E depois?



Arthur, cinco anos, tem demonstrado cada vez mais interesse por questões abstratas e já começaram a surgir perguntas um pouquinho mais complexas do que "o que é turbina?". Muitas surgem no carro, nos papos a caminho da escola. Quando o bicho pega, rola uma certa torcida de minha parte para que o Odisseus responda primeiro e vice-versa...  Hoje foi assim:

- Mãe, esse jardim é tão bonito, né?
- O cemitério, filho? É, bem bonito ali.
- Aquele é o cemitério?!
- Sim...
- Onde... enterram as pessoas?
- Sim.
- Por que enterra, hein?
- Bem, nem todo mundo enterra. Tem gente que crema, que é como queimar, sabe...
- QUEIMA??
- É... e aí a pessoa vira cinzas que podem ser guardadas ou jogadas em algum lugar bonito e...
- Vocês dois vão morrer, não vão?
- Todo mundo morre um dia, filho. E todo dia nasce mais um monte de gente. É assim.
- Eu seeeeei! E o que acontece com as pessoas que morrem?
- Eh... na verdade, ninguém sabe ao certo. Tem gente que acredita que, quando a gente morre, vai pro céu. Tem gente que acha que nasce de novo...
- É! Eu acredito nisso aí! Que a gente cresce de novo.
- É, é uma ideia bem bonita, mas eu não sei se é assim e acho que não é, não. Mas tudo bem, é uma ideia legal. Normalmente, se as pessoas acreditam em Deus...
- Ah, eu sei, Deus, que morreu com o prego...
- Eh... acho que você tá falando de Jesus, mas... Bem, e tem gente que acha que morre e pronto, acaba tudo e...
- Pai, vamos brincar de adivinhar desenho?
-... (*ufa*)

E aí, como me saí? A parte que eu mais gostei foi brincar de adivinhar desenho. O Arthur ganhou, era Pokemon.

***

E tem o Rio, né. Tô torcendo.

***

Hoje foi dia de combate à violência contra a mulher: muitos textos bons blogosfera afora, muitos dados alarmantes por aí, muito machismo - ainda. Sigamos. A quem ainda não leu o post da terça, fica o convite. Se você é homem, tem um bom texto para você aqui - porque, na real, o problema é de todo mundo.


11 comentários:

Juliana disse...

Ah, Rita! Imagino o sufoco aí! O bicho pegou pro teu lado. kkkk

Eu me pergunto como vou lidar com isso um dia, porque tenho respostas pra mim, que fazem sentido pra mim. Mas daí oferecê-las como verdade, ainda mais com o peso que palavra de mãe tem é uma outra história.

ah nem quero pensar! hehe

Angela disse...

Coincidentemente, a conversa de Max foi com Pete a cerca de duas semanas atras. Fiquei pasma com a leveza de Max em se tratando do assunto. As indagacoes se estenderam um pouco dias depois quando estava comigo, porem foram perguntas mais faceis de responder... se a Emily estava no cemiterio, se quando ela faleceu eu vi o que havia dentro dela, assunto dificilimo de conversar mas de respostas diretas. Falou que nao queria morrer por que nao queria ficar brincando so com pedras (ele imagina debaixo da terra so vai ter isso para brincar). Confesso que nao gosto disso nem um pouco tambem. Decididamente ainda nao consegui alcancar a serenidade diante da morte.

Campanha importantissima, hoje em dia acabo nem lendo muito pois nao consigo processar tamanhos atos de covardia e perversidade. Fico em loop, nao consigo superar. :(

HG disse...

Oi Rita... pra mim, saíste muito bem!!!
Mas que bom que ele decidiu mudar de assunto, né?! rsrsrsrs

Lord Anderson disse...

Faz um tempo que não comento aqui, mas estou sempre lendo.

Ja tive essa conversa com minhas crianças e realmente não é facil, ainda mais que minha familia é uma salada de religiões.

A avó que os netos amam de paixão é cristã ferrenha, a mãe tem simpatia pelo espiritismo, o pai nem pensa nisso...

Sobrou p/ o tio .rs

Foi preciso pisar em ovos, mas acabei dizendo que ninguem tem CERTEZA, acreditamos em algumas coisas, mas saber mesmo só na hora.

Tb é dificil explicar pq TEMOS que morrer, mas acho que me sai bem.

Pelo menos não parecem ter ficado com traumas.

Claro, uma ida a sorveteria depois ajudou a desanuviar o assunto. :)

Quanto a campanha, ela é fundamental. A violência contra a mulher não esta nem perto de diminuir, pelo contrario, tem cada vez mais gente se sentindo a vontade para jogar a culpa nas priprias mulheres.

