O assunto


Redução da miséria no Brasil (fonte)*

Ainda não foi exatamente uma conversa centrada unicamente nos interesses do Estado soberano brasileiro, nem um show de propostas analisadas criteriosamente, mas vários ingredientes presentes no debate transmitido pela Bandeirantes ontem me agradaram demais. Gostei do rumo que a Dilma deu à conversa, insistindo em ressaltar avanços do governo Lula e questionando a postura cínica do Serra. Gostei muito de vê-la firme, indignada, assertiva, incisiva. O forte da Dilma não é sua oratória, claro. Ainda gagueja, quebra a estrutura das frases, interrompe-as, retoma de outro ponto. Mas eu, pessoalmente, não estou nem aí. As negociações que mudam o rumo de um país são feitas em reuniões, não em palanques.

Mas o debate foi rolando e mesmo antes de o candidato adversário declarar-se estarrecido diante da atitude mais firme da Dilma (que, convenhamos, precisa parar de posar de mamãezinha paz e amor), vibrei com essa guinada na postura. Agora, sim. Quer comparar? Vamos lá. Quer posar de porta-voz da moral? Manda, quem não te conhece que te compre, Serra. Quer camuflar o patamar ocupado pelo país agora, anos-luz à frente do país sucateado que vocês entregaram? Tenta. Claaaaro, sempre há quem diga que ela “perdeu as estribeiras” – os olhos de quem vê, fazer o quê? Eu, de minha parte, entendo e compartilho da indignação da Dilma e acho que ela tem mais é que defender os interesses do país com unhas e dentes. E entre a voz carregada de inconformismo de quem teme pelo país e o cinismo sorridente de quem pouco se lixa para o país, fico com a primeira.

O resultado das eleições, para mim, segue incerto. Tudo pode acontecer. Mas ontem senti orgulho de minha escolha. Porque, né, se for preciso, a gente sobe um pouco o tom, sim, e trata de ir botando os pingos nos is. E, como bem disseram por aí, a Marina tá pensando. A Dilma já tá lutando.

*Observem que o Plano Real data de 1994, início do Governo FHC. Ao contrário do que muita gente diz, a estabilização da moeda não significou melhoria para a classe dos miseráveis. A diminuição significativa da fome no Brasil teve início com o Lula no poder.

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E falando em escolhas, não deixem de ler os posts do concurso de blogueiras (e conhecer ótimos blogs, como o da Luci, da Amanda, da Luciana...). Participem, votem, vão treinando. :-) O Menina Pode, Sim tá lá também.

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Update feliz: Sabe o Miguel Nicolelis, de quem falei nesse post lá no início do blog? Declarou seu apoio à candidatura da Dilma e disse por quê. Tá tudo aqui. Fiquei feliz. :-)

8 comentários:

Daniel Nascimento disse...

Olá Rita. Cheguei aqui pelo blogue da Iara. Parabéns pelo espaço.
Fiquei feliz com o debate de ontem também e com a mudança de postura de Dilma. Tem gente achando que ela foi agressiva (típico do machismo né?)mesmo do lado da militância, com medo disso afastar os marinistas e indecisos mais centristas; mas minha opinião é a seguinte: Se brasileiro não gosta de agressividade, também não gosta de quem apanha calado. Não creio que o tom do debate de ontem irá se elevar; acho que foi só um aviso e uma maneira de desconcentrar Serra. A Dilma foi um pouco mal sim no que tange a fluência do discurso e concatenação de ideias. Mas isso é o que menos importa. O importante é que ela, ainda assim, incomodou Serra citando pontos que podem ter passado desapercebido ao telespectador mas que Serra sentiu, como loteamento de cargos do PSDB, a atuação vexatória de sua esposa, a cobrança da continuidade de coisas boas do governo Lula quando ele diminuiu programas bons do próprio colega de partido, a pergunta sobre Paulo Preto (essa foi a no queixo), sua constante incoerência. Serra sentiu e isso é inegável, tanto que não conseguiu fugir de bordões repetidos pelo antipetismo. Para um debate de baixa audiência assistido principalmente pela militância de ambos, ponto para ela que levanta o ânimo de seus partidários e deixa os serristas na mesma. Pragmaticamente, isso é o que vale e por isso Serra perdeu.
Belo post. Keep on that way!

Anônimo disse...

