O laço


Existem laços dentro de nós que nos amarram às outras pessoas. Às vezes os nós apertam e incomodam e desatá-los se mostra uma tarefa bem mais exigente que o esperado. Desamarrar certos nós pode ser doído, demorado, sacrificante, extenuante até. Mas a gente aprende. Outras vezes, no entanto, nem nos lembramos dos laços, de tão eficientes que eles são. Ficam ali, invisíveis, unindo o mundo. Os nós frouxinhos, confortáveis, apenas conduzem nossos pensamentos, nossos sentimentos e carinhos rumo àquelas pessoas por quem nutrimos as mais variadas formas de amor. Tem laço bom, elástico, que nem liga para milhas ou quilômetros - mantém tudo ligadinho, sem qualquer pressão. Outros são mais frágeis, arrebentam-se e às vezes não há remendo que dê jeito.

O laço que trago comigo tem muitas pontas. Mas com algumas delas o vínculo é tamanho que parece definir minhas trilhas. E deve ser por isso que meu coração se aperta tanto quando algo vai mal na ponta de lá. Porque não deveria ser assim. Algo não se encaixa quando as coisas andam suaves por aqui, mas difíceis por lá. E aí eu sinto um desconforto enorme por não poder usar o laço para dar uma manipulada geral e transferir umas coisinhas para a outra ponta. Porque eu faria, se pudesse. Eu dividiria parte de mim, sem piscar. Eu doaria saúde, por exemplo.

Há dias em que eu queria ser bem ingênua e acreditar naqueles papos esotéricos de que o universo conspira e bla bla bla. Ou que tem alguém prestando atenção do lado de lá da prece. Há dias em que eu queria agarrar o laço e puxar a outra ponta, misturar os extremos e equilibrar tudo. Mas eu não sei como é que se faz.

5 comentários:

Fabi disse...

Do lado de cá do laço-de-quem-te-lê eu digo que venho ao seu blog sempre que preciso me lembrar que ainda há no mundo quem se importe com o que importa. Se houvesse mais gente no mundo amorosa como você, as coisas andariam melhor por aí.

Beijo!

Borboletas nos Olhos disse...

Sabe nó cego? É o que suas palavras vão fazendo com seus leitores, não tem jeito de eu me soltar daqui.

Aquilo tudo que eu disse da outra vez, continua valendo viu? Prece da minha mãe (que tem mais influência que eu e tal), pensamento meu com vontade de ser abraço ou qq coisa que apoie e, claro, tô aqui no Nordeste e tudo é "bem ali" como dizia minha avó...

Acho, querida, que ninguém sabe mesmo com é que faz pra deixar tudo equilibradinho nas pontas do laço...mas a gente tenta, né (e você tenta bem pra caramba, tá). Beijos senão eu não paro de falar...

Jaya Magalhães disse...

Rita,

Foi um prazer te receber em meu canto. Queria dizer obrigada por me trazer até aqui. Seu blog é uma delícia!

Beijo.

Rita disse...

Ô, Fabi, quanta gentileza, obrigada. Mas acredite em mim quando digo que o mundo não precisa de mais gente com as crises de mau humor que eu tenho, hehe. Muito obrigada pela visita, fique mais, caminhe à vontade.

Borboleta, sua linda, obrigada again and again. Manda as energias boas daí que estou precisando de todas. :-)

Jaya, obrigada pela visita, venha sempre, fique à vontade. O astral anda meio cambaleante essa semana, mas tudo se arruma. :-)

Beijos, pessoas.

Rita

Fabi disse...

Tenho certeza de que um coração tão bom compensa qualquer mau humor. ; )

 
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