Mundo grande, mundo pequeno



É, não teve jeito, o barulho em torno do preconceito declarado aos quatro ventos foi tão alto que não foi possível calá-lo na mata. Mas sigo sem stress, mantendo o compromisso pessoal da semana. Não escrever sobre, no entanto... pode pular?

Daí que estou aqui no Sul há sei lá quantos anos, a paraibana que não escolheu Florianópolis - escolhi o mestrado em Tradução que calhou de ser aqui. Querer, mesmo, eu quis Recife, mas não dava, não naquela época - quando mesmo? 1999? Isso, foi lá. Pois bem, vim, fui ficando, fiquei. Claro que gosto, do contrário já teria partido, mestrado e doutorado há muito concluídos. Mas Floripa é uma cidade de muitos atrativos, criei vínculos, uma coisa levou a outra, arrumei emprego, casei, filhos nasceram, puf. Não é impossível a mudança, claro, mas não sou nômade. É bom ter uma casa e, por enquanto, ela é aqui.

Uma das coisas de que eu gostava muito na faculdade de Letras, lá em Campina Grande, era a chance de conviver com pessoas de várias origens. Não no curso de Letras propriamente dito, mas no Campus da UFPB, que atraía jovens de todos os lugares do Brasil (muitos puxados pelos ótimos cursos de engenharias e afins), principalmente de vários estados do Nordeste. Então tinha eu lá minha turma de baianos, pernambucanos, piauienses, paraibanos de várias cidades, sergipanos, alagoanos (ê, galera boa!) e por aí vai. Eu adorava a mistureba de sotaques e cacoetes, manias e maneirismos. Eu me contaminava com tudo, devo ter algum problema de personalidade volátil: conversava meia tarde com um baiano e à noite falava mais arrastado; passava o final de semana com os cearenses e na segunda-feira estava cheia de outras manias. Ser nordestina era algo absolutamente difuso e genérico. Eu era uma daqueles e daquelas, falante, animada, curiosa, de olhos abertos para o mundo. Eu não era uma esperancense (nasci em Esperança/PB) morando em Campina Grande. Eu era uma nordestina, como o aluno alagoano do curso de inglês e o colega maranhense da faculdade.

Eu saí e não sei quanto daquilo trouxe comigo. A adaptação em Florianópolis foi tão natural quanto seria se eu tivesse conseguido encontrar o curso que queria naquela universidade de Recife. Eu percebi algum preconceito aqui e ali, mas era tão insignificante diante do que a pós-graduação me trouxe - incluindo pessoas e oportunidades - que minha escolha foi óbvia e abracei o bom. Fui calorosamente acolhida por manezinhos da Ilha linda, estudei e convivi com gaúchos sangue-bom, tive a honra de ser aluna de mineiros, gaúchos e cariocas brilhantes, conheci outros nordestinos desgarrados e também brilhantes e curti a identificação inevitável que vem de brinde no sorriso largo. Até hoje convivo no trabalho com brasileiros de todos os lugares e a origem é talvez a terceira coisa depois da última que me serviria de critério para descrevê-los. Antes de catarinenses, gaúchos ou mato-grossenses, são pessoas legais ou chatas, competentes e/ou inteligentes, alienadas ou atuantes, bondosas ou maledicentes, generosas ou egoístas. Indiferentemente, todo mundo misturado. Encontro aqui em Florianópolis, terra de imigrantes, ecos daquela mistureba temperada do campus da UFPB. E gosto demais.

Mas aí o ódio. Agora, no pós-eleição, navego na blogosfera e vejo o discurso separatista da pior estirpe, aquele calcado puramente no preconceito e no racismo. (A Amanda fala em outros separatismos, para quem quiser refletir sobre o assunto com outros olhos.) É claro que fico triste. É natural que eu me sinta atingida, o ódio é direcionado a mim. Eu sou uma nordestina e mesmo fazendo parte da elite do país (eca!), mesmo não sendo vista no mapa dos preconceituosos (meu voto foi dado em Florianópolis), mesmo não precisando do bolsa-família (pelo contrário, durmo feliz sabendo que ao menos uma mísera parte dos meus impostos - que também pago feliz - tem endereço certo na casa de alguns outrora famintos), mesmo assim, eu sou alvo do ódio. E eu o repudio, rebato e me entristeço, do fundo do meu coração brasileiro e nordestino.

