Sai o menino, entra a madame



Foi preciso chegar próximo à página duzentos e setenta e alguma coisa, mas valeu a pena. O que foi uma leitura enfadonha e quase abandonada na primeira metade do livro converteu-se em um agradável passeio na parte final. Ainda acho que Zafón poderia ter contado a história descrita em A Sombra do Vento com umas cem páginas a menos, trezentos e sessenta já bastariam, mas admito que ele conseguiu me convencer a segui-lo e que o fiz com gosto nas páginas finais, rumo à linda imagem com que ele arremata a história. E antes de chegar ali o danado ainda me arrancou uma lagriminha e ganhou um tiquinho mais do meu respeito - sua história nem é tão rasa assim como supus no início, ainda que estejam ali alguns ingredientes hollywoodianos no clímax e no desfecho, como lutas, sangue e casamentos. Mas, olha aí, gostei de ter lido. Bonitinho. A resolução da trama me lembrou um pouco (só um pouco) do quadro As Meninas, de Velázquez (esse adoro, sem ressalvas), em que as figuras do quadro observam o observador, sabe? Assim é Daniel, protagonista do livro, que vê sua vida se mesclar com a dos personagens do enigmático escritor Julian Carax. Deixei vocês com vontade? Não? Bom, não vou insistir, já que, né, precisei passar da metade do livro para avançar sem cochilos.

Agora são outros quinhentos. Chegue mais, Flaubert. O bom do livro é isso, ser eterno. Nunca é tarde. Você contou ali, na reta final do século XIX, e só agora vou sentar e te ouvir. Pode falar, quero saber tudo. Muito prazer, Madame Bovary (curvo-me em reverência e abro o livro com todo respeito). Sou toda ouvidos:

“Estávamos em aula, quando entrou o diretor, seguido de um novato, vestido modestamente...” Comecei.

5 comentários:

Lud disse...

Eu me entreti com o livro, só achei as personagens femininas fraquinhas...

A Madame Bovary tá na minha lista, mas como eu sou metida a besta e gosto de ler no original, tô empacada até voltar às aulas de francês.

Beijos!

Borboletas nos Olhos disse...

O que mais gosto de Madame Bovary? A frase de Flaubert: "Madame Bovary sou eu". Você acredita que tenho um quadro prontinho pra colocar em cima do espelho na casa nova ou de frente pra cama? Foi meu orientador que deu a dica pra eu nunca, nunca, esquecer que nós somos o nosso estilo. Booomm, quanto à Sombra do Vento, já sabe, né, amanhã mesmo volto a ele, quem sabe nos reconciliamos. Bjs mais saudáveis e animados,

Iara disse...

Lindo o nome do protagonista. Daniel é o nome do marido. Tá anotada a sugestão. =)

Madame Bovary é muito bom. É uma protagonista riquíssima, tenho certeza de que você vai gostar.

Caso me esqueçam disse...

hahaha que coincidencia! comecei a ler mme bovary semana passada! mas ja tou pensando em desistir pra começar justamente a sombra do vento. porque bovary eu tenho em portugues, mas como as aulas vao começar e meu frances escrito eh muito pior que o frances falado, acho que seria bom eu ler em frances, pra variar. e quem me emprestou o livro jurou que era bom. aih vem tu... entao... eh. vai esse.

Rita disse...

Oi, Lud

Olha, eu achei as mulheres quase invisíveis. :-) Achei um livro razoável. Bonzinho. Melhorou, porque no início eu estava achando beeem meia boca mesmo. Bj!

Oi, Luciana, que bom saber que você está se recuperando bem! Também, com aquela dose de alho e limão, ui! Pois então, o último quinto do livro é bom, hahahahaha. Maldade. Vê e depois me conta, ta? Bj!

Oi, Iara. E não foi você mesma quem me deu uma dura outro dia por não ter lido Bovary? Você e a Ju, acho... tô enganada? Bom, já comecei, já comecei. :-)

Ei, Luci que universo paralelo é esse, menina? Estamos lendos as mesmas coisas, eu, hein! Bom, eu ando lendo tudo que tu escreves, então.. alguma sintonia temos. :-) Bj!

Rita

 
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