A quem passa por aqui


Meus queridos leitores (e amigos que têm usado o blog para manter contato),

Li cada e-mail, comentário publicado aqui e mensagem enviada ao meu celular nos últimos doze dias, bem como as DMs que chegam do twitter para a minha caixa de entrada. Tenho certeza de que todos compreendem meu silêncio, mas as manifestações de carinho de vocês me deixaram com vontade de explicitar o fato de que recebi cada uma delas com profunda emoção e gratidão. Muitos de vocês disseram que gostariam de me dar um abraço e quero que saibam que conseguiram me abraçar, sim, e que vocês têm participado dessa fase tão espinhosa com presença vívida e muito significativa. Não pensem, nem por um segundo, que estou alheia ao afago de vocês pelo fato de não ter respondido às mensagens ou comentários. Fico emocionada cada vez que leio uma palavra de apoio vinda de vocês, seja dos amigos cujas vozes quase ouço nos comentários, seja dos leitores que me emocionam com tanto carinho enviado a alguém que conhecem apenas através deste blog. Do fundo do meu coração, envio a vocês minha eterna gratidão por tentarem diminuir a solidão inevitável que tenho experimentado nesses dias. Eu espero sinceramente que em breve eu volte a sentir algo parecido com o entusiasmo que sempre senti por escrever aqui, mas entendo que as coisas seguem em seu próprio ritmo e que eu preciso passar pelo que estou atravessando agora. Tenho certeza de que voltarei a visitar os blogs de que gosto tanto, a me interessar por assuntos vários e a trocar ideias com todos vocês.

Os dias seguem em meio às coisas dela, na casa dela. Estou cercada de família e amigos, meus filhos me fazem rir um pouco e ocupam pequenas partes dos meus dias que são quase inteiramente dedicados à difícil tarefa de organizar coisas. Ulisses é minha força, meu amor, meu amigo, meu mundo.

***

Reencontrei cada cartão de Dia das Mães entregue à minha mãe desde que eu tinha quatro anos de idade, todos guardados e preservados segundo o mesmo rigor de organização que empregava em todas suas coisas. Reli cada carta, e-mails impressos, cartões, bilhetes, tudo guardado. Algumas cartinhas mais preciosas estavam plastificadas. Separei fotos, cartões, documentos, objetos. Suas roupas. Dentro de dois sacos plásticos, encontrei todos os posts deste blog que sua amiga Verônica imprimia para que ela lesse. Dentro de uma importante pasta de documentos, encontrei a foto de minha avó Rita, sua mãe; há dias minha tia e eu tentávamos adivinhar onde ela poderia ter guardado a tal foto, que por anos e anos e anos habitou a parede da sala. Ela guardou ali, entre documentos meus. Foi como um abraço.

É preciso fazer. Antes do retorno a Florianópolis, após o Natal, preciso deixar a casa pronta para ser ocupada por meus tios. Às vezes é como mexer no que não me pertence e peço licença o tempo todo. Às vezes é como mexer em uma ferida aberta e magoar, magoar. Mas há aqueles momentos em que ela surge das coisas como uma planta que cresce rápido diante dos meus olhos: eu abro o álbum e ela sorri, toco a roupa e ela me toca, olho a colcha da cama e a infância inteira vem.

Um dia por vez.

Não haverá Natal para mim, mas meu desejo de felicidades a vocês é verdadeiro. 

Obrigada por tudo,

Rita 


22 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Eu estou por aqui. Meu carinho pra você. Quanto mais você diz da sua mãe mais eu vejo sua (com ambiguidade mesmo) beleza.

Tina Lopes disse...

Não há nada que se possa fazer além disso, estar com quem se ama, deixar o dia passar, um após o outro. Te acho forte demais por continuar nessa casa, fazendo esa viagem nas coisas do passado. Eu gostaria de poder te ligar, de te deixar uma mensagem que causasse algum conforto, mas tudo que penso é tão triste - porque simplesmente é. Então novamente, querida, espero em silêncio e em respeito, torcendo para que o amor gigante da sua família abrevie a sua volta para cá.

Liliane disse...

Os dias passam e eu penso sempre em voce atravessando esta penumbra na sua estrada. Fica bem, fica bem repito para mim mesma... Não posso imaginar essa estrada como ela é mas, torço que voce consiga, no seu tempo voltar a florir, e sorrir por aqui! Tudo tem o seu tempo.
Meu abraço, minha torcida.
beijos

Pri Sganzerla disse...

Mais um carinho a você.

Beijos!

Jux disse...

querida Ritinha...
mais um abraço, uma xícara de chá ou suco, de acordo com o humor e a vontade... e deixa seu coração ditar o ritmo... nós todas e todos que tanto lhe queremos bem estaremos aqui... tenha seu tempo, qual seja ele em minutos, horas, dias ou meses... pois que um inverno jamais falha em se tornar primavera...

mais um abraço para você...

Danielle Martins disse...

Fico em preces para que seus dias sejam de conforto e que seu coraçãozinho encha-se de paz e brilho. Beijos e abraços pra vocÊ!

Fabi disse...

Detesto não saber o que dizer para aliviar sua dor.

Você é muito querida e muito forte, e por mais que a dor seja excruciante, não vai doer tanto sempre.

Beijo, linda, e muito amor.

kaka disse...

Eu estou aqui, chorando porque não sei como seria minha vida sem minha mãe...por isso não sei nem por onde começar...o que eu tenho para te dizer é que estou aqui e sempre que precisar estarei...um abraço!
kaka

Deise Luz disse...