Jamais vou esquecer a força com que aqueles tweets varreram de meu rosto o sorriso bom que eu carregava comigo desde a véspera, quando abri o laptop na segunda-feira passada. Quem faz pouco caso da história (ah, bobagem, não ligue) nunca foi vítima de preconceito ou não entendeu nada do significado daquilo. Aqueles xingamentos não vieram de pessoas há muito preconceituosas que construíram suas vidas envoltas na cegueira do ódio fácil. Não. Aqueles xingamentos vieram de jovens em torno dos dezoito, vinte e poucos anos. É bom pensar no que isso significa para a sociedade na qual estamos criando nossos filhos.

Daí li textos como o outro da Amanda e me vi refletindo sobre esse papo de separação, patriotismo, revisitando conceitos com os quais lidava todos os dias nos bons tempos do mestrado. Houve uma época em que o peso do "sentimento nacional" me parecia evidente e determinante em muitas manifestações sociais - e eu só estava falando de legendas de filmes, vejam vocês. E ao mesmo tempo em que eu voltava minha atenção para regionalismos, não conseguia negar que a ideia de "um Brasil" existia e atuava e era muito distante da ideia do que seria "o país Estados Unidos". Mas já nesse tempo em que a noção de nação servia tão bem às minhas problematizações acadêmicas, minha condição de paraibana-nordestina-vivendo-em-santa-catarina-copletamente-contaminada-por-um-pouquinho-de-cada-estado-do-país sinalizava que algo ali não funcionava direito. Então quando leio a Amanda dizendo que está pouco ligando para fronteiras, que elas sejam do jeito que for, o que importa mesmo são as pessoas, eu sei exatamente do que ela está falando. É tão óbvio, né? Não. Deveria ser, mas não é.

E foi caminhando por esses pensamentos, na mata, que hoje senti vontade de dizer aqui que, de fato, eu não quero só que a vida dos brasileiros melhore. Eu quero que a vida dos europeus, dos asiáticos e dos africanos melhore também. Mas, ainda assim, é lógico que a identificação pela proximidade existe e também é óbvio que a construção cultural em torno do conceito de nação atua em mim. Então, sim, seria bom, ao invés de dividir, unificar tudo e simplificar as relações - país América do Sul, por exemplo (nossa, vejo muitos se benzendo); mas já que isso não parece visível no horizonte do próximo século, tratemos de melhorar a parte que nos cabe no planeta, ainda que amando e respeitando cada marroquino e cada australiano, manifestando esse amor através do cuidado com o brasileiro aqui do lado.

Então não quero que o bolsa-família tire apenas a fome do nordestino dos rincões, mas também do morador dos morros de Florianópolis, das favelas de São Paulo, dos interiores pobres do Paraná, das populações ribeirinhas da Amazônia - e por eles pago meus impostos e torço por um governo voltado para a solidariedade e o crescimento. E acho que vou continuar torcendo por um país unido por diversas razões, mas não por achar que o Nordeste precise, honestamente - quem cresce em ritmo acelerado atualmente não é o Sul, se eu não estiver enganada. Simplesmente porque me recuso a apoiar qualquer movimento nascido no ódio e no pensamento mesquinho combustível do preconceito. Se for para separar, que seja por outras razões, sei lá quais. De qualquer maneira, avisem-me que parte do país a Dilma vai governar porque é lá que quero morar.

Mas antes disso, em qualquer lugar, mais amor, gente. Mais amor.

Update: o lindo texto da Renata merece ser lido. Fala do mesmo assunto, mas com uma dose generosa de poesia. Lindo demais.

20 comentários:

Pérola disse...

Ai que boniteza!
Mais amor, gente!!! Simples!
Beijo nos pés!

Liliane disse...

Onde assino?
Todo o ódio semeado agora dando os frutos... Mais amor é isso que falta mesmo Rita, muito mais amor por que somos gente, gente viajando no mesmo universo dentro do mesmo planetinha!
A que se amar para aceitar e ajudar o outro!
Muito linda sua reflexão! Amei!

Borboletas nos Olhos disse...

Eu estou na rodoviária, esperando o ônibus que vai me levar pra onde? pra onde? Recife! E tem uma porção de gente olhado porque eu estou chorando. mas sabe chorando mesmo de lágrima pingar e agente soluçar como quem tem o coração partido em duas bandas? Eu ainda vou comentar este post, por enquanto só dizer que você é linda demias.

Angela disse...

Fiquei intrigada com a relevancia da questao do destino dos impostos em meio a essa onda de preconceito. Se eu precisasse escolher entre deixar 40% do meu salario (como deixo) para pagar impostos que sao usados em parte para beneficiarem os que necessitam, ou deixar apenas 10% para beneficiar corruptos abusando do poder, o que escolheria? Um tantao dos impostos pagos pelos brasileiros, durante decadas, tem sido desviados para individuos de classe alta e altamente corrompidos. Esses sim que deveriam ser discriminados (e sabes que nao gosto de desamor).

