Little



Sabe quando alguém de quem você gosta consegue algo sensacional e você fica muito feliz por aquela pessoa? E aí você se permite pensar que, no lugar dele ou dela, você também estaria vibrando muito? E aí você diz "nossa, fulano, que inveja! Mas é inveja boa, viu?! Inveja branca!" Pois bem, neologistas de plantão, eu suplico que alguém crie um novo termo para melhor expressar esse sentimento tão legítimo, mas que fica completamente torto quando dito assim, "inveja".

Porque não é inveja, sabe? É alegria alheia, comemorada de verdade, com sincera cumplicidade e um desejo bom de ter aquilo pra gente também, mas sem querer tomar do outro. Se o termo já existe, desconheço; se alguém me informar, fico muito grata.

Eu sinto a tal inveja branca com frequência porque toda hora tem alguém que conheço que está fazendo algo muito legal. Ontem era a Luci passeando por Berlim, hoje é alguém escrevendo um texto maravilhoso, amanhã são as amigas que moram longe tomando café juntas. E eu sem saber como dizer que estou feliz por esse povo todo, que eu queria estar junto, mas, como não dá, vibro só em saber que eles estão fazendo essas coisas todas.

Tudo bem, não dei exemplos de coisas "sensacionais", mas é que as coisas simples me atraem muito, sabe? Nossa, demais. E atraem muito mais depois que passei a prestar atenção em uma sensação que vem me acompanhando há tempos e que hoje vi expressa de uma forma tão linda, que fiquei com... eh.. inveja branca da pessoa que escreveu. Foi a Sônia, que falou assim: "Saber desejar aquilo que realmente nos importa é quase um desafio de sabedoria."

Saber desejar o que realmente importa é difícil porque o mundo que estamos criando para nós é cheio de distrações traiçoeiras. Não precisamos de tanto, não. Eu quero menos. Quero saber querer menos e estou tentando. Ando com uma inveja danada, bem branquinha, de quem já conseguiu. Mas acho que até que estou me saindo bem. Meu maior desejo atual? Brincar mais.

Neologistas, por favor? Qual é o termo?

9 comentários:

Angela disse...

O trofeu sabedoria essa semana aqui foi para o Max:
A confusao sobre qual seria o dia de ir ao Brasil aqui foi grande. Pete queria passar Natal aqui, eu queria ir logo antes do Natal e voltar logo apos o Ano Novo, epoca morta no trabalho, ninguem ia nem notar. Nao estavamos acertando entao falei que Eu Ia. Se quisesse que deixasse as criancas ia deixar, se quisesse que as levasse uma ia levar. O que ele quisesse. Mas Eu Ia Ver A Minha Mae! Entao o acordo fechou para uns dias depois do Natal, e Pete estava pensando em como separar Max do monte de presentes novos logo depois de ganha-los para viajarmos? Entao resolveu preparar o pequeno e explicou delicadamente que esse ano depois do Natal passariamos um dia inteiro brincando com os presentes e iamos para o Brasil. Max, o doido por presentes e brinquedos (OLHOS ARREGALADOS...): Como vamos chegar la? "Pegaremos uns avioes". Vou poder brincar com minha boia rosa do peixe listrado? "Claro, vou falar para Vovo ir logo preparando ela". Dada, obrigado, mas eu nao preciso brincar com os brinquedos novos depois do Natal viu? Podemos ir logo para o Brasil?
Os presentes de Natal somam cerca de 500 dolares. A boia rosa comprada de um ambulante na praia custou 5 reais, o banho de mar, o sol, a brincadeira e a companhia da vovo sao de graca. Ai que alegria!!!!

disse...

Gostei muito da reflexão da Sonia... vira e mexe eu penso sobre isso também pq esse vai ser um dos grandes desafios quando voltarmos para o Brasil. Ao contrario do que as pessoas pensam, a nossa vidinha aqui é tão mais simples do que a que tinhamos no Brasil... andamos muito a pé, de onibus, de metrô, adoramos andar de bike e um dos passeios prediletos com o pequeno é fazer piquenique no parque. Tem coisa mais gostosa? Nao nos matamos de trabalhar e temos bastante tempo para curtir o filhote.

Posso vestir o que quiser, sem que niguém fique reparando. Sempre que vou ao Brasil, eu tenho a impressao que se vc não se veste igualzinho os outros, todo mundo te olha diferente. Sei la', pode ser impressao, mas é fato que no Brasil existe uma preocupacao muito maior com a aparencia exterior, infelizmente. Tem que ser linda, sarada, bronzeada e ter uma bolsa igual a da mocinha da novela das 8.

Quando voltar (e tomara que esse dia nao esteja longe, pq eu morro de saudades!), vai ser um exercicio grande de manter a simplicidade que aprendemos aqui. Curtir as pequenas coisas da vida e ser feliz com o que temos.

Alias, esse CD do Eddie Vedder que ela comentou é MARAVILHOSO. O filme também.

