Tá ruim, mas tá bom



Alerta: vibe Pollyanna em grau altíssimo.

Então. Às vezes a gente acha que sabe das coisas e aí se zanga porque deu errado, sem sequer desconfiar que depois ainda vem. Comigo já aconteceu tanto que já cheguei a desconfiar que, quando dá certo, pode esperar... Mas fujo disso aí, por causa da vibe pollyanna. No Jogo do Contente não tem erro: quando dá certo, é assim mesmo; se der errado, espera que melhora. É meio sem razão mesmo, o fato é que acontece. A gente quer de um jeito, acontece diferente, a gente xinga e depois vê que, olha, não é que foi melhor?

Hoje, não me perguntem por que razão, lembrei-me daquela cena inusitada no aeroporto de Recife, há tantos anos, e não pude deixar de rir. Eu estava achando um tédio aquela espera toda para ser atendida, e nem tinha fila, apenas uma mãe e um adolescente plantados no balcão há séculos. Por causa desse garoto que não podia viajar na área de fumantes (antigamente era assim, avião tinha ala de fumantes), sua mãe reclamava seu direito de embarcar o filho na outra ala, já que sua passagem havia sido comprada há tempos, bla bla bla, e euzinha, que não tinha absolutamente nada a ver com a história, ganhei uma passagem de primeira classe, assim, de brinde. Certamente a aflita atendente deduziu que eu e outra garota que estava atrás de mim (e também foi premiada) éramos parte da família por estar ali do lado, observando a pendenga, aguardando receber nossos bilhetes de embarque, sabe-se lá! O fato é que lá fomos eu, a segunda garota premiada e o garoto alérgico, muitíssimo bem instalados, rumo à minha primeira viagem internacional. Se eu tivesse sido atendida rapidinho, teria voado de econômica, que já tava bom, sentindo os aromas das fumaças desobedientes que invadiam a área dos não fumantes. (O engraçado é que se eu tivesse me dado conta do equívoco da atendente, certamente teria "reclamado" no balcão mesmo; mas só entendi o que tinha acontecido quando a aeromoça me mostrou meu lugar no avião e a outra garota premiada me perguntou "você também é alérgica?".) 

***

E aí por causa disso, do errado virar certo, penso sempre que minha separação do Ulisses, em 1997, foi parte da semente do que temos hoje. Porque melhoramos muito enquanto estávamos separados e nos reencontramos com tantas certezas, que tudo mais são outras sementes. Tivéssemos nós insistido na hora inadequada, quem sabe?

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Recentemente fomos despejados de nosso apartamento de temporada, tivemos o contrato desprezado, ficamos sem teto. E fomos realojados em um apartamento muito melhor, pelo preço do antigo (não, não vou falar que ficamos sem elevador no apartamento novo, por causa da vibe pollyanna do post). Lembro bem que o segundo apartamento tinha até panela.

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Quando passei no concurso que me deu o emprego atual, não fiquei muito bem colocada. Quer dizer, mais ou menos. Fiquei ali em centésimo e lá vai pedrada. Mas foi essa posição que me permitiu concluir a tese de doutorado que escrevia na época, encaminhá-la para a banca, concluir tudinho antes da segunda chamada do concurso. Tivesse alcançado uma colocação melhor, teria sido um período bem enrolado, cheio de correrias, adiamentos e cancelamentos. Mas aquelas questões que errei na prova do concurso vieram bem a calhar. A transição foi suave, defendi a tese numa sexta-feira, tomei posse na segunda-feira seguinte. Assim.

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Certo dia, em outra encarnação, um patrão passou a perna em mim e em meus colegas de trabalho. Alguns foram demitidos, longa história. A empresa voltou atrás, mas a passada de perna já tinha rendido outros frutos. Pedimos todos demissão e fundamos outra empresa, concorrente. Deu certíssimo.

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Então tá combinado que não vou reclamar agora, só porque eu queria que estivesse diferente. Já já vai acontecer a mágica e eu vou dizer, olha, não é que foi bom! Tô falando de trabalho. Conto depois.

Por enquanto vou esperar as historinhas pollyannas de vocês. Alguém?

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Olha aí o dia ficando nota 10: nasceu!

11 comentários:

larissa disse...

rsrsrsrs
To tentando ver o lado bom das coisas também, tentando jogar o jogo do contente e esperando que o que deu errado tenha uma repercussão positiva.

