Passou


Como assim, até a sexta-feira já passou? Aff. Mais uma semana me engoliu e nem vi. Papelada, correria, atrasos. Falaram, em algum lugar, que cada cigarro nos tira quatro dias de vida e cada dia de trabalho nos tira oito horas. Mas há quem diga que isso só vale para aqueles que não gostam do trabalho, pois, como outro alguém também já falou por aí, quem ama seu trabalho não se sente trabalhando um dia sequer. Hum.

Não amo meu trabalho. Deveria, mas não amo. Gosto dele. Em alguns dias. Em outros, abomino. Normal. Mas eu bem que deveria amar meu trabalho, viu? Não posso ser hipócrita a ponto de menosprezar a segurança e outras conquistas que ele me proporciona. Tampouco deixar de reconhecer a importância de que ele seja bem feito. Mas amar, não, não chega lá, nem nos melhores dias. Repito, deveria chegar. Mas esse post não é sobre estruturas, focos, projetos, revisões indispensáveis. Não. Esse post é sobre hoje já ter sido sexta-feira e eu ter a nítida sensação de ter perdido a segunda, a terça, a quarta e a quinta.

Este post é sobre minha vontade de viver outras tantas coisas que meu trabalho não pode me dar, porque ele me dá salário e segurança, mas pede meu tempo em troca. E aí não tem jeito, não sei esticar o dia. Eu sei, pessoas, muito mimimi, né? Tá bom, parei. Vou só dizer que penso muito no nosso modo de vida. E nesse script que nos entregam lá no início da nossa juventude e que seguimos quase à risca vida afora. E que repassamos aos filhos. E aí você pergunta, uai, e dá pra ser diferente? E eu respondo, uai, e tá bom assim? Os dias passando sem a gente ver, com nossos narizes enfiados na tela do computador, nossos ouvidos grudados ao telefone, nossas mãos digitando loucamente? E nem estamos digitando romances, nada. São memos e ofícios. Aí você me diz, uai, mas e não há de ser feito? E eu paro, respiro e penso: ó, céus.

Então tá, a gente espera a aposentadoria. (Da série "frases tristes".)

Não me xinguem, sei que é duro não ter emprego. De novo, não é disso que estou falando. Estou tentando dizer que, de repente, a gente está muito equivocado. Profundamente. Não tem jeito, só vem um mantra à minha cabeça (e soa bem anos 80): ô raio de sistema, viu? Vocês não topam voltar pro escambo, não? Troco três pares de bota por um livro, que vou ter tempo de ler. E um quilo de farinha de aveia, porque não sei o que fazer com ela, por um pote de requeijão*. Alguém?


*Se me oferecer requeijão light, dou só meio quilo da farinha.

3 comentários:

Amanda disse...

Logico que da pra sair do sistema! Eh muito dificil dar o passo inicial, te chamam de louco, de irresponsavel, de doido varrido e tentam te convencer que o sistema é a melhor forma de viver a vida. Mas uma vez que vc da o primeiro passo, o mais dificil, tudo fica muito claro e vc pensa "como não fiz isso antes?".

Vai Rita, junta uma grana, compra uma van, leva essa garotada pra viajar pela America Latina (ou qualquer outro lugar) por um ano inteiro! Depois vc volta, nem precisa ser uma mudança tão radical assim! ;)

larissa disse...

kkkkkkkkkkkk
Adorei essa sugestão da van pela América Latina. Tava até pensando em me juntar a uns amigos revolucionários pra fazer isso.
Oh vida desesperada, viu?
Minhas manhãs estudando umas coisas inaplicáveis, as tardes enviando ofícios e trabalhando em procedimentos administrativos que gastam muito papel e não resolvem nada, e as noites estudando coisas que só me levam a reproduzir esse mesmo modelo.Sem tempo pra ler nem assistir meus filmes. Mas ainda não achei outra alternativa.
Crise existencial.

Rita disse...

Amanda e Larissa: se amanhã a minha mãe começar a arrancar os cabelos por eu ter largado o emprego e virado hippie, vou falar pra ela ligar pra vocês. Hhahahahaha!!

:-) Sou madura?

Beijão, adorei a sugestão, Amanda.

E Larissa, querida, bem vinda ao clube. Senta aí. :-D

Rita

 
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