Nasci com o dom (acho) de aparentemente ser muito desligada com relacao a preconceito direcionado a mim, pois rarissimos sao os eventos que lembro ter sido discriminada por ser paraibana, nordestina ou brasileira. E apesar de nao lembrar, aposto que nos momentos em que aconteceram combati com a "arma" mais poderosa: o tal do sorriso largo.
Namaste ai proces visse? :) E que continuemos a nos misturar muito por ai, pois eh o que nos traz tanta riqueza nessa vida.

Glória Maria Vieira disse...

Como disse no Porte Doreé, isso de separar SUL/SUDESTE do NORTE/NORDESTE por questões de "ser melhor",ou ser "pior" soa tão, mas tão SOBERBO!:/ Não sou à favor de divisão alguma se for nesses moldes, e sei que é, porque simplesmente isso apenas reforçaria o preconceito, né?! Sei lá... Fico muito chateada com essa situação nada agradável!

E o "alagoanos (ê, galera boa!)" senti que foi pra mim, Rita! kkkkk :D \o/

P.S.: Não sabia que vc, assim comoa CHEFA, é paraibana! QUE BACANA! hihi

disse...

Rita, realmente uma linda reflexão. Lagrima nos olhos! Se houvesse uma divisao no Brasil acho que eu perderia todas as minhas referencias. Nasci em BH, fui criada no RJ, morei 1 ano em Salvador (de onde tenho minhas primeiras lembranças), depois fui pra Macaé e entao morei 11 anos em SP. De parte de mãe, meu avô é paraibano de Patos e minha avo' paraense de Belém. De parte de pai, meus avos sao argentinos, com pais alemães e suecos. Tenho familia espalhada em praticamente todos os cantos do Brasil. Mistureba doida! E sabe que eu adoro isso? Orgulho de ser toda essa mistura, pq é isso que é bonito no povo brasileiro.

Mas é isso ai', vc resumiu tudo. Precisamos de mais amor. Como ja' dizia John Lennon. :-)

Amanda disse...

Que lindo, Rita! Sabe, quando escrevi meus post fiquei com a impressão que não tinha dito tudo que gostaria de dizer, mas agora fiquei tranquila porque vc completou tudo com muita emoção! Puxa vida, se vcs viessem pra Londres de novo, com certeza eu dava uma passadinha la pra conhecer essa familia que semeia amor no mundo! Pena que to um pouco atrasada!

Fernando disse...

Oi Rita
Dei um pitaco no post da Amanda (depois de velho dei de conhecer pensamentos mais arejados) na parte que se refere ao patriotismo, que abomino. Então, permita-me dar um palpite aqui sobre essa questão do separatismo. Eu acho que é uma falsa questão. Há bem uns 45 fui para o sul. Naquela época alguns poucos carros ostentavam um adesivo que dizia “O Sul é o meu país”, ilustrado com um mapa do RS, PR e SC unidos. Quando eu conversava com os gaúchos sobre isso, eles me diziam que era uma besteira de poucos. Falavam isso no ambiente de trabalho vestindo bombachas e botas. Depois, em Natal, um grupo tri-legal de lá não se cansava de me mostrar as diferenças entre os nascidos no RN e o resto dos nordestinos. Eles se achavam mais cosmopolitas. No Recife, onde tenho muitos amigos, quando falam pejorativamente de alguma coisa, dizem que “isso é coisa de baiano”. Em São Paulo, onde estou há décadas todos os meus amigos são de fora. Paraibanos, pernambucanos, baianos. De vez em quando deixam escapar um “esses paulistas...”. Eu acho que são manifestações regionalistas-narcisistas. Como disse o baiano Caetano sobre SP: “É que narciso acha feio o que não é espelho”. E pronto, não mais que isso. O tema separatismo não está na pauta do povo. Não se fala disso, a não ser em minúsculos redutos de ociosos ideológicos. Obrigado e parabéns pelo post. Fernando.

Patricia Scarpin disse...

Eu realmente fico triste vendo esse tipo de preconceito/ódio ainda existindo hoje - esperava que o tal século 21 trouxesse, além de modernidade, mais compreensão pro ser humano - será que estou pedindo demais, Rita?

Beijo, adorei o texto.

Palavras Vagabundas disse...

