De norte a sul

Hoje vi no twitter que este sábado, dia 06, é Dia do Nordeste (#diadonordeste) nas redes sociais, uma brincadeira coletiva para exaltar a região e rebater o preconceito, pregar a união entre os povos de cá e dar as mãos em torno do país que tropeça, mas anda pra frente. Não sei se a brincadeira vai vingar ou não, se vai passar em branco, se alguém vai participar mesmo, mas já que o papo é esse, estamos aí. A intenção não é impingir ao Nordeste um lugar de destaque em relação às demais regiões, mas fazer um carinho em quem foi insultado e ficou triste. Cabem todos, inclusive os que, com a mão na consciência, perceberam o tamanho do desmando e em seus corações revisaram seu preconceito. Quem sabe? Eu gosto de acreditar.

Eu acho que para celebrar de verdade, todo mundo devia subir e descer as ladeiras de Olinda atrás dos blocos de lá... mas já que não dá, vamos de posts e tweets - fazer o quê, né? Paciência.

Para entrar na brincadeira, relembro a montagem para a TV d’O Auto da Compadecida, baseada na obra do paraibano Ariano Suassuna, em especial um diálogo bonitinho entre o inesquecível Chicó (interpretado pelo mineiro Selton Mello) e João Grilo (vivido pelo paulista Matheus Nachtergaele, maravilhoso): Chicó, sonhando acordado com sua amada Rosinha, conta para o amigo sobre as artes da sedução e diz que adoraria dizer para ela “I love you”; intrigado, João Grilo pergunta o que danado significa aquilo, ao que Chicó responde, suspirando: “É morena, em francês...” /O\ Hehehehe, adoro. :-) Se você ainda não viu, corra para a locadora e comemore com estilo.

Na verdade, nem sei se esse trechinho foi acrescentado pelos produtores da série exibida na TV - que depois virou filme - ou se já está lá nos escritos originais do Suassuna. Seja como for, fico com a lembrança das cenas hilárias d’O Auto da Compadecida, que ainda traz o pernambucano Marco Nanini como o melhor cangaceiro de todos os tempos, além daquela que é provavelmente a maior concentração de impagáveis expressões nordestinas da história, para matar de rir qualquer mequetrefe.



Mas se você não quiser risos e preferir suavidade, tem também. Vem lá do Maranhão e afaga o coração da gente como carinho de mãe. Canta, Zeca.



(A caixa de comentários está à disposição para que vocês despejem ali expressões nordestinas, manias, causos, o que for. Canjica amarelinha temperada com canela também pode ser enviada para a blogueira, muito agradecida.)

11 comentários:

Sara disse...

Oi Ritinha,
Nesse momento em que estamos batalhando para digerir o sentimento de "ódio" gerado pelo resultado das eleições (não tenho ódio dos preconceituosos, tenho pena e medo deles), recomendo o belo o programa Globo Repórter veiculado hoje, que acabei de assistir. Fala sobre o poder o afeto, de iniciativas que demonstram que o amor e o afeto são remédio para muitos males, dos físicos aos éticos e morais.
Achei o programa bem oportuno, coisa rara na vênus...
Bjk

Liliane disse...

Rita,
Seu post foi minha inspiração! O carinho eu senti e como a Sara falou, muita pena desses que escolhem, conscientemente ou não, se encolher e isolar nesses sentimentos mesquinhos! Viva nós e nossa cultura. Viva o Brasil e sua pluralidade!
beijos

Glória Maria Vieira disse...

Eita que bacaníssimo! Nem sabia que hj era o dia do nosso amado Nordeste! Pois bem, Rita, vou pensar durante o dia em alguma coisa e volto aqui pra comentar, tá?! Um beijo!

Nardele disse...

Eba!!!! Pra comemorar minha Salvador, da minha Bahia linda, amanheceu com um dia azul de sol! Vixe, que dia lindo retado!!!

Sim, Rita, deixemos pra lá o ódio, o rancor, a ignorância. Vamos focar no que é bom, no positivo, na beleza da vida, né! Ignorei esse ocorrido, porque a pequenez humana não tem limite às vezes, e ir atrás dela nos deixa menores.

Linda!

Adorei. Feliz Dia do Nordeste a todos!!!

Palavras Vagabundas disse...

xeros, xeros e mais xeros
Jussara

Caso me esqueçam disse...

ADORO o auto da compadecida! tive muita vontade de apresentar o filme a camilo quando ele tava no brasil, mas imagina a dificuldade que seria apresentar um filme daqueles a um "frances"? hehehehe eu teria que parar e traduzir a parada a cada trinta segundos! hoje camilo tah mais espertinho, ja nao eh mais frances. eh paraibano. fala "oooxeee" quando se espanta com algo. eh lindo! hahahaha

HG disse...

Canjica... que bom!!! Pras bandas de cá, é quase impossível! Mas se lhe servir um agrado... achei arretado o post e fiquei verde de inveja de escrever... Mas num tou espichando o olho pra riba do teu post, não! É só mania de arremedá os outros...
Inté!

Borboletas nos Olhos disse...

Como estou éeee, como direi? ocupada em Recife, não posso escrever um comentário apropriado como o seu post sugeria. Mas aproveito pra deixar esse link: o sertão da borboleta...
http://borboletasnosolhos.blogspot.com/2010/07/so-coisas-boas-ou-o-sertao-da-borboleta.html

Rita disse...

Oi, Sarinha. Quase vi o programa, mas entramos no clima e tiramos o Auto da Compadecida da estante.
:-) Valeu a dica mesmo assim. Bj.

Liliane, é isso aí, espalhar carinho e respeito é muito mais negócio. :-) Bjinho.

Glorinha, beleza.

Nardele, dia azul em Salvador não é novidade, hein? Coisa boa, tomara que você tenha aproveitado bem. Tô aqui tentando lembrar quando fui aí a última vez... nossa, nem lembro. Mas foi num carnaval, hehehe. ;-)

Xeros, Jussara!

Luci, olha, para muitos brasileiros é difícil entender algumas piadas do Auto. Quando o filme foi lançado, vi aqui em Floripa e, olha, eu ria muito mais do que todo mundo. :-D

HG, heheheheh, você comemorou à risca, hein? :-) Mas... cadê a canjica???

Luciana, sei, sei, entendo.. Vou lá ver seu sertão. ;-)

Beijocas, pessoas.

Rita

Vivien Morgato : disse...

Rita queridissima, seus dois exemplos foram geniais.
Se eu tiver que lembrar coisas que gosto do Nordetes ficaria horas falando, mas resumindo...Elba, Zé Ramalho, Alceu, Baby do Brasil, comida baiana, escondidinho, o sotaque, o Recife Antigo, as praias de Fortaleza, o Dragão do mar em Fortaleza, Graciliano Ramos, Jorge Amado, entim...nem dá pra listar tudo.
Ah, e é claro....Lula.;0)

Rita disse...

Oi, Vivien

Também tenho uma coisinha especial pelo Recife Antigo. Gostava de ir pra lá nos finais de semana pra dançar no Casarão 17 (ou seria casarão 07?... 27? ih, não lembro). Só rolava música boa e a atmosfera era tudibom! Não faço ideia como as coisas andam por lá hoje em dia, mas gosto de pensar que o lugar continua bombando. :-) Quando falavam na tal "eferevescência cultural" de Recife, eu só pensava na balada do Casarão, hohoho... Gente, eu me divertia bem, viu!! Ai, que saudade que deu agora. :-/

Bj!

Rita

 
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