Oi, Rita!!!

Entrei aqui rapidinho para deixar a mensagem do dia das crianças! Bem fácil eu me esquecer disso durante o transcorrer do dia, então aproveito para soltar o beijo dos pequenos!

Bem, esse negócio de ‘dia’ continua sendo a invenção mais rentável dos nossos marketeiros de plantão, mas a gente acaba caindo na tentação de comprar qualquer bobagenzinha. Eu mesma já ‘investi’ num reloginho em que se trocam as pulseiras (já tive um desses na adolescência e agora virou febre de novo)...

Vejo que os debates continuam acalorados! Gostei bastante da materia com a Kehl, que você incluiu no seu post. Um ponto de vista muito interessante e inteligente. Também confesso que, de fato, não acompanho os números tão de perto... E te dou toda razão quando você fala em dividir o pão (há até alguns filósofos da modernidade que acerca disso, a chamada JUSTIÇA DISTRIBUTIVA...). Mas o que percebo, de forma bem pessoal, é que muitos desses programas acabam por ser verdadeiras ‘moedas de troca’. No rastro deles, variações como ‘vale-gás’, ‘vale-eletricidade’, ‘vale-pão e leite’ já foram objetos de vergonhosas ‘licitações’ em que nosso dinheiro, em vez de ser justamente distribuído, é injustamente desperdiçado, sem fiscalização decente para dar conta (colocar bandido em cadeia é coisa muito incomum em nosso meio). E aí, na época de campanha, tudo o que se fala é em duplicar ou triplicar o valor do benefício. Um chamariz e tanto para os nossos excluídos...

Ainda que em outras esferas, isso nem é privilégio só nosso, não. Somos ricos. E, por incrível que possa parecer, o país mais mais abastado do planeta tem problemas drásticos de justiça social, ainda que de modo sutilmente diferente. Por lá há mais de 40 milhões de pessoas sem qualquer tipo de assistência médica, aqueles que estão no limbo entre os que podem pagar um plano de saúde e os que, por serem considerados tão miseráveis, recebem uma assistência básica. Uma grande hipocrisia social!
Mas os governos estão na vitrine global e Barack já tá se mexendo também...

Falando um pouquinho mais sobre as bolsas, cheguei a me surpreender um tempo atrás quando soube que existe o ‘bolsa-floresta’: o governo do Amazonas paga às famílias um valor mensal para que não depredem o lugar onde vivem. Boa iniciativa, talvez. Mas com certeza o desmatamento que essas famílias produziriam não chega nem aos pés das assolações que grandes madeireiras fazem por lá. E, mais uma vez, sem fiscalização que dê conta.

Eu não sou contrária à divisão do pão. Muitííííssimo ao contrário. E também nem é só questão de dar a vara. O que não me convence é que nossa carga de imposto permanece sendo uma das mais altas do mundo, aposentados passaram a ter que recolher INSS (!!!) – tudo por conta da roubalheira que continua a imperar - e, paradoxo, os banqueiros também continuam a ganham mais dinheiro aqui do que em muitos outros lugares! Claro que não é tudo culpa do Lula. Mas sendo ele da classe operária, poderia ter sido bem mais rigoroso com esse pessoal. É o que penso, em minha visão tão pequenamente política, quem sabe... Também fiz questão de citar o caso da saúde nos EUA por causa da CPMF que inventaram aqui (outro imposto que, mesmo sendo instituído anteriormente, continuamos a pagar por anos no governo atual).

Nem tô dizendo que vou votar no Serra. Mas eu não podia ter deixado de dar meu volto à terceira opção. Ah, não podia mesmo.

Quer saber, cunhada... Feliz dia das crianças para nós. Porque, no fim de tudo isso, a gente precisa é se cuidar para que nossa criança interior sobreviva. E que a gente não perca nunca a esperança de dias melhores! E isso acaba mesmo tendo que passar pelos governantes que escolhemos, não é...

ISSO É PORQUE EU IA PASSAR RAPIDINHO...RS..RS...RS...BEIJOOOOOOO!!!!

HG disse...

Também gostei da postura da Dilma no debate, Rita!

Borboletas nos Olhos disse...

Rita, primeiro uma beijoca de Dia das Crianças pros seus fofinhos. Sei que é uma data cmercial blá blá blá, mas gosto mesmo de festa, né, fazer o quê.