Rita,
gostei de saber que você é paraibana, como eu - sou de Campina Grande. Estou como a De, nasci na Paraiba, morei no Paraná, morei anos em São Paulo onde me formei e moro no Rio há 25 anos.Separação é besteira, mas preconceito não1 Lindo Post.
Vou com você para onde Dilma for governar.
Mais amor, gente. Mais amor.
abs
Jussara

Borboletas nos Olhos disse...

Primeiro, onde você encontra frases assim? "Até hoje convivo no trabalho com brasileiros de todos os lugares e a origem é talvez a terceira coisa depois da última que me serviria de critério para descrevê-los." Inteligente e engraçada. Adorei. Aliás, adorei o texto inteiro. Sabe, eu quero todo mundo feliz, fazendo festa na rua, comendo bem, amando, tendo segurança e moradia. E eu faço o que posso, seja votando, seja no meu trabalho, seja em projetos sociais. O que posso é pouquinho? É. Mas é resultado de um enorme, imenso amor. Eu gosto das pessoas. De todas elas. Enfim, onde a Dilma for governar, é nesse cantinho que eu quero estar. Bjs

larissa disse...

Lindo post.
Imagina a minha tristeza em admitir que a minha geração não tem ideais, não tem sonhos. Eu, aos 21 anos não conheço quase ninguém que se preocupe com política ou com qualquer coisa que ultrapasse a sua própria casa. Como disse a Renata perfeitamente, os jovens de hoje pensam que são o umbigo do mundo. Todo mundo tá muito ocupado seguindo as últimas tendências, garantindo seu lugar no mercado e plantando idéias preconceituosas na cabeça.

larissa disse...

Ahh, lembrei de pessoas maravilhosas que conheci na faculdade, nós trabalhamos com extensão popular. Era um povo meio à esquerda, coisa que eu não via há tanto tempo. Gente que faz assessoria jurídica popular, que viaja pela América Latina e que tenta construir a Univerdidade que sonhamos, que "Luta" no nosso jargão, gente livre de preconceitos e estereótipos. Mas infelizmente são exceção.

Rita disse...

Pessoas, adorei cada comentário e volto aqui depois para responder um a um.

Até depois.

Obrigada!!!

Bjs,
Rita

Sara disse...

Gente, eu confesso, sou gaúcha...
Sei cantar o hino do meu estado e meus olhos sempre marejam quando o escuto cantado naquela melodia bem gauchesca... se for cantado pela torcida do meu Grêmio com o estádio lotado nem se fala... báh, em desfile de 20 de setembro (comemorações da revolução farroupilha)... lindo, lindo!
Mas é só amor, saudade e orgulho das minhas origens e da minha cultura, não é raiva ou menosprezo pelo resto do mundo.
O Brasil é um caldeirão cultural, somos um continente imenso, devemos preservar e cultivar nossas diversidades culturais, sem deixar de misturá-las também!
Eu estou fazendo minha parte: há alguns anos atrás tentei "casar" com um potiguar, porém deu mais certo com um paulista caipira.
Hoje em dia estou carregando o "r" nas "porrrtas" e "porrteiras", meu sogro já está tomando chimarrão, mas para o Corinthians eu não torço!
Bjk

Rita disse...

Voltei.

Pérola, falei no twitter e repito agora, seu comentário foi fofíssimo! Beijinho procê!

Liliane, vamos cantar All We Need Is Love? Love is all we need... Bj.

Luciana, sua bonitinha, o que a senhorita está aprontando em Recife, hein, hein, hein... ai ai ai... :-) Aproveite! Não faço ideia qual a boa do momento, mas no meu tempo a palavra de ordem na noite era Recife Antigo. Saudades... (e já era com o Ulisses..) Bj!

Anginha, pois essa semana li outro texto excelente sobre quem mama onde, falando que o alvo da indignação não deveria ser quem come com bolsa-família, mas quem ganha muito e trabalha pouco, enfim. Se eu achar o link te mando depois. Quanto a não ver o preconceito, acontece comigo também, certamente. Mas dessa vez, não teve jeito, né. O troço foi bem mais sério do que uma simples torcida de nariz. Beijo!

Oi, Glória. Também não queremos divisão nenhuma, imagine. Queremos respeito e convivência harmoniosa - como acontece na imensa maioria dos casos. Bj!

Dé, que bom que gostou do texto, fico feliz. É tão comum essa mistura maluca nas origens das famílias brasileiras, né? Quanto mais mistura, melhor fica. :-)

Amanda, certamente iremos nos encontrar um dia! E iremos adorar, não tenho dúvidas!! Minha próxima ida à França (sabe deus quando) será cheia de pit stops obrigatórios... Beijão!