Iara disse...

Menina, eu nem saberia por onde começar a contar. Minha vida é cheia de coisas que deram errado pra me colocar num rumo bom depois. Aquela coisa GPS, né? Recalcula a rota, e o novo caminho pode ser mais bacana do que o que a gente tinha planejado. A última deve ter sido a visita à Paris ano passado. Lembra que 2008 não teve nenhum feriado no 2º semestre? Eu também não emendei Natal e Ano Novo e tava louca pra chegar o Carnaval, 5 dias de pernas pro ar, tava exausta. Mas aí a empresa resolveu que eu tinha que fazer um treinamento em Helsinki em fevereiro. Na última semana, que seria a do carnaval. Sem feriado, e no frio. "Ah, Iara, mas pô, viagem!". Sem essa: era treinamento de software, -10º. Mas aí o universo conspirou: a menina que ia dar o treinamento só podia uma semana antes do carnaval. E não tem vôo direto pra Helsinki, tem que fazer conexão. E eu pentelhei a agência até achar um preço bom indo por Paris. E pude voltar pra lá, quase 3 anos depois do meu retorno, de graça, com um tempinho pra curtir. Ó que sorte!

Comentário gigante. Mas, né. Tão bom aqui. :D

Angela disse...

Uma voce ja contou aqui nesse post ne? A principal foi a saga do meu intercambio. Eu queria ir para o Japao, Alemanha ou Belgica. Na minha primeira tentativa fui descartada antes da primeira etapa. Na segunda tentativa, sabia que era minha ultima chance devido a idade. Entao pus Estados Unidos, pois Japao so tinha uma vaga e Estados Unidos trinta. Durante o processo fui informada por um amigo que eu tinha sido descartada no ano anterior por que minha irma ja tinha feito intercambio entao "a familia ja tinha sido beneficiada". Mas naquele ano seria diferente pois o segundo filho do "chairman" queria ir, e a irma ja tinha ido. Foi diferente, fiquei na selecao. Ainda fiquei em primeiro lugar e se tivesse posto Japao a vaga teria sido minha. Mas nao pus, e olha so que pena, hoje tenho "so" Maxwell e Julia ;)

Ah, nao resisto de te contar o meu lado da sua estoria no aeroporto do Recife. Antigamente tambem o aeroporto era aberto e sem ar condicionado, lembra? O voo super atrasou e ficamos plantados esperando voce sair, em um calor insuportavel em plena noite e muitos "fumes" das aeronaves. Na volta para casa reverzavamos a direcao de 15 em 15 minutos, pois estavamos caindo de sono. Eu, Sandrinho, Pete. Renato? Simone? nao lembro. Mas no final o sol nasceu, ja estavamos no fresquinho das nossas montanhas, tudo lindo, dourado, mato cheiroso, o voce no arrrr... deu errado mas deu certo.

Borboletas nos Olhos disse...

Ai, Rita, você já sabe que sou super hiper mega Pollyana (mesmo nessa fase cortando os pulsos na vertical). Nem sei como listar as coisas aparentemente ruins que me aconteceram que viraram verdadeiros presentes. Mas só pra falar a mais barra pesada: eu ia casar no dia 16 de janeiro de 2010. Com alguem que amei e me amou por 10 anos. Mas por uma serie de minicoisinhas a gente se afastou no ultimo ano e um mes antes do casorio, buffet pago,convites no mundo, eu descobri que ele estava a seis meses de caso com a caixa do restaurante dele. Daí? Com o dinheiro que consegui de volta fui pra Itália no dia que devia casar, pra casa da amiga de uma amiga. Ganhos? Uma nova amiga maravilhosa, um amigo italiano maravilhoso, conhecer Roma e Paris, viver no sul da Itália um mes, entrar de cabeça no mundo virtual e conhecer muitos blogs inclusive esse, me desvencilhar de velhos modelos, ai, tanta coisa boa que nem sei contar. Foi tipo uma bola de neve de coisas boas.

Caso me esqueçam disse...

estava eu num relacionamento de quatro anos que ja estava fadado ao fracasso. o amor era lindo, mas o namoro nao. dai o irmao de uma amiga chegou dos eua e deu em cima de mim na noite em que eu tava com meu enrolado namorado e acabamos brigando (o namoro ia acabar de todo jeito algum dia, mas...). fiquei mal pra caralho, achava que sem ele eu nao sobreviveria etc e tal. mas na mesma semana, cinco dias depois, sai com uma amiga que me apresentou a um tal de... camilo.

dois dias depois estavamos namorando. o resto, voce ja sabe :)

ah, e o melhor: o ex eh meu melhor amigo, "socorro e fortaleza bem presente na angustia". ;)

Borboletas nos Olhos disse...