Eu nunca sei o que comentar em momentos assim Rita. Estive por aqui me emocionando muito com seus posts e pensando em como você estaria. Torci muito por ti esse tempo todo, e agora me sensibilizo tanto...

Enfim, passei mesmo pra deixar um beijo.

Palavras Vagabundas disse...

Rita,
um abraço apertado!
bj carinhosos
Jussara

Mari Biddle disse...

Rita, passei por aqui para te abraçar mais uma vez.


Um beijo.

Sara disse...

Oi Ritinha,
Sinto muito pela perda... é a triste e inevitável ordem natural das coisas.
Força amiga.
Beijos

Iara disse...

Acho que abraços e carinhos não demais, né? Mais um aqui. Take your time e, na volta, estaremos te esperando.

HG disse...

Um beijo carinhoso, Rita.

Glória Maria Vieira disse...

Fique tranquila enqnt a isso, viu Ritinha?! (Olha só que intimidade! hihi)

Eu te entendo perfeitamente! Abraço de urso! *----------*

Anônimo disse...

Oi, Rita!


Li seu blog um dia depois que estivemos juntas, lá em Campina.

Depois, só hoje o reabri.

Compreendo "totalmente" (como aprendi com vocês a dizer) o quanto essa imensidão de emoções precisa se transformar em parágrafos. Precisa se materializar nas letras. Como se assim se eternizassem, de alguma maneira.

Porque nós, humanos, não entendemos direito a finitude. Temos medo dela, nos magoamos com ela e isso é tão normal...

Mas sabemos que o espírito é eterno. Há um trecho da Bíblia a dizer (eu não lembro agora onde está) que Deus colocou no coração do homem o desejo de eternidade. Entendo que esse é o desejo que Ele mesmo plantou em nós para que o procurássemos. Sentimos falta de algo que só o que transcende pode preencher.

Suas palavras estão ajudando a tornar infinita a vida de sua mãe dentro de você. Isso é coisa linda e repete o amor de Deus. Ele é Aba (PAI), mas sinaliza seu amor com as palavras "compaixão";misericórdia":aprendi dia desses que isso vem de um vocábulo (grego, talvez) que significa "contração uterina". E quem tem útero somos nós, mulheres.

Ele sempre cuidou e seguirá cuidando de você. Porque Seu amor é amor que nunca acaba. Igualzinho a amor de mãe.

Beijo, Rita. A gente também ama você. Oi, Rita!


Li seu blog um dia depois que estivemos juntas, lá em Campina.

Depois, só hoje o reabri.

Compreendo "totalmente" (como aprendi com vocês a dizer) o quanto essa imensidão de emoções precisa se transformar em parágrafos. Precisa se materializar nas letras. Como se assim se eternizassem, de alguma maneira.

Porque nós, humanos, não entendemos direito a finitude. Temos medo dela, nos magoamos com ela e isso é tão normal...

Mas sabemos que o espírito é eterno. Há um trecho da Bíblia a dizer (eu não lembro agora onde está) que Deus colocou no coração do homem o desejo de eternidade. Entendo que esse é o desejo que Ele mesmo plantou em nós para que o procurássemos. Sentimos falta de algo que só o que transcende pode preencher.

Suas palavras estão ajudando a tornar infinita a vida de sua mãe dentro de você. Isso é coisa linda e repete o amor de Deus. Ele é Aba (PAI), mas sinaliza seu amor com as palavras "compaixão";misericórdia":aprendi dia desses que isso vem de um vocábulo (grego, talvez) que significa "contração uterina". E quem tem útero somos nós, mulheres.

Ele sempre cuidou e seguirá cuidando de você. Porque Seu amor é amor que nunca acaba. Igualzinho a amor de mãe.

Beijo, Rita. A gente também ama você.

Lílian.

Borboletas nos Olhos disse...

Eu continuo passando e pensando em você e desejando que haja amor e conforto, muito. Beijos com carinho

Barbara disse...

Poxa, fazia tempo que eu nao vinha aqui. Ai eu venho e leio uma coisa dessas. E obviamente nao tenho o que comentar (às vezes tenho uma vontade sincera de dizer "que merda, né?" para as pessoas numa hora dessas. Mas depois continuaria: "Aos poucos vai ficar menos pior." Porque é verdade, né? Fica menos pior, a gente acostuma e aos poucos vai melhorando, ainda mais quando a gente tem apoio da familia - que você, ainda bem, tem bastante)

Seu post anterior me deixou com um no na garganha, ai ai.

Beijos!

Tata disse...

querida,
andava tentando acessar teu blog para ter notícias mas não carregava aqui não sei pq. agora q consegui, chorei contigo e espero que receba meu carinho e minhas boas energias para os dias que virão.
um beijo enorme,
renata

Marcia disse...

Querida Rita!

Transbordei de lagrimas...

Queria poder te ajudar mas nao sei nem por onde comecar.
Fico feliz em saber que seu marido e seus filhos estao com voce, nada como a vida para nos trazer de volta.
Fiquei impressionada com o seu talento para escrever suas emocoes, mesmo num momento inexplicavel como esse.
Voce e mesmo uma artista muito sensivel.

Acho que eu ficaria muda, mas voce consegue descrever as coisas com tanta clareza... vivi cada evento com voce.
Te amo muito, estarei sempre por perto quando voce precisar de um ombro, uma mao, um carinho, uma companhia, uma amiga que te abrace sem dizer nada.
Te envio meu carinho.

Beijo,
Marcia

Isa disse...

Querida, estamos por aqui, sempre!
Bjs,
Isabela

Wonderwoman disse...

Todo conforto e todo carinho para você sempre, Rita.
abraço forte.
Camilla

 
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