Caso me esqueçam disse...

entendo perfeitamente, afinal, quem nao ja sentiu isso? sentir esse tipo de "inveja" eh bom, porque a alegria do outro te atinge também. nao na mesma intensidade, ca.la.ro, mas de uma maneira muito boa e positiva.

acho que a ultima vez que senti isso foi quando os meus amigos mais próximos do curso de historia passaram no mestrado. eu sabia o quanto isso era importante pra eles, pra gente. quando pensava, vinha aquele sorriso, um tipo de orgulho por eles. ao mesmo tempo, fiquei pensativa, ja que, na época, eu tava trabalhando com algo nada a ver com minha área (faxina? baba? sei la) e tinha gana de estar num curso do tipo. mas nao deixei me abalar, porque cada um tem seu tempo e deve ter paciência com seu curso (curso no sentido de caminho). :)

mas um termo que eu adoro eh "mentira santa" hehehe essa era minha ex sogra que dizia. ela eh bem religiosa e daquelas pessoas que nao mentem nuuuuuncaaaaa. ela era incapaz mesmo de dizer ao telefone que tal filho tinha saído de casa caso ele se encontrasse nela. mas quando ela tinha que mentir, dizia que era uma "mentira santa". mas era engraçado, porque as mentiras dela nunca eram mentiras mesmo, ela eh uma fofa! (*morta de saudade dela) #)

Patricia Scarpin disse...

Rita, também acho que a palavra "inveja" não cabe aqui - pois é algo totalmente oposto ao sentimento positivo que temos - mas não sou criativa o suficiente para pensar em outro termo... :(

Beijo!

Tina Lopes disse...

Tem aquela coleção sobre os Pecados Capitais, não lembro quem escreveu sobre inveja, e a maior parte do livro fica nessa de separar o que é inveja de outros sentimentos, alguns bons, outros piores que ela. Também queria um neologismo e sempre caio na infantilização de dizer "invejinha". =***

Rita disse...

Oi, Anginha.
O Max está aprendendo bem, pelo jeito. Aqui em casa a brincadeira favorita das crianças custa zero reais e se chama Escalar o Papai.
Bj!

Oi, De.
Os textos da Sônia tão bons, né? Gosto muito quando ela está no clima de reflexões e ponderações... acho-a lúcida, tranquila, uma delícia de ler. Concordo com você em relação ao lance da aparência aqui no Brasil comparado com alguns lugares na Europa, por exemplo. Outro dia comentei lá no blog da Baxt, acho, que uma das coisas de que mais gosto em Londres é o fato de NINGUÉM reparar em você e todo mundo poder usar, com conforto, qualquer coisa. Qualquer coisa. Um luxo de liberdade. Ah, adorei seu post sobre a compra de legumes na França, vou lá comentar já! Bj!

Oi, Luci. Mentira "santa" é boa, hein, hehehe. Tá valendo... Bom, o que você falou sobre cada um ter seu tempo é certíssimo. Muitas vezes a angústia nasce quando deixamos de lembrar disso. Não somos robôs programados para viver tudo igual, ne? Bj!

Oi, Patricia. Você sabe que morro de inveja branca do seu talento na cozinha, ne? Mas é até injusto usar o termo inveja nessa frase, porque é uma admiração mesmo, um talento que reconheço como muito especial e que gostaria de ter também. Quem sabe quando eu crescer, ne? Por enquanto vou babando lá no seu blog lindo. Bj!

Tina, e se a gente organizasse um concurso? O vencedor ganhava um "muito bem!" e a gente se encarregava em difundir a nova palavra entre nossos "milhões" de seguidores no twitter. Que tal? Fala a verdade, minha ideia foi genial, vc tá com invejinha dela, não tá?
:-P
Bj!

Tchau, pessoas boas, bom feriadão procês! (pessoal que mora fora do Brasil, desculpa aí, ta?)

Luciana Håland disse...

Acho que alegria alheia é um termo muito bom pra isso, concordo com você que inveja branca, inveja boa realmente é um termo que fica estranho, primeiro porque comeca com o nome inveja. Fica melhor algo como 'estou feliz por você', mas sinceramente eu não conheco nenhum termo para tal sentimento. Vou comecar a usar o alegria alheia.
Beijo

Daniela disse...

ACho que inveja branca está no meu top 5 termos que eu mais odeio no mundo. Associar branco ao que é bom sempre me irrita, pq se "branco é bom", o antônimo disso é "negro é ruim".

Eu sei que não foi absolutamente a sua intenção, mas não posso deixar de comentar.

Beijocas

Rita disse...

Luciana, adorei "alegria alheia". Muito bom mesmo, é bem isso aí. Adotado. ;-)

Oi, Dani. Olha, gostei muito de sua observação. Outro dia rolou um papo semelhante nos comentários lá do blog da Lola em relação ao termo "humor negro". Enfim, o que você diz procede porque é assim mesmo que o discurso funciona, nas entrelinhas, no óbvio que deixamos de enxergar. Eu sei que é muito Foucault pra um sábado, mas seu comentário é relevante. Alegria alheia de agora em diante.

Beijos, queridas.
Rita

 
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