Rita, comentando lá no Caso.me.esqueçam percebi que nunca me apresentei: Luciana, viu? Mas se quiser continuar me chamando de Borboleta eu adoro. Bjs

Patricia Scarpin disse...

Rita, às vezes é difícil, mas eu tento sim ver as coisas com uma lente Pollyanna - não é o caso de ignorar por completo o que acontece de ruim, mas acho que olhando atentamente dá pra tirar coisa boa das situações que a princípio não nos agradam.
Adorei o texto!

Ah, fui lá na Lola e não vi o teu texto na barra lateral, para poder votar...

Beijo!

Luciane Curitiba disse...

Caraca Rita, esse post vc fez pra mim? É, pois é...explico: estávamos negociando um apartamento fofinho, tudibom, preço acertado, documentação encaminhada e filhota já sonhando com o quartinho novo. Eis que ontem à noite a corretora me liga dizendo que o cara resolveu aumentar o preço e que eu não posso pedir "arras" porque ele não assinou a proposta, somente concordou verbalmente. (O que já seria suficiente se ele tivesse um bom caráter, né?). Fui dormir tristiiinha, acordei tristiiinha e dei de cara com esse seu post que me fez ter a certeza: "É, né? Tem um apê bem mais legal nos esperando"!!! Brigadinha, viu?!

Rita disse...

Olá, Pollyannas desse meu Brasil! Vumbora!

Larissa, não sei o que foi nem o que é, mas estou torcendo muito! Bj!

Nossa, Iara, precisava contar uma história assim, com Paris!? Hehehe, bota virada boa nisso, nossa mãe do céu! Beijos, lindona!

Ai, Dona Ângela, a senhora me deixou aqui na maior nostalgia, viu... tão bom lembrar dos meus amigos queridíssimos, de plantão no aeroporto, coisa mais querida da vida! Muito obrigada de novo, vinte mil anos depois. Saudades do Sandro, Renato... e ainda bem que dezembro esse ano tem vocês no fim de ano, obaaaaa! Bj!

Luciana Borboleta: meu queixo está no chão, comento quando eu conseguir recolher o dito cujo. Uau. Um beijo procê.

Luci, oi! Então tá, Camilo chegou assim! hehehe, melhor impossível, ne? Na hora certa, no rumo certo. Fala pra ele que o timing dele é perfeito! Beijos!

Oi, Patricia, queridoca! Então, com certeza entrar numa de cobrir a realidade com uma nuvem cor de rosa também não é lá muito saudável; mas a nossa vibe pollyanna é aquela que dá força pra tocar o barco enquanto dura a tempestade, é ou não é? Sobre o concurso, já te falei, ne? Estou na segunda etapa da primeira fase do segundo turno do quadrangular final, sacumé? ;-)

Lucianeeeeeeeee! Você me fez ganhar o dia! Oba oba oba chataririoba, como diria minha filha. Então fique a senhorita sabendo dos seguintes: nossa casa foi comprada depois de UM ANO de buscas incessantes. "Enfrentamos" dezenas de corretores PÉSSIMOS; aí aos 40 do segundo tempo aparece um excelente com a casa onde moramos agora, cujo ex-dono queria um apto. igual ao que tínhamos e aceitou nosso carro no negócio, etc. Ou seja, melhor, impossível. E, principalmente: eu queria ter escrito sobre outra coisa, mas o post não saía, eu não conseguia me inspirar... aí desenrolei esse porque tinha lembrado da história do aeroporto pela manhã. Aí você leu e... o errado deu certo outra vez. Beijão procê e não desanime. Seu próximo cantinho tá esperando vocês por aí... boa sorte!

Abraços, pessoas boas!

Rita

Lud disse...

"No final tudo dá certo. Se não deu certo, é porque ainda não chegou no final."
O pai do Fernando Sabino. Acho.

Rita disse...

Oi, Lud!

É bem por aí, esse é o espírito.

:-)

(Aplique-o ao apartamento, tá? Estou na torcida!)

Bj,

Rita

 
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