Roque e eu


Hoje aderi à campanha "Mude de assunto você também". Acho que sou a única adepta, mas vá lá.

***


Quintal da minha casa, quatro horas da manhã.

Quem caminha por aqui há tempos, ou quem me conhece pessoalmente, sabe da existência do Roque, nosso cachorro. Roque é um American Starfodshire de três anos e é o cachorro mais medroso de que já se ouviu falar. Não ponho minha mão no fogo pela canela de alguém que decida pular o portão da nossa casa, mas, se essa pessoa trouxer a tiracolo um trovão, domará o Roque em dois segundos.

Basta uma ameaçazinha de chuva de nada, daquelas com trovões longínquos (quase inaudíveis para os humanos) para o Roque enlouquecer e chorar como um cachorro bobão. Acontece que Roque é grande, mora no quintal e não frequenta o interior da casa. Então quando ele chora, ao invés de se recolher à sua segunda casinha de madeira (ele comeu a primeira) ou de enfiar o focinho embaixo das patas ou sei lá que alternativa disponível aos cachorros bobões, ele bate na porta de vidro que dá acesso à sala. E eu juro a vocês que um dia ele vai derrubar aquela porta.

Mas bater a ponto de quase quebrar a porta não é o bastante. Não demora e logo o chorinho se converte em uivos in-su-por-tá-veis. Tudo bem, menos, em uivos. Mas quando tudo isso se dá no meio da madrugada, os uivos são in-su-por-tá-veis.

E ontem foi assim. Mas nada de trovões lá longe, não. A madrugada foi açoitada por uma tempestade típica de verão, com trovoadas ensurdecedoras que fizeram o Arthur correr pro nosso quarto, a Amanda cobrir rosto e orelhas com o travesseiro (mas sem levantar da cama) e o Ulisses passar horas na churrasqueira acalmando o Roque. Ah, gente, cachorro é tudo de bom, mas vamos combinar, ninguém merece.

A pergunta mais óbvia é "por que vocês simplesmente não deixam o cachorro entrar?". Porque não. Porque ele é grande, molhado, solta pelo, morde tudo e suja tudo. Porque, apesar de dócil e tolo, a boca dele é grande e temo pela segurança de minhas crianças. E porque, pelamordedeus, ele tem a casa dele lá fora, quentinha e gostosinha, onde ele pode se abrigar do frio e da chuva. E a barulheira dentro de casa não é muito menor que lá fora, eu mesma não consegui dormir com os trovões. É, amantes de cachorro, sinto muito, eu tenho esse defeito: eu gosto de cachorro, mas não a ponto de deixar o grandalhão dormir na minha cama ou no meu tapete que, eu sei, ficaria cheio de pequenas partículas de cocô trazido nas patas e etc. Ah, não consigo, I'm sorry. Enfim.

Uma amiga me sugeriu calmante (para o cachorro, tá? - já estou melhor, hehe), o Ulisses pensou em acorrentá-lo (ai, sinto o olhar de reprovação de vocês daqui, juro!), mas acho que a alternativa mais simpática foi comprar uma daquelas gaiolas para viagem, bem grande, e trazê-lo para dentro de casa durante as tempestades. Eu não sei se ele vai parar de chorar, mas pelo menos não vai quebrar a porta da sala. E se ele continuar a uivar, pelo menos os vizinhos vão ouvir os uivos mais baixinhos, acho. (Hoje tive a impressão de ver meu vizinho saindo para comprar um vodu.)

***

Consegui! Eu conseguiii!!! Eu falei de outra coisa!!!!!!!!!!! Eu mudei da assunto, yes!!! Oba, oba, oba, chataririoba!!   \O/ 

***

Posso falar só uma coisinha, uma só, por favooooor? Hoje conversei com algumas pessoas na web e gostei demais. Vi um engajamento tranquilo, com discurso racional, sem arroubos; vi gente disposta a ouvir, ponderar, reconhecer equívocos, pensar no outro. Gostei tanto. Pronto, parei.


8 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

rsrsr, hoje falei de cantadas. E de elogios. E sobre a seleção de vôlei feminino. Posso me considerar no grupo dos mudando de assunto? Tá bom,tá bom, confesso, no fim tinha uns linkizinhos de campanha que ninguém é de ferro (aliás, pra acabar de vez com as generalizações) que eu não sou de ferro. Sabia que nunca tive um bicho? nem cachorro, nem gato, nem cobra, nem peixe, nem hamster. Nada. Zero. Gosto de animais, na casa dos outros. Já os danados dos bichinhos me amam. Se chego na casa de alguém que tem cachorro ou gato lá está o bicho no meu colo, encostados nas minhas pernas ou me olhando com olhos pidões.
Devo dizer que, apesar disso, fiquei morrendo de peninha do Roque, viu. Mas também não deixaria entrar. Beijos e beijos

Glória Maria Vieira disse...

