The storyteller



Um comercial qualquer na TV, em meio ao desespero para vender tudo antes do Dia dos Pais:

Não basta ser filho, é preciso presentear!

Oi? É preciso? Presentear é preciso? Não dá, não dá.

Cada vez mais sinto arrepios diante das eternas manipulações de nossas "vontades". Não é novidade para ninguém as invencionices em torno de datas e "ocasiões especiais" que nos transformam em compradores desesperados. E frustrados. Porque é praticamente impossível não se frustrar diante da obrigação de agradar, homenagear, celebrar - tudo com presentes, ai que sono. Mas, mesmo não sendo novidade alguma, ainda me surpreendo com as falácias repetidas como mantras.

É, azedei hoje.

***

Vocês estão sabendo que minha sogra veio passar um tempo com a gente, certo? E aí veio esse clima de Sibéria, com céu cinza e nuvens pesadas o diiiia inteiro. Frio de doer o osso, janelas lacradas, portas fechadas. Assim, pra levantar o astral da pessoa, sabe? Sem caminhadas, sem sol batendo no rosto, sem flores colhidas na calçada. Só sala. Até eu, que gosto de inverno, reconheço que dias mornos e azuis seriam bem vindos agora. Mas ela segue firme, ladeira acima.

***

Agora há pouco rolou a hora da história. Vovó participou do finalzinho, adorou aquela contação comprida - a história de hoje foi especialmente longa, Arthur escolheu Poltrona de Piolho. Vovó disse que relaxou com aquilo, ouvindo a história na cama do neto. Ulisses então ofereceu: quer que eu conte uma pra senhora dormir, também? Ela quis. E ele foi lá, livro das crianças embaixo do braço, contar história para a mãe dormir.

Eu acho que basta ser filho.


10 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Basta ser filho. Ou neto. Ou sobrinho. Ou irmão. Ou amigo. Basta ser. Beijos admirados, este post azedo estava um doce, rsrsr

Patricia Scarpin disse...

Que delícia de história, Rita. Lá em casa nunca tivemos isso de contar história pra dormir, se um dia tiver um filho vou adotar esse hábito.
Beijo, querida!

Luciane Curitiba disse...

Ooohhnn!! Contar histórias pra mamãe dormir? Vou guardar esse post para mostrar pras minhas filhotinhas, amei!!

Anália disse...

Oi, Rita!
Realmente essa pressão do consumismo tb me deixa azeda, principalmente quando o apelo é às crianças.
Bjs,
Anália

Rita disse...

Oi, borboletante Borboleta: obrigadinha, doce é você. Ó, nada contra os presentes, claro. Tudo contra a obrigação de presentear. Né? Bj!

Patricia, minha linda, hoje foi a vez d'O Boizinho Azul! Recomendo muito a prática, viu? Os pequenos simplesmente adoram, vira um ritualzinho delicioso, eles entram no clima, tomam gosto pela leitura e ficam articulados como o quê. Depois...haja resposta pra tanta pergunta! Beijão!

Luciane, não é a coisa mais linda do mundo? Bj!

Oi, Analia, obrigada pela visita e por comentar! Pois é, e a gente nem se dá conta de que fica até ansioso com tanto presente para comprar e não "falhar" com as datas todas, ne? Ai, odeio. Beijocas, venha sempre, viu?

Boa noite, pessoas (ai, que frrriioooo).

Rita

Vivien Morgato : disse...

Caraca, Rita, caraca....achei isso tão maneiro, mas tão maneiro que até me arrepiou: puta cena linda.

Ouvi um conto infantil que tinha essa pegada: a mãe conta historinha, passa o tempo, ela continua, coisa e tal. Até que ele conta pra ela, quando ela está velha.


Mas esse conto DE VERDADE, é lindo demais.;0)

Caso me esqueçam disse...

e nao eh? eu odeio tanto essas datas que chego ao ponto mesmo de ser malvada. dia das maes passou em branco pra minha. depois ela veio me cobrar ao menos um email parabenizando ela. fiquei com peninha porque moramos distantes, acho que peguei pesado. mas enfim, fim um email bem bonito enchendo o ego da madame, porque ela merece. no final ela admitiu que soh queria ser babada mesmo hehehe lindinha.

Rita disse...

Vivien, não é mesma a coisa mais fofa desse mundo? E ela adorou, bonitinho demais!
Bj, linda! Tô lendo tudo de Recife lá, viu?

Luci,ooohhh, tadinha! Bom, eu bajulo, dou presente e tals. Mas não gosto de me sentir pressionada. Pressionada pela mídia então, é o ó, ne? Mas domingo vou encher o Ulisses de beijinhos, ah, vou! ;-)

Rita

Sinara disse...

Puts... Só li esse post agora... Amiga, digo, pra valer: esse foi o MELHOR POST QUE JÁ LI NO ESTRADA!!!!!
É isso mesmo... Basta apenas ser filho...
Tu bem sabes das minhas 'caminhadas' com a minha mãe... Agora, papéis definitivamente invertidos, sou mãe e ela filha. É duro, muito duro tomar conta de quem cuidou da gente a vida inteira... Vem o egoísmo de querer colo o tempo todo, vem o sentimento de não querer aceitar a "(i)lógica" da vida e aceitar que os pais envelhecem e ficam tão dependentes (leia-se frágeis) - quero minha mãe-super-mulher de volta!
O Ulisses é heroi... Não por demonstrar tanto amor e cuidado com a mãe... Não só por isso... Mas por ser um homem com H maiúsculo mesmo: pai presente, marido mais que carinhoso, amigo fantástico, filho que agora é pai... Esse presente aí é que não tem preço! Bjs! Saudades...

Rita disse...

Oi, Si.

Obrigada, querida, esse post é especial pra mim também. Eu sei do valor da pessoa que tenho ao meu lado, mas todo dia descubro outra razão para me reapaixonar. :-) Assim como sempre me lembro de muitas razões para gostar cada vez mais de certas amigas especiais... beijos pra você e pra bonitinha da sua mãe. Saudades daqui também,
Rita

 
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