de meninos que tiveram muita dificuldade no processo de ajudar seus filhotes a abandonar as fraldas, idem para amigas mães de meninas e o contrário também, amigas que não enfrentaram muitos problemas nem com um nem com outra. Ou seja: tudo depende do abanar da calda do jacaré de papo amarelo.
Uma coisa funcionou: começou? Não volte atrás. Humm... mas até isso é relativo, porque não vejo muito sentido, caso a gente perceba que a criança não demonstrou qualquer sinal de que vai progredir a curto prazo, em insistir numa necessidade que pode ser mais nossa do que dela. Porque, vamos combinar, trocar fraldas é um saco (é lindo, maravilhoso, fofinho, etc., depois fica um saco) e depois de milhares de trocas é natural que a gente torça muito para que eles saiam dessa fase. Sem falar no gostoso que é ver nossos filhos evoluindo, fazendo suas pequenas conquistas. Mas pode ser que a criança ainda não esteja pronta no momento em que a gente decide que chegou a hora. Então vou reformular: começou, observe: há pequenos avanços? Beleza. Caso contrário, sou da opinião de que adiar um pouco não faz mal nenhum. Aliás, lembro nesse exato momento que fiz isso com o Arthur... iniciei, interrompi, retomei com força total algumas semanas depois. Mas é claro que isso não é o mesmo que dizer "ah, às vezes, fraldas, às vezes troninho", porque aí você confunde a criança e atrapalha o progresso do pequeno cidadão.
Assim como não existem regras claras e determinantes quanto ao momento (com dois anos, com um ano e meio, com três anos), também acho difícil seguir um "modo de usar" bem detalhadinho. Mas é importante ter um certo tempo reservado para se dedicar aos, digamos, trâmites inevitáveis. Comigo funcionou assim: nas primeiras duas ou três semanas, seguíamos o Arthur pela casa e a cada vinte minutos oferecíamos o troninho. A cada sucesso, rolavam muitos incentivos, aplausos e parabéns. Quando o troninho deixou de ser uma novidade, e à medida que ele foi se familiarizando com a coisa, os intervalos aumentaram. E aí passamos para a fase seguinte: muitos acertos... e muitas recaídas. É normal, sim. Faz parte e, de novo, vai acontecer mais ou menos, dependendo da criança. E aí, de repente, um belo dia, você se dá conta de que há dois dias não lava nehuma cueca ou calcinha suja de xixi ou número dois. E as recaídas tornam-se raras até que cessam completamente. Com o Arthur, o processo todo demorou cerca de dois meses. É fundamental que quem divide com os pais a tarefa de cuidar dos filhos - escolinha, babá, avós - compartilhe dos mesmos procedimentos, caso contrário... confusão.
Com a Amanda foi bem mais rápido: em duas semanas ela estava sem fraldas, profissional. Quer dizer, quase. Porque há um pequeno detalhe: em 80% das vezes, ela libera o primeiro jatinho de xixi na calcinha. Conversei com o pediatra e ele confirmou ser normal, parte do processo. Bem, veremos até quando, porque a Amanda já está nessa desde setembro, ou seja, lá se vão quase cinco meses. Então ela não usa mais fraldas, mas ainda troca de roupa algumas vezes ao dia, ainda que não todos os dias. E, às vezes, quando está muito entretida com alguma brincadeira ou novidade, já era. Então ainda ofereço muito o trono à minha pequena.
Mas tanto com o Arthur como com a Amanda, sempre tentamos transformar a hora do xixi num grande evento. Então valia contar história, aplaudir o xixi e, a apoteose, deixar que eles dessem a descarga em grande estilo, com grandes e largos tchaus para os números 1 e 2. E aqui vale uma ótima dica: o livro Cocô no Trono, de Benoit Charlat, é uma graça! Eles adoram, porque no final do livro tem uma descarga que faz barulho de verdade e um pintinho que já faz xixi "como gente grande"! Tudo de bom! Para ler com eles no banheiro.
Um outro ponto que pode ser relevante para algumas mamães: para o primeiro filho, comprei um troninho daqueles pititicos. Beleza. Depois de aprender a usá-lo, o Arthur fez a migração para o tronão com adaptador. Não deve ter sido nada problemático, porque já nem lembro como se deu essa fase. Mas aprendi com miha filhota que o troninho é item absolutamente dispensável. Ela nunca usou. Foi direto para o adaptador, obrigada.
E aí a Ju me perguntou o que fazer quando a criança pede para ir ao banheiro em um lugar público. Bom, em primeiro lugar, comemorar. Pedir para ir ao trono é um grande avanço, um divisor de águas no processo. Eu já me deparei com toaletes sujos em aeroportos e restaurantes. Fiz uma limpeza meia-boca com papel toalha na tampa do vaso, forrei com papel higiêncio como deu e deixei Amanda usar na boa. Minha alegria era tanta em vê-la toda íntima do "ritual" que nem esquentei a cabeça com os bilhões de germes. Faz parte. O importante é garantir que ela não leve as mãozinhas à boca antes de lavá-las bem. Só isso. Acho.
Queridíssima Ju, a única dica à qual me apego com fervor é: torça para não precisar fazer a transição no inverno. Ninguém merece. Se escapa um xixizinho da Amanda, eu lavo uma calcinha e, no máximo, um shortinho ou calça de tecido leve. Com o Arthur, no inverno de 2007, lavava uma cueca, uma calça grossa, um par de meias e um par de sapatos, a cada escapada. E as escapadas são inevitáveis.
E acho que é quase desnecessário dizer que não adianta ralhar com a criança. Ela está aprendendo a controlar algo que, para ela, é muito abstrato. No início, o xixi só existe para a criança quando sai e ela o vê. Somente com o treino é que vai se familiarizar com a sensação de que algo está para acontecer e que ela tem certo poder sobre aquilo. Talvez ajude deixar que ela veja alguém usar o banheiro: a Amanda começou a pedir para usar o trono "como a mamãe", "como o mano". Pode ser um incentivo, por que não?
Ju, querida, tente relaxar. Se a coisa anda muito complicada e a Raquel não apresentou nenhum progresso, talvez o tempo dela seja outro. Vou torcer muito para que várias leitoras (ou papai leitores) apareçam por aqui e dividam com você as experiências deles, talvez ajude. Nem que seja para mostrar que você está passando por uma fase que parece durar uma eternidade, mas que logo será lembrada com risos e a boa sensação de missão cumprida. Tenha paciência.
Quando o Arthur nasceu e depois começou a comer papinhas, andar, falar, pensei: meu, no fim das contas, não há nenhuma razão para ansiedades do tipo "espero que meu filho comece a andar com nove meses, falar com um ano e nadar com dois". No futuro, que diferença fará? Então talvez a Raquelzinha precise de mais um tempinho... ela é baiana, não é? Sorry!! Não resisti à brincadeira!!
Então, em suma: oferecer o trono a curtos intervalos; elogiar muito os avanços, por menores que sejam (um xixi "certo" para cada cinco no tapete); ser firme, não sucumbir à tentação de voltar às fraldas (salvo em casos evidentes de que a coisa está ainda muito distante do entendimento da criança); contar com o apoio de todos que têm contato com a criança; torcer muito; comprar muitas calcinhas; sempre sair de casa com mudas de roupas, hehehe - até quando já estão craques, a escapada no shopping, no restaurante ou no supermercado é um clássico; torcer mais; ser otimista; não chorar; e, por fim, comemorar!