Tá vendo só, Rita?! Você conseguiu! \o/ Se bem que eu amo suas análises... u.u
Enfim, o Roque é um danado, né?! Dependendo do cachorro, eu acho super fofo e independente do canino, eu tenho medo, sabe?! Me pelo mesmo... AUHAUSHAUHSUAHUSHAUHSSAU E ah, você está certa em mantê-lo no lugarzinho dele, porque querendo, ou não, é como você falou... o resto de coco, a boca nada pequena. UAHUAHSUAHUAHSH

(E ah: #Dilma13 sempre! Dia 31 é 13!\o/ hihi Sim... eu só vim ver sua DM quase agora, Rita. Já respondi, tá?!;))

Caso me esqueçam disse...

que nada! concordo totalmente contigo! nossa mae nunca deixou nenhum dos cachorros que tivemos entrar em casa, e um deles tambem tinha panico de trovao. cachorro nao foi feito pra ficar dentro de casa, ainda mais casa onde ha crianças pequenas. eu encontrava pelo na comida la em casa sem o cachorro nunca ter entrado nela, imagine se ele entrasse! e cachorro acorrentado por algumas horinhas nao mata ninguem :X que o seu cachorro nao me leia, claro!

Palavras Vagabundas disse...

Rita,
eu te entendo! Já tive cachorro com medo de trovão, enlouquecido lá fora e quase botando abaixo a porta. Calmante, Maracujina líquida na água, receitado por um veterinário, nesse caso não adianta muito. Acho que a solução que você encontrou é boa, a minha foi deixar dormir num cantinho da copa com luz acesa.
abs
Jussara

Ana Flavia disse...

Uhu! Adorei o post (mas pode voltar Ao Assunto, que eu tenho adorado), enfim, amei esse post: la em casa (da mae) sempre amamos cachorros ao ponto que nunca tivemos só um, mas dois, tres ou ate quatro, muitos dos quais viralatas achados abandonados na rua, e eles tem o canil deles e dentro de casa nao ficam, nao, pelos exatos motivos q vc citou. Tentamos a corrente uma vez, loucura.
Assim, acho q a ideia da gaiola nao vai dar certo. Cachorro eh tudo igual> tem medo de trovao mesmo e é capaz de enlouquecer vcs com o desespero que se seguirá.
La em casa, o jeito é ignorá a choradeira mesmo ate passar.
Bjo

Sara disse...

Meu cachorro, um pequeno viralata metido a lhasa apso, nessas noites de tempestades passa o tempo todo arranhando a porta do meu quarto... blamblam, blamblamblam, blambabablambb... e só falta desmontar de tanto tremer...
Tadinhos, acho que sofrem por causa da audição apurada.
Mas entrei aqui também para te mandar um link:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-movimentacao-dos-bispos-pro-dilma#more
Desculpa, não resisto!
Hj arrumei um pequeno adesivo vermelho para colar no meu carro. Tem colega que vai surtar comigo lá no serviço segunda, hehehehe
bjk

Jux disse...

J'adore!!!
Incrível como a vibe é meio que conjunta - mudei de assunto lá no sótão também, mas fui em direção aos bakings - sim, cozinheira assumida =D

Today is 5th Edition of World Bread Day 2010!!!

Enton, concordo contigo em gênero-número-grau: dogs são fofos etc mas lugar deles é no quintal, especialmente quando eles são assim, feito o seu, tipo... grandinho!

Beijukkas mil!!!

Rita disse...

Ois, pessoas!

O sábado teve compras, criançada e churrasco em casa de amigos, então né, tadinho do blog. E bem no dia da ressaca, o horário de verão entra e a gente perde uma hora de sono. Aff.

Luciana borboleta da silva,também fico com pena do Roque porque acredito que o ouvido dele dói. Mas ficar dentro de casa não mudaria muita coisa. E entre a dor de ouvido do Roque e o receio de que ele, com medo ou inseguro, venha a machucar alguém dentro de casa, não tenho escolha. Mas não deixei de lado o caso, não. Estamos empenhados em achar uma solução, tadinho. Beijo!

Glória, vou te contar um segredo: a mudança de assunto foi só no blog, hahahahaha!! Mentira, mentira, ontem o churrasco também brincamos de jogo da verdade e o assunto foi amores e reencontros, óóóó, que meigo! Bj!

Luciana CME (Caso Me Esqueçam, caso você não tenha percebido, hihihi), póficar tranquila, o Roque não gosta muito do meu blog.

Jussara, oi! Pois é, acho que vamos acabar experimentando isso aí. Depois te conto no que deu. Bj!

Oi, Ana Flavia, a mulher que mora nesse país aí cheio de bolsas, hehehe. Tudo bem? Olha, difícil seria convencer os vizinhos a simplesmente ignorar... se continuar assim, vou comprar um burca pra sair de casa, de tanta vergonha. Beijo!

Sara, o episódio da gráfica com os panfletos é o assunto da hora. Vamso ver o que vai rolar. A carta do bispo diocesano de Guarulhos encomendando os panfletos está já no Viomundo. Nojento, Sara, nojento demais. Ontem li vários ótimos posts de meninas indignadas com a manipulação religiosa dessa campanha (inclusive com o fato de a Dilma ter entrado na dança e dado tanto peso a isso - por mais que eu compreenda a necessidade de dialogar com as comunidades religiosas, não me desce, não me desce, mooooorro de nojo disso tudo). Prefiro não falar demais sobre o assunto para não correr o risco de ser mal interpretada e acabar, sem querer, ofendendo a fé de quem quer que seja. Mas estou abismada com o nível da coisa toda. Vontade de olhar na cara desse bispo e dizer a ele que ... deixa pra lá. Bj!

Jux, minha cozinha tá me chamando também, mas, ai, que preguiiiiça. :-) Coisa feia, né? Quem sabe sábado que vem não rola uma receitinha aqui no blog? Who knows? Bj!

Beijinhos, vocês.

Rita

 
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