Depois: contente, muito contente com o tom da Dilma no debate. Firme e incisiva (também não ligo pra falta de fluência, isso com o tempo vai ser amenizado). Beijos carinhosos

Danielle Martins disse...

Também gostei da postura da Dilma no debate. E aproveitando... Feliz dia das crianças!

Rita disse...

Olá, Daniel. Seja muito bem-vindo, você veio de terras muito boas. :-) Concordo com seus comentários, mas cá pra nós, bem baixinho, estou bem pessimista. Sinto uma onda jovem de pessoas que estão embarcando na postura anti-PT, como se o partido fosse um antro de corrupção. É engraçado imaginar que essas pessoas acham que o Serra seja um porta-voz de política limpa. Ninguém está olhando para o governo dele em SP. Ele mente com tanto conforto que qualquer desavisado compra tudo. Ontem vi um vídeo no Youtube muito engraçado em que ele explica como se pega gripe suína. O engraçado não é o que ele diz (bom, também é), mas a cara que ele usa para falar com aparente propriedade sobre algo de que ele não tem a menor ideia!! Bom, eu faço o que posso, converso, abro o blog, tento me informar. O governo Lula cometeu erros sérios, mas ninguém nesse mundo me convence que a balança pesa mais para o negativo. Eu voto no projeto, no país. Por isso me envolvo tanto e fico tão emocionada com tudo que tá acontecendo. Fico muito triste diante da perspectiva de o serra ser eleito. Muito mesmo. Mas democracia é isso e a gente depois tem de lidar com as escolhas da maioria. Abraços.

Lilian, feliz dia das crianças procês também!! Olha, eu já fiz as pazes com o voto na Marina no primeiro turno, mas lamento que ela ainda esteja calada, provavelmente pensando em apoiar o Serra; eu acho ótimo que existam mil bolsas; eu acho engraçado quando conto para algumas pessoas que recentemente estive na Inglaterra, minha filha precisou de auxílio médico e nós recebemos os remédios e exames de graça - a reação imediata é "isso é que é país"; aí essas mesmas pessoas votam no Serra pq não aguentam esse governo que dá tudo. Eu não entendo. Eu quero carga tributária menor também; quero o fim da corrupção; quero seriedade e reforma política. Mas quero tudo de bom que está acontecendo também e não vou contribuir para eleger um governo que não vê a hora de se render de novo ao capital estrangeiro e jogar no lixo a soberania do país. Beijos!

HG, Borboleta, Danielle, foi boa, né? Gostei também. Bj!

Rita

Daniel Nascimento disse...

Olá Rita. Obrigado pelas palavras sobre minhas origens, rs.
O que acontece é o seguinte: infelizmente temos uma juventude que tem aversão ao PT o julgando o mais corrupto dos partidos sim. Mas é necessário analisarmos estas causas: essa parcela do eleitorado tem como referência justamente os oito anos do governo Lula e não tem muita ideia do foi antes com FHC, muito menos Sarney e Collor. Considerando que este governo foi o mais vigiado pela imprensa que me recordo, fica difícil essa rapaziada fazer uma inferência diferente. Imagina aqui em SP onde a imprensa blinda os sucessivos governos PSDB que levaram nosso estado a uma estagnação que só não é pior justamente porque a economia brasileira, de oito anos pra cá, melhorou vertiginosamente justamente no governo do..Lula! Claro que o PT merece todas as críticas por seus arroubos de corrupção e acho bacana ver a juventude tão preocupada com esse assunto - talvez por isso muitos votaram Marina. Mas é importante que seja mostrado a eles que o PT não é o inventor da corrupção - inclusive entre PT, PSDB, DEM e PMDB é o partido com menos políticos com processos no transparência Brasil - e que as condições do Brasil antes de sua chegada ao poder eram muuuito diferentes.
Acho que vai dar tudo certo e Dilma se elege. Abs.

Rita disse...

Oi, Daniel

Vi em algum lugar os números de políticos cassados e encrencados por corrupção, e seus respectivos partidos. Eu queria que o do PT fosse zero. Não é, mas não é nem de longe o mais problemático dos partidos: PSDB, inclusive, dá uma surra nesse sentido.

Mas, olha, de onde você tira esse otimismo, hein? Estou beeeem preocupada, viu?

Abraços,
Rita

 
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