Como homem, como tio de duas meninas, como alguem que viu a violencia dentro de casa, não posso me omitir.

Conversar com amigos, denunciar, questionar.

É um crime grave demais.

Bjs

Patricia Scarpin disse...

Ai, estas questões filosóficas são mesmo um beco sem saída, né, querida? Eu acho que vc se saiu muitíssimo bem. :)

Danielle Martins disse...

Salva pelo gongo! Você é ótima e cada post fico mais encantada por sua família. Vamos publicar "As perguntas de Arthur"? rsrs
Bjs!

Tina Lopes disse...

Guria. Eu tive exatamente a mesma conversa com a Nina. Mas EXATAMENTE. A gente é tudo igual mesmo? Nossa, chega a ser creepy. Mas não rolou a história do prego - ela encerrou um pouco antes. "Ai, mãe, esse papo tá chato, depois vc me explica mais". E só. Bjk.

Borboletas nos Olhos disse...

Baby, eu nem conto as vezes que o Samuel me pôs em saia justa, do tipo (com 3 anos) passar em frente ao Macdonalds e dizer pra todo mundo que ia no carro: "eu nunca comi aí porque minha mae não tem dinheiro pra futilidades" ai ai ai...ou perguntar pro meu pai (nessa mesma época):vô, você vai morrer logo? porque você já tá velho, né?
Mas o papo sobre morte mais elaborado foi esse(acho): ele perguntou pra minha mãe o que acontecia depois da morte. Minha mãe disse que as pessoas boas iam para o céu. Aí ele perguntou se todas as pessoas boas de todos os tempos iam para o céu. Minha mãe disse que sim. Ele perguntou se todas as pessoas boas de todas as épocas, de todas as cidades iam pro céu. De novo minha mãe disse que sim. Aí ele perguntou: e como eu vou achar meu avô Zeca no meio de tanta gente? Ele vai segurar um cartaz como no aeroporto? (o vô Zeca na verdade é bisavô, pai da minha mãe que era o xodó do samú e tinha recentemente falecido). Delícia lembrar essas coisitas. Bom demais vir aqui te visitar. Bjs

Rita disse...

Olá, vocês

Juliana, eu cresci dentro da tradição católica seguida por minha família, estudei em colégio católico e tal, o que não me impediu de fazer meus próprios questionamentos e depois seguir outros caminhos em questões de fé e afins; vou deixar meus filhos inteiramente à vontade para seguir o caminho que escolherem também. Mas pretendo sempre ser muito honesta: não sei, tenho mais dúvidas que respostas e, na real, muita gente acredita em muita coisa, mas, no fundo, ninguém sabe de nada, né? O que importa é isso que vc falou, o entendimento de que, nessas questões, nem sempre nossas verdades servem aos outros. Bj!

Anginha, bonitinha a preocupação do Max em relação às pedras... acho que vai nessa linha a "opção' do Arthur em "acreditar" em reencarnação: é a ideia mais confortável, né; mesmo que os pais morram, estaremos de volta e tal. Enfim, é mesmo reconfortante para ele e acho que, nessa fase, tá bom assim. :-) Mas vem pedreira por aí, teremos muitas figurinhas para trocar. Bj!

HG, obrigada! Mas com certeza, fui salva pelo gongo. :-)

Lord Anderson, bom vê-lo aqui. Olha, acho até que a salada de religiões mais ajuda que atrapalha: é uma boa amostra de que, nesse campo, há tantas verdades quanto ha´pessoas, né. Mas mais do que a religião, o que pega mesmo é o lance da morte. No entanto, mais dia, menos dia, todo mundo encontra seu caminho, suas respostas - nem que seja desistir de procurá-las (o que não deixa de ser um caminho, né?).

Quanto ao lance da violência contra a mulher, parabéns por sua postura. :-)Abração!

Patricia, obrigada, sweetie!

Danielle, obrigada, querida; gentileza sua. Vamos colecionando as perguntinhas... e ainda vem a Amanda por aí. :-P

Tina, querida, só muda o endereço. Tudo do mesmo saco. :-)

Luciana, hehehe, viu? Eles têm uma lógica ótima, né? Outro dia um amigo do Arthur também questionou: "mas por que, afinal de contas, Deus não dá um jeito de resolver logo a vida das crianças que precisam de comida etc??" Né? Ora, concordo absolutamente com ele. :-D

Beijos, pessoas! Bom final de semana procês todos!

Rita

Mari Biddle disse...

Rita, vou fugir para as montanhas quando Ethan começar com as perguntas filosóficas.

Bjkas

Rita disse...

Mari, querida, pede um kaiser antes porque o negócio só piora.
:-)

 
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