Fernando, olha concordo com você: esse lance de separatismo veio à tona agora por causa desse papo todo em torno dos famigerados tweets, mas é claro que não deve ser tomado como algo que realmente estaria tomando forma. O final do meu post foi bem na brincadeira mesmo ("se separar, quero ir onde a Dilma governar") porque o que quero mesmo é o que o país inteiro cresça junto! Muito obrigada por seu comentário, venha sempre! Valeu!

Patrícia, eu fiquei muito triste com tudo isso também. Nossa, vi tanto ódio e ignorância naquelas mensagens que me custou acreditar no que tava vendo. O mais triste é ver a idade da galera... assustador. Bj.

Jussara, você é CG?? Que coisa, né, mundo minúsculo. Vou à Paraíba todos os anos visitar minha família. Obrigada, fico feliz que tenha gostado do texto. Abração!

Larissa, você pra mim é um exemplo do que melhor a juventude tem: inteligência, alegria, beleza (no seu caso, transborda pra fora também), amor no coração, olhar para o futuro sem pensar só no umbigo. Nossa, se metade de nossos jovens tivessem a aura boa que você tem, o mundo seria outro. Você vale muito, menina. E olha, vou te falar uma coisa: eu recebi influências de amigos em minha adolescência e juventude que considero fundamentais para minha formação. Você tem esse poder: conversar, argumentar, mostrar ao seu círculo de amigos que o mundo é maior que o bairro e a balada. Desanima não. (Eu te entendo perfeitamente, mas como você mesma mostrou no segundo comentário, tem muita gente de cabeça aberta por aí também)
:-) Beijos!

Sarinha gaúcha, eu acho bacana sua ligação com seu estado, não me incomodo nenhum pouco com meus amigos gaúchos apaixonados por sua terra - essa paixão não significa em absoluto que essas pessoas têm preconceito contra quem quer que seja. Acho engraçado, até, e respeito muito. O problema, sabemos, é de outra natureza. Eu gosto pra caramba do Brasil, mas mantenho respeito e o coração aberto para os vizinhos da Argentina, Bolívia, etc. O que falta é mesmo amor pelas pessoas. No fim das contas, terra, afinal, é só um pedaço de chão. Claro que ama-se a cultura, as tradições, e tal. Mas nada disso pode estar acima do respeito pelo outro. Ah, mas você sabe de tudo isso e dá lição de como se faz. E ainda nem brindamos!! Tim-tim procê!!

Beijos, pessoas boas!

Rita

Caso me esqueçam disse...

uma amiga me enviou hoje um email dizendo que correu pro meu blog diante dessa onda de preconceito pra ver o que eu havia escrito sobre. depois pediu pra que eu escrevesse algo sobre. mas nao dah; respondi pedindo desculpa. porque olha... nao tenho paciencia pra isso, sabe. nao tenho paciencia pra tentar rebater tanta babaquice. e depois, porque diante de posts como esse (e dos da amanda), eu fico tranquila sabendo que tem gente mais capaz de falar sobre o assunto. nao quero estragar meu lindo fim de semana :)

Daniela disse...

Eu tenho a sensação de que esse período eleitoral durou um ano. E eu saio dele catando os caquinhos da minha esperança na humanidade e sentindo a minha conhecida misantropia cada vez mais pulsante.

Como já dizia Saramago: Não sou eu a pessimista, o mundo é que é péssimo.

Ainda bem que agora só em 2014

Daniela disse...

E para completar:

Eu já disse várias vezes por aí que não acredito em amor, mas acho que o mundo é melhor por que existe gente como você que acredita. :-)

Esse post só vem reforçar isso.

Beijão

Rita disse...

Luci, obrigada, querida. E olha, não pensei que fosse escrever também. Mas foi mais forte que eu. E me fez bem, enfim. Faz de conta que você escreveu junto, ;-)

Ai, ai, sua menina Dani, vai chegar um dia em que a gente vai se encontrar pra conversar e iii... vai faltar tempo no relógio. Eu acho que te entendo TANTO, e fico assim com uma tristezinha perpétua depois desses episódios também. Quanto à sua misantropia, sua consciência social a contradiz... quem não gosta de gente não se importa. E você esbanja humanidade. E o que te move, em alguma medida, é amor, sim. Não quero me meter a saber mais de você do que você mesma, mas, ah, você é linda demais para não ter umas camadinhas de amor universal aí dentro. Pode brigar comigo, nem ligo. Beijos.